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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Desmedidamente...

Filipe Vaz Correia, 12.10.19

 

Se dói, deixa arder;

Deixa entrelaçar essa dor,

Esse fogo a corroer,

Essa forma de ardor,

Numa misturada interrogação do Ser,

Que se arrebata num torpor,

Num torpor a aprender,

Cada pedaço de um amor,

 Sem medo de o viver.

 

Vai continuando a sentir;

Sem receio do formigueiro,

Esse medo a fugir,

Num domingo domingueiro,

Cada toque a pedir,

Esse beijo derradeiro.

 

E num instante a despedida;

Essa espécie de partida,

Esquecida ferida,

Tão intensa e desmedida.

 

Desmedidamente verdadeiro...

 

Desmedidamente inteiro...

 

Desmedidamente Amor.

 

 

 

Monchique...

Filipe Vaz Correia, 09.08.18

 

 

 

Dias e dias a arder;

Numa angustia insistente,

Presa ao olhar das gentes,

Abandonadas e impotentes...

 

Em cada chama um vazio;

Um pedaço de nada que fica,

Dor e desvario;

Ardor que se intensifica...

 

Dias e dias a arder;

Nessa Monchique Algarvia,

Essa serra a sofrer,

Sofredora agonia...

 

E por entre tantas palavras;

Tantas esperançosas politiquices,

Mais um ano de vergonha,

De fogos e vigarices.

 

Dias e dias a arder...

A arder.