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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Recantos...

 

Sentado à Beira-mar, com essa imensidão diante de mim, escondendo os meus pés na areia molhada...

O escurecer vespertino que convida a nostalgia, numa dança imperfeita, que se entrelaça com a perfeita perfeição de um leve imaginar.

O mar vai e vem, regressa e se afasta, se aproxima e se distancia, abraçando intermitentemente a minha alma.

Na areia escrevo desconexamente palavras ao acaso, num sentido partilhar de algo que nem eu sei...

Fecho os olhos e deixo avivar os sons que parecem se libertar em mim, através da gigantesca força daquele mar azul.

Sou tão pequeno...

Tão insignificante parece ser um destino, por entre, o turbilhão  de vidas que se escapam na bruma das ondas, por entre esse encontro de passados e futuros...

Por entre este presente que é agora...

Só agora.

E já passou...

Se escapou, eternamente, sem regressar.

Mas naquele ondular primaveril se acalma a alma, se enternece o olhar, amacia o coração, cansado de amarguras, desventuras, agruras que se pintam nos céus.

Seria tão mais fácil, se por um instante, o tempo parasse e num momento, em cada regresso das ondas, pudéssemos escolher para a eternidade, aquele segundo, onde por ventura, fomos verdadeiramente felizes.

Talvez por isso, aqui volte sempre...

Sempre.

Esperando escolher esse momento, essa misteriosa vontade de não ter mais saudade...

Ou tendo, sacia-la de uma vez, amarra-la definitivamente e não mais chorar, misturando as minhas lágrimas nesse mar salgado que insiste em chegar.

Todas as lágrimas do mundo nessa imensidão de água a meus pés.

A meus pés...

Parte de mim.

Levantei-me...

Caminhei de volta para a realidade, para o mundo onde não cabem os sonhos, os pequenos contos de criança.

Caminhei, sabendo que ali voltaria, como sempre, carregado de uma desesperançada esperança, de me entrelaçar com essa eternidade perdida...

Perdidamente repleta de reencontrados reencontros, de anseios e planos, amores e danos, memoráveis sonhos ou recordações.

E a cada passo...

Me afasto desse regaço ou abraço, somente entregue à doce imaginação de cada espaço, em cada letra, por cada palavra, de cada linha.

No mar ou pelos recantos do coração.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Nas Asas...

 

 

 

Nas asas da imaginação;

Se esconde o verdadeiro,

Pedaço de sedução,

Que se torna primeiro,

Amarrado à emoção,

Desse beijo derradeiro...

 

Nas asas do vento;

São levadas memórias,

Dores e sofrimentos,

Esquecidas histórias,

Desventurados tormentos...

 

Nas asas da vida;

Se coleccionam páginas,

Por vezes, carregadas de feridas,

Por outras, despojadas de tudo...

 

Nas asas de um texto;

Se vão perdendo lágrimas desencontradas,

Vozes soletradas,

Pedaços de uma canção...

 

Nas asas...

 

 

 

 

Para Sempre...

 

 

 

Sabes bem;

Que é eterno,

Mesmo que a dor,

Não me permita dizer,

Que é fraterno,

Mesmo que não o possa escrever,

Que é  desmedido,

Esse sentir que não cabe numa poesia...

 

Sabes que pincelado num quadro;

No fundo de um corredor,

Se escondem as lágrimas perdidas,

 Dolorosamente esquecidas,

Nessa entrelaçada ferida,

De uma vida...

 

Sabes bem;

Que aqui estarei,

Como sempre...

 

Para sempre.

 

 

 

 

 

 

 

 

Alcochete: A Juventude "Hitleriana"...

 

As novas imagens de Alcochete, passadas na televisão Portuguesa, demonstram o Caos e a vergonha ali ocorrida.

Um pedaço de horror e vandalismo, um exército às ordens de um déspota descontrolado, dando voz a um projecto pessoal de poder.

Tudo fica um pouco mais desnudado...

A violência do acto, o desespero de Jorge Jesus, a manada descontrolada, a conspiração apoiada por Bruno Jacinto.

Um dia, há tempos atrás, ainda Herr Bruno controlava o clube a seu belo prazer, comentava neste blogue, os tiques autoritários desse seu líder, assim como, dessa milícia que ameaçava cumprir as vontades do tresloucado ditador.

Apelidei-os de "Gestapo" ou "Juventude Hitleriana", para revolta de alguns que hoje parecem ter sido, toda a vida, opositores de Bruno.

É assim a vida, dos contorcionistas de carácter...

Não me restam dúvidas que o meu Clube está impregnado deste tipo de "gentalha", mentes pequenas, incapazes de fazer a diferença pela positiva.

O Sporting é, enfim, mais do que autofágico...

É uma contradição permanente.

Que tristeza.

No meio disto tudo, não posso deixar de escrever, uma palavra para Jorge Jesus:

Obrigado pela lição  de coragem, de liderança...

