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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Aquele Inverno...

 

É inverno...

Chove do lado de fora da janela, por entre, a escuridão que cobre as ruas, que desnuda a solidão daqueles que se entrelaçam com o destino, sem saberem reescrever a sua canção.

Na melodia de uma vida, carregada de solidão num inverno, mora essa destemperada vontade de correr rumo à infinitude maior, desse Ser Humano sem sentido.

Já  outrora Cartola cantou que "o mundo é um moinho", num desafiar lírico do querer, do entendimento menor da imensidão humana.

Mas o que fazer?

O que gritar...

Se no olhar das gentes se perde a querença, em cada pedaço de tempo se vai desvanecendo, se vai cedendo, perante os dias corridos diante do espelho reflectido de nós mesmos.

É inverno...

Sem vozes ou brilho, sem abraços ou afagos, sem nada que aqueça a alma, pois a alma desnudada, espantada está com o correr do tempo.

Sempre o tempo, levando o momento para a eternidade dos arrependimentos...

Dos nadas que se transformaram em tudos, dos rostos perdidos jamais repetidos, das noites estreladas outrora brilhantes e agora desencontradas.

É inverno e está a chover...

E eu sem ti, sem nada que me resgate nesse tempo, para num momento te voltar a beijar.

É inverno...

Meu amor.

 

 

Filipe Vaz Correia