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Caneca de Letras

Caneca de Letras

19
Fev21

Cartas Do Meu Passado

Filipe Vaz Correia

 

 

 

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Através dos olhares de outros, viajo vezes sem conta por entre as realidades esquecidas, por entre vidas esvaziadas de presença, mas imensas no sentido, naquele sentir eterno.

Descobri cartas e mais cartas de um passado distante, com mais de 100 anos...

Cartas e postais, palavras soltas e apertadas, saudades distantes e lágrimas disfarçadas, em cada uma das suas letras esborratadas, de uma qualquer linha, daquele postal.

Naquelas cartas encontrei a minha Avó, minha Bisavó, amigas e sonhos, desilusões imprecisas, numa mistura de vida, cumprido destino.

Encontrei as saudades imensas de minha Mãe, uma menina que desconhecia que de si viria, aquele que nesse instante lia, palavras e sentimentos explanados em tão antiga carta...

Presente carta...

Voz que tanto amo.

Cartas e mais cartas, impregnadas dos meus, cheias de mim.

Porque o que somos nós senão esse pedaço, demasiados pedaços, daqueles que um dia, ao longo de vários destinos, nos pertenceram...

Serão eternamente parte de nós.

Assim continuo aprisionado, às letras, aos desabafos, à formalidade inerente a tempos que já passaram...

Continuo buscando partes de mim, que ainda não conheço.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

17
Fev21

Folha Em Branco

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

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Ó folha em branco;

Guarda estas minhas lágrimas,

Esconde-as do mundo,

Para sempre...

 

Guarda-as, bem guardadas,

Do sol e da lua,

Do anoitecer e da alvorada,

Dessa amargura que flutua...

 

Esconde-as por um momento;

Um instante de sofrimento,

Pois temo que o vento,

As faça regressar no tempo,

Para perto de mim...

 

E assim com carinho;

Te peço devagarinho,

Que guardes eternamente,

Num cantinho,

Secretamente,

Esse pedaço de mim...

 

 

13
Fev21

Não Faz Sentido

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Não faz sentido;

O sentido de fazer,

O fazer sentido,

Sem sentindo desfazer...

 

Não é sentido;

O sentido sentimento,

Sentido consentimento,

Para sentindo o vento,

Deixar o vento sentir...

 

Nada faz sentido;

Nem tem de fazer,

Porque apenas sentindo o tempo,

Poderá o tempo sentir,

O quão errado,

Estava o meu coração...

 

Pois continua a não fazer sentido...

 

 

05
Fev21

O Lado Poético Da Minha Alma...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

O lado poético da minha alma ou a inenarrável vontade de poetizar, as imensas coisas que vejo...

As coisas que imensamente sinto.

Adoro escrever, é algo que faço de forma compulsiva, que está inerente a mim mesmo, no entanto, nada me faz mais feliz do que desabafar em verso, aproveitando o tempo para me perder por entre rimas, indecifráveis interrogações que ganham vida no papel, no computador, na infinita memória.

A poesia, esse gosto herdado de minha Mãe, também ela uma escrevinhadora compulsiva, que insistentemente desabafava no papel, alegrias e tristezas, memórias e esquecimentos, desgostos e amargas contradições de uma vida...

A sua vida.

Sempre de maneira poética, rima após rima, verso atrás de verso, como se tudo ficasse mais belo em cada poesia, por força da expressão harmoniosamente poética, deste mistério que é a vida.

Por vezes sinto, de olhos bem fechados, que as palavras se formam descontraidamente, num gigantesco mundo, ruidoso momento libertário, conjugando ideias, buscando trilhos para as imagens que se querem abraçar, numa construção de emoções, de medos e anseios, reflexos ou desejos, explanados disfarçadamente...

Delicadamente.

Para mim, um poema é essencialmente a entrega absoluta da alma, da nossa ou daqueles que através da nossa imaginação, parecemos saber descodificar...

Em cada poesia, através de cada uma, parece num instante que a tristeza pode ser bela, a dor adormecida, a mágoa entrelaçada, e a magia...

A magia de unir todas as pontas de uma canção, numa folha de papel, em quadra, em verso, em descompassados instantes de um coração.

Viva a poesia.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

29
Jan21

Amanda Gormam: A Poética Esperança Em Todos Nós!

