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Caneca de Letras

22.09.18


Não  me sobrou o medo, pois esse medo que me corrompe, me consome, estará apenso à solidão  momentânea  de um desmedido desejo, singelo ensejo de um destino.

Palavras  singelas que se confundem com o bater do coração, esse cego sentir, sentindo cegamente esse querer secreto.

Mas poderá a alma se silenciar?

Poderia ser diferente se de cada vez que é tornado realidade, se desvanece num senão, esse tão puro amor?

Por entre a sapiente sabedoria de um silencio, vai desvanecendo essa esperança, essa intensa querença que se tornou tristeza...

Mas como se explica ao coração que não importa o sentir?

Como se explica ao coração que por vezes apenas sobrará  a desmentida promessa?

Por vezes não importa explicar, apenas soletrar baixinho o triste caminho que sobreviverá eternamente...

Num texto desconexo, por entre palavras descomplexadas, tristemente enumeradas numa carta sem poesia, numa tarde de maresia, afogando o que um dia prometeu ser eterno.

Por vezes não importa amar...

Por mais que esse amor seja o essencial de uma vida...

De todas as vidas.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

10.03.18

 

 

 

Como dói;

A desilusão,

Como corrói,

Esse pedaço do coração,

Que ainda se ilude...

 

Segredando ao tempo;

O que o tempo sabe esperar,

Desenganado momento,

Em que tudo irá acabar...

 

Pois nada sobrará;

De tamanho amor,

Dessa ferida que perdurará,

Por entre a dor,

Intemporal...

 

Apenas;

Recordações pequenas,

De vagas penas,

Na memória...

 

Do que um dia;

Existiu.

 

 

 

 

 

30.09.17

 

Acontece-me imensas vezes, estar sentado na esplanada de um café e observar as pessoas a passar, aquelas que chegam, as que sentadas estão perto de mim, a meu lado...

Imaginar o que se passará em cada uma das suas vidas, o que se esconderá para lá do intrigante olhar.

Poderá um sorriso significar felicidade ou uma lágrima simbolizar tristeza?

Um ar carrancudo significar amargura ou a leveza de uma gargalhada, a preenchida realização do Ser Humano?

Vezes sem conta, através da minha irrequieta imaginação, voo pelos trilhos desconhecidos de cada uma daquelas pessoas que comigo se cruzam e nelas reencontro momentos que parecem, também, um pouco meus.

Momentos que já vivi e que ali revivo, ao observar o simples caminhar de uma criança de mão dada com a sua Mãe, buscando em cada um dos seus passos, os meus, perdidos num tempo que não regressa, sobrando infinitamente as saudades dessa mão que um dia, também a mim, me agarrou...

Momentos singelos, despidos de solenidade, atravessando o tempo, permitindo que se descreva no pensamento, o desenho de tantas e tantas almas.

Almas que não me pertencem mas que silenciosamente me atrevo a desenhar, a adivinhar, a escrevinhar sobre elas, sendo que delas pouco conheça...

E ali permaneço sentado à mesa do café, olhando, sentindo, imaginando desencontradamente, o destino escondido por trás de cada rosto, de cada olhar que ali se encontra a meu lado.

Porque nada é mais sedutor do que dar asas à imaginação e voar através desses mundos pincelados pelo nosso olhar.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

23.06.17

 

 

 

Quantas vezes imaginei,

Que era eterno o que sentia,

Quantas vezes me enganei,

Sem imaginar que doeria

 

Acreditando na eternidade,

Nessa efémera forma de querer,

Vai chorando essa saudade,

De um tempo a esquecer

 

Sem que possa descrever,

Como  desvaneceu o sentimento,

Essa estranha forma de morrer,

No bater do sofrimento

 

E depois de muitas linhas,

De tantas palavras prometidas,

Escapou se o tamanho amor,

Por entre as feridas,

Da minha triste alma.

 

 

14.06.17

 

 

 

Se odiar;

Te ocupa um lugar,

Nesse viver, desesperar,

Pelo eterno desencontrar,

Dessas fantasias por realizar,

Sem ninguém para responsabilizar...

 

Se em cada singelo lugar;

Encontras no espelho esse luar,

Que te indica o definhar,

Onde escolheste pernoitar....

 

Se assim te irás ocupar;

Eternamente a enfadar,

Ou simplesmente desperdiçar,

O tempo que te irá restar,

Para da vida desfrutar....

