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Caneca de Letras

Caneca de Letras

LUTO!

 

O País está de luto, carbonizadamente de luto, enlutado pelos mortos que tombaram em mais uma tragédia incendiária ou pelos vivos que sobrevivendo, estão submersos em mais um pesadelo impregnado de dor.

Um retrato a preto e branco deste nosso Portugal, carregado de cinzas, enublado por entre as poeiras da incompetência de políticos, governantes, destino menor desta nossa triste alma Lusitana.

Gentes com memórias queimadas, esperanças incineradas, casas destruídas, vidas suspensas...

Já não existem palavras suficientes para descrever o olhar das pessoas, o desespero na expressão do rosto, a ausência de esperança, no meio de tamanha desesperança.

O que fica de Portugal, deste nosso querido País, é uma devastadora sensação de dor, de amargura, de abandono que as populações sentem, sentiram, e segundo o Primeiro-Ministro poderão voltar a sentir.

Abandono sentido no meio de florestas, em aldeias, cidades, estradas, em todo o lado por onde deflagrou este miserável pesadelo.

Através das imagens passadas pelas televisões, fica um retrato de devastação, de terrorismo, como diria o meu caro, O Último Fecha a Porta, de equívocos e erros acumulados durante décadas.

Não existe mais tempo para reflexões, não temos mais tempo para discussões, apenas sobra tempo para agir, para de uma vez por todas resolver esta repetitiva maldição.

Chove lá fora, do lado de fora da minha janela...

Por um momento, um instante, parece ganhar cor, a dor imensa deste meu querido País.

Que chova, que continue a chover, e que essa chuva se misture com as lágrimas da nossa dor, do nosso dolorido fado.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

Circo!

 

 

 

Uns pozinhos de perlimpimpim;

Um sorriso, uma tristeza,

Uma ausência sem fim,

Por entre cores de estranheza,

Disfarçando enfim,

Cada lágrima de beleza,

Inundando assim,

O seu mundo de incerteza...

 

E começa mais uma sessão;

Cheia de luzes e gargalhadas,

Escondendo o coração,

Das recordações amarguradas,

Que invadem a solidão,

Solitária palhaçada...

 

E assim devagarinho;

Pintando uma vez mais, a cara;

Prendendo o nariz encarnado, ao seu rosto,

E vislumbrando no espelho,

Mais um pedaço desse desgosto,

Sorridente...

 

No sorriso de um palhaço.

 

 

Infância Perdida!

 

Um quarto escuro;

Tão escuro como o breu,

Num silêncio, sussurro,

Tão só, tão meu...

 

Uma casa abandonada;

De afetos, atenção,

Nessa infância desamparada,

Despertando essa sensação,

De abandono...

 

Despertando as lágrimas;

Amargurada insensatez,

As insensatas agruras,

Amarrada pequenez...

 

Tormento, desfavor;

Em cada imagem não esquecida,

Apunhalada dor,

Infância perdida...

 

Um quarto escuro;

Tão escuro como a minha alma;

Como os fantasmas que perseguem,

O destino que me sobra.

 

 

 

Rostos...

 

Rostos carregados de sal;

Olhares, meio fugidos,

Almas que afinal,

Haviam desistido,

De ter esperança...

 

Rostos escondidos do tempo;

Esquecidos desse passado,

Onde talvez, por um momento,

Possam ter acreditado,

Que era possível ser feliz...

 

Rostos gretados;

Mostrando as marcas da dor,

Desse caminho iniciado,

Fugindo de um horror,

Que não consegue ser contado...

 

Rostos aprisionados;

Em imagens, fotografias,

Muitas vezes emoldurados,

Em exposições, romarias,

Mas nunca libertados,

Dessas noites e dias,

Que os perseguem...

 

E no fim de tantos rostos;

De tantas histórias por contar,

De tantos dramas e desgostos,

Eles continuam a marchar,

Esquecidos por entre as linhas,

Dos seus destinos!