Sem-Abrigo...
Porque te chamam sem-abrigo?
Velho que já foste criança,
Só porque não tens um amigo,
E perdeste essa esperança...
Esse vazio no teu olhar;
Esse desespero no teu rosto,
Tantas mágoas a contar,
Uma vida de desgosto...
Pesadelos sem pudor;
Disfarçando embriagado,
Recordando um amor,
Que ficou preso nesse passado,
Que atormenta sem parar...
Já não volta, não regressa;
Esse tempo que te restou,
A essa história já perdida,
Nesse coração que um dia, amou...
E por isso, bem agasalhado,
Entregue às ruas despidas,
Por entre um frio, bem gelado,
Tentando esquecer essas feridas,
Que te deixaram,
Sem-Abrigo!
