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Caneca de Letras

Caneca de Letras

O Estranho Mundo De Bruno...

 

Nem tenho palavras para qualificar este espectáculo tresloucado que nos foi ofertado por Bruno de Carvalho e seus apoiantes...

Não posso, uma vez mais, evitar memórias das minhas aulas de História, ou mesmo, de horas de infinito gosto a ver o Panorama BBC.

Ali, naquele espaço, revi diversos lideres que em algum momento do seu caminho se sentiram demasiadamente poderosos, extremamente perfeitos, para que alguém, um dia, os pudesse derrubar...

E assim levaram, até ao limite, a irracionalidade do seu desmedido querer.

Hitler no Bunker em Berlim, Ceausescu naquela varanda em Bucareste, Baptista no seu palácio em Havana, Nicolau II nos salões do Palácio Imperial em São Petersburgo, o Xá da Pérsia nos recantos de Teerão ou Mussolini nas ruas de Roma.

Todos eles acreditaram, até ao fim, que seriam inatingíveis, que nada havia mudado na sua relação de poder com os muitos que os suportavam...

Eles acreditaram numa realidade paralela e Bruno também acredita.

O que está nesta génese é o pensamento, a mente patologicamente desvirtuada, entrelaçada com a perfeição criada em si mesmo, de si mesmo...

Estes lideres passaram a acreditar, não na realidade, mas sim naquela imagem construida por aqueles que o rodearam, criando assim, a tempestade perfeita para a sua queda.

Naquela sala, onde Bruno apresentou a sua recandidatura, as vozes vociferavam descontroladamente, os olhares enraivecidos acompanhavam a imagem do seu "Fuhrer", ao som de...

Viva o Bruno!

Bruno!

O Sporting esteve menos presente naquela euforia do que Bruno, sempre Bruno, irresistivelmente Bruno.

É este, mais um indicador, desta patológica verdade ditatorial.

No entanto, notou-se a degradação do poder, daquele poder arrasador, ameaçador, com que Bruno de Carvalho estrangulava quem dele discordava...

Nesta encenação sobrevive o "pequeno líder", através desta efémera esperança se alimentam os poucos que com ele marcham, acreditando até ao fim nesse lado teatral que os mantém vivos.

Um triste espectáculo no fim de um reinado.

 

 

Filipe Vaz Correia