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Caneca de Letras

Caneca de Letras

12
Out19

Desmedidamente...

Filipe Vaz Correia

 

Se dói, deixa arder;

Deixa entrelaçar essa dor,

Esse fogo a corroer,

Essa forma de ardor,

Numa misturada interrogação do Ser,

Que se arrebata num torpor,

Num torpor a aprender,

Cada pedaço de um amor,

 Sem medo de o viver.

 

Vai continuando a sentir;

Sem receio do formigueiro,

Esse medo a fugir,

Num domingo domingueiro,

Cada toque a pedir,

Esse beijo derradeiro.

 

E num instante a despedida;

Essa espécie de partida,

Esquecida ferida,

Tão intensa e desmedida.

 

Desmedidamente verdadeiro...

 

Desmedidamente inteiro...

 

Desmedidamente Amor.

 

 

 

29
Set19

Velha Imagem...

Filipe Vaz Correia

 

Silêncios e vazios;

Desaguando repetidamente,

Vazios rios,

Secando secamente,

Por entre desvarios,

Que gritam insanamente,

Ao luar...

 

Onde te escondes lua?

Triste tristeza,

Dançando nua,

Na firme certeza,

De que não será tua,

Essa intensa beleza,

Que se despedirá...

 

Vai passando sem parar;

Esse tempo,

Num corrupio, viajar,

Caminhando num tormento,

Até se acabar,

Num segundo ou firmamento,

A palavra a soletrar...

 

Soletro uma vez mais;

E mais uma vez soletro,

Desesperançadamente diante do espelho...

 

Quem sois velha imagem?

Quem sois?

 

 

 

11
Set19

Carta Para Ti... Meu Amor!

Filipe Vaz Correia

 

Ao longe, ao ouvido de uma estrela, sussurrei o teu nome, baixinho, devagarinho, num entrelaçar de emoções, emocionada esperança que invade a minha querença...

Escasseiam as letras, mesmo numa Caneca repleta delas, para descrever como pulsa o meu coração, nesse bater sem razão, aquele sentir que não se explica, sente-se, caminhando sem medo de voar.

Tantas vezes disse que te amava, te amo, nessa misturada forma de expressar cada momento que juntos construímos, que de mãos dadas insistimos em percorrer.

Não seria a mesma pessoa se não te tivesse conhecido, nem sei se teria sobrevivido à dura pena que um dia me amarrou na velha sala da minha antiga casa...

Nessa dura despedida, enquanto caia rumo ao infinito e tenebroso vazio, senti a tua voz, a tua mão, a tua presença a amparar a queda, a segurar essa parte de mim, despedaçadamente estilhaçada.

Sempre tu...

Por entre o olhar, o teu, esse que me aponta o porto seguro, soube, sempre soube, que encontraria o destinado amor, esse amar eterno que se confunde com destino, que se transforma em felicidade.

Não sei se poderia saber, se te conseguirei descrever o que no bater da alma, no pulsar deste meu coração, se desencontra em cada lágrima tua, se descompassa em cada pedaço de tristeza que sinto em ti...

Porque és o meu mundo, tão intenso e profundo que num breve segundo se mistura na alma desarmada, na brisa desbravada, em busca de te dizer o que significas para mim.

Amo-te...

E de mãos dadas, bem velhinhos, por entre a despedida de um tempo longínquo sobrará a certa, certeza, de que valeu a pena.

Disto tenho a certeza:

Bem velhinhos...

Meu amor!

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

09
Set19

Para Sempre Amor!

Filipe Vaz Correia

 

Não tenho medo de nada;

De nada tenho medo,

E de tudo...

 

De tudo tenho receio;

Sempre que te vejo a dormir,

Que te pressinto a sorrir,

Ou ao longe te vislumbro...

 

A chegar.

 

Tenho medo de te perder;

De o vento te levar,

Tenho medo de te ver sofrer,

De algo te arrancar...

 

Não tenho medo de nada;

De nada tenho medo...

 

Desde que estejas a meu lado;

De mãos dadas,

Nessa eternidade que construímos dia a dia...

 

Para sempre...

 

Para sempre amor!

 

 

06
Set19

As Cores...

Filipe Vaz Correia

 

As cores escaparam, fugiram, esbateram-se...

Na tela em branco nada sobrou daquelas pinceladas que amiúde foram ficando pela vida a fora, deixaram de brilhar, numa misturada interrogação que amordaça a vontade e se perpetua nessa dor que esmaga sem gritar.

Nesse vazio que se impõe, vezes sem conta, é sussurrado o nome dessa batalha que soletradamente desapareceu, dessa inquietude perdida, silenciosamente calada, por entre, a amargurada desventura que sobrevive aos dias e noites, numa repetida melodia, indiscretamente insistente.

Já perdi o hábito de expressar o teu nome, a imagem do teu rosto que se foi apagando, o bater do coração acalmando o sobressalto que outrora se agigantava.

Tudo mudou...

Mas nada morreu!

Nesse viajar, por entre, nuvens e chuva se desconstruiu aquela perfeição extinguida, aquele amarrar persistente, aquele amarar nesse mar agitado que agora se acalmou, desistiu de “bravejar”, como se desistisse de lutar contra as tristezas que se acumularam, por entre, as marés do destino...

A tela em branco...

Sempre ela.

De olhos fechados, questiono a imaginação pelas memórias desse passado, nosso, pelas saudades de um tempo onde se entrelaçavam os olhares, as mãos ou as frases desassossegadas, palavras desencontradas, numa enigmática esperança lunar.

