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Caneca de Letras

Caneca de Letras

06
Dez19

Donald Trump, Parte II... “O Impeachment”!

Filipe Vaz Correia

 

Nancy Pelosi anunciou formalmente, esta quinta-feira, que o Impeachment Presidencial irá avançar, pedindo para que sejam redigidas as acusações que servirão de base ao processo apresentado no Senado.

Depois de ouvir vários especialistas em Direito Constitucional, parece claro para os Democratas que existem fundamentos para este impeachment a Donald Trump.

As acusações contra o actual Presidente Americano estarão sustentadas em três crimes...

Obstrução à justiça, Suborno e Abuso de poder.

O cerco aperta-se para Trump, enredado num chorrilho de trapalhadas, num continuo caminhar rumo ao abismo.

O Senado, Órgão que terá de votar favoravelmente este impeachment, para que este cenário possa ser realidade, é constituído por uma maioria de Senadores Republicanos.

Este ponto é incontestavelmente um pormaior, permitindo ao Presidente Americano acreditar numa vitoria neste novelesco capitulo.

Porém, independentemente do resultado desta votação, não se pode ignorar o imenso desgaste que todas estas situações causaram na imagem de Donald Trump, incrivelmente submerso neste tortuoso caminho.

Uma sinuosa questão deverá atormentar alguns Senadores Americanos...

Dar a Trump um voto para o salvar ou em contrapartida fazer cumprir a lei e assinalar com reprovação a patética actuação do actual residente da Casa Branca.

Veremos...

No entanto, quanto mais se escuta, mais se sabe, mais conhecemos, mais sobra a profunda convicção de um Presidente impreparado para a função, inadequado no cargo.

Enfim...

Talvez a derrota de Trump não se concretize às mãos de um qualquer adversário, em campanha eleitoral, talvez esta possa surgir entrelaçada à “estupidez” inerente ao seu próprio personagem.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

26
Nov19

As “Silenciosas” Cicatrizes Da Violência Doméstica...

Filipe Vaz Correia

 

A violência doméstica...

Após 20 anos da criação do Dia Internacional da Eliminação da Violência contra as Mulheres, tive acesso a números assustadores em relação a este tema, não só escrito em garrafais letras femininas, assim como, também em letras masculinas e infantis.

Durante este ano de 2019, já foram mortas 33 pessoas em Portugal, enquadradas neste crime de violência doméstica.

Um número aterrador, à volta de 3 pessoas por mês, na sua esmagadora maioria mulheres...

25 mulheres, 7 homens e 1 criança.

Sinceramente, observando esta triste realidade plasmada em relatos e desabafos, é impossível não pensar onde estamos a falhar enquanto sociedade e onde estarão a falhar aqueles que estando no poder devem legislar para banir este tipo de comportamentos do nosso quotidiano.

É de facto insustentável continuarmos a abrir um jornal ou ligar a televisão e assistir constantemente a um sem número de relatos, carregados de animalidade e brutalidade, onde o factor desespero deverá marcar a mente de cada um de nós.

Em muitos destes casos, os agressores estão sinalizados ou já deram sinais de potencial agressividade, no entanto, por um ou outro motivo, sejam ele de costumes ou de lei, acabam sempre por serem desvalorizados até ao dia do trágico crime.

Impera mudar as leis, mudar a visão que todos temos da sociedade em geral, penalizando de forma absolutamente impiedosa este tipo de crime, sem direito a penas suspensas ou qualquer outro tipo de desculpabilização social...

Nesta desculpabilização incluo, com lástima, as vítimas que muitas das vezes em nome do dito “amor”, por medo ou vergonha, optam por calar ou esconder, por silenciar ou atenuar o comportamento dos seus agressores, sejam eles homens ou mulheres.

Para que isso possa acontecer, é também necessário que estas vitimas possam sentir uma cobertura do Estado e da sociedade, capazes de garantir o respaldo suficiente para quem de forma corajosa se insurge contra a barbárie, física ou psicológica, perpetrada por seus algozes.

Ao ver nas ruas, mulheres e homens, recordando este dia, resolvi escrever sobre o tema, juntando assim a minha “pequena” voz, a todos aqueles que se sentem esventrados com cada morte, cada sofrimento, cada atroz violência plasmada nestes números.

É hora de se mudar mentalidades, de se gritar:

Violência... Não!

Em nome de mulheres, homens, enfim...

De todos nós.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

 

11
Nov19

Eleições Espanholas: Um Turbilhão De Interrogações Ou A “Voxx” Do Povo?

Filipe Vaz Correia

 

Em Espanha continua o turbilhão eleitoral, o mesmo atabalhoado processo que tem levado a democracia Espanhola de eleição em eleição.

Neste Domingo o PSOE voltou a vencer, como anteriormente fizera, só que agora com menos força, com menor força daqueles que supostamente poderão ser os aliados tradicionais, também eles enfraquecidos.

Se estivéssemos a falar de lógica, evidentemente que os Partidos poderiam aprender com a resposta dada esta noite pelos eleitores...

E que resposta foi essa?

Uma estagnação ou perda dos partidos mais tradicionais, com derrotas claras do Cidadanos ou do Podemos, por entre, resultados quase similares como do PSOE e do PP...

O que diverge nesta eleição?

