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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Adeus...

 

Um adeus...

Sempre que se diz adeus, a alma se contrai, a vontade se retrai, a querença diminui.

Um adeus definitivo, decisivo, desarmante.

Quando se ama, esse amor que se torna maior, não correspondido, o adeus é o maior temor da alma, mesmo que a fraterna alma, não creia que seja possível...

Mas, por vezes, é.

Esse adeus chega...

Quebrando decisivamente o querer, o olhar que se diluiu sem expressar, o amor que partiu sem explicar.

Nas entrelinhas do coração, nessas entrelinhas indescritíveis, vai se escapando a explicação para tamanha dor, para essa dor tamanha...

As palavras que sempre escasseiam, em momentos como estes, tornam-se no fel que fica armazenado no pensamento, no desgosto tornado em esperança.

Pois nada é mais cortante do que um amor...

Perdido, despido, desapegadamente enganador.

E na hora de um adeus, sobra a esperança de um renascer...

Sem mágoa...

Sem ti.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Adeus...

 

 

 

Já não mora em mim;

O que anteriormente morava,

Já não chora em mim,

O que pensava chorar,

Já não grita em mim,

A dor que antigamente gritava,

Já não recorda em mim,

Aquilo que outrora recordava,

Já não sorri em mim,

A parte que um dia sorria...

 

Mas passou;

Levemente,

Adormecendo,

Dormente,

Entorpecendo,

Torpente,

Aquele imenso,

Sentimento...

 

E assim;

Se um dia se recordar,

O inevitável findar,

De tamanho amar...

 

Se descreverá;

Numa singela poesia,

Que desapareceu,

Essa eterna alegria,

De um amor...

 

Um infinito olhar;

Que se tornou finito,

Na infinitude,

Plena,

De um doloroso adeus!

 

 

 

Adeus, Meu Amor!

 

 

 

Nada é maior do que aquilo que sinto;

Nada vale mais do que esta dor,

Nada é sentido quando minto,

Acerca deste meu imenso amor...

 

 Nada me fere mais do que este magoar;

Este malfadado desencontro,

Nada me irá custar,

Como o fim desse reencontro...

 

Nada valerá a pena;

Nessa angústia sem fim,

Do saber que apenas,

Nos sobrará este fim...

 

Uma despedida;

Sem palavras,

Desnudada,

Num intemporal adeus!