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Caneca de Letras

Caneca de Letras

A “Intemporal” Viagem De Todos Nós...

Filipe Vaz Correia, 01.10.19

 

Ainda sangra ou já estancou o pedaço de ferida que teimava em se fazer sentir?

Nesse caminhar constante, vulgo destino, tantas foram as vezes que desassombradamente a vida chega e nos derruba, nos amarra nessa tristeza que parece ficar para sempre.

O nascer do dia chega mas a noite escura parece reinar, tenebrosamente presente, ameaçando, nessa escuridão, os coloridos sonhos de outrora.

Já não existe brisa ou maresia, riso ou contentamento, esse leve sentimento desnudado e esquecido, entrelaçado sofrimento, amargurado e ferido.

O escorrer do sangue, como lágrima que não se esconde, intensifica a espécie de ardor que marca e esventra, num desmedido querer silencioso, grito calado que ensurdece o pobre coração...

Ainda sangra?

Ainda vociferas pedaço de ferida na alma?

Alma?

O olhar meio perdido que abraça a realidade vai ditando o caminho, trilhando o destino ensurdecedor, trauteando palavras e frases, descontraídas formas de choro que se confundem com a ausente poesia numa folha em branco...

A despida contradição num cumprimento que se perdeu.

Nem sei como soletrar esta contraditória melodia que num momento se degladia, num outro irradia, e em todos eles se desvanece numa alucinante montanha russa de lembranças, amarguradas desesperanças que outrora pulsavam, antigamente se soltavam, por entre, a saudosa esperança que tudo transformava.

O sol partiu, discretamente se despediu, devagarinho, de mansinho, num aceno que pareceu timidamente discreto, incertamente nostálgico.

Sem saber se num novo dia voltará a irromper por entre os céus...

Num repetido quadro intemporal.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

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