Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Caneca de Letras

Caneca de Letras

Nas Asas...

 

 

 

Nas asas da imaginação;

Se esconde o verdadeiro,

Pedaço de sedução,

Que se torna primeiro,

Amarrado à emoção,

Desse beijo derradeiro...

 

Nas asas do vento;

São levadas memórias,

Dores e sofrimentos,

Esquecidas histórias,

Desventurados tormentos...

 

Nas asas da vida;

Se coleccionam páginas,

Por vezes, carregadas de feridas,

Por outras, despojadas de tudo...

 

Nas asas de um texto;

Se vão perdendo lágrimas desencontradas,

Vozes soletradas,

Pedaços de uma canção...

 

Nas asas...

 

 

 

 

Para Sempre...

 

 

 

Sabes bem;

Que é eterno,

Mesmo que a dor,

Não me permita dizer,

Que é fraterno,

Mesmo que não o possa escrever,

Que é  desmedido,

Esse sentir que não cabe numa poesia...

 

Sabes que pincelado num quadro;

No fundo de um corredor,

Se escondem as lágrimas perdidas,

 Dolorosamente esquecidas,

Nessa entrelaçada ferida,

De uma vida...

 

Sabes bem;

Que aqui estarei,

Como sempre...

 

Para sempre.

 

 

 

 

 

 

 

 

Beijo Teu...

 

 

 

Oiço uma canção no ouvido;

As palavras de um poeta,

Nessa mágoa em cada esquina,

Ardor ou dilema,

Pedaço de ferida,

Perdido em meu poema...

 

Num abismo;

Cavado, por entre, lágrimas,

Poesia ou sismo,

No meu desmedido coração...

 

E batendo timidamente;

A cada passo solitário,

Vai sonhando cinicamente,

Com esse futuro,

Que não chegará...

 

Mas valerá a pena;

Amor...

 

Valerá sempre a pena;

Sonhar sem adormecer,

Abraçar nessa terna despedida,

O leve esmorecer,

Da alma...

 

Ténue morrer;

Num imenso viver,

Que recusarei esquecer,

Por entre...

 

Cada beijo teu.

 

 

 

 

 

 

Parte De Mim...

 

 

 

É difícil;

Para mim...

 

Viver sem ti;

Respirar ardentemente,

Sem esse cheiro,

Que é teu,

Esse sabor que se mistura,

Na alma...

 

É difícil;

Assim...

 

Disfarçar no olhar,

O querer sem fim,

Que se torna em amar,

Sempre que o coração bate...

 

É difícil;

Sonhar...

 

Sem saber encontrar,

Esse pedaço de amor,

Suave definidor,

De um destino...

 

Pois se te magoa;

Me fere,

Se te mata,

Me trespassa,

Se te atinge,

Me consome...

 

Porque é mais do que um amor...

 És parte de mim.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os Melhores Pequenos-Almoços Do Mundo...

 

Nunca gostei muito das manhãs, sou mais noctívago, noites de conversa e escrita, de uma preguiça prazerosa.

Desde o inicio deste ano lectivo, mudei um pouco estas minhas rotinas, passando a levar com a minha mulher, o João  e a Matilde, nossos sobrinhos, ao colégio.

Despertador para as sete da manhã, um corrupio agitado, por entre, banho e horários...

Nunca nada me deu tanto gosto, gosto matutino, como estas nossas viagens em família.

O ritual é sempre o mesmo:

Oito da manhã, hora de os encontrar em casa de seu Pai e iniciar a nossa aventura, ao som dos Abba, cantado a plenos pulmões, numa mistura de conversa e ternura, com o Restaurante do Alberto suspenso no horizonte.

Por vezes temos a companhia da Rádio Comercial, outras vezes, divagamos pelas conversas das nossas vidas...

Sempre com esse amor espelhado em nossos olhos.

Sexta-Feira é dia de pequeno-almoço, encontro marcado mais cedo para podermos cumprir o horário de entrada no colégio, carregado de leite com chocolate e umas "merendinhas", apelidadas por nós, como as melhores do mundo...

E são mesmo.

Hoje o João perguntou-me:

" Tio... Já escreveu no Caneca, um texto sobre os nossos pequenos almoços?"

Não tinha ainda escrito mas prometi-lhe que o faria...

E aqui está.

Descrito por palavras, nesta intemporal relação que nos marca, que nos pertence, sabendo, como julgo que sabem, que destes Tios será sempre isso que receberão...

Um amor incondicional para a vida toda, num caminhar destemido, sempre de mão dada, de mãos dadas.

Pois é apenas isso que conta...

Que importará.

