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Caneca de Letras

Caneca de Letras

03
Abr20

Oxalá...

Filipe Vaz Correia

 

Olho pela janela;

E vislumbro os silêncios,

De uma Lisboa despida;

Timidamente escondida,

Receando a coroa;

Que se torna ferida,

Esventrando a alma,

Da esquecida essência Humana...

 

Somos todos sem abrigo;

Neste tempo de pandemia,

Palavras soltas ao vento,

Por entre ondas e maresia...

 

Nada parece fazer sentido;

Tudo parece encoberto,

Nesse futuro entorpecido,

Presente deserto...

 

E por entre a esperança;

Essa que ainda subsiste,

Gritam os sonhos cancelados,

De sonhadores passados...

 

Talvez um dia;

Certamente um dia,

Voltaremos a soletrar,

Cada parte do destino,

Sem medo de sentir,

O "normal" querer de todos nós...

 

Oxalá.

 

 

 

 

03
Mar20

As Montanhas Dos Meus Sonhos...

Filipe Vaz Correia

 

Subi montanhas, inimagináveis montanhas, presas aos sonhos inacabados de outrora, aos arrependimentos de agora, às promessas caídas, hesitantes e feridas, a tantos desvelos, em incertos novelos, transbordando de querer...

Subi montanhas, essas tamanhas, onde se escondem tacanhas, as amarguras de uma vida.

Montanhas...

Montanhas agrestes, epidemias e pestes, marcando as vestes de um singelo abandonado.

Já não sobram as marcas, das arranhadelas tortuosas, lágrimas salgadas, palavras sinuosas, de enganos e reparos, esquecidos ao vento, pesado arrependimento, que jamais se repara.

O tempo passa, as escolhas precisas, as mágoas se escapam, por entre, armadilhas vazias, nessa imensidão de esperança que cede lugar ao entediante percurso marcado no trilho de Deus.

Olho para trás...

Bem ao longe...

Buscando as silhuetas de mim, dos meus, dos outros...

Olho para trás...

Para a frente...

Nessa presença, presente, que insiste em se fazer sentir.

Subi montanhas...

Subo montanhas...

Esperando no cimo de todas elas, encontrar esse almejado paraíso que tantas vezes sonhei e encontradamente desencontrar as incertas certezas que temerosamente, por vezes, me invadem.

Subi montanhas...

Para te reencontrar.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

25
Fev20

A Busca Poética

Filipe Vaz Correia

 

Não busco o sol

nem a sua abrasadora verdade,

Não busco a lua

nem a sua secreta saudade...

 

Busco o olhar que se perdeu

as mágoas por contar,

Aquela ilusão que desvaneceu

 desvanecendo o triste amar...

 

Busco as entrelinhas de um poema

na entrelaçada emoção,

Busco os fantasmas nesse dilema

Teorema ou equação...

 

Busco tanto e tão pouco

viajante desesperado,

Busco esse lado louco

na melodia do exagerado...

 

Busco letras e palavras

pedaços de contradição,

Amarras intemporais

Memórias sem paixão...

 

Busco e volto a buscar

sem saber descodificar,

O delírio de encontrar

essa parte de mim...

 

Sem volta.

 

 

21
Fev20

Viajantes De Viagens

Filipe Vaz Correia

Viajam, viajantes de viagens, colibris e andorinhas, ramelas no canto de um olho, zarolho, tristonho, melancólico, esse traço amargo de um alcoólico que se perdeu na beira do ninho, sem saber tropeçou, por entre ruídos sucumbiu, experiência desamarrada de um pequeno recorte num desenho alado, pedaço de enfado que encobre o sorrir.

Palavras entrelaçadas, meio vagas e espaçadas, num blog transcritas, um tanto eruditas, escapulindo de mansinho. Não vou, não quero ir, esse beijo que sobrou, num sonho sonhou, o que a lembrança traída jamais imaginou. Não quero escrever, de repente recordar, cada passo de largada, abraço fachada, na voz repetitiva de um Deus sofredor. Vai e vem, caminho inóspito, pedras e pedras rebolando pela ribanceira, sobranceira questão, altiva multidão que desaparece quando a solidão se instala.

Viajam, viajantes de viagens, por entre, as gentes que sussurram, por entre, as almas que sucumbem, por entre, o tempo ausente que se torna presente sempre que o sol se põe.

Viajam, viajantes de viagens...

 

 

Filipe Vaz Correia 

 

 

14
Fev20

Dia do "Amor"

Filipe Vaz Correia

 

Amar, amor, amantes...

Neste dia dos Namorados, nesse celebrar de novos tempos, comerciais tempos, sobra a essência do espírito da coisa, desse entrelaçado sentir que se traduz naquela que será a maior busca de um Ser Humano...

O amor!

Como caminhar, passo ante passo, por esse destino, vida, procurando uma alma com quem partilhar a caminhada, alguém que no olhar traduza pedaços de um sentir que complete o puzzle, que envelheça connosco, se disponha a cumprir a incompleta história de cada um.

Nem sempre o amor são corações cor de rosa, borbulhas sentidas no estômago ou cupidos de setas apontadas nessa felicidade prometida, porém, acreditar nessa promessa é o destino da destinada poesia, desse amor trágico que por vezes irrompe, desse amar intenso, imenso, desmedido, que nem sempre chega e por vezes chegando...

Chegando se torna amargo, amargando a amargura salgada de uma onda arrebatada.

