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Caneca de Letras

Caneca de Letras

O Páteo…

Filipe Vaz Correia, 04.10.21

 

 

 

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Olho para o páteo do recreio e estou só;

nada sobrou

ninguém voltou

tantos partiram

sem regresso.

 

Desapareceram aqueles que nunca tiveram importância;

aqueles que nunca me recordarei

os que sempre odiei

os que porventura amei

e até tu...

 

Partiram tantas partes de todos nós;

pedaços ilusórios sem voz

na solidão desse recreio vazio

abandonado num deserto de almas...

 

Já lá não mora ninguém;

nem correrias nem sofrimentos

nem dramas nem tormentos

nem jovens almas nem velhas esperanças...

 

Tornei-me um homem;

despeço-me daquela criança

nessa espécie de desesperança

buscando em cada pedaço de vento

a promessa que fizemos...

 

Que um dia aqui voltaríamos juntos;

num abraço imortal.

 

 

 

 

“O Meu Querido Tio Jaime”

Filipe Vaz Correia, 27.02.21

 

 

 

"Três anos se passaram e neste dia em que se cumpre esta triste data, recordo o texto que escrevi em homenagem ao Meu Querido Tio Jaime nesta Caneca de Letras"

 

 

Poderia ser em poesia, no entanto, sei que o Tio gosta mais que escreva em prosa...

Dia 27 de Fevereiro, noite adentro, chuva carregada, trazendo com ela a triste nova, que sendo esperada, desesperava a esperança que desesperançada sabia o que iria acontecer.

O meu Tio Jaime morreu...

Quem segue o Caneca de Letras, sabe que falamos do leitor número um do Caneca, do seu maior critico e apreciador, do mais querido dos amigos.

Em tempos escrevi no Caneca, um poema intitulado "O Meu Tio", que para mim o descreve inteiramente...

Entre as muitas palavras soltas por entre os versos dessa poesia, talvez amigo fosse a mais acertada, família tão apropriada.

Tantas e tantas palavras de carinho e estima que me aparecem na mente, nessa mesma mente carregada de memórias, histórias, sorrisos e sonoras gargalhadas, de momentos que não regressam.

Guardo em mim, não os últimos instantes, os dias mais sombrios e tristes, mas o olhar expressivo com que sempre me recebeu, o carinho que dele sempre tive, sem hesitações, quebras, meias palavras...

Com o Tio Jaime era assim.

Esta partida traz consigo uma nostalgia imensa, como se terminasse um ciclo, findasse uma Era, como bem expressava o meu querido Jaime Bessa, filho do Tio...

Talvez seja isso, Bessita.

No entanto, o que esta tristeza jamais irá conseguir, será diminuir a sua vida, o impacto que teve em cada uma das pessoas que com ele privou, dos amigos que fez, das memórias que perdurarão no tempo.

Nas minhas memórias, o Tio será eterno, como eterno será este carinho que por si tenho.

Obrigado por tudo, Tio Jaime...

"O Meu Tio Jaime!"

Um abraço grande.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

As Saudades De Um Amigo...

Filipe Vaz Correia, 06.01.21

 

 

 

Meu querido amigo, muitos parabéns neste dia, pelos 42 anos que ficaram por cumprir...

Assim como ficaram os 20, os 30,  tantos e tantos sonhos, guardados em ti.

Neste dia de Reis, recordo muitos dos dias que passámos juntos, muito dos sorrisos que partilhámos, das traquinices que inventámos, da lealdade constante entre nós.

Se pudesse descrever a nossa amizade numa palavra, talvez esta fosse a mais apropriada, a que mais nos caracterize...

Lealdade.

Sempre juntos, sinceros, ligados.

Tanta coisa nos separava à partida, tantos nos ligou sem sabermos...

Às vezes penso se teríamos sido amigos, sem aquela cena de pancadaria que nos levou ao gabinete da Professora Jesuína, directora do colégio e daquela casmurrice, que tão bem nos define, de cada um querer assumir as culpas do outro.

Inimigos até aquele dia, siameses a partir daí.

Tínhamos 10 anos, 10 jovens anos.

Desde esse dia e até hoje, repito hoje, em momento algum ficaste longe do meu pensamento, meu amigo, longe deste coração que sempre te pertencerá.

Mesmo naqueles dias difíceis, enevoados por entre as sessões de quimioterapia, a que foste sujeito, mesmo nesses dias, não esqueço a nobreza com que enfrentavas a realidade, a esperança que brilhava no teu desbravado olhar...

No teu leal olhar.

Daqui, nesta carta, amigo de uma vida, fica o meu grito de parabéns, onde quer que estejas, onde quer que vás, para onde quer que foste.

Daqui, com o tremendo sentimento desta eterna amizade, fica silenciosamente, o imenso obrigado, por um dia ter feito parte dessa breve vida, que foi a tua...

Mas que sempre recordarei, com um carinho sem tamanho.

Parabéns Luís...

Meu querido amigo.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Amizade

Filipe Vaz Correia, 18.11.20

 

 

 

Amigo, porque estás sempre presente?

Ausência não é certamente,

Nesse privilégio que se sente,

Essa palavra quente...

 

Amigo, porque não me deixas cair?

Pois posso lá eu pedir,

Ou até mesmo exigir,

Se não sei o que está para vir...

 

Amigo, porque estás sempre a meu lado?

Nesse teorema ou quadrado,

Seja pobre ou abastado,

Desse sentimento desejado...

 

Amigo, porque me dás a tua mão?

Afastando a solidão,

Iluminando a escuridão,

Falando-me ao coração...

 

Amigo já não me sinto sozinho;

Nem empurrado para um cantinho,

E já parece que adivinho,

A tua presença no caminho...

 

Amigo, já sei o que é amizade;

Pode rimar com lealdade,

Com certeza, com verdade,

E ainda mais, com a palavra amor!