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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Saudades de um Amigo

Filipe Vaz Correia, 06.01.22

 

 

 

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Aprendi ao longo da vida que esta é um sopro, uma leve brisa de vento que nos amarra e liberta, deixando somente um rasto do que de bom por nós passou.

Em 6 de Janeiro de 1978 nasceu uma das pessoas mais importantes da minha vida, alguém que marcaria todos os dias e vastas memórias desde que nos cruzámos.

O Luís Miguel foi o meu melhor amigo, da tenra infância até ao inicio da juventude, altura em que infelizmente nos deixou...

O Luís foi a pessoa mais corajosa que conheci em toda a minha vida, um amigo leal e fraterno, o mais leal de todos, percorrendo um caminho carregado de pedras nos últimos anos de sua vida, com uma bravura que ainda recordo com o mesmo espanto que naqueles momentos admirava.

O cancro nunca o derrotou, apenas morreu com ele, nunca o quebrou mesmo que o tivesse levado à exaustão, nunca o tornou menor mesmo que por instantes o ensombrasse.

O meu amigo Luís  viveu a vida plena com o curto tempo que teve, sorriu e chorou sempre lutando, levantando-se repetidamente para mais um dia com a enorme força que só os bravos podem demonstrar.

Desde os 10 anos que fomos como irmãos, desde esse momento até aos dias de hoje busco nele e no seu olhar a inspiração para tantas coisas que por vezes nem consigo descrever, mantendo na memória cada abraço, cada olhar, cada palavra.

Faria hoje 44 anos, partiu há 26 anos...

Meu querido Luís só podias ter nascido no dia de Reis, alguém especial que me deu a honra de poder contar como amigo, como irmão.

Até sempre, deste que te ama...

Pipo.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Dor de Filho. 11 Anos de Saudade…

Filipe Vaz Correia, 22.12.21

 

 


Ontem foi um um dia triste, a minha Mãe morreu nesse dia há 11 anos...

Nunca mais fui o mesmo, nunca mais senti o mesmo.

Todos os medos que me perseguiam nesse medo de a perder cá permanecem só que transformados em solidão, por mais acompanhado que me encontre, por maior que seja o amor que me amarre.

As saudades que subsistem por aqui continuam, mais amenas mas insistentemente acesas, mais disfarçadas mas em ferida...

Nessa ferida que não sara, nessas lágrimas que não secam, nesse amor infinito.

Assim deixo aqui um poema que escrevi há tempos, num celebrar desse amor, desse colo teu que sempre foi minha casa, nesse regaço que sempre me pertenceu como amparo.

 

 

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Nunca fui tão feliz, como no colo de minha mãe;

O seu cheiro, o seu perfume,

O timbre da sua voz, enfim...

 

O calor do seu amor.

 

A mão que me embalava no berço;

O olhar que seguia os meus passos,

O desejo que acarinhava o meu destino,

O meu bem querer...

 

Ai as saudades que não findam;

Os tesouros que se escondem na terra,

Os sons que se calaram,

Ó Mãe!

 

Mãe;

Palavra tão bela que me ensinaste,

Que aprendi a rimar com amar,

Que aprendi a ter como minha...

 

Minha Mãe!

 

 

 

 

Regaço Perdido

Filipe Vaz Correia, 23.11.21

 

 

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Era uma vez um menino;

que não sabia chorar

era triste e franzino

com a tristeza no olhar...

 

Era uma vez uma história;

cheia de dor e sem fim

com lágrimas presas à memória

guardadas dentro de mim...

 

Era uma vez um adolescente;

que sozinho enfrentou o mundo

tinha um silêncio pela frente

e um desgosto profundo...

 

E por vezes ao deitar;

ao adormecer de cansaço

ouvia aquela canção a recordar

o embalar daquele regaço...

 

O regaço perdido;

da mãe que nunca encontrou!

 

 

 

 

Filho Do Meu Coração

Filipe Vaz Correia, 16.11.21

 

 

 

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Não nasceste do meu ventre;

mas da minha alma

não te esperei nove meses

mas uma vida inteira

não te reconheci ao nascer

mas na esperança desse encontro

não soube do teu sofrimento

até te encontrar...

 

Não descobri essa palavra;

até te conhecer

não senti a amargura

até ter medo de te perder

não entendi a ternura

até perceber

a desentendida procura

de te ter...

 

E assim;

encontrada com os meus desencontros

com os recantos de mim mesma

descubro em cada sorriso teu

parte desse destino

só nosso.

 

 

25 Anos Depois… É Possível Sentir Saudades?

Filipe Vaz Correia, 21.10.21

 

 

 

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25 anos!

Assim de forma crua se desnuda essa verdade que esmaga e corrói, acelera o tempo e compassa a saudade.

Faz hoje 25 anos que morreu uma das pessoas que mais amei em minha vida, um amigo de mão cheia, alguém que marcaria em dez anos cada pedaço de minha alma.

O Luís era corajoso e desbravado, o mais corajoso de todos nós...

Não pelo singelo murro numa briga ou pela força que o poderia caracterizar, nesse aspecto tanto o Nuno Pereira Campos ou eu éramos mais adequados para a função mas pelo que a vida nos obrigou a ver, nesse significado de  coragem através de uma realidade que aquele menino de 16 anos teve de confrontar.

Guardo a primeira conversa que tivemos sobre esse maldito cancro que te perseguia...

Guardo o teu olhar, o meu tremor, o nosso abraço, esse pequeno instante que se tornou eterno.

Guardo a minha espera à porta do Curry Cabral para ganhar coragem para entrar naquele famigerado quarto onde lutavas tão bravamente...

E era eu que precisava de coragem?

Guardo cada silêncio que nos chegava, era o nosso mundo, cada vez que após uma sessão de quimioterapia te punhas a caminho, na tua BWS, para vir almoçar comigo ao Dom Pasolini em Picoas.

"Meu querido amigo!"

Guardo o olhar de minha Mãe no dia em que partiste, assim como as lágrimas de meu Pai.

Guardo a última vez que estivemos juntos...

Sendo que imaginar a tua morte seria para mim impossível, no intimo sabia aquilo que lutava para desvalorizar, acreditando que a maldita doença jamais te iria vencer.

Sempre a teu lado nesse campo de batalha acreditando que a nossa esperança seria a única verdade possível.

Perdemos.

Tenho saudades tuas, mesmo 25 anos depois, tenho saudades do tempo em que era possível pegar no telefone e ligar, ouvir a tua voz e desabafar, acreditar e sonhar num futuro carregado de ilusão.

Meu querido Luís Miguel sou hoje um homem com mais dúvidas do que certezas, com mais receios do que bravuras, com mais saudades e poemas, porém nesse viajar que se tornou esta vida, este continuar de dias e noites, tenho como certo que o nosso encontro, naquela sala de aula, pequenos e traquinas, se tornou num dos mais importantes momentos de minha vida.

Sem ti não tinha feito nenhum sentido.

Até um dia, numa outra vida, daqui a muitos anos...

Com amizade; do sempre teu,

 

 

Filipe Vaz Correia