Um beijo ou um abraço, um toque ou um afago, um olhar ou uma melodia, singelamente disfarçados em poesia, por entre, as promessas eternas de amor.

Amor não tem dia, nem hora...

Como disse Cazuza:

"Amar é agora!"

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

12
Fev20

Poética Melodia...

Filipe Vaz Correia

 

No olhar o brilho

das incautas palavras

o desgarrado sentir

das imperfeitas frases

o desmedido querer

desse pulsar que esmaga

a vontade de amar

que se impõe.

 

Na triste poesia

se escondem entrelinhas

nas entrelinhas envergonhadas

se entrelaçam lágrimas

salgadas saudades

numa maresia infinita.

 

E nesse ondular azul

repleto de movimento

carregando memórias

intensas histórias

escrevinhadas ao entardecer.

 

Vai e vem

solitária amargura

serenamente ansiando

pelo eterno amanhecer

que teima em chegar.

 

Vai e vem...

 

Vai e vem...

 

Até um dia.

 

 

05
Fev20

Um Amor Sem Fim... (Muito Mais Do Um Programa De Televisão)

Filipe Vaz Correia

 

Os dias simpáticos e os simpáticos dias, por vezes contraditórios na essência ou na desgarrada lembrança que sobra...

Uns dias tememos outros sofremos, outros sorrimos ou sem saber morremos, daquela morte devagarinho que chega de fininho e que vai toldando a alma que em nós habita.

A morte da esperança, da leve ambição, sonhada em vão e que não se atreve a voar...

Como passam as melodias, leves e feridas, palavras desabridas que se entrelaçam no olhar, tantas vezes silêncios por entre vagarosas prosas, em desalinhados poemas que se amarram.

Não sei voar mas quero, não sei nadar mas quero, não sei desenhar mas quero...

Quero tudo e tão pouco, que o tempo passa a correr, que a brisa chega sem notar, que a vida passa a voar.

A história contada na TVI, Um Amor Sem Fim, tem tanto de belo como de impressionante, de triste como de desafiante, de mágico como de intemporal...

Amar é infinitamente belo, mesmo na sua infinita tristeza.

Não se perca tempo...

"Tempo de Viver"

 

Filipe Vaz Correia

 

 

24
Jan20

Cegueira da Alma

Filipe Vaz Correia

 

Não tenho cores nem luzes, vislumbre de esperança, submerso nessa cegueira que me atormenta, amarrado ao medo de voar.

Nas catacumbas da essência de sentir, se desvanece o olhar, meio perdido, sem sentido, apunhalando cada palavra quente que se atreve a agitar o quotidiano.

Sento-me à escrivaninha, solitariamente buscando o reflexo de mim mesmo, buscando sons e imagens, memórias de outrora e que se foram embora sem regressar...

Já aqui não moram os meus, aqueles que sendo meus, fizeram cada linha de minha história, cada entrelaçada linha deste destino.

Sinto-me só, tão só e distante, triste e ausente, desencontrado nesse prometido encontro que não chega, chegou, chegará...

Faltam vontades, por entre verdades, lágrimas de tamanhas saudades, laços desenlaçados do que um dia foi perfeito.

Partir, sorrir, sentir...

Tantas palavras a rimar, palavras a escapar, palavras a escrevinhar a amargura de uma aventura por cumprir...

Que se entrelacem as nuvens, se amarrem os ventos, se quebrem os sonhos, se beijem os dias e noites nesse intemporal adeus.

E que volte a sonhar a doce alma, desta vida, noutra vida...

Por todas as vidas.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

17
Jan20

Versos Soltos Ou A Incessante Vontade De Rimar?

Filipe Vaz Correia

 

Queria tanto soletrar

desencontradamente soletrar

sem medos ou enredos

que se desenlaçam ao adivinhar

os espinhos pincelados

nesse destinado suspiro solitário.

 

Como explicar à folha em branco

os arrepios e calafrios

somados no olhar

nesse entrelaçado respirar

tão intenso e desapegado...

 

Saberia o verso solto

nas entrelinhas de um poema

que a velha canção se calou

no amargurado saltitar do coração...

 

E um dia...

 

Talvez a voz se faça ouvir

as memórias possam escapulir

esvoaçando intemporalmente

como se o amanhecer jamais tivesse fim.

 

 

 

 

 

28
Dez19

Nem Sempre...

Filipe Vaz Correia

 

Nem sempre sei expressar o quanto te amo...

Nem sempre, por dor ou excesso de amor, consigo construir por palavras as imensas equações poéticas que se conjugam no teu olhar...

Nem sempre sei sorrir quando dói esse ardor, quando se despe sem pudor o ciúme, crescente temor de te perder...

Nem sempre...

Nem sempre, na palavra ausente está presente esse pedaço de querença que se apressa num abraço, pedaço de regaço que se expressa nesse suspender do tempo, quando te tenho...

Nem sempre, no toque de nossas mãos, no cerrar dos olhos, no entrelaçar dos dedos, conseguimos resumir o tudo desse todo, esse silencioso todo maior do que o conjunto de nadas que sobram para lá da janela do mundo...

Nem sempre, neste universo, em todos os universos paralelos, se pode garantir a felicidade, esse desespero transformado em instante, sufocante saudade do que foi vivido, do que ainda não foi vivido...

Contigo.

Nem sempre...

Mas a teu lado, esse sempre será eterno.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

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