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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Os Solitários Versos De Um Poeta

Filipe Vaz Correia, 16.06.19

 

 

 

Não quero mais sorrir;

Doce forma de mentir,

Num ápice a fingir,

Disfarçando o ferir,

Que se instala...

 

Não quero mais caminhar;

Abrir os braços e voar,

Soletrando o divagar,

Tão imenso renegar,

De um abraço...

 

Não quero mais querer;

Nem tão pouco insistir,

Somente entorpecer,

O leve resistir,

Que ainda subsiste...

 

Entre pinceladas;

Nesse quadro vazio,

Palavras adiadas,

Como peixes num rio,

Se dilui a encruzilhada de tamanhos versos...

 

Solitários versos de um poeta.

 

 

Terra Queimada

Filipe Vaz Correia, 18.10.17

 

 

 

Terra queimada;

Dor abrasadora,

Cheiros de nada,

Mágoa destruidora...

 

Terra queimada,

Ao som de um ardor,

Vidas ceifadas,

Desnudado pudor...

 

Terra queimada;

Vazio que sobrou,

Tragédia cantada,

Que na memória ficou...

 

E já não voltam os mortos;

Filhos ou Pais,

Amigos ou amores,

Eternamente perdidos,

Por entre chamas de horrores...

 

Nesta nossa terra queimada,

Descansará um pouco de todos nós,

Num silêncio Lusitano,

Num imenso grito sem voz.