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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Como Dói Um Grande Amor?

 

Não tenho palavras para esta despedida...

Pois palavras não existem para descrever o que dita a ingénua alma que um dia acreditou na eternidade de tamanho sentimento.

Não existe céu capaz de cobrir a imensidão do que se esconde por entre o silêncio ruidoso, ruidosamente soletrando o que desabridamente se expressa no olhar.

Não cora o rosto que sabendo deste adeus, disfarça timidamente para que nada se torne eterno na mente entristecida, retrato de um desgosto indisfarçável.

Não grita a voz, embargada pelas memórias só nossas...

Tão nossas que se diluíram neste destempero tornado em realidade.

São assim as despedidas de amor ou talvez não...

Talvez poucas se possam mostrar tão doloridas, tão dolorosas como a centelha que incendeia a triste alma, tão cortantes como a dor de tamanha separação.

Não sei viver sem esse respirar teu que me completa, essa parte de mim que se perde em ti, mesmo que despedaçada, despedaçadamente procurando um teu sinal...

Mas não basta buscar esse amor, essa partícula imaculada de um cristalino sentimento, tão puro quanto raro, tão meu que ao mesmo tempo se confunde contigo.

Não basta querer voltar encontrar, quando se perderam por entre as palavras renegadas, por entre as vontades esquecidas, as tristes lágrimas que insisti em esconder...

Não basta querer acreditar que poderemos sobrevoar o tempo, uma e outra vez, voando sem asas, sem esperança ou fé.

Tantas palavras por escrever, por gritar, sussurrando ardentemente o descompasso em que se tornou o triste olhar meu.

Mas sabes bem...

Sabes bem que o compasso deste sentimento se renova sem explicação, se mantém sem mais nada, singelamente fiel a cada pedaço dessa História que nos pertence.

E por isso sem palavras, apenas gritando o silêncio...

Se despede o eterno amor, discretamente contando que numa bela noite de verão, partiu esse último recanto do meu coração.

Até sempre meu amor.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

Palavras Minhas...

 

 

 

Continuo a amar;

Cada parte de ti,

Mesmo que não pareça,

Mesmo que não o consiga dizer,

Não o queira expressar,

Calando desesperadamente,

A imensa vontade,

De te querer...

 

Continuo a amar;

Todos os traços do teu rosto,

Devagarinho a soletrar,

Cada pedaço de desgosto,

Com que insisto em pincelar,

Este amor meu...

 

E perdido por entre as rimas;

Desta poesia,

Por entre o desejo que permanece silenciado,

Vai voando timidamente,

Este amor que eternamente,

Te pertencerá.

 

 

 

 

 

 

 

Só...

 

 

 

Vai tão só,

Tão só de solidão,

Sozinho na imensidão,

Pedaço de dó,

Que doendo sem razão,

Vai escondendo a explicação,

Para a inexplicável desilusão...

 

Vai tão só;

O que anteriormente era esperança,

O que no teu olhar sorria,

No meu se cumpria,

Tamanho destino...

 

Vai tão só;

Que se perdeu,

A intensa chama,

Apagada vontade,

De te voltar a amar...

 

Vai tão só;

Eternamente.

 

 

A Minha Montanha

 

 

 

Do alto da minha montanha;

Vislumbro ao longe,

Bem ao longe,

Quase se perdendo no olhar,

As asas que timidamente,

Insisto em não usar...

 

Do alto dessa montanha;

Hesito em partir,

Deixar para trás a presente tristeza,

Que persiste em ferir,

O que há muito desvaneceu...

 

Do alto daquela montanha;

Vejo passado e o presente,

Esse futuro que se pressente,

O querer agora ausente,

Só mágoa,

Tão minha...

 

Do alto desta montanha;

Me despeço de ti,

E abraço sem fim,

Essa parte de mim,

Que ainda é capaz de sonhar...

 

Sonhar!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Carta De Amor!

 

 

 

Não serei capaz de esquecer;

O que precisa ser esquecido,

Um desmedido querer,

Ardor sentido,

Intenso bater,

Sentir ferido,

Do meu coração...

 

Não consigo disfarçar;

Essa espécie de lágrima,

Ardente magoar,

Da alma despedaçada,

Que despedaçadamente,

Se entrelaça,

Em mim...

 

Não te irei mais dizer;

O que soletrado em segredo,

Se perdeu nesse sofrer,

Por entre o magoado tempo...

