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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Caminhando

Filipe Vaz Correia, 03.09.21

 

 

 

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Ainda custa soletrar cada pedaço de nada

soluçar esse pedaço de arca moida

esperando a minha mãe do outro lado da porta do quarto

nesse entretanto que hoje me parece distante.

 

Queria mais...

tanto mais que o não consigo expressar nestes versos

nesse vazio imenso que me sobra

na inconstante versão de nós mesmos.

 

Queria voar e gritar,

ser maior do que as asas,

e em cada pedaço de mim libertar

os medos que me agrilhoavam.

 

Queria olhar para aquele menino e o abraçar

explicar que medos e segredos rimam

mesmo que pareçam maiores do que a vida

do que a realidade construída em seu presente.

 

Já sei soletrar e escrever,

mas anseio por esse chamamento do outro lado da porta,

do fim de brincadeira que se extinguia na presença de um adulto

desse crescimento que faria de mim  um homem.

 

O tempo passou;

o mundo mudou

parte do meu sorriso findou,

e os medos permaneceram...

 

Mas já não te tenho Mãe!

 

Frias se tornaram as ruas,

tristes se tornaram as poesias,

sombrios ficaram os versos,

no final de cada dia.

 

E eu...

continuo a caminhar.

 

 

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