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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Versos Desconexos...

Filipe Vaz Correia, 28.05.19

 

 

 

Os olhos tristonhos;

Tão meus...

 

Outrora risonhos;

Só meus...

 

Pesadelos medonhos;

Num adeus...

 

A voz calada

Que me pertence,

A dor silenciada

Que se sente,

Vento, ventania,

Insistentemente presente...

 

E por entre a desconexa vontade de escrever;

Por entre versos e poesia,

Caminhando de mãos dadas sem ceder,

Celebrando a derradeira ousadia,

Desse amar ao amanhecer...

 

Ao entardecer;

Ao anoitecer,

Eternamente até morrer.

 

 

 

 

Todas As Mágoas Do Mundo

Filipe Vaz Correia, 20.05.19

 

 

 

Todos os gritos transformados num só;

Todas as vozes caladas,

Todos os sonhos reduzidos a pó,

Poeira desdenhada...

 

Todas as lágrimas desaparecidas;

Todos os olhares disfarçados,

Disfarçando as velhas feridas,

Em lugares desencontrados...

 

Todas as partes de mim;

Numa entrelaçada estrada,

Desapegadamente em busca de um fim,

Um fim cheio de nada...

 

Mas nesse horizonte ao luar;

Perdidamente entre poetas,

Vinícius, Cazuza, Pessoa ou Gilmar,

Se prende a mim, desperta,

Essa busca sem findar,

Da alma incerta...

 

E sem tradução;

Singelamente desacertado,

Se entrega o coração,

A esse destino acelerado,

Que ainda me consome.

 

 

 

 

 

Morrer de Amor: A História De Horácio Sala...

Filipe Vaz Correia, 27.04.19

 

 

 

Morreu o Pai de Emiliano Sala...

O Sr. Horácio Sala partiu num momento de desistência do seu coração, certamente submerso nas saudades asfixiantes que devem ter marcado estes dias após a trágica morte de seu filho.

Morrer de amor...

Como escrevem os poetas, morrer de saudades, como se entrelaça em cada pedaço de poesia plasmada na imortal alma.

Não tenho palavras, mesmo querendo buscá-las, perdido nesta triste notícia.

Que descanse em paz e que possa reencontrar esse amor perdido, numa fria noite, num "Canal Manchado" de tristeza.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Rostos...

Filipe Vaz Correia, 04.03.19

 

 

 

Rostos e mais rostos;

Nesse mar de gente,

Deambulando pela rua,

Multidão ausente,

Na solidão crua,

Tornada crescente,

A ausência tua,

Que em mim flutua...

 

Rostos e mais rostos;

Despidos de significado,

Pedaços de desgosto,

Num rosto desamparado...

 

Rostos e mais rostos;

Num entrelaçado silêncio,

Buscando arrepiados,

O que se escapou...

 

Rostos e mais rostos;

Nesse desenho rasurado,

Assinalando a despedida,

Meio ferida,

De um tempo.

 

 

 

 

Quem Nunca Amou?

Filipe Vaz Correia, 22.09.18


Não  me sobrou o medo, pois esse medo que me corrompe, me consome, estará apenso à solidão  momentânea  de um desmedido desejo, singelo ensejo de um destino.

Palavras  singelas que se confundem com o bater do coração, esse cego sentir, sentindo cegamente esse querer secreto.

Mas poderá a alma se silenciar?

Poderia ser diferente se de cada vez que é tornado realidade, se desvanece num senão, esse tão puro amor?

Por entre a sapiente sabedoria de um silencio, vai desvanecendo essa esperança, essa intensa querença que se tornou tristeza...

Mas como se explica ao coração que não importa o sentir?

Como se explica ao coração que por vezes apenas sobrará  a desmentida promessa?

Por vezes não importa explicar, apenas soletrar baixinho o triste caminho que sobreviverá eternamente...

Num texto desconexo, por entre palavras descomplexadas, tristemente enumeradas numa carta sem poesia, numa tarde de maresia, afogando o que um dia prometeu ser eterno.

Por vezes não importa amar...

Por mais que esse amor seja o essencial de uma vida...

De todas as vidas.

 

 

Filipe Vaz Correia