Não pelos treinos ou pelo futebol jogado, mas pelas imagens que me marcarão eternamente, por olhar nos olhos dos agressores, pelo apontar de dedo, pela forma destemida e exemplar como se ergue contra os boçais amestrados que invadiram Alcochete.

Para mim, esse gesto vale mais do que um golo ou de que um título.

Isso representa a essência da vida.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

O Regresso Do IRA?

 

Tenho de admitir que, esta manhã, me assustei...

As noticias davam conta do regresso do IRA, em força, com novos desenvolvimentos e até com uma Portuguesa, como um dos seus principais rostos.

Meu Deus!

Isto deve estar relacionado com este acordo para o Brexit, a suposta fronteira entre as duas Irlandas ou a falta dela...

"Esta Portuguesa, deve ser Luso-Descendente." Pensava inquieto e ainda ensonado, estupefacto em frente da televisão.

Encapuçados, em pose ameaçadora, capazes de enfrentar o mundo pelas suas convicções, estilo Daesh...

Que horror!

No entanto, num singelo momento, algo em mim se questionou:

Mas o que faz um cão, pincelado, naquele pano aterrorizador por detrás dos supostos terroristas?

Que estranho!

Começo lentamente a despertar e também  o meu cérebro dá sinais de querer raciocinar...

Pan?

Cãezinhos?

Foi então  que me apercebi...

Terrorismo à Portuguesa, carregado de estranhezas, inusitadas ligações e perturbadoras formas de contestação.

Escrevam o que vos digo:

Qualquer dia teremos um Canídeo na Assembleia da República, como Deputado da Nação, tal o ponto a que já chegámos.

E o pior...

É que deverá fazer melhor trabalho do que alguns Senhores que por lá andam.

Pois para isso, bastará aparecer...

Sem faltas.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

A Justiça Versus As Portas Dos Tribunais...

 

Mais um dia de discussão judicial, de televisão em televisão, de parangona em parangona, de comentador em comentador, de estupidez em estupidez.

Do Bruno culpado, preso definitivamente, passámos para o inocente, libertado em nome de uma justiça popular que se verbaliza sem dentes, com ranho e postiços, num qualquer microfone à porta de um tribunal.

Mas enfim...

Nada faz sentido.

Deixando de lado as minhas convicções, sobre os "acusados", pois a justiça não deve compactuar com convicções populares, muito menos transforma-las em sentenças, importa realçar a minha perplexidade com o andamento dos dias...

Destes dias em que a "novela" Bruno e o atrelado Mustafá, se tornou o assunto mais falado cá do sítio.

A decisão de prender Bruno de Carvalho durante cinco dias, para que este prestasse depoimento, tem tanto de absurdo como de arbitrário, uma manifestação de um poder judicial bacoco, prepotente e autoritário.

Quer ouvir?

Convoque...

Notifique e só em casos excepcionais detenha, prive da liberdade aqueles que gozam da presunção de inocência, ainda para mais, quando nem acusados se encontram.

É o mínimo.

Mas para tornar tudo mais inusitado, atentemos ao despacho que decretou a liberdade daqueles dois arguidos:

O Juiz considera que Bruno e Mustafá podem, em liberdade, perturbar o processo...

Mesmo assim liberta e não proíbe o contacto entre arguidos.

Considera ainda que existe perigo de fuga...

Mas não apreende os seus passaportes.

Esta deliberação alerta, ainda, para a possível e grave perturbação da ordem pública...

E mesmo assim não impede ou limita a acção dos mesmos, em determinados locais públicos.

Mustafá, esteve nesta mesma noite, no Pavilhão  do Sporting, a ver um jogo de Futsal.

Por fim...

O Juiz salienta, de forma veemente, a indiferença dos arguidos diante do sofrimento causado às vitimas deste processo, fazendo assim, um perturbador julgamento que deixa antever o seu pensamento.

E mesmo assim...

Liberta.

São estas contradições que perturbam um leigo cidadão, como eu, num confuso jogo de palavras e intenções que mais uma vez desmerecem a "Justiça".

A decisão da Magistrada Pública, de supostamente, recorrer desta libertação, divulgada em alguns canais de televisão, demonstra o descrédito que anteriormente descrevi, numa entrelaçada promiscuidade entre o poder judicial e o "mundo" jornalístico que corrói  desmedidamente o digno "julgamento" democrático.

O singelo direito de todo cidadão, ambicionar um justo tratamento entre a acusação e a defesa.

Mas assim prossegue a dita Justiça, sem nexo ou sentido.

De uma coisa tenho a certeza:

Nem Bruno se tornou "culpado" no dia em que foi detido, nem se tornou "inocente" por não ter ficado preso preventivamente.

Quanto às descontroladas convicções...

É esperar pela próxima porta de um Tribunal.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

Beijo Teu...

 

 

 

Oiço uma canção no ouvido;

As palavras de um poeta,

Nessa mágoa em cada esquina,

Ardor ou dilema,

Pedaço de ferida,

Perdido em meu poema...

