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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Alcochete: A Juventude "Hitleriana"...

Filipe Vaz Correia, 17.11.18

 

As novas imagens de Alcochete, passadas na televisão Portuguesa, demonstram o Caos e a vergonha ali ocorrida.

Um pedaço de horror e vandalismo, um exército às ordens de um déspota descontrolado, dando voz a um projecto pessoal de poder.

Tudo fica um pouco mais desnudado...

A violência do acto, o desespero de Jorge Jesus, a manada descontrolada, a conspiração apoiada por Bruno Jacinto.

Um dia, há tempos atrás, ainda Herr Bruno controlava o clube a seu belo prazer, comentava neste blogue, os tiques autoritários desse seu líder, assim como, dessa milícia que ameaçava cumprir as vontades do tresloucado ditador.

Apelidei-os de "Gestapo" ou "Juventude Hitleriana", para revolta de alguns que hoje parecem ter sido, toda a vida, opositores de Bruno.

É assim a vida, dos contorcionistas de carácter...

Não me restam dúvidas que o meu Clube está impregnado deste tipo de "gentalha", mentes pequenas, incapazes de fazer a diferença pela positiva.

O Sporting é, enfim, mais do que autofágico...

É uma contradição permanente.

Que tristeza.

No meio disto tudo, não posso deixar de escrever, uma palavra para Jorge Jesus:

Obrigado pela lição  de coragem, de liderança...

Não pelos treinos ou pelo futebol jogado, mas pelas imagens que me marcarão eternamente, por olhar nos olhos dos agressores, pelo apontar de dedo, pela forma destemida e exemplar como se ergue contra os boçais amestrados que invadiram Alcochete.

Para mim, esse gesto vale mais do que um golo ou de que um título.

Isso representa a essência da vida.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

No Meu Tempo, Não Era Nada Assim!

Filipe Vaz Correia, 03.11.17

 

No meu tempo, não era nada assim!

Esta frase um pouco bafienta, poeirenta, que ao longo de gerações se vai ouvindo de Pais e Tios, caracterizando a diferença entre esse tempo nostálgico, onde foram felizes, e o rebuliço indecifrável por onde se perdem as novas gerações...

Esta frase que neste texto, tomo como minha.

Ao ver e rever em todos os telejornais, as imagens das agressões à porta do Urban Beach, não posso deixar de agarrar na memória e voar através dos pensamentos para um tempo tão meu, em que era tão jovem, em que tudo parecia perfeito.

Sempre gostei de sair à noite, de beber um copo com amigos, dar um pezinho de dança, navegar por entre a folia imortal de uma imberbe idade...

A Kapital, o T-Club ou o Stones eram os meus locais de eleição, sítios onde me sentia em casa e onde os porteiros se mantinham os mesmos ao longo de anos, ao longo dos tempos.

De Smoking vestido, ali estavam de pé, noite após noite, reconhecendo rostos, limitando abusos, demarcando o terreno.

Existiam problemas?

Claro...

Por vezes umas bofetadas?

Com certeza...

Mas jamais assisti a este tipo de indignidade, meio cobarde, numa ignóbil aberração plasmada naquele cenário de selvajaria.

Ao ver estas imagens, o que mais me chocou foram as agressões com os rapazes caídos no chão, indefesos, sem hipótese de se defenderem daquela barbárie, a que tantos assistiam.

Foi para mim, verdadeiramente chocante.

Por tudo isto, não consigo parar de recordar e ao mesmo tempo gritar:

No meu tempo, não era nada assim!

 

 

Filipe Vaz Correia