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Caneca de Letras

Caneca de Letras

19
Abr17

Só...

Filipe Vaz Correia

 

Às vezes perco-me na escuridão;

Insolente vontade,

Disfarçada de solidão,

Encoberta saudade,

De tempos, ilusão,

Maldita verdade...

 

Por vezes perco-me ao entardecer;

Escrevendo sem descrever,

As lágrimas que me esforço por esconder,

Amargurado entristecer,

Que me chega ao entardecer...

 

E escutando discretamente;

Vendo o mundo passar,

Revendo saudosamente,

Cada memória a recordar,

Os momentos agora ausentes,

Desse passado meu...

 

Por vezes perco-me;

E às vezes reencontro-me,

Só!

 

 

07
Fev17

Vazio!

Filipe Vaz Correia

 

Oiço essa voz sem rosto;

Esse cheiro sem presença,

Noto nesse imenso desgosto,

Essa estimada crença,

Que afinal, é vazio...

 

Ausente na vontade;

Que insiste em se apresentar,

Diante dessa realidade,

Que tanto me esforço por disfarçar,

Mas que vive nesse vazio...

 

Nesse afago que desejo, desejar;

Nesse abraço que ninguém me quis dar,

Nesse beijo que me passou a escapar,

Sem o notar ou alguém para me alertar,

Sentindo esse vazio...

 

Olhando para as janelas vizinhas;

Para os quadros que me fugiram,

Ao destino, aos sonhos,

Que partiram, desistiram,

Só me sobrando, o vazio...

 

Repleto desse medo;

Que é a minha companhia, solitária,

Nesse presente, vida passada,

Que não passou, aprisionada,

Enjaulada nesse vazio...

 

E assim continuo, caminhando;

Recordando e escrevendo,

Preenchendo neste tempo,

O vazio que me restou!

 

 

 

24
Jan17

Alzheimer...

Filipe Vaz Correia

 

Já não sei quem sou;

Nem adivinho o que me dizem,

Já não sinto a minha alma,

O meu querer, a minha vontade...

 

Deixei de ser quem era;

Deixei para trás o meu destino,

Já não fujo, Já não corro,

Já não sei quando morro...

 

Os meu olhos esmoreceram;

Pálidos, com falta de cor,

Já me esqueci para onde foram,

Aqueles que me davam amor...

 

Estou sozinha, sem nada;

Buscando nos dias uma razão,

Recordando desanimada,

A razão da minha desilusão...

 

Já não conheço esta gente;

Já nem sei o que escrevo,

Sei que o vosso olhar me mente,

Mas não sei, o porquê...

 

Porque às vezes ainda penso;

Pensando e às vezes sentindo,

Parecendo que às vezes vejo,

Aquilo em que me vão mentindo...

 

Assim, rascunhando estas linhas;

Com essa angústia que me fica,

Pois não sei se me irei recordar,

Do que pensei ou escrevi,

Quando este poema terminar!

 

 

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