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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Quem Já Sofreu De Amor?

 

Gritos e mais gritos, silêncios e mais nada, vozes sussurradas sem alma, despojadas de um querer desamparado.

Poética contradição, desesperada forma de expressar aquilo que se guarda no secreto recanto do Ser, dessa parte secreta que sendo discreta, não se cansa de sentir.

Palavras soltas, reflectindo tantas e tantas voltas imperfeitas, sabores e odores, ódios e amores, imprecisos no olhar.

Já não sei como escrever, sendo a escrita amargurada, já não sei como gritar, o tamanho grito envergonhado.

Não vou fugir, voar por entre o céu pejado de nuvens, as mesmas nuvens que servem de abrigo às lágrimas, que há muito me aprisionam...

Não quero fugir de um abraço, distante regaço, que já não me pertence.

Poderia escrever eternamente, mesmo que as palavras se tornassem ausentes e que as letras me brindassem com o vazio...

Mesmo que esse vazio fosse o único destino da minha alma.

Por vezes é difícil descrever a infinita dor de uma tristeza, tão grande tristeza, meio nobreza, de uma eterna separação...

Por vezes é difícil explicar ao coração, que esse sentir não passará de ardor, que aquele sofrer se tornará eternamente dor e que por fim...

Por fim a distancia será a constância desse viver.

Mas apenas isso se tornará...

Apenas esse momento ficará.

E vai passando o destino, se afastando o encontro, adiando o desencontro que não fugirá.

Restará cada segundo que valeu a pena, cada momento sem arrependimentos, cada pedaço sincero vivido...

Sem medo, sem receio, sem olhar para trás.

Sempre sorrindo.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

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