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Caneca de Letras

Caneca de Letras

05
Abr19

Uma Singela História

Filipe Vaz Correia

 

Não grita a dor...

Nem dói o grito, nem consegue gritar o dorido sentir, mesmo que sentindo vocifere, vociferando baixinho, tão baixo como a sonolenta expectativa, expectativas frustradas, cantadas na canção, cantarolada emoção, que emociona o coração, por entre, batidas de amor, nesse amar obsessão, tornada razão, quase insultuosa forma de expressão, transformada em ilusão, sustentando ilusoriamente, a intrigante vontade de reescrever, o que se perdeu.

E assim, nas entrelinhas, por entre linhas, se rabiscam palavras, meio disfarçadas, disfarçando o que o destino, desatinadamente cumpriu.

Voltas e mais voltas, caminhos desconexos, soletrados ao vento, por momentos, sem esquecer...

Voltas e mais voltas, guardadas em mim, num secreto recanto de minha alma.

Num recanto, encantado, de uma história...

De uma singela história.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

11
Mar19

A Minha Jangada De Pedra...

Filipe Vaz Correia

 

Mar acima, mar adentro, na minha jangada de pedra, no meio dessa imensidão de água, azul cristalino que me rodeia, num horizonte longínquo, sem fim.

Na minha jangada de pedra, navego por esse mundo a fora, numa viagem sem fim, por entre o que desconheço, sabendo somente que dentro de minha alma, pulsa a curiosa, curiosidade, de um solitário rapazinho.

Nessa solidão, onde me encontro, nascem e renascem fantasmas e animais, gigantes animais, que submersos aguardam por um instante para se revelarem, desnudarem a face e surgirem como um cabo das tormentas, numa sinuosa vertigem, inesperada.

Continuo a remar, sem olhar para trás, fixamente querendo flutuar sobre as águas, gélidas e ameaçadoras, buscando uma razão para interligar o sentir ao querer, o desejar ao temer, o recordar ao viver...

Sempre navegando, sempre continuando.

No meio desse interminável querer, enfrento medos e receios, perco pedaços de um passado desconhecido, meio perdido, por entre, as lágrimas de outrora...

Lágrimas que se foram embora, antes que delas me pudesse recordar, antes que essa parte de mim, escapasse da razão e partisse juntamente com a emocionada emoção de uma criança.

Eu sei lá, se continuarei a percorrer as águas da imaginação ou se nunca mais irei acordar de tamanho pesadelo, pesado desvelo que me amarra sem calar, que me afoga sem nadar, que se entrelaça numa singela jangada de pedra.

Num momento, tão pequeno, ali estou...

Num outro, tão velho, ali me encontro.

Passou, tudo passou, sem rasuras, sem retornos, sem regressões.

Numa jangada de pedra, comigo levo os livros de minha vida, capítulos sem fim do que vivi, por entre, romance e drama, comédia e ficção, desabafos soletrados que me pertencem.

São os livros de minha vida, contando a minha vida, flutuando nessa jangada de pedra...

Numa jangada de pedra.

Na minha jangada de pedra!

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

07
Mar19

No Caneca Com... A Minha Sobrinha Matilde!

Filipe Vaz Correia

 

Sou uma planta bonita e delicada, mediana em altura mas fina.

As minhas pétalas são brancas, mais brancas do que a neve...

Cheiro bem, como se fosse perfume mas cheiro mal quando me arrancam do meu lar.

Lar doce lar, onde vivem as minhas amigas, a Margarida, a Girassol e a minha melhor amiga...

Uma Rosa encarnada, a mais bela de todas elas, assim como, eu sou a mais bela das Rosas brancas.

Muitas amigas minhas já foram arrancadas do seu lar, à força, até perderem as raízes...

Com sorte, ainda não fui eu.

Mas só ouvi-las a gritar, a pedirem ajuda e a murcharem, já é uma tortura.

Há dois dias arrancaram a minha Irmã, a Rosinha, que só tinha 10 anos...

Coitada!

E existem criaturas perigosas que rastejam pelo chão, comendo pétalas e folhas, chamadas Lagartas.

Agora já sabem como é a vida de uma planta.

 

Matilde Bessa

9 Anos

 

 

21
Fev19

No Caneca Com... Luísa De Sousa!

Filipe Vaz Correia

 

Viva a vida plenamente, hoje!

 

"Deveriam contar-nos, logo no início das nossas vidas, que estamos a morrer.

Assim, poderíamos viver a vida ao máximo, a cada minuto de cada dia. Faça isso! O que quer que deseje fazer, faça-o agora! Temos uma quantidade limitada de amanhãs."

                                                                                                           Michael Landon

 

 

Muitas pessoas adiam a alegria e a felicidade durante toda a vida.

Muitas pessoas fixam objetivos, e só depois de os alcançarem, serão capazes de desfrutar da vida em toda a sua plenitude.

