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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Velho Poeta

Filipe Vaz Correia, 08.06.22

 

 

Tristeza no olhar;

pele marcada a tracejar,

infelicidade no rosto,

salgado desgosto,

num fio a brilhar,

no sol de agosto.

 

Velha e matreira dor;

flamejada da brava saudade

um sentir sofredor

entrelaçado na idade.

 

E volta o tempo a voar;

nas asas de um condor

infelizmente sem regressar

aos braços de meu amor.

 

Chuvas de Verão

Filipe Vaz Correia, 06.06.22


Estampado no rosto;

entre chuva de verão

se constrange o desgosto

na palma da mão.

 

Na ombreira da porta;

por entre sombrias melodias

reza a velha torta 

afagando as suas fantasias.

 

Sem sonhos para sonhar;

lágrimas para chorar

sem anseios a suspirar

ou vontades a chegar.

 

E foi escrevendo o velho poeta;

cada linha desta oração

afastando os medos que despertam 

despertares do coração.

 

Porque amar é a singela e derradeira

vontade cimeira

de eternamente sentir.

 

 

 

 

Parabéns Mãe

Filipe Vaz Correia, 02.06.22

 

A minha Mãe faria hoje 87 anos, partiu há quase 12...

O tempo na sua infinita crueldade e contraditória calmaria traz esse doce amargo de boca que é a relativização da dor, da perda.

No entanto, pelo menos no meu caso, a ferida permanece aberta, flamejante, pujante na saudade, nesse arfar quase sufocante de um adeus que não pode ser real, do cortar de um cordão umbilical que se torna espiritual.

O dia de sua partida foi o mais triste de minha vida, este dia 2 de Junho era habitualmente um dos mais felizes do ano.

Ia quase sempre à casa batalha onde facilmente encontrava um presente que fosse a cara de minha querida Mãe, colares, anéis, encharques...

Hoje apenas escrevo estas linhas, perco-me no pensamento, busco em mim partes que lhe pertencerão.

Parabéns Mãe.

Amor da minha vida.

 

Do sempre teu;

 

 

Pipo

 

 

Interminavelmente…

Filipe Vaz Correia, 01.06.22

 

 

Vou tentar descrever;

Escrevendo o que sinto por ti,

Sem saber como dizer,

O quão imenso é...

 

É uma forma de sonhar;

Um sorriso discreto,

Um simples escutar,

Desse bater secreto,

Da minha alma...

 

É um querer constante;

Uma verdadeira constatação,

Um prazer viajante,

Viajando pelo meu coração...

 

É um desejo indescritível;

Um carinho arrebatador,

Um mundo indecifrável,

Denominado de amor...

 

É um pedaço de ternura;

Voando através do tempo,

Guardando a eterna candura,

Do meu sentimento...

 

É ardor sem temor;

É buscar sem parar,

Na alegria ou na dor,

Abraçar, Amparar...

 

É tudo isto; 

Interminavelmente...

 

 

Carta De Um Sonho

Filipe Vaz Correia, 30.05.22

 

Adormeci sonhando que outrora voltaria a ser agora, que margens dos rios se fundiam no mar e que na volta de um dia a noite se despiria sem pudor...

Sem pudor de se desnudar e entrelaçar num beijo repleto de ondas e borbulhas, refrescantes cheiros de maresia e algas, de uma amálgama sem passado, inebriante esperança de sentir.

Por entre o sonho, pude sentir cada toque e arrepio, cada pedaço de desvario que se entrelaçou no cenário, mistura de tesão e amor, quase, tentador de um derradeiro aceno.

Quero-te e odeio-te...

Desejo e repulsa, tudo na mesma frase, na mesma alma, na mesma cama.

Fará sentido que uma despedida possa ser quadro e tela, cavalo e cela, lábios e boca?

Quem, em tanto e pouco, sente esse sabor louco de uma noite de prazer?

Adeus...

Na despedida definitiva sobra cada peça de um puzzle, cada satisfação insatisfeita de uma aguarela inacabada, caminhando solitária, por entre, soluços de desapego, numa travagem sem freio que ameaçará regressar enquanto existir memória.

Desperto lentamente...

Nada sobra, nada resta, nada do que se prometeu ficou, perdidamente se esfumando num ténue sorriso do que sabemos não nos pertencerá outra vez.

Até sempre...

 

 

Filipe Vaz Correia