 

Se nada mais te restar;

Então...

 

Que triste alma;

A tua.

 

 

 

 

27.05.17

 

 

 

Não fiques triste;

Só porque a tristeza insiste,

Em te mostrar que existe,

Essa dor que não desiste,

De te magoar...

 

Não penses que eternamente;

Essa desilusão que sentes,

Te irá penosamente,

Aprisionar para sempre,

Só porque esse destino não era eterno...

 

Não deixes que a escuridão;

Reaparecida na imensidão,

Deslumbrante ilusão,

Te roube do coração,

A esperança...

 

E de mansinho, devagar;

Com a noite a entrar,

Talvez possas voltar a acreditar,

Que aquele cintilante luar,

Refletido no teu olhar...

 

É o teu futuro a chegar!

 

 

 

 

 

 

10.05.17

 

 

 

Uns pozinhos de perlimpimpim;

Um sorriso, uma tristeza,

Uma ausência sem fim,

Por entre cores de estranheza,

Disfarçando enfim,

Cada lágrima de beleza,

Inundando assim,

O seu mundo de incerteza...

 

E começa mais uma sessão;

Cheia de luzes e gargalhadas,

Escondendo o coração,

Das recordações amarguradas,

Que invadem a solidão,

Solitária palhaçada...

 

E assim devagarinho;

Pintando uma vez mais, a cara;

Prendendo o nariz encarnado, ao seu rosto,

E vislumbrando no espelho,

Mais um pedaço desse desgosto,

Sorridente...

 

No sorriso de um palhaço.

 

 

05.04.17

 

O menino dos olhos tristes;

Não sabia bem esconder,

Aquela chuva no olhar,

Meio tristeza a chover,

Insistindo em chegar,

Sempre que via reaparecer,

Aquele triste recordar,

Ausente reviver...

 

O menino dos olhos tristes,

Tristonhos e entristecidos,

Carregando um passado,

Coração bem ferido,

Dolorido, amargurado,

Por esse amor esquecido,

Nunca antes encontrado...

 

E nessa ausente infância,

 No aconchego que nunca chegou,

Perdido nessa distância,

Naquela dor que carregou,

Solitário...

 

E assim continuou;

O menino dos olhos tristes!

 

 

 

14.03.17

 

Um mundo a separar;

Por caminhos tão distantes,

Entre vozes a gritar,

Sentimentos asfixiantes,

Num destino a contar,

Os sofrimentos viajantes,

Que insistem em ficar,

Ficando hesitantes,

Presos num olhar,

Cansado, debilitante,

Que já não consegue acreditar...

 

Um mundo tão diferente;

Triste, desaparecido,

Em cada lágrima ausente,

Caindo bem ferido,

Esvoaçando indiferente,

Doendo, bem dorido,

Eternamente...

 

Tantos mundos, enfim;

Soçobrados, derrotados,

Que habitam dentro de mim,

A lembrar, recordados,

Dessa dor sem fim,

Guardada nesse passado...

 

E volta o mundo a girar;

Volta o céu a chorar,

Volta o sol a brilhar,

Percorrendo sem calar,

Os mundos que me impedem de sonhar.

 

 

 

 

02.01.17

 

Triste, tristeza, tristemente;

Palavras tão amargas e tão belas,

Nesse sentimento que se sente,

Dessa vida que se vive...

 

Chega perto e se apodera;

Nos cerca e por vezes domina,

Como se fosse uma fera,

Que à volta tudo mina...

 

Ó tristeza, não te quero;

Vou pensando, desejando,

Não te quero, nunca quis,

Mas assim vou andando...

 

Senta-se ao lado sem dizer;

Companhia e às vezes voz,

Tristeza vem, vem querer,

Nunca nos deixando sós...

 

Tudo escuro, mais fechado;

Mais triste fica o coração,

Vai bater sempre cansado,

Toldando a minha emoção...

 

Às vezes dentro do olhar;

Como um relógio sempre a correr,

Deixando o tempo passar,

E a vida a esmorecer...

 

Mas o que seria de nós, sem a tristeza;

Sem os dias, as noites, a idade,

Como dariamos valor à beleza,

Ao amor, à felicidade...

 

Fica então, o pensamento;

De que da tristeza não poderemos fugir,

Mas não te esqueças de nesse momento,

De mesmo triste, sorrir.

 

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