É muito importante fixar objetivos, ajudam-nos a ter um sentido de direção e de foco, mas temos de nos empenhar constantemente para viver cada dia, gozando toda a alegria que pudermos, a cada momento.

A verdade é que se decidirmos sermos felizes agora, alcançaremos, automaticamente mais coisas.

 

Experimente tudo!

Seja excêntrico!

Saia e viva até não poder mais!

Conheça mais lugares!

Cheire as rosas pelo caminho!

Divirta-se!

 

Cuide de si!

Cuide dos seus amigos!

Cuide dos seus familiares!

Ame-os!

 

Ouse cometer mais erros!

Seja mais relaxado!

Seja mais flexível!

Seja mais apaixonado!

Seja mais espontâneo!

Seja mais criança!

Seja um excelente exemplo de Ser Humano!

 

Não leve as coisas tão a sério!

Acredite em milagres!

Tenha expectativas!

Permita-se ser imperfeito!

Não viva tantos anos à frente de cada dia!

 

Viva a vida plenamente, hoje, enquanto está aqui!

 

 

Agradeço ao meu querido amigo Filipe Vaz Correia o privilégio que me deu ao convidar-me a escrever na sua Caneca de Letras.

                                                       

                                    Luísa de Sousa

 

 

 

12
Fev19

Uma História De Amor...

Filipe Vaz Correia

 

Perco-me no olhar, no mesmo olhar, de cada vez, de uma vez, como se fosse primeira, mesmo não o sendo, sempre inteira, despida de contradições, de dúvidas, de hesitações.

Perco-me sempre, por entre, o suspenso olhar que traduz palavras, secretamente adivinhando o fundo da alma...

Pois é a tua alma funda, esse pedaço de recanto que mais ninguém vislumbra, que consigo descodificar, abraçar.

Nesse instante, pequeno ou gigante, indiferente ao tempo, nada muda, nada permanece, simplesmente silenciando qualquer ruído, qualquer intervalo.

Nesse olhar que é amor, aquele amor que se impõe na terna saudade de te voltar a ter...

Pois tendo, se receia perder, perdendo, se receia a eternidade e que não se reencontre o tempo, que se tornou passado, ousando se tornar irrepetível.

E é nesses momentos que o singelo olhar, sem mágoas e carregado de esperança, enternece, cumprindo o seu destino...

Quebrando barreiras, indo buscar aquele bater da alma que poucos sonham existir.

Nada mais do que esse olhar, nada mais do que esse doce olhar,  tão frágil como uma folha caída na calçada, mas, ao mesmo tempo, tão forte como a beleza dessa imagem, repousada na intemporalidade de um poema.

É assim para sempre, secretamente, que se imortaliza o sonho, o desejo, os ternos ensejos de um gigantesco querer...

De uma História de Amor.

Como te quero pela intemporalidade de tantos e tantos destinos, cumpridos num só olhar...

Num só, eterno, olhar.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

26
Dez18

"Almas Gémeas..."

Filipe Vaz Correia

 

Arde em mim, pequenos pedaços de ti, partículas minúsculas que se agigantam no meu coração.

Arde em mim, um fogo desmedido, escondido na alma, numa entrelaçada vontade, danada, de te abraçar.

Mas como o tempo se vai escapando e com ele levando singelamente sorrisos imprecisos, levando também desabafos soletrados de um desespero calado.

No olhar, somente no olhar, se prende aquele querer só nosso, aquela eternidade que um imenso amor sonha merecer, pois nessas entrelinhas da vida, se reconhecem as almas gémeas, se prendem num segundo, os amantes de todos os tempos...

Aqueles que percorrem a eternidade para se reencontrar, na vida, na alma, na imensidão de um pequeno querer.

E nesse momento, por mais que os destinos se repitam, nada consegue adormecer os sentidos, pelo meio de perigos silenciados ou pela escuridão brilhante dos desejos.

Voltas e mais voltas para sentir outra vez aquele sabor teu, aquela doce realidade, onde voltaremos a sorrir, entrelaçados no tempo, pelo tempo...

Mais uma vez.

E de cada vez, será sempre a primeira, sempre inteira, verdadeira...

Pois só contigo vale a pena.

 

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

23
Dez18

Cartas Ao Vento...

Filipe Vaz Correia

 

Uma carta ao vento...

Ao mesmo vento que sempre afagou a minha face, nas manhãs de inverno da pequena infância, ao mesmo vento que soprava na praia de Odeceixe no fim de tarde, ao mesmo vento que soltava a figueira no "meu" Monte Alentejano, ao mesmo vento que sacudia a bandeira do Sporting no velhinho estádio de Alvalade ou até mesmo...

Àquele vento que tantas vezes secou as minhas lágrimas e com ele levou as tristezas que povoavam a minha alma.

