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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Poesia...

Filipe Vaz Correia, 05.01.19

 

 

 

Porque faz sentido a poesia?

Essa mistura de letras e palavras,

Voltando como maresia,

Num agigantar da alma,

Desesperada por um sentir,

Que mesmo fugaz,

Se imortalize...

 

Se torne intemporal;

Como o olhar de uma mãe,

Como a brisa do verão,

Um abraço desmedido,

Aquecendo o coração...

 

A poesia é beijo;

Ou um escondido desabafo,

Um intenso desejo,

Que não cala...

 

A poesia é um pedaço de tudo;

Um eco de nada,

Uma tela do mundo,

Uma voz retratada...

 

A poesia é enfim;

Uma beleza sem fim.

 

 

 

Viva Cazuza...

Filipe Vaz Correia, 26.11.18

 

" O amor é o ridículo da vida.

A gente procura nele uma pureza impossível...

Uma pureza que está sempre se pondo, indo embora.

A vida veio e me levou com ela.

Sorte é se abandonar e aceitar essa vaga ideia de paraíso que nos persegue.

Bonita e breve como borboletas, que só vivem vinte e quatro horas.

Morrer não doí."

Cazuza nos últimos momentos de sua vida, desfrutando do mar que parecia se querer despedir dele mesmo, numa mistura de amor e tristeza, soletrada e irrepetível alma poética.

É impossível não sentir em cada palavra sua, a imensidão de uma beleza sensível, de uma coragem irreverente, de uma sabedoria intemporal.

Viva Cazuza.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Nas Asas...

Filipe Vaz Correia, 20.11.18

 

 

 

Nas asas da imaginação;

Se esconde o verdadeiro,

Pedaço de sedução,

Que se torna primeiro,

Amarrado à emoção,

Desse beijo derradeiro...

 

Nas asas do vento;

São levadas memórias,

Dores e sofrimentos,

Esquecidas histórias,

Desventurados tormentos...

 

Nas asas da vida;

Se coleccionam páginas,

Por vezes, carregadas de feridas,

Por outras, despojadas de tudo...

 

Nas asas de um texto;

Se vão perdendo lágrimas desencontradas,

Vozes soletradas,

Pedaços de uma canção...

 

Nas asas...

 

 

 

 

Linhas, Traços, Desenhos E Rabiscos...

Filipe Vaz Correia, 25.09.18

 

Escrever uma carta nem sempre é fácil, ficando pelas entrelinhas, tantas vezes, letras perdidas, palavras meio feridas e moribundas ideias que permanecerão soltas por entre o papel.

A cada linha se encontram virgulas e "entretantos", desconexas vontades...

Em cada parágrafo uma mudança de linha que nem sempre representa uma mudança de texto, de sentir, de querença.

Por entre a tinta que acarinha cada palavra se entrelaçam gritos e silêncios, memórias e saudades, jamais desnudadas por completo.

A complexidade de escrever uma carta, quando ela se pinta da mesma cor da alma ou segreda o que habita no coração, será esse desvendar do Ser, esse despir da tímida alma.

Num abraço em forma de desenho ou num carregado adeus desenhadamente derradeiro, se perde a temporalidade que se transformará nessa intemporal inevitabilidade...

Da intemporalidade do que escrito está.

É assim mais difícil, por vezes, escrever do que gritar...

Falar com esse espelho de nós mesmos que se reflecte a cada instante quando revês o que se foi libertando de ti, ganhando forma, cor, intensidade.

E como por vezes é belo?

Outras dolorosamente belo?

Outras ainda...

Apenas vazio.

E assim neste desabafo em forma de carta se revê a tímida desesperança, carregada da imensa esperança que se prende a quem escreve...

Numa carta repleta de linhas, traços, desenhos e rabiscos, salpicados com uma pitada de poesia.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

Retrato Da Alma!

Filipe Vaz Correia, 16.01.18

 

Não existem letras suficientes para compor palavras, palavras suficientes para construir frases, frases suficientes para descrever este significante pormenor...

Não encontro significados tão precisos, para simplificadamente desconstruir, tudo aquilo que me vai na alma.

Esta alma incapaz de pôr no papel, o que do papel se esconde, o que escondido está na singela discrição do sentir.

Por vezes o silêncio, ruidosamente discreto, é mais intenso do que a voz, do que a certeza das palavras ardentes...

Do que a dor solitária, desta viagem sem igual por este amor.

Como se descreve, o indescritível desejo de voar?

Sem asas...

Apenas com o batimento do coração, deste desamparado coração.

Preso ao olhar, sem rede, aguardando um sinal, que como sempre, tarda...

Não existem forças capazes de disfarçar, as marcas que ficam eternamente cravadas na alma, nem vidas suficientes para esquecer tamanha frustração.

Apenas este ardor...

Ardor intenso.

Não existe sol nem chuva, lágrimas ou discretos entendimentos, capazes de abraçar todo um mundo de grotescos gritos flamejantes, de uma intemporal esperança.

E como dizia o poeta:

" Vive, vive de uma vez, todo o amor que irreflectidamente te completa, pois será esse amor que um dia será o propósito de uma vida."

Essa vida que será a tua.

 

 

Filipe Vaz Correia