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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Entre Memórias E Sonhos!

 

Navegando em alto mar sobre o cristalino azul, esse azul cristalino que intermitentemente seduz, deslumbrando sem parar, essa parte que insiste em buscar, por entre as águas, um desencontrado pedaço de mim mesmo...

Um pedaço de passado, escondido no fundo do mar, que abrasadoramente descansa sem se perder, e se vai perdendo misteriosamente na alma, que me pertence.

Buscando pessoas e rostos, esquecidos, adormecidos reencontros, meio despertos na infinita recordação que se entrelaça, com aquela imensidão resplandecente.

Nada poderia ter mais sentido, fazer mais sentido...

A espuma ao passar do barco, deste barco em que me encontro, trilhando ali um desejado percurso, naquele lugar que parece eternamente meu, naquele horizonte por descobrir...

Parece que tudo me pertence, sem nunca ali ter estado, misturado com aquele sorriso perdido que esforçadamente desejo encontrar, abraçando desmesuradamente a contradição em mim mesmo.

Tantas e tantas palavras amarradas ao ondular daquele barco, ao constante perder por entre mar e céu, numa infinitude que assusta...

Assusta assustadoramente a pequenez do bater do meu coração, destemperadamente só, num singelo vazio, assemelhada solidão da fugacidade intemporal.

Desejo mergulhar...

Tão profundamente quanto me permitir o sonho, sonhando intensamente, num silêncio ruidoso que desvanece devagarinho.

Tão profundamente...

Que a alma pudesse reencontrar aquele outro olhar, outra vez.

Outra e mais outra.

Mas se calhar, é equivoco, é um desesperante equivoco.

Se calhar esse mar é sangue, assim como de sangue serão as lágrimas que salgam cada parte, discretamente ousada do pensamento.

Como é sangue cada partida tua, vida após vida, até ao inusitado momento em que à distância, voltamos a vislumbrar o desenho de uma nova vida...

Mas e se for a última viagem?

O último reencontro desta intemporal viagem?

Só no fundo daquele mar repousarão as respostas, morrerá a saudade, se esconderá infinitamente tamanha resposta, tamanha tristeza, desenhada em telas eternas.

E assim, continua o barco a navegar, o mar a reluzir e o sonho a esvoaçar como se nada mais fosse importante, como se por uma vez, o passado e o presente fossem um só...

Um só!

 

 

Filipe Vaz Correia