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Caneca de Letras

Caneca de Letras

28
Ago20

Mãe, Onde Estás? As Saudades De Um Filho...

Filipe Vaz Correia

 

Guardo-te nas minhas memórias onde sobrevive o teu cheiro, o teu olhar, a tua voz, tantos momentos que guardados em mim perpetuam cada parte de nós, intensamente nossos, perdidamente únicos.

Guardo em mim a saudade, ardente e insistente, guardo em mim o amor, intenso e imenso, guardo em mim o adeus, a cada instante, asfixiante.

Guardo tanto de ti, deste que te pertence, desse nós que só existe por tua decisão.

Sou gente porque o quiseste, sou alma porque o desejaste, sou eu...

Porque fui teu...

Sou teu.

As palavras que aprendi a tecer, foram-me dadas por ti, tecidas nesse amor soletrado em cada linha, em cada letra, de cada forma, em cada pozinho de perlimpimpim.

Não sei chorar sem esconder, respirar sem sofrer, esperar, esperar, esperar...

Esperar por esse tempo que não volta, esse ardor que ainda queima, esse desesperante adeus que persiste.

Deitada na cama de teu quarto, sem vida, recordo-me desse último olhar, meu sobre ti, num adeus que sabia seria o mais penoso em mim.

Nesse último instante, a sós, em nossa casa, tinha a certa certeza de que nada seria igual, nada o foi, de que jamais poderia sentir o mesmo bater do coração.

Meu amor...

Tenho saudades de não ter saudades, desse querer maior traduzido em teus olhos nesse navegar em minha direcção.

Nesse olhar descobri, sempre senti, o significado do incondicionalismo, num amar maior do que a vida...

Amo-te.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

09
Jul20

Amor Da Minha Vida

Filipe Vaz Correia

 

 

 

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Amor da minha vida

que me fazes perder o sentir

esse respirar que se suspende

que só a alma compreende.

 

Desejo o teu cheiro

em cada momento inteiro

sabor primeiro

nunca derradeiro 

e assim infinitamente.

 

Por ti vivo

e morro

suspiro e deliro

me perco e reencontro

tudo de uma só vez.

 

E de todas as vezes

sem receio

te abraço

eternamente.

 

 

08
Jul20

Mil Vezes Amar

Filipe Vaz Correia

 

 

 

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Amar, amar, amar...

Morrer de amor, sofrer amor, querer de amor...

Não desliga por favor, nessa despedida cantada, despida nortada, que se abeira do fim...

Do fim que reinicia, da desesperada partida, maldita desdita que não cala...

O silêncio, sofrimento no tormento, desesperado sentimento, num ausente momento...

Tão presente quanto ausente, num olhar o esgar, desse sentir que se esconde...

Escondido e perdido, no mar despido, amargurado e sentido, orgulho ferido...

Pois faz parte desse amar, o saber perdoar, tão imenso se entrelaça o bater da alma...

Anjos e demónios, antónimos e sinónimos, estranhos e homónimos, numa caminhada mundana...

Pé sobre pé, de mãos dadas, no silêncio das paredes, com a lua como testemunha, do outro lado da janela...

E ali se segreda a vontade, a saudade, a intensa verdade...

De um amor.

O nosso amor

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

04
Jul20

O Amor...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

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O amor, esse pedaço de tudo que se transforma em respiração, em toque e sobressalto, em olhar perdido que se entrelaça no silêncio, em partilha intensa desmedidamente entregue.

O amor, palavra sacra e vã, tantas vezes atirada para o ar nesse querer que se torna mundano, nesse vazio impreciso tornado verdade, no entanto, no seu sacro esvoaçar se eterniza, em escassos momentos, raros amantes, por entre vidas...

Vidas distantes, tornadas uma só nessa entrelaçada explicação da alma, do terno e sensível coração.

O amor de Shakespeare, de todos os Shakespearianos, se esconde desencontrado nas estradas poeirentas e mundanas do destino, é escrevinhado a pena, desenhando letras que num ápice se fundem, num precioso e raro instante.

Nesse amor, o sacro, raro, floresce a inexplicável vontade de amar, esse entrelaçar de dedos que fortalece, esse quebrar de barreiras que solidifica, esse saber maior que nos une.

