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Caneca de Letras

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27
Abr17

Fátima: O Que Divide A Geringonça?

Filipe Vaz Correia

 

Foi com estupefação que vislumbrei durante o dia, as criticas em relação à tolerância dada pelo Governo no dia 12 de maio.

Admito que não tenho muitas expectativas em relação a alguns sectores mais radicais da esquerda Portuguesa e que se encontram enraizados não só no Bloco ou no PCP, mas também neste novo PS...

Ao ouvir Isabel Moreira, filha de um dos políticos que mais admiro, falar sobre a tolerância de ponto dada pelo Governo, para que as pessoas se possam preparar e deslocar a Fátima, nas comemorações do centenário das aparições, descubro em cada uma das suas palavras uma intolerância própria de um extremismo quase Chavista.

O zurzir de criticas que se levantaram, aquando desta decisão, invocando a laicidade do estado, vem comprovar que por vezes mesmo aqueles que se intitulam de tolerantes, escondem ódios e assomos de intolerância que emergem quando menos se espera.

Esta decisão governamental foi classificada de excessiva, inexplicável e imatura, pela mesma deputada, coisa que me parece não ter feito, aquando da mesma decisão na altura do Carnaval, festa pagã mais apropriada a este tipo de pensamento anárquico...

Costa fez bem, julgou melhor ainda, permitindo que um país laico mas com uma maioria esmagadora da sua população Católica, assim como, a sua história quase milenar que se confunde com a fé Católica, pudesse numa data tão especial usufruir da boa vontade do Estado, para que todos aqueles que desejem participar nestas comemorações o possam fazer de maneira confortável.

Ignorar o peso da Igreja na nossa sociedade é um erro tão grande, como ignorar o pensamento daqueles que hoje se opõem, hipocritamente, a esta decisão...

Mais, o discurso humanista do Papa Francisco, que estará pela primeira vez em Fátima para a canonização dos Pastorinhos, Jacinta e Francisco, recomendaria prudência a esta esquerda tão desejosa de apregoar o seu ímpeto solidário e humano, no entanto, o preconceito incutido nestes encapotados extremistas, não os liberta destes laivos de radicalismo.

Para bem do país, António Costa é muito mais um homem de centro, do que aqueles que circunstancialmente o suportam e isso materializa-se na forma como governa e em muitas das decisões que toma, apesar das cedências que certamente continuará a fazer nesta legislatura.

Assim que se cumpram as tradições, que se respeitem as convicções e acima de tudo nunca nos esqueçamos da história deste nosso País...

E quando menos se esperava, uma tolerância de ponto, dividiu a geringonça.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

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