 

E assim discretamente;

Num adeus tão dolorido,

Findou esse amor,

Que prometeu ser vivido,

Sem fim.

 

 

O Meu Sobrinho João...

 

O meu sobrinho João fez hoje 10 anos...

10 anos que passaram num breve momento, que voaram por entre o seu olhar pertinente e curioso, meigo e ternurento.

Parece que foi ontem que lhe peguei ao colo pela primeira vez, em casa de seu Pai, carregado de medo de o poder magoar, de o assustar, mas não...

Desde o primeiro momento, este amor que não consigo explicar se manifestou, esteve presente.

Neste jantar, repleto de risos e alegria, partilhado com a sua Avó Ana, seu Pai Jaime, sua Irmã Matilde, sua Prima Mariana e estes seus Tios, foi um imenso gosto poder olhar para ele e ver o homem que se está a erguer...

A personalidade que na sua alma habita, num menino bem educado, inteligente e respeitador.

Que orgulho "meu" João.

Não posso deixar de recordar a partida do meu querido Tio Jaime, seu Avô, neste dia de anos em que pela primeira vez, não está entre nós ou certamente estando na alma de todos nós que dele não nos esquecemos.

Muitos parabéns Joãozinho, deste Tio que o ama incondicionalmente, orgulhoso por fazer parte desta sua vida que para mim é tão especial.

Um beijinho com amor.

Tio Pipo

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Sorriso...

 

 

 

Vai se perdendo o sorriso;

Sem deixar de sorrir,

Mesmo que esse sorriso,

Seja apenas a fingir...

 

Fingindo que é verdade;

A ausente tristeza,

Que não é saudade,

Essa incerta certeza,

Que sinto...

 

Sentindo sempre a bater;

Esse amor no coração,

Espécie de sofrer,

Sofredora desilusão...

 

E vai sobrando esse sorrir;

Estranha forma de disfarçar,

Essa mágoa a ferir,

Em que se tornou,

Este amar.

 

 

 

Esquecendo...

 

 

 

Ao vento;

No meio do mar,

Vão sobrando as leves dores,

Do que um dia foi respirar,

Respirar sem fim...

 

Do que na alma existia;

Desse amor que batia,

De cada instante guardado,

Em nós...

 

Nesse nós;

Que era só meu,

Nesse olhar meio perdido,

Do que levemente se desvaneceu,

Desvanecendo ferido...

 

E de orgulho esventrado;

Coração magoado,

Vai se esbatendo o passado,

Outrora sincero...

 

Vou-te amar;

Amando eternamente,

Recordando para sempre,

O que importa esquecer...

 

Pois só esquecendo;

Poderei sobreviver,

A tamanho destino.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quem Já Sofreu De Amor?

 

Gritos e mais gritos, silêncios e mais nada, vozes sussurradas sem alma, despojadas de um querer desamparado.

Poética contradição, desesperada forma de expressar aquilo que se guarda no secreto recanto do Ser, dessa parte secreta que sendo discreta, não se cansa de sentir.

Palavras soltas, reflectindo tantas e tantas voltas imperfeitas, sabores e odores, ódios e amores, imprecisos no olhar.

Já não sei como escrever, sendo a escrita amargurada, já não sei como gritar, o tamanho grito envergonhado.

Não vou fugir, voar por entre o céu pejado de nuvens, as mesmas nuvens que servem de abrigo às lágrimas, que há muito me aprisionam...

Não quero fugir de um abraço, distante regaço, que já não me pertence.

Poderia escrever eternamente, mesmo que as palavras se tornassem ausentes e que as letras me brindassem com o vazio...

Mesmo que esse vazio fosse o único destino da minha alma.

Por vezes é difícil descrever a infinita dor de uma tristeza, tão grande tristeza, meio nobreza, de uma eterna separação...

Por vezes é difícil explicar ao coração, que esse sentir não passará de ardor, que aquele sofrer se tornará eternamente dor e que por fim...

Por fim a distancia será a constância desse viver.

Mas apenas isso se tornará...

Apenas esse momento ficará.

E vai passando o destino, se afastando o encontro, adiando o desencontro que não fugirá.

Restará cada segundo que valeu a pena, cada momento sem arrependimentos, cada pedaço sincero vivido...

Sem medo, sem receio, sem olhar para trás.

Sempre sorrindo.

 

 

Filipe Vaz Correia