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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Quem Nunca Amou?


Não  me sobrou o medo, pois esse medo que me corrompe, me consome, estará apenso à solidão  momentânea  de um desmedido desejo, singelo ensejo de um destino.

Palavras  singelas que se confundem com o bater do coração, esse cego sentir, sentindo cegamente esse querer secreto.

Mas poderá a alma se silenciar?

Poderia ser diferente se de cada vez que é tornado realidade, se desvanece num senão, esse tão puro amor?

Por entre a sapiente sabedoria de um silencio, vai desvanecendo essa esperança, essa intensa querença que se tornou tristeza...

Mas como se explica ao coração que não importa o sentir?

Como se explica ao coração que por vezes apenas sobrará  a desmentida promessa?

Por vezes não importa explicar, apenas soletrar baixinho o triste caminho que sobreviverá eternamente...

Num texto desconexo, por entre palavras descomplexadas, tristemente enumeradas numa carta sem poesia, numa tarde de maresia, afogando o que um dia prometeu ser eterno.

Por vezes não importa amar...

Por mais que esse amor seja o essencial de uma vida...

De todas as vidas.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Voando Pelas Estrelas!

 

Olho para as estrelas...

Só.

Com o cair da noite, vislumbro em cada uma delas pequenos momentos tão meus, alguns que esforçadamente gostaria de esquecer mas que se avivam, assim como, aviva a tamanha dor que se prende à memória, desgostosamente reluzente em cada pedaço de luz que nessa noite me preenche.

Mas também sorrisos, momentos imprecisos, melodias desafiantes, beijos asfixiantes, abraços inebriantes, querer...

Esse querer que apenas naquele momento, nesse pedaço de tempo em que suspenso parece estar o mundo, soletra devagarinho um silêncio profundo transformado em ruído...

Silencioso ruído dos nossos corações.

Como parece simples escrever, deixar o coração soletrar estas palavras...

Este conjunto de frases que insistem em soltar-se e nelas esvoaçar a imensa vontade de dizer que te amo.

Olho para as estrelas...

Só.

Sorrindo desmedidamente somente porque na minha memória permanece intacto esse cheiro teu, esse sabor teu, esse entrelaçar tão nosso.

E nessa memória...

Tudo será intemporal, meu amor.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

Uma História De Amor...

 

 

 

Nem sempre se consegue escrever;

O que na alma habita,

Esse desmedido bater,

Que bate e saltita,

Dentro do coração...

 

Por vezes escapa do olhar;

Solta-se da alma,

Transformando-se nesse abraçar,

Nesse toque que acalma...

 

Por vezes grita em silêncio;

Esse desejo que se agiganta,

Deixando em suspenso,

Este amor que me espanta...

 

Fecho os olhos;

E respiro profundamente,

Sabendo que a cada segundo,

Em cada momento,

Sobra em ti,

A parte de mim,

Que eternamente te pertencerá...

 

E a parte de ti;

Que eternamente me pertencerá.

 

 

 

 

 

 

 

Poético Amor...

 

Gostar de ti pode ser poético, assim como, poética poderá ser esta forma simples de amar...

Amo-te sem barreiras, sem receios, sem hesitações, amando-te despudoradamente por entre um olhar, um sorriso, um impreciso momento que se torna constante.

Sei que o sabes mesmo que não o expresses, que o sentes mesmo que não o queiras soletrar.

Guardarei cada momento como se fosse derradeiro, cada secreta memória como se fosse ela a mais valiosa parte de mim, imprecisamente pincelada nessa tela que se tornará destino.

E quando forem cantadas as odes, recordados os sonetos, escrevinhados os poemas, resistirá por entre o tempo esse intenso amor que será eterno, se a eternidade for medida suficiente para o bater de tão desmedido sentimento.

E voando continuarei...

Para sempre a te amar.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Árvore Da Vida...

 

 

 

Se cada folha caída no chão;

Contasse a sua história,

Sobraria a desilusão,

De tão extensa memória...

 

Extensa mas finita;

Triste e risonha,

Contradição maldita,

Maldita e tristonha...

 

Pois o fim lá estará;

Aguardando sorrateiramente,

Esse arrancar da vida,

Que chegará tristemente...

 

E depois cada palavra;

Cada singela pontuação,

Dará lugar ao silêncio,

De um tempo desconhecido.

 

 

No Vazio Das Palavras...

 

 

 

No vazio das palavras;

Se descreve tantas vezes,

O valor desse querer,

Que sendo indescritível,

Se intensifica,

Sempre que em tua presença estou...

 

Porque não se engana o olhar;

Não se entorpece o sentir,

Não se mata o desejar,

Nem o seu infinito rugir...

 

No vazio das palavras;

Se esconde infinitamente,

A infinitude,

De um grande amor.

 

 

 

 

 

E Se For Amor?

 

 

 

E se for amor?

Bate forte a alma,

Desmedidamente o coração,

Nessa espécie de ardor,

Descompassada emoção,

Que se revela num torpor,

Entorpecente ilusão...

 

E se for amor?

Daquele que silencia;

Dá voz ao olhar,

Discretamente irradia,

O reflexo de um luar...

 

De um luar tão brilhante;

Num segundo hesitante,

Num sentir arrepiante,

Arrepiando a sufocante,

Vontade de te ter...

 

E assim se entrelaça;

Num instante,

A insistente questão...

 

E se for amor?

 

Então que o seja;

Plenamente...

 

Plenamente eterno;

Eternamente vivido,

Por nós.

 

 

Eternamente Amor...

 

 

 

Sangue na expressão;

Desse terno olhar,

Por entre o bater de um coração,

Meu hesitante caminhar...

 

Ao longe;

Bem distante,

Adivinhando esse caminho,

Essa dúvida asfixiante,

Asfixiando devagarinho...

 

Trémulo chorar;

Que insiste em se fazer sentir,

Não conseguindo mais disfarçar,

As tristes lágrimas a cair...

 

E em cada lágrima fugidia;

Se esconde a tamanha dor,

Em cada gota luzidia,

Pedaço de ardor,

Do que um dia prometia,

Ser eternamente amor...

 

Amor.