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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Ruidosos Silêncios...

Filipe Vaz Correia, 12.05.19

 

Este silêncio que me consome, consumindo sem calar, desde a mais profunda inquietação arrepiada, numa encruzilhada de sentimentos despidos de cor, como se a espera constante de um reencontrado reencontro fosse maior do que esse degelo anunciado, desesperadamente gelado.

Contradições inquietas, palavras incertas, vozes e querenças diluídas no tempo, por um momento sedento de solidão.

Nada fica, se eterniza para além do testemunho cinzento daqueles pedaços de vento que esvoaçam por entre as almas mortais de todos nós.

Quantos dias e noites se perderam por entre lágrimas e sorrisos, risos de pouco siso, adivinhando os sombrios tempos que certamente chegarão.

Videntes descrentes, soltas imprecisões, cartas interpretadas de tristezas magoadas, dores cantadas e jamais navegadas, escondidas e guardadas nos doces recantos da alma.

Este silêncio...

Tantos silêncios, aguardando o tempo em que nada mais subsista do que o ruidoso som desse vazio.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

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