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Caneca de Letras

Caneca de Letras

As Trincheiras Do Covid-19... (Desabafos Poéticos)

Filipe Vaz Correia, 16.04.20

 

Não te escondas de mim futuro, entrelaçado medo que percorre minhas veias, numa escuridão tão imensa como o bater da alma, desnudada, perdida...

No meio destes corredores o pânico, ao mesmo tempo que se sente o querer de todos, de todos aqueles que lutam, desesperadamente lutam, por resgatar dos mortos, vidas, rostos, gente.

Nos olhos a pressa, essa corrida contra o tempo, num tempo desconhecido em terra de ninguém, onde alguém solitariamente olha em volta, sem volta, à volta.

Sento-me num pedaço de colchão num recanto de nada, porque neste caso um nada pode ser tudo, esse todo de um tudo que se transforma em vazio, num frio que percorre a espinha, num arrepio imenso, tão intenso como gélido.

Não consigo pedir, orar...

Não consigo rezar por entre as lágrimas de sangue amarradas a este filme.

Nada é profundamente Humano quando nos confrontamos com a morte, nada é Humanamente maior do que esse moribundo momento, no calafrio dos números, numerosos amontoados de horror.

Corredores e mais corredores, máscaras e máscaras, rostos tapados, vozes ao longe...

No que nos transformámos?

O que nos sobrou nesse inferno que nos chegou, por entre, dias e meses inverosímeis?

Somos gente...

Somos alma...

Somos nada.

 

 

Filipe Vaz Correia