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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Catalunha: O Primeiro Dia do Resto Da Tua Vida...

Filipe Vaz Correia, 27.10.17

 

Nada será igual...

Essa é a única certeza.

O Parlamento da Catalunha, acaba de declarar a Independência, num grito de orgulho Catalão, de emoção e coragem, num passo rumo ao desconhecido, a um mundo novo.

Madrid reagirá, certamente que o fará, no entanto, será impossível regressar ao dia 30 de Setembro, o dia que antecedeu o referendo da discórdia...

Daqui para a frente, aconteça o que acontecer, nasceu uma nova Catalunha, e morreu a velha Espanha.

O choque será tremendo, as soluções pouco consensuais, e mesmo que Madrid tome medidas mais drásticas para anular esta Declaração, temo que os passos dados nestas semanas, os que ficaram por dar ao longo de tanto tempo, criaram um fosso irremediável, entre o poder central e a vontade de um Povo, desejoso de celebrar esta nova Catalunha.

Este será o primeiro dia, do resto da vida Catalã.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Catalunha: Referendo ou Eleição?

Filipe Vaz Correia, 20.10.17

 

O Governo Espanhol e o PSOE acordaram esta manhã, segundo avança a TVE, a marcação de eleições Regionais na Catalunha, para Janeiro de 2018.
Num momento em que a ameaça de suspensão da Autonomia Catalã , continua a perseguir a Generalitat, este passo pode, verdadeiramente, contribuir para a clarificação de todo um processo complicado e mal conduzido.

Talvez este devesse ter sido o primeiro passo a ser dado pelo Governo de Madrid, no entanto, agora saberemos de forma legal e constitucional, quem quer a independência e quem a não quer...

Porque nestas eleições, apenas duas escolhas poderão ser feitas, duas leituras, para aqueles que em Janeiro, queiram exercer o seu direito de voto:

Quem votar em Puigdemont e nos partidos aliados, votará pela Independência, pela criação de um Estado Soberano Catalão, que se separe definitivamente do centralismo Madrileno.

Quem votar nos partidos com assento Parlamentar como PP, PSOE ou Ciudadanos, estará a votar pela continuidade de uma ligação Autonómica, entrelaçada com a Nação Espanhola e com a Constituição em vigor.

Não existem outras hipóteses.

Por essa razão, é com expectativa que aguardo esta eleição, este desfecho para uma das mais graves crises identitárias, na Europa deste século.

Que venha então esse referendo, em forma de eleição.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Bipolaridade Catalã...

Filipe Vaz Correia, 11.10.17

 

Todos aguardavam as palavras de Carles Puigdemont no Parlamento da Catalunha, temendo-se uma Declaração Unilateral de Independência que acabasse por agudizar os ânimos, estreitando ainda mais o sinuoso caminho, que parece ensombrar os destinos da velha Espanha.

A surpresa ficou reservada para o tom moderado e esclarecido com que o Presidente da Generalitat, resolveu estender a mão ao Governo Central, procurando um suposto entendimento, ou pelo menos, simulando-o...

Para esta atitude muito terão contribuído as reacções internacionais, a fuga de empresas e capitais, deixando no ar um ameaçador isolamento.

Puigdemont falou no Parlamento da Catalunha para o mundo, para aqueles Catalães que se opõem a este grito libertário mas também, não menos importante, para os Espanhóis espalhados pelas mais variadas regiões Autonómicas...

Tentou passar uma ideia de ponderação, de abertura e equilíbrio, reforçando a fé numa Nação Catalã, ao mesmo tempo, que tentava através desta surpreendente moderação, conquistar a opinião pública e credibilizar a sua causa.

O que fará Rajoy?

Que resposta chegará de Madrid?

Este é um tempo vital para a unidade de Espanha, e será essencial para essa mesma unidade, a forma como Mariano Rajoy e o Governo Espanhol, resolverem actuar a partir daqui...

Na minha modesta opinião, é importante aproveitar esta bipolaridade da Generalitat Catalã, para empreender uma espécie de diálogo que aproxime, ou seja, deixe a percepção em todos de que ainda será possível encurtar diferenças, fazendo renascer um processo Autonómico na Catalunha, há muito adiado.

Se Rajoy não o conseguir fazer, voltando a desperdiçar uma oportunidade para desarmar este discurso bipolar das Autoridades Catalãs, então, talvez seja mesmo difícil voltar atrás...

Por agora, surpreendentemente, parece que ainda será possível.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

Catalunha: Os Ruidosos Silêncios...

Filipe Vaz Correia, 09.10.17

 

A Catalunha voltou a sair à rua, desta vez os opositores do processo de Independência, aqueles que sendo Catalães, dizem não às pretensões defendidas pela Generalitat.

A divisão vivida na Catalunha, sente-se em cada frase, nas mais variadas tomadas de decisão do cidadão comum, da gente normal de bandeira em punho, Espanhola de um lado, Catalã do outro...

Por entre aquele mar de gente, desabafos e medo, revolta e desencontros, com a História, com o passado e com o ausente futuro, que a tantos inquieta.

Muitos pedem diálogo, outros nem tanto, no entanto, todos os que desfilaram ontem nas ruas de Barcelona, desejavam uma Espanha una, indivisível, integrada.

A revolta nas palavras contra os Mossos de Esquadra, explanam em todo o seu esplendor, o quão difícil se tornou esta coabitação, entre os dois lados de um mesmo problema...

Para uns heróis, para outros traidores, esta Polícia Catalã marca indelevelmente o rosto desta crise...

Parece evidente que a Catalunha perderá imenso se insistir nesta vontade secular, perdendo poder económico, espaço político, qualidade de vida, tal o grau de isolamento a que poderá ficar confinada.

Assim no meio deste gigantesco problema, desta batalha incompreensível, apenas uma coisa poderá salvar Espanha e a sua orgulhosa alma Catalã:

O diálogo.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

Felipinho...

Filipe Vaz Correia, 05.10.17

 

O que se terá passado na mente de Felipe VI de Espanha?

Quem terá aconselhado o Rei para um discurso estranho, enviesadamente partidário, escolhendo ser mais um a acentuar as diferenças, quando poderia e deveria ser aquele que uniria, apaziguaria um conflito incompreensível...

O Rei de Espanha aparece tardiamente em cena, numa comunicação ao País carregada de ralhetes, de dedo em riste, acentuando a sua função correctiva, numa altura em que isso apenas contribui para um inflamar da situação.

Considero esta atitude de Felipe, desestabilizadora e pueril, talvez mesmo um erro Histórico, de percepção política, pois as posições já de si extremadas aconselhariam que nesta intervenção, o Rei fizesse valer a sua capacidade de mediar, de através do seu papel conseguir moderar os extremos que se opõem...

A figura do Rei, caso interviesse mais cedo ou tivesse outro tipo de discurso, ganharia certamente outro peso nesta disputa, mesmo entre aqueles que se encontram nas ruas de Barcelona, pedindo a Independência.

Felipe preferiu o caminho mais fácil, franzir o sobrolho, apontando e nomeando os desleais e desordeiros, excluindo-se assim, talvez sem se aperceber, do papel aglutinador que poderia e deveria ter.

Felipe consegue assim legitimar aqueles que em Madrid ou em qualquer parte de Espanha, destilam ódio contra os insurgentes Catalães, ao mesmo tempo que legitima, aos olhos dos que clamam pela Independência Catalã, a injustiça plasmada em cada palavra de um Rei que deveria ser de todos....

Mesmo daqueles que reclamam o direito a escolher, não o ter, como seu Rei.

 

 

 

Filipe Vaz Correia