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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Avé Maria

Filipe Vaz Correia, 14.04.20

 

Amarga amargura que te moldas em mágoas,

palavras separadas em tempos de tristeza,

sábias e cicatrizadas feridas que não calam,

marcam compassadamente os mortos,

os rostos apagados, esquecidos, remarcados,

por entre lágrimas secas de outrora,

no alto mar tempestuoso de uma vida,

tantas vidas redesenhadas.

 

No meio da dor,

essa espécie de orfandade de sentimentos,

sobrevive a angustiada expressão incógnita,

esse ardor desesperado numa mistura,

mescla ardente do vazio que sobra,

transborda em prantos,

por todos os recantos da Humanidade.

 

Já não sei escrever, expressar por palavras a confusa obliquidade,

esse adeus profundo a uma realidade,

que desvaneceu.

 

Oiço ao longe o ressoar daquela voz,

solitariamente só na Catedral Duomo,

na Praça de São Pedro,

nas ruas deste mundo despido,

desnudado, ferido.

 

Avé Maria...

 

Avé Maria...

 

 

 

 

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