Neste texto nada disto se encontra, nem as palavras permitem esse encontrar, com receio de que numa singela pontuação se recordem de como era o que agora desapareceu, de como foi o que desesperançadamente se perdeu.

As cores...

As tamanhas cores de outrora, aquelas que ousavam, atreviam, desafiar o entendimento, a percepção do que estava desenhado e que deram lugar a esse espaço vazio que reina, se agiganta, despedaçadamente irrompe sem esperar.

Numa última dança se escreve um texto, se desempoeiram as palavras, se despem as desapegadas letras, para nesse último passo brindar ao que existiu...

Ao que foi amor.

Ou será que ainda é?

Isso pouco importa...

Que se faça tocar a música para num instante parecer que ainda sobrevivem as cores melodiosas de um intemporal amor.

Tão intemporal que preferiu morrer do que simplesmente esse sobreviver que ameaçava o amarrar eternamente.

As cores...

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

02
Set19

Insistentemente Amor

Filipe Vaz Correia

 

Queria escrever sem parar;

Sem parar de gritar,

Gritando de uma vez,

Uma vez inteira,

Inteiramente desnudada,

Desnudadamente primeira,

Sem contar com o ardor,

Desse antigo antigamente,

Sem nexo o torpor,

Repetindo novamente,

Esse bater, tambor,

Insistente, insistentemente...

 

Insistentemente amor!

 

 

 

 

 

14
Ago19

Deserto

Filipe Vaz Correia

 

Cuspi para o papel

Meia dor, meio fel

Ardente sabor de mel

Nesse amor pastel

Que outrora imaginei...

 

Imaginei na imaginação

A contraditória repetição

Insistente contradição

Trancada nessa desilusão

De um encantador coração...

 

Mas as palavras cansadas

Exaustas de lutar

Estão agora repousadas

Nesse presente soltar

De emoções passadas...

 

E partindo à descoberta

Por entre sorrisos perdidos

Vai soletrando essa parte incerta

Certa de ardores extinguidos

De  sabores feridos

Que renascem no deserto

Tão meu...

 

Tão meu que desconhecia me pertencer.

 

 

 

 

14
Ago19

Quais Os Enigmas De Um Perdão?

Filipe Vaz Correia

 

Não peças desculpa, nessa meia culpa que invade, essa desculpa que serve de justificação para a culpada consciência, a desmedida irreverência com que se quebrou o laço, esse antigo abraço extinto no meio do fogo de tamanha raiva, tamanha desilusão.

Um ponto...

Meio ponto...

Ou ponto nenhum, pouco importará, nessa janela que se trancou, nesse despir de um sentir que outrora simplificava o olhar, segredava nessa esperança amarrada ao tempo, descodificando o sentimento que aquecia a alma.

A doce alma, a triste alma...

Não peças desculpa, se essa culpa que corrói é maior do que o retrato desse futuro que não chegará, se esse passado escondido no tempo, já não permitir outro sonho, o mesmo sonho, aquele sonho um dia sonhado.

Nesse abraço, regaço, que tantas vezes nos pertenceu, foi nosso, só nosso, moram aquelas memórias tão belas, únicas, que unidas completavam o enigma imperceptível de tantas vidas.

Não peças desculpa nem busques perdão, pois o coração deixou de sentir que valia a pena.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

11
Ago19

Desconcertante Sentir...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Vida sem sentido ou sentindo essa vida;

Meio flor, metade dor,

Ardente ferida,

De um ferido amor,

Misturada amargura,

De olhos cerrados,

Pedaço de aventura,

Guardada no passado,

Segredando ao ouvido,

As palavras escondidas,

Esse caminho, outrora, vivido,

Por entre memórias perdidas,

Esforçadamente esquecido,

Ardentemente esquecidas.

 

E soletrando cada parte desse ardor;

Que arde intensamente,

Ficará no poema esse eterno clamor,

Que me amarra desmedidamente,

Descodificando este amor,

Que segreda eternamente...

 

As estranhas linhas desta poesia.

 

 

 

 

09
Ago19

O Desenho De Tantas Vidas...

Filipe Vaz Correia

 

Não sei explicar, não consigo gritar, não se entrelaça esse expressar que poderia desenhar cada palavra deste texto.

Música ao fundo, silenciosamente tocando, olhos cerrados, meio perdidos em mim, por entre, aquela voz interior que soletra desapegadamente o sentir maior, tão maior como a imensidão da esperança, aquela inocente esperança, outrora inexpugnável, agora despida de crença, amarrada a feridas, sabedorias doridas, de estranhas caídas ilusões.

O palco montado, as luzes presentes, o brilho tornado verdade, numa misturada saudade que não quero perder...

Estranha saudade esta que parece resgatar a palavra, cada palavra, cada dor ardente, amor que se sente, ardor que desmente a tamanha crueldade.

Já me perdi no meio das vírgulas e pontos que se intrometem por este texto, me desencontrei com os prometidos encontros que ficaram nesse passado, esquecido, desmentido, cravado naquele horizonte que já não vislumbro.

Abro os olhos...

Finjo não perceber que a tinta da pena se extinguiu, que se perdeu o rosto e o tempo, transformado em desgosto e tormento, tempero preciso para tão impreciso caminho, árduo caminho de um desatinado destino.

Em cada linha, por cada destemperada linha de um secreto texto, se completa o desenho de tantas vidas.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

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