Amor, tamanho amor que bate e pulsa, que grita e se torna em melodia, que fundido num abraço nos torna um só.

Desse amor, o das imortais Odes, poucos serão os comuns mortais a o experimentar, salpicando as suas vidas nessa busca vã do nada que sobra.

Para as imortais almas que sobrevivem ao desgaste do tempo, que insistem nessa busca entre vidas, procurando incessantemente aquele eterno momento, onde pela primeira vez o sol insistiu em quebrar a barreira dos céus...

Para esses, os raros de Shakespeare, o tempo não passa, o toque não se perde, o cheiro não desaparece, o abraço é igual ao da tamanha descoberta.

Para esses, tudo é singelamente belo, nesse infinito olhar que tudo sabe, soletra, soletrando poeticamente a incerta certeza de um desmedido amor.

E viagem após viagem, no preciso sorriso desse desencontrado encontro, se repetirá, todas as vezes, a primeira.

A infindável primeira vez, naquele entrelaçado olhar que nos uniu...

Num inexplicável unir de almas.

 

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

18
Jun20

Inconveniente Trovador...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

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Quisera a intemporal temporalidade que se contasse num conto amador, as palavras de tão inconveniente trovador, desmentido pela melodia que escondia quem sorria num castelo inventado, quase pincelado com as cores reais, fingindo a coroa doirada esperar o radioso querer transformado em espinhos, tão cravados na alma, desalmada querença que magoa e esventra tudo à sua volta.

sorriso que se perde vezes sem conta na esmerada realidade tão aconchegada ao olhar, esse que nada traduz, apenas solitária desesperança, saltitando na balança da traição esmagada que se encontra em cada soletrada incongruência de um dia.

vai caminhando ao luar, vendo o seu reflexo na calmaria das águas, na soberba da vontade, no expressado trilho dos dragões que esvoaçam a sua mente, sem parar, sempre e sempre sem parar. Volta melodia, ruído ensurdecedor de poemas condenados em quadros encantados de tempos passados em encontros desencontrados que prometeram pedaços de amarras nesse perdido destino transformado em viagem.

Cansaço desesperador que se abeira da alma e toma conta do sorriso matreiro da lágrima certeira e que se assoma de tua.

e num conto amador o inconveniente trovador recorda à saciedade a importância de não estender a mão para a ausente presença que de nada o resgata, somente ilude o olhar para esse sentir tão vago como fingidor.

e o poeta continua a escrevinhar libertando de sua alma em cada memória passada o sofredor pincelar que dá vida à emoção de outros com esse sofrimento tão particular, tão seu, tão solitariamente seu.

mais caminhos, cristalinos adivinhos nas entrelinhas da volúpia e soluçante maresia...

 

por outro tempo

noutros dias.

 

 

 

16
Jun20

Fará Sentido Sentir?

Filipe Vaz Correia




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Nas entrelinhas das estrelas

voam soltas

pequenas partes da memória

vagabundeando sem cerca

aperto ou ferida

os laços de uma história

soterrada na vontade

de cada um...


na desapegada saudade

sobrevivem recordações

de tempos idos

palavras desaparecidas

amores perdidos

almas esquecidas...


e voltando atrás

escreveria novamente a mesma carta

partindo rumo ao destino

sabendo que ao chegar

vazio estaria o lugar

do prometido mar que jamais chegou...


mas o que fazer

se o coração não aprende

a soletrar cada letra dessa sorte

desespero ou morte

no ferido desapego

da infinita liberdade

de amar.


02
Mai20

Carta “Perdida” Nas Ondas De Uma Vida...

Filipe Vaz Correia

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Antigamente...

Palavra crua, dura e sentida, meio perdida, inebriada, que reflecte o sentir pulsante do que ficou por viver ou sendo vivido se perdeu, esboroou, na penumbra do passar dos dias.

Não posso voltar atrás, não o posso fazer, nem reescrever cada pedaço de beijo entrelaçado, cada abraço embaraçado, cada olhar calado incapaz de soletrar esse amor esmagado por tanto, por tão pouco, por gigantes passos de outros...