Uma carta carregada de desejos, de ansiedades e saudades, de tanto e tão pouco...

De tamanha ventania e esperança, querença ou singela alegria solitária.

Uma carta leve e sentida, sem mágoa ou ferida, amarrando a si, o olhar de um passado que já não volta...

Mas talvez através do vento, num acto de fortuna, possa reencontrar, por um acaso, um desses fugazes momentos e com ele abraçar olhares perdidos, vozes silenciadas, afagos que partiram deixando um vazio, outrora, repleto de tudo.

Num derradeiro rabisco, deixo esvoaçar pelo vento, pelas nuvens, esses desejos e vontades, à deriva, como mensagens no mar, para que noutro século, noutra vida, possam ser reencontrados...

E aí, nesse reencontro, talvez possa reconhecer, num outro destino, a mesma face, o mesmo pedaço de alma.

Numa outra vida...

Ao sabor do mesmo vento.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

19
Dez18

Sabes Lá...

Filipe Vaz Correia

 

Sabes lá, o que já passei, doce ventania...

Os dias e as noites em que não consegui dormir, onde chorei sem escapar, amarrando todo o sofrimento que não quis calar.

Sabes lá...

Como foi tormenta o que guardei no coração, disfarçando dos fantasmas os medos agigantados, os receios encapotados, os mares que vieram sem parar.

Gritos de revolta, tremores sem dores, voltas e voltas na cama, buscando quem se ama, sem amor...

Pesadelos entrelaçados, mágoas feridas, cantorias doloridas, numa canção melodiosa, como fuga de tempos inauditos, inconfessados pecados da alma.

Tamanhas amarguras de inóspitas aventuras, memórias de outras vidas que regressam sem explicar, sem se confessar à poderosa imaginação.

Mas no calor dos beijos escondidos, se acalenta a esperança, numa forma de dança, entretida demonstração de carinho...

Como um ninho, um refúgio quente, nada ausente, de um presente fugaz.

Que sem olhar para trás, voltaria a buscar...

Todas as vezes, numa vez só.

Sabes lá...

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

09
Dez18

Reflexões Poéticas...

Filipe Vaz Correia

 

Como teria sido diferente se tivesse escolhido outro rumo, outro caminho a percorrer, outras voltas...

Se tivesse voado mais cedo e mais cedo escapasse pelo mundo, abraçando a imensidão de um destino, tão vasto como a imaginação mundana da alma.

Mas o que teria perdido?

Como poderia resgatar o que me preenche, quem me preenche?

Tantas interrogações, sendo que pelo meio das dúvidas sobram as certezas, as incertas querenças que se transformam em vontades, entrelaçadas saudades do que desconheço...

Ou que conhecendo não quis perder.

É assim a mundana caminhada de um olhar, de uma alma.

No íntimo desse existir que me pertence, sei bem que nada mudaria ou mudando...

Aqui queria, voltar, a estar.

Como diz a canção:

"Eu quero partilhar, a vida boa com você..."

Assim sem mais, sobra à imaginação, pincelar num quadro de aguarelas, os pequenos traços de um destino, curiosamente preguiçoso, carregado de uma saudade desse passado que adoraria voltar a viver.

Como escreveria minha Mãe:

"Viveria tudo novamente, se soubesse que me traria até ti."

Que saudades.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

22
Nov18

Velha "Alma"...

Filipe Vaz Correia

 

Chuva molhada que cai melodiosa, numa esplendorosa forma de poesia...

Mas o velho chora.

Enquanto cai e torna a cair, essa chuva abençoada parece transformar-se nas lágrimas poéticas, de um qualquer "divino" Deus...

Mas continua o velho a chorar.

Do lado de dentro da janela parece bela a pequena miragem, qual aguarela em forma de canção, tendo os pingos da chuva como o batuque de um tambor...

E só o velho chora.

Os trovões e raios chegam de soslaio, encantando o céu, amarrando sem véu a esperança de um poeta.

Porque, tanto, chora o velho?

De encontro à janela, onde se escondem os curiosos olhos, teus, desaparecem os pedaços de água que atrevidamente despencam desse céu, calado, envergonhado, desesperadamente desesperado por dar lógica a tamanhas interrogações...

Quem sois?

Quem foste tu, triste velho?

Continua a chover, talvez sem saber que molhado fica aquele rosto, marcado, enrugado, enregelado, estremecido por tantas memórias, contidas histórias, traços e feridas de um tempo. 

Esse tempo correu...

Findou.

Mas com ele regressou um singelo vento, apressando o presente rumo ao futuro, tornando ausente esse mesmo presente, agora passado.

Esse velho ficou lá atrás...

Perdido nas linhas e traços de textos que outrora foram vida, que se foram embora sem esperar.

Esse velho sou eu...

Ou o que sobrou, do que outrora fui.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

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