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Caneca de Letras

Caneca de Letras

“Ângelo”

Filipe Vaz Correia, 15.09.20

 

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Estive a ver o documentário da SIC, que passou Domingo à noite, Ângelo Rodrigues - Toda A História.

Absolutamente extraordinário.

Não vou aqui perder letras, palavras, linhas ou tempo nos julgamentos da praxe, feitos por "julgadores" profissionais que se assomam de verborreia para descrever os erros  imperdoáveis de outros...

O que para mim se tornou mais relevante neste documentário foi o olhar e a esperança, o medo e a coragem, a partilha e a dignidade.

O olhar do Ângelo e daqueles com quem ao longo do tempo se foi reencontrando, amigos, médicos, colegas de trabalho...

A esperança que parecia saltar da sua alma, em cada pedaço da etapa, em cada partícula de imagem ao longo da travessia...

O medo que amarrou cada lágrima vertida, por entre, o maior desafio de sua vida...

A coragem por ter decidido, etapa por etapa, meta após meta, reencontrar e agarrar cada gota desta nova oportunidade que a vida lhe está dando...

A partilha, essa forma superior, de todo um percurso, de um assumir de inseguranças e receios, de toda uma tragédia servindo de exemplo para memória futura, de tantos que se sentem "imortais", nesta longa viagem... 

A dignidade, com que a SIC trabalhou nesta reportagem, esse cuidado de expor sem magoar, de contar sem ferir, de zelar expondo a verdade, não beliscando a alma e o coração daquele que foi o protagonista de tamanha caminhada...

Que o pôr do sol da praia do Guincho presente no fim deste documentário possa simbolizar um novo capitulo, carregado de esperança, na viagem do Ângelo Rodrigues.

Eu gostei imenso...

Boa sorte Ângelo!

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

Dignidade Humana: Onde Se Traçam Os Limites?

Filipe Vaz Correia, 06.09.19

 

Hesitei em escrever sobre este tema, principalmente pela repulsa que sinto ao referir o pasquim em causa e este gesto que, mais uma vez, o define.

A capa do Correio da Manhã desta Sexta-Feira, é uma das maiores barbaridades que alguma vez assisti, sinceramente é apenas mais uma neste longo reportório de “canalhice”, no entanto, não consegui conter a indignação que cresceu em mim.

Sou absolutamente contra este tipo de aproveitamento da desgraça alheia, figuras públicas ou anónimas, num frenesim constante por vender mais e mais, sem olhar a meios nem a princípios definidores da dignidade Humana.

Existirão limites?

Sei que muitos me responderão que se trata da Liberdade, essa donzela tantas vezes violentada por aqueles que supostamente a cortejam, porém não consigo compreender o que poderá ter a ver a exposição de um jovem, deitado numa maca, ligado a máquinas, num momento de absoluta fragilidade, com o direito a informar...

Esta revolta que me recuso a calar, sobra dentro de mim, por entre, os valores que me norteiam, os limites que julgo definirem a dignidade Humana.

Este pasquim expõe qualquer coisa e qualquer um em nome do que eles chamam de “jornalismo”, comportando-se como abutres atrás da carniça, esventrando a privacidade de todos os que podem servir os seus interesses...

Estão protegidos nesta sociedade, por uma justiça que muitas vezes com eles é conivente, passando informações que contribuem para a quebra do segredo de justiça, aliando este facto a um branqueamento total destas acções.

A capa que desnuda a realidade de Ângelo Rodrigues, não passa de um acto cobarde e vil destes medíocres escondidos sob o manto do “jornalismo”.

Uma vergonha!

 

 

Filipe Vaz Correia