Mesmo assim, escrevo silenciosamente as linhas mal escritas de um texto desgarrado, desgarradamente gritando à poesia a solidão de um destino desejado, emocionado, envergonhado, nebulosamente guardado nas melodias da velha canção.

Amar-te, sem reticências, foi mais do que um conto a meio da noite, um poema à beira-mar, uma bebedeira que surgiu na esquina de um sonho...

Amar-te é a palavra maior de um redesenhado desenho, um pincelar singelo, por entre, a solidão dessa imensa pintura no meio da multidão.

Tantas pessoas, tantos passos, tamanhas as palavras libertas no querer, nesse querer que se cala, esconde...

Mas sei que num recôndito lugar, distante, no horizonte de tantas vidas, ele sobreviverá, existirá sempre, longe de todos, perto de nós, mesmo que esse nós seja longínquamente difícil de decifrar.

Um dia...

Voltaremos a ser nós.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

23
Abr20

Palavras Desconexas Por Entre Prosa E Poesia, Sem Nexo Ou Sentido, Na Busca De Um Pedaço De Vento.

Filipe Vaz Correia

 

Tanto amor, desamor, tantas viagens, caladas, tantas vontades silenciosas, por entre ruídos, tamanhas provações, em sonhos humedecidos, sorrisos entravados, com medo de voar, pedaços de sentir, escondidos em burkas, palavras mansas, perdão soltas, estúpidas celebrações, de coisas que não fazem sentido, estranhos contextos, desconexos textos, sapos e letras, palavras e tretas, cansado que estou...

Nada me faz querer, perdido se encontra, a razão de amar, soletrada descontracção, mergulho no mar, na cama da perdição, entrelaçado olhar, observando na escuridão, o braseiro aceso, tão quente de paixão, vai e volta, vai e volta, vai e volta...

Os cheiros que sobram ao longe, tão longe que parece perto, tão míope o olhar, queira DEUS, num adeus pedido, programado e fodido, choram as lágrimas no horizonte, escalopes de bisonte, ao longe...

Um dia...

Um dia volta a esperança, esse desejo que balança, desejo de ser Pai, de ser Mãe, de ser teu e meu ao mesmo tempo, de ser gigante e pequeno, ao sereno, de ser desmedido e comprido, tão vesgo e ferido que possa passar desapercebido, como a folha que cai de uma árvore nos primeiros pingos do outono.

Um dia serei Neptuno e Sereia, serei mão cheia de nada, diamantes e rubis, serei o respirar e vislumbre de querença, serei o bater desse coração que ama sem parar...

Em cada instante, por cada asfixiante segundo que se perde por entre a eternidade de nossas vidas.

Será demais dizer?

Amo-te!

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

03
Mar20

As Montanhas Dos Meus Sonhos...

Filipe Vaz Correia

 

Subi montanhas, inimagináveis montanhas, presas aos sonhos inacabados de outrora, aos arrependimentos de agora, às promessas caídas, hesitantes e feridas, a tantos desvelos, em incertos novelos, transbordando de querer...

Subi montanhas, essas tamanhas, onde se escondem tacanhas, as amarguras de uma vida.

Montanhas...

Montanhas agrestes, epidemias e pestes, marcando as vestes de um singelo abandonado.

Já não sobram as marcas, das arranhadelas tortuosas, lágrimas salgadas, palavras sinuosas, de enganos e reparos, esquecidos ao vento, pesado arrependimento, que jamais se repara.

O tempo passa, as escolhas precisas, as mágoas se escapam, por entre, armadilhas vazias, nessa imensidão de esperança que cede lugar ao entediante percurso marcado no trilho de Deus.

Olho para trás...

Bem ao longe...

Buscando as silhuetas de mim, dos meus, dos outros...

Olho para trás...

Para a frente...

Nessa presença, presente, que insiste em se fazer sentir.

Subi montanhas...

Subo montanhas...

Esperando no cimo de todas elas, encontrar esse almejado paraíso que tantas vezes sonhei e encontradamente desencontrar as incertas certezas que temerosamente, por vezes, me invadem.

Subi montanhas...

Para te reencontrar.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

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