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Caneca de Letras

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14
Nov19

Quem Pagará O Salário Mínimo?

Filipe Vaz Correia

 

O salário mínimo...

O Governo escolheu este tema para o primeiro debate quinzenal da Legislatura.

Este tema não deve, nem pode, ser um divisor de águas entre a esquerda e a direita, sendo aqui muito importante que a direita não se deixe armadilhar no caminho, demonstrando capacidade para englobar esta reivindicação nos seus princípios políticos.

Esta realidade comporta várias e complexas vertentes, desde as necessidades desta franja de trabalhadores, até àqueles mais qualificados que vêem o seu salário estagnado, cada vez mais ao nível do ordenado mínimo...

Passando por essas empresas, na sua maioria pequenas e médias empresas, que enfrentando estes novos “custos” poderão ser confrontadas com dificuldades de produtividade neste mercado Global, assim como a falta de contrapartidas dadas pelo Estado a estas mesmas empresas, que deverão ver os seus custos disparar.

É aqui que a oposição de direita deverá colocar a tónica dos seus argumentos, ou seja, não fugindo da premissa maior que deverá ser a melhoria das condições dos trabalhadores que tendo um ordenado mínimo, ganham miseravelmente, sem nunca deixar de exigir ao Governo um plano global que impulsione empresas e trabalhadores, de ordenado mínimo ou médio, do privado ou do público.

Aliás esta desigualdade entre o privado e o público, pouco falada, poderá começar a criar legitimas clivagens na nossa sociedade...

Num País onde tudo parece mais difícil para quem trabalha no sector privado e se vê retirado de um sem número de benesses, em comparação com outros que trabalhando para esse mesmo Estado se encontram mais seguros e estabilizados.

Não devem existir cidadãos de primeira e de segunda, tenham salários mínimos ou médios...

Em nenhuma circunstância.

Quanto ao cerne da questão, ou seja, o aumento do salário mínimo para os 635 Euros, no próximo ano, parece-me que todos deverão estar de acordo...

Quanto aos 750 no fim da Legislatura?

Tenho as mais absolutas dúvidas...

Dúvidas sobre essa aplicação sem um plano sustentável do Governo de António Costa, um plano que suporte e apoie as empresas que irão ser obrigadas a aplicar tal aumento.

Sem isso, estaremos entregues a uma utopia ou a um chorrilho de falências, nesse mar de falta de competitividade que se instalará, principalmente no sector do calçado ou têxtil.

Enfim...

Querem aumentar o salário mínimo?

Fantástico...

Agora só falta criar as condições, a médio prazo, para isso.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

4 comentários

  • Imagem de perfil

    Filipe Vaz Correia 14.11.2019

    Meu caro Anónimo...
    Se leu o meu texto em lado algum defendo que salários baixos ou demonstro estar contra a subida do salário mínimo.
    O que digo é que é necessário apoiar as empresas que sufocadas muitas vezes pelo mercado Global, necessitam de incentivos para conseguirem acompanhar os aumentos decretados pelo Governo.
    Apoiar as empresas, não é o mesmo de querer salários baixos.
    Quanto à produtividade não me parece ser um tema sim tão imaginário e preocupando a direita deveria também preocupara a esquerda para se encontrar formas de se poder impulsionar incentivos a essa mesma produtividade.
    Quanto às culpas?
    Patrões e gestores, os maus da fita, que também os deverá haver, mas...
    E sindicatos?
    Não lhes reconhece nenhum defeito?
    Um abraço Canequiano
  • Sem imagem de perfil

    Anónimo 15.11.2019

    Caro Filipe,

    Qual a força dos sindicatos no sector privado? Diria que é quase residual, restrito a alguns sectores muito específicos, como por exemplo a aviação, financeiro ou alguma indústria. Mas num país, cuja esmagadora quota dos trabalhadores se encontra no sector terciário, quantas vezes viu greves de informáticos, ou mesmo de empregados de hoteis, restaurantes ou comércio? :-)

    E mesmo entre os sindicatos, não será justo meter tudo no mesmo saco. Se me pergunta se concordo com o estilo "marroquino" e ditatorial do Arménio Carlos, nos valores ou condições utópicas que pede, não concordo. Mas há que reconhecer que, apesar de alguma mudança que novas gerações têm trazido aos modelos de gestão, o pensamento clássico do empresário português não pensa propriamente no investimento e distribuição de riqueza, mas sim no poder e enriquecimento pessoal. O sector do vestuário e calçado é um dos exemplos paradigmáticos do choradinho por salários baixos, quando o parque de estacionamento da administração está pejado de viaturas capazes de ombrear com as do Ronaldo. Nesse aspecto, penso que os sindicatos vêm lutar por alguma justiça e protecção para o trabalhador.

    Quanto às dificuldades das empresas, há uma forma fácil de contornar isso. Encontrar mecanismos legais que favoreçam a concessão de crédito às empresas. O passado provou que os naufrágios no sector bancário não foram provocados pelos trocos concedidos às PMEs, mas sim às negociatas de muitos e muitos milhões, com (ou sem) garantias obscuras, feitas entre "amigos". O grau de proteccionismo que o Estado (e não só o Português) tem com o sector bancário, com a conivência dos bancos centrais, são pornográficos.

    Grande parte dos problemas das PME passam pela inexistência/insuficiencia de fundo de maneio, que lhes permita suportar incertezas e/ou investir.

    E, obviamente, existirão sempre empresas sem sustentabilidade no mercado, sujeitas às regras do capitalismo. Contudo, dizer que o problema destas empresas está na variação do salário minimo, é no mínimo uma enorme falácia. Aceito que o aumento dos custos com salários possa ser a gota que faça transbordar o copo, mas até lá alguém teve que o encher :-)

    Cumprimentos
  • Sem imagem de perfil

    Anónimo 15.11.2019

    “Mas há que reconhecer que, apesar de alguma mudança que novas gerações têm trazido aos modelos de gestão, o pensamento clássico do empresário português não pensa propriamente no investimento e distribuição de riqueza, mas sim no poder e enriquecimento pessoal.”
    Ora aí está o cerne da questão… A politica salarial em Portugal é opaca e pouco transparente, questão cultural talvez. Trabalhei em PMEs e naquele que foi um dos maiores grupos económicos do pais e sempre que pedia um aumento alguém dizia: "sabe isto está mal e tal…" Isto é apesar das maiores ou menores dificuldades das empresas ou da sua dimensão, como diz e bem "o pensamento clássico do empresário português não pensa propriamente no investimento e distribuição de riqueza, mas sim no poder e enriquecimento pessoal.”
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