Beijinhos aos dois, com um amor do tamanho do mundo.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

Equinócio D'Amor...

 

Por entre os espaços silenciosos da consciência, se escondem vontades e saudades desse ninguém que um dia fui...

Esse ninguém por construir, sem passado, folha em branco carregada de ambição, esperança e determinação.

Num sono pueril, aquela puerilidade imensa que se entrelaça em nós, onde tudo é possível, faz sentido, em contraponto, com esse destino que nos arrasa, nos derruba, nos desconstrói...

Nesse sono, tão terno, sobram lágrimas inexplicáveis, amores abrasadores, palavras e gestos perpétuos no querer da alma.

E é nesse misto de coragem cobarde que se encontra a doce amargura.

Sim...

Porque, por vezes, pode ser doce a amargura, embevecida tristeza desses inesquecíveis momentos tão secretos.

 

Não me arrependo de um segundo;

Nem por um segundo me arrependo,

Pois não existe arrependimento,

Num tão gigante sentimento,

Que arrebata completamente,

Completando secretamente,

O que incompleto parecia estar.

 

Por isso amo;

Incondicionalmente te amo.

 

E se voltasse atrás, se conseguisse regressar no tempo e viajar impunemente, serias tu a minha eterna escolha, o meu desmedido destino, sem remorsos ou desilusões...

Pois um amor como este, por vezes se confunde, por outras até se perde mas vale sempre a pena.

Valerá sempre a pena...

Meu amor.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

 

Carta De Um Filho...

 

Minha querida Mãe...

Tantas vezes te escrevi e tantas parecem ser tão poucas, para corresponder a tamanho querer...

Essa forma de amar que me ensinaste no gesto, em cada gesto, em cada pedaço desse amor sentido por mim, em mim, somente em mim.

Vi-te chorar, enquanto, para todos sorrias...

Também isso, contigo, aprendi.

Vi-te, sendo fiel a ti mesma, e como essa dignidade me bastava...

Escrevendo, escrevendo, reescrevendo, sempre descarregando em cada letra, um pedaço de ensinamento, mesmo que de forma desgarrada, desesperado contentamento do Ser.

Minha amada Mãe...

Numa carta pejada de saudade, estreita-se a singela vontade de gritar:

Que jamais te esqueço, te esquecerei...

Não por vontade ou escolha, simplesmente, porque é impossível esquecer quem nos pertence, quem inesquecível se torna como o nascer de um dia, a cada passo de tempo, nesta intemporal jornada de tantas vidas.

Serei sempre teu, eternamente teu, tão teu...

Como meu, sempre foi esse amor teu.

Roubaram-me a tua presença, o teu cheiro, esse sorriso inteiro...

Mas a lembrança minha, essa que me alimenta, guarda-te, preserva-te, protege-te.

E nesse lugar, só nosso, recordar-te-ei como sempre te vi...

Encantado com o encantamento de tão belo olhar.

Amo-te.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

Não Tenhas Medo...

 

 

 

Não tenhas medo;

Mesmo que o mundo escureça,

Que o sol se acobarde,

Os gritos se acumulem,

Os dedos te apontem,

As vozes se intensifiquem...

 

Mesmo que se aperte o cerco;

O preconceito desmedido,

Mesmo que tudo isso,

Seja verdade...

 

Não tenhas medo;

De olhar para o futuro,

Com esperança...

 

Pois só cedendo;

O medo te vencerá.

 

 

 

 

 

Quanto Mais...

 

 

 

Quanto mais chega a certeza;

Mais incerto me encontro...

 

Quanto mais me assoma a recordação;

Mais receio tenho em esquecer...

 

Quanto mais palpita o coração;

Mais se entrelaça o perder...

 

Quanto mais o tempo passa;

Mais se amarra a solidão...

 

Quanto mais balança o vento;

Mais aumenta a sensação...

 

Quanto mais o jamais;

Esse jamais maior,

Se torna insistente,

Definidor...

 

Mais relevante se tornará;

O desvio poético,

De um esquecido querer.

 

 

 

 

 

 

 

Até Sempre...

 

 

 

Foi passando o tempo;

Como se voasse do lado de fora da janela,

Pedaços de entretanto,

Com cheiro a canela,

Memórias de espanto,

Recordações sem fim...

 

Foi se escapando o momento;

Levemente sem avisar,

Que seria para sempre esse sofrimento,

Que insiste em voltar...

 

Palavras entregues ao vento;

Numa timidez envergonhada,

De mãos dadas,

Entrelaçadas...

 

Como se fosse eternizar;

Sabiamente,

Num singelo abraço,

Tudo o que vivemos.