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

As palavras que ecoam em mim;

nessa importância que se entrelaça ao olhar,

numa desmesurada busca sem fim,

por entre uma imensidão de questões.

 

Renasço em cada verso;

em cada pedaço de esperança colorida,

nesse misterioso universo,

de acorrentadas feridas.

 

Numa manhã silenciosa,

se levantou o mundo ansioso

por entre, soltas palavras de bronze

soltando a penumbra que nos cobria.

 

Já não consigo gritar,

nem suspirar a tamanha emoção,

nessas pequenas coisas desta vida,

repetidamente sentida.

 

Quero acreditar,

sem cores, sem medos,

e levemente ansiar,

pelas promessas de um novo amanhã.

 

Subindo a montanha;

firmemente escalando,

os esquecidos degraus da memória,

em cada pedaço de nossas almas.

 

 

Um poema nesta Caneca para homenagear a poetisa Amanda Gorman...

Que melhor motivo para ter esperança do que o declamar de uma poesia na tomada de posse de Joe Biden?

Viva esse futuro que se anuncia.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

21
Jan21

Ruas

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Ruas estreitas;

De estreitos destinos,

Caminhadas imperfeitas,

Imperfeições e desatinos...

 

Ruas perdidas;

Perdidos receios,

Becos e feridas,

Escondendo anseios...

 

Ruas de dor,

Viagem imortal,

Mágoas de amor,

Desejo infernal...

 

Ruas e ruelas,

Com cheiros de jasmim,

Sonhos de canela,

Agruras sem fim...

 

Ruas e mais ruas,

Alma desnudada,

Verdades nuas,

Palavras tuas,

Silêncios meus...

 

Eternamente meus!

 

 

 

20
Jan21

Estranha Forma de Viver...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

As palavras nesta carta;

Que te escrevo;

Escrevinhando com a alma,

A desdita de uma vida...

 

De um destinado destino,

Descrito de maneira indescritível,

Lágrima sem tino,

Desenho inexplicável...

 

Sincera forma de amar,

Perdida por entre segredos,

Amargura a guardar,

Os receios e medos...

 

Porque nesta estranha forma de dor;

Aprisionado doer,

Sobra tinta neste amor,

Nessa estranha forma de escrever...

 

E escrevinhando;

Sem parar,

Libertando,

Sem calar,

As letras pequenas em mim mesmo,

Me reinvento,

Reinventando,

Esta estranha forma de viver....

 

Que vive em mim.

 

 

 

02
Jan21

Intemporal

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Esse amor intemporal;

Que chega arrebatador,

Como se tratasse de um vendaval,

Irrompendo nesse pavor,

De ser feliz...

 

Chega sorrateiro e discreto,

Ansioso e ousado,

Num formigueiro inquieto,

Num sossego, desassossegado...

 

Num olhar sempre perdido,

No bater de um coração,

Esse amor tão destemido,

Pedindo um pouco de atenção...

 

E nesse momento um sorriso;

Nesse fogo, um chamamento,

Uma imensa falta de juízo,

Trazida pelo vento...

 

Em cada gesto, eternidade;

No teu olhar, o meu mundo,

Duas almas, uma vontade,

Amarradas num segundo...

 

E sem dizer o teu nome;

Guardado em cada lágrima,

Esperarei por ti eternamente,

Em todas as vidas que me sobrarem...

 

Amor;

É uma palavra pequena,

Para descrever, o quanto te amo!

 

 

01
Jan21

Violino

Filipe Vaz Correia

 

 

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Pétalas caídas pelo chão;

Ao som de um violino,

Orquestrando uma emoção,

Cantando um destino,

Destinada canção,

Arrependido desatino...

 

Ao som de um violino;

Velho e empoeirado;

Tocando sem parar,

Talvez até emocionado,

Por ainda conseguir escutar,

As melodias desse passado...

 

Violino trovador;

Vai tocando encantador,

Perguntando, se é amor, 

 Essa espécie de dor,

Que ao longe num fervor,

Não pára de se ouvir...

 

Talvez contando ao vento;

Que se perdeu,

Desvaneceu,

Aquela lágrima que um dia,

Chamei de amor...

 

 Um amor tocado;

Ao som de um violino! 

 

 

 

 

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