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Caneca de Letras

Caneca de Letras

O Amor Não Tem Limites!

Filipe Vaz Correia, 24.04.20

 

Este vídeo deixou-me emocionado, amarrado à expressão daquele neto, filho, daquela mãe, a esse amor que ultrapassa a imagem, sobrevive para lá do tempo, dos tempos...

Como é fácil fazer a dita felicidade?

Como é fácil por um instante captar um sorriso, entrelaçar destinos, desatinados pedaços de vida...

Neste vídeo que encontrei pelo youtube, uma doença serve de mote para umas pinceladas de amor, esse incondicional que esborrata a tela, salta da moldura e preenche a vontade Humana.

Ali, na misturada emoção, reencontrei minha Mãe, que perdi há quase 10 anos, reencontrei o sentir por ente o carinho, pequenas partes desse carinho por vezes esquecido no quotidiano agitado de todos.

Que bela imagem...

Que extasiante exemplo.

A demência, doença que corrói a mente e alma daqueles que com ela convivem, é neste trecho esmagada pelo amor sublime, maior, e por um instante se torna irrelevante, superficialmente secundada pelo toque, pelo sorriso, pela Felicidade imensa que tantas vezes parece, absolutamente, inatingível. 

Simples...

Simplesmente sublime.

O amor não tem limites!

 

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Poema De Um Filho (9 Anos De Saudade)

Filipe Vaz Correia, 21.12.19

 

Volta tempo...

 

Volta tempo para trás;

Buscando as palavras perdidas,

As dores sentidas,

Lágrimas escorridas,

Por entre palavras,

Abraços e regaços,

De histórias e memórias,

Que não regressam...

 

Tantas vezes no secreto resguardo da noite;

Peço que voltes...

 

E por vezes;

Escondida nas entrelinhas de um momento,

Te revejo,

Ao longe,

Desnudadamente sorrindo para mim...

 

E sempre volta a realidade;

Esventrando a esperança,

Misturada querença,

De um órfão...

 

Pois é assim que me sinto;

Há nove anos...

 

Nove anos sem ti...

 

Minha Mãe...

 

Meu eterno amor.

 

 

“Mães” Que Nunca O Deveriam Ser...

Filipe Vaz Correia, 07.11.19

 

Estava agora a ver as noticias e não pude deixar de agarrar no teclado e escrever, escrevendo compulsivamente a raiva que em mim habita, nesse grito a gritar a tristeza que me invade.

Como é possível?

Mãe?

Não ofendam todas as Mães deste mundo, aquelas que abraçam todos os dias os seus filhos e aquelas que já não abraçando, vivem na memória destes eternamente.

Existem mães que nunca deveriam ter sido Mães.

Esta é a frase que me ocorreu, a primeira ideia que se acendeu ao ouvir as palavras, ao ver as imagens, ao me aperceber de quão baixo pode descer o Ser Humano.

Uma “mãe” que abandonou um recém-nascido num caixote do lixo, sem qualquer agasalho, numa zona escondida, abandonando aquele pequeno Ser a um destinado fim...

À morte.

Felizmente, este menino, foi salvo por um Sem-Abrigo...

Mãe?

Poderão dizer que ninguém sabe a vida daquela pessoa, que desconhecemos as motivações e o desespero, que existirão mil e uma razões para tamanha barbaridade...

Não aceito!

Aqui nem contesto o abandono, pois se quer abandonar que o faça, dependendo dos casos, até posso aceitar ser um acto de amor, desesperadamente por amor.

No entanto, se quer largar o bebé, então que o deixe à porta de uma casa, toque e fuja, que deixe dentro de um autocarro, que deixe num hospital, perto de uma esquadra...

Num caixote do lixo, afastado de tudo, sem qualquer tipo de agasalho?

Isto não é abandono...

É Infanticídio!

Existem “mães” que nunca o deveriam ser.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Poderia Ter Sido Diferente? Ainda Bem Que Não Foi...

Filipe Vaz Correia, 25.09.19

 

Espero sempre que o telefone toque...

Que seja a tua voz que se encontra do outro lado, nesse encontro perdido e que amiúde me invade, buscando reencontrar o doce timbre de um aconchegante passado.

Olho pela porta entreaberta, por entre, as frestas da janela nessa imaginada procura que não chega, não chegará e que se perdeu sem compreender o tempo que o tempo traz e leva, resgata e afasta, mata e esventra, em cada pedaço do que fica na desprendida memória.

Como poderia ser diferente?

Vezes sem conta ligo para aquele número gravado na memória do telefone, ouvindo repetidamente aquele gravador, como se algo, por um segundo, se tivesse alterado, modificado, sendo diferente, nesse perder que ainda amarga e dói, queima e arde, esmaga e faz arrepiar.

Tenho saudades...

Por vezes esqueço, mesmo não querendo, pois o tempo na sua infinita crueldade, acaba por atenuar a dor, acalmar o ardor que constrói a solitária imensidão de um desesperado vazio...

Mas aqui regresso.

Como poderia ser diferente?

Como poderia?

Se de cada vez que respiro, o faço também por ti, se de cada vez que sorrio, o faço também contigo, se de cada vez que choro, contigo o faço no pensamento.

Se de cada vez...

Se de cada vez que te procuro e não te vejo, sei bem que foi verdade, a crua realidade de uma despedida eterna.

Mas mesmo assim continuo a procurar, a questionar, a tentar reencontrar cada momento marcante nesse destino partilhado, desencontradamente preciso.

Poderia ter sido diferente?

Se calhar não...

Porque foi intensamente perfeito.

Amo-te, minha querida Mãe...

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Carta De Um Filho...

Filipe Vaz Correia, 06.11.18

 

Minha querida Mãe...

Tantas vezes te escrevi e tantas parecem ser tão poucas, para corresponder a tamanho querer...

Essa forma de amar que me ensinaste no gesto, em cada gesto, em cada pedaço desse amor sentido por mim, em mim, somente em mim.

Vi-te chorar, enquanto, para todos sorrias...

Também isso, contigo, aprendi.

Vi-te, sendo fiel a ti mesma, e como essa dignidade me bastava...

Escrevendo, escrevendo, reescrevendo, sempre descarregando em cada letra, um pedaço de ensinamento, mesmo que de forma desgarrada, desesperado contentamento do Ser.

Minha amada Mãe...

Numa carta pejada de saudade, estreita-se a singela vontade de gritar:

Que jamais te esqueço, te esquecerei...

Não por vontade ou escolha, simplesmente, porque é impossível esquecer quem nos pertence, quem inesquecível se torna como o nascer de um dia, a cada passo de tempo, nesta intemporal jornada de tantas vidas.

Serei sempre teu, eternamente teu, tão teu...

Como meu, sempre foi esse amor teu.

Roubaram-me a tua presença, o teu cheiro, esse sorriso inteiro...

Mas a lembrança minha, essa que me alimenta, guarda-te, preserva-te, protege-te.

E nesse lugar, só nosso, recordar-te-ei como sempre te vi...

Encantado com o encantamento de tão belo olhar.

Amo-te.

 

 

Filipe Vaz Correia