 

Num abismo;

Cavado, por entre, lágrimas,

Poesia ou sismo,

No meu desmedido coração...

 

E batendo timidamente;

A cada passo solitário,

Vai sonhando cinicamente,

Com esse futuro,

Que não chegará...

 

Mas valerá a pena;

Amor...

 

Valerá sempre a pena;

Sonhar sem adormecer,

Abraçar nessa terna despedida,

O leve esmorecer,

Da alma...

 

Ténue morrer;

Num imenso viver,

Que recusarei esquecer,

Por entre...

 

Cada beijo teu.

 

 

 

 

 

 

No Fundo Da Alma...

 

 

 

Um grito preso na garganta;

Nessa garganta que quer gritar...

 

Um grito mudo;

Silenciado num segundo,

Nesse instante secreto,

Impreciso e discreto,

Da maldita ilusão,

Gritada ao coração...

 

Mas que já vai tarde;

A doce amargura,

Sem fazer alarde,

Dessa singela aventura,

Que findou...

 

Tenho um grito a gritar;

Um fim escrito,

De uma dor a cravar,

No pedaço maldito,

Desse destino...

 

Tenho um grito;

Por entre tantos medos,

Guardado nas lembranças,

Lembradas...

 

Sem fim.

 

 

 

 

A "Justiça" Meretriz...

 

A justiça comporta-se como uma "prostituta", sem venda, com uma câmara de televisão, em vez, de uma balança.

É assim que vejo a Justiça mediática que nos rege.

Ao saber das sentenças do caso BPN, não posso deixar de reflectir sobre as palavras de Saragoça da Matta, que viu o seu cliente ser absolvido de todos os crimes de que foi acusado.

" Esta absolvição não retira anos de capas de jornais ou títulos caluniosos."

Tem toda a razão.

O que me chocou no dia de ontem, nesta prisão de Bruno de Carvalho, foi esta espécie de circo mediático que atropela tudo e todos, sem respeitar os princípios básicos de um cidadão ou dos seus familiares.

Como é possível uma televisão ser avisada de buscas em casa de um arguido, filmar o seu prédio, a rua, o número da porta...

Enfim, tornar pública a morada do dito cidadão e da sua família.

Como é possivel que o seu advogado e seus familiares, sejam massacrados por uma matilha de jornalistas, preparados para devorar cada gota de tragédia, cada inquietamento, cada pedaço de amargura.

Como?

É nesta mistura de indecência e justicialismo que se encontra a minha incredibilidade com esta Justiça, "Reality Show", que tanto satisfaz os ressabiados de plantão...

Repugna-me esta mediocridade.

Por fim...

E  antes que para aqui venham  os caciques do momento, leiam o que penso sobre a personagem, o que sempre pensei e como nunca me inibi de escrever sobre o que este representava.

Mas isso não me permite prostituir os valores que sempre defendi, em nome de uma satisfação bacoca, dos que se contentam com a desgraça alheia.

Somente isso...

E isso, não é de somenos.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Para O Meu Querido Lourenço...

 

A vida é feita de momentos, de pormenores ou pormaiores, se quisermos...

Este Sábado tive o gosto de estar presente no Baptizado do meu sobrinho Lourenço, irmão  da minha "afilhada" Didi.

São  estes momentos que se guardam no recanto mais secreto da alma, naquele pedaço de emoção, onde apenas o que nos é mais querido, permanece.

Uma cerimónia encantadora, bela e simples...

Aliás, não seria de esperar outra coisa, tendo este menino como Pais, a minha querida Verinha e o meu caríssimo amigo Lourenço.

Ao som de violino, vários foram os momentos carregados de sentido, de uma intensa felicidade partilhada por todos os presentes, dando um toque de privilégio, a cada instante, em cada um de nós.

Impressionante, como a "minha" Didi se comportou bem, com menos de dois anos,  não podendo me esquecer de referir, a "nobreza" do pequeno Lourenço...

Nem uma lágrima, nem um ruído, comportando-se com uma altivez, não exigível  a um menino, com pouco mais de dois meses.

Tudo decorreu de forma encantadora, com um brilho especial no olhar do Tio Artur e da Tia Mily, Avós do "nosso" Lourenço.

Em cada conversa, a cada palavra, mais inesquecível se tornava este dia, estas memórias que ficarão para sempre, sendo sempre muito pequeno para expressar a intemporalidade de tamanho momento.

Ao Lourenço, para que nunca se esqueça, por entre o brilho dos seus, tão bonitos, olhos azuis...

Ficarão guardadas estas palavras:

Gosto muito de si, Sobrinho meu.

Que neste caminho, feito destino, possamos seguir juntos, com a certeza de poder, eternamente, contar com o carinho deste Tio, orgulhoso do menino que será.

Que sinto que será...

Pois com Avós e Pais como o menino tem, só poderá correr bem.

Um beijo com um carinho imenso...

Do "seu" Tio Pipo.

 

 

Filipe  Vaz Correia