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Caneca de Letras

11.09.21

 

 

 

 

Este vídeo foi para mim uma inenarrável descoberta pois nunca o havia visto, nem olhado para o 11 de Setembro desta indescritível perspectiva, de um helicóptero da NYPD.

Imagens arrepiantes e que permitem vislumbrar este horror de uma forma, se isso é possivel, ainda mais emocionante.

20 anos se passaram...

E o mundo jamais voltou a ser o mesmo.

 

As imagens são da revista Veja, publicação que não simpatizo desde o acto hediondo cometido com Cazuza no século passado.

No entanto, a actualidade e o tempo podem permitir que desta vez, excepcionalmente, publique um vídeo da Veja nesta Caneca...

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

29.03.18

 

Arnaud Beltrame...

Um simples nome que prometo não esquecer, assim como, esse legado de um instante, marcadamente destemido, se eternizará por entre a memória de um País.

O enterro do Gendarmerie Francês que ousou trocar a sua vida com a de um refém, durante o atentado a um supermercado em Trèbes, silenciou por momentos o rebuliço quotidiano de uma França dos tempos modernos.

Neste fim esmagador, arrebatadora forma de nos recordar o heroísmo que resiste na essência Humana, subsiste esta tristeza inerente à morte.

Beltrame tombou às mãos de Radouane Lakdim, terrorista Islâmico de 25 anos, negando a capitulação diante da cobardia imensa, dando a sua vida para que outra pudesse continuar a viver...

Essa sobrevivente é Mãe de uma criança de dois anos.

Ao compreender a história, ao ler a tragédia, mais me arrepia o acto, o desesperante momento em que este simples homem, se tornou herói.

Emmanuel Macron prestou a sua Homenagem a este Gendarmerie, no pátio do Hotel des Invalides, transportando com ele todo o sentimento do povo Francês.

Por vezes estas histórias parecem escritas numa qualquer tela de um cinema, retiradas da amargura Humana, ficcionada, sem a carga irreversível de um destino...

No entanto, não foi assim.

Arnaud Beltrame morreu...

E o seu legado serve de lição para um mundo cada vez mais embrenhado na individualidade mesquinha, de um singelo olhar.

Até sempre Monsieur Beltrame...

Merci Beaucoup.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

18.08.17

 

 

 

Pedaços de gente;

Espalhados pela rua,

Vidas inocentes,

Tristeza crua,

Olhar descrente,

Da alma nua,

Ali esventrada...

 

Choro e lágrimas;

Desespero e sofrimento,

Gritos repletos de dor,

Vozes de tormento,

Num interminável ardor,

Sem fim...

 

Nas calles de Barcelona;

Por entre as pinturas de Miró,

Silencia-se por um instante,

O rebuliço constante,

De todos nós...

 

E em cada pintura;

Pincelada no coração,

Vai ficando a amargura,

Desse horror Catalão,

Que nos pertencerá,

Eternamente.

 

 

 

 

 

 

 

 

23.05.17

 

O pesadelo tornou-se realidade ontem à noite, num concerto de Ariana Grande, em Manchester...

Como é possível?

Pergunta que atormenta todos os que assistiram incrédulos, às noticias que passavam de televisão em televisão pela madrugada a dentro.

Crianças, adolescentes na sua maioria, em pânico, desesperados saboreando pela primeira vez aquilo que nenhum Ser Humano deveria experimentar:

O desesperante horror de um atentado terrorista.

Ao ver aquelas imagens a sensação com que ficamos, é de uma insegurança constante, existente em qualquer ponto do mundo, à mercê de um qualquer alucinado que sinta nos desmandos do seu errante cérebro, um chamamento para este terror sem quartel...

Como prosseguir com a rotina, sem que esse crescente medo tome conta de todos aqueles que querem viver sem as amarras de um tormento presente?

Como nos libertar dessa constante preocupação por nós e por aqueles que amamos?

O que directa ou indirectamente estes terroristas medievais pretendem, é na verdade, condicionar o dia-a-dia das pessoas, introduzindo essa mesma insegurança, como um padrão comum ao quotidiano cada vez mais sombrio, nesse receio tão Humano que nos invade...

Como pode um pai deixar o filho ir a um concerto sem que esta preocupação o tome de assalto?

Como conviver com este tormento de a qualquer momento um louco destruir a vida de alguém que amamos?

É neste tipo de dúvida e de pesadelo, que se encontram aqueles que vivem nestas sociedades atormentadas por este tipo de radicais, sem amor pela vida do outro ou mesmo pela sua...

E assim importa recordar o único caminho que temos para lutar contra este tipo de terror:

O de não cedermos ao medo, à insistente vontade, de condicionarem o nosso modo de vida.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

17.01.17

 

Ainda me sinto no meio do escuro;

Daquele turbilhão, sensação,

Que invadiu o meu coração,

Durante esse momento, explosão,

Que virou vazio, escuridão...

 

Explosão de medo, incertezas;

Tantos olhares de estranheza,

Vidas perdidas com a certeza,

Dessa tão triste, tristeza,

Cobardia...

 

Ainda me sinto tremendo;

Deitado, esperando,

Ouvindo e gritando,

Aguardando, rezando...

 

Só eu sei os que morreram;

Os que vivendo, pereceram,

Os que respirando, tombaram,

Estando vivos, desapareceram...

 

Porque não basta morrer;

Para a morte resgatar,

Esse deixar de viver,

Nesse Bataclan a recordar...

 

Já não vivo;

Mas a minha dor será eterna.

 

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