A subida extraordinária do VOXX...

Ignorar este facto ou não o compreender representará um suicídio para estes partidos e as suas realidades.

Os Espanhóis estão exaustos de “tricas” partidárias, de teatralizações políticas, olhando para o fenómeno VOXX como uma voz alternativa à pasmaceira costumeira.

Poderemos criticar ou acreditar que se trata de um fenómeno passageiro, no entanto, a subida apoteótica deste Partido de Extrema-Direita, aconselhará a prudentes conclusões e avaliações.

Sem a presença de estadistas ou fortes lideranças no espectro político Espanhol, torna-se essencial o aparecimento de sólidos projectos políticos, capazes de criarem pontes e entendimentos que sustentem esse futuro plasmado na vontade dos cidadãos.

Caso os Partidos tradicionais continuem a se perder nessas entrelaçadas e corriqueiras questões, sobrará um fértil terreno para os extremismos proliferarem...

Da Esquerda à Direita.

Estas eleições foram mais um aviso...

Nessa Espanha em busca do seu destino.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

31
Out19

Quem Matou Marielle Franco?

Filipe Vaz Correia

 

Quem mandou matar Marielle Franco?

Esta será a pergunta do século no Brasil...

O que escreverão nos livros de História?

A rede Globo emitiu uma reportagem que aprofunda a investigação sobre este crime, assinalando as coincidências, as parecenças, as ligações perigosas que cercam Jair Bolsonaro.

O depoimento do porteiro que trabalha no “seu” condomínio, onde mora Bolsonaro e o assassino de Marielle, trazendo pormenores incómodos para o poder vigente.

Bolsonaro reagiu desde o Médio Oriente, num desbravado fervor, "xingando" os autores da reportagem e a emissora Globo.

Este caminho de ameaça e cerceamento ao maior grupo de comunicação do País, caracteriza o Presidente Brasileiro, desnuda a boçalidade perigosa deste personagem.

Existe uma ironia gritante que leva Bolsonaro a trilhar o mesmo caminho percorrido por Chavez...

Hugo Chavez diante das denúncias efectuadas pela maior cadeia de televisão Venezuelana, sobre o seu tirano regime, optou por encerrar esse veículo de informação, o mesmo trilho que Bolsonaro vocifera poder seguir.

Essa ironia traduz o carácter que toca sempre os extremos, ou seja, os extremismos e as suas lideranças.

Bolsonaro poderá tentar fazer isso com a Globo, no entanto, a dimensão e importância do canal "plim, plim" na sociedade Brasileira, tornará esta sua decisão suicida.

Matar a TV Globo não será tão fácil como os milhares de homicídios que se concretizam, diariamente, por terras de Vera Cruz.

Assim caminha o Brasil, entrelaçado em dogmas e preconceitos, em pobreza e corrupção, em populismos e aprendizes de "tiranete".

Quanto à TV Globo...

Que continue a fazer jornalismo, nada mais ou nada menos do que isso.

Sem receio do poder.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

28
Out19

A Era Da Política “Espetáculo” Ou The Show Must Go One?

Filipe Vaz Correia

 

As saias do assessor deram brado nas redes sociais, o assessor da Joacine, de saia rodada esventrando o Status Quo Parlamentar, os costumes sociais que se chocam...

Saia?

Um Homem?

Uma saia rodada?

Antecipam-se terramotos políticos nesta disputa entre uma esquerda cada vez mais radical, em contraponto com uma direita cada vez mais extremada...

Não no número de deputados mas na composição do seu elenco, pois convenhamos que contar com a presença e palpite do “mui” estimado André Ventura, trará um acréscimo de salitre ao debate.

No entanto, como devem saber, o sal é desaconselhado pela Organização Mundial de Saúde...

Por aqui passaremos a discutir as saias parlamentares, mais vezes, os gostos mais rocambolescos de um ou outro deputado da Nação, percorrendo o caminho até esse encontro com as sugeridas castrações químicas do “mestre” André, numa mistura imperceptível de ignorância trauliteira.

Discutiremos lugares e cadeiras, conversas sem eira nem beira, espectáculo teatralizado em cada gesto, em cada penacho de insatisfação que possa garantir aqui ou acolá uns “conscientes” votos eleitorais.

Antevê-se assim uma agitada legislatura, carregada de soturnas imperfeições, nomes e discussões soletrados na inovadora politiquice que grassará, por entre, as paredes daquela Assembleia da República.

Todos os Partidos, estes que agora aqui chegam ou os outros que há muito por aqui andam, irão puxar para si esse espalhafato mediático da coisa, os gritos e os holofotes do povo, da nação que urge influenciar.

Veremos quem neste tempo saberá moderar a coisa, chamar a si a responsabilidade adulta num recreio carregado de irritantes excitamentos...

Deste tempo, de saia rodada ou de mão em riste, tudo se poderá esperar, como num “circo”, num palco, onde o Show Must Go One.

Até lá...

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

09
Out19

Donald Trump Ou Um Elefante Numa Loja De Porcelanas?

Filipe Vaz Correia

 

Obrigado Mr.Trump...

Esta deve ser a expressão, por estes dias, dos Curdos e de todos aqueles que foram aliados Americanos na luta contra o Daesh.

De facto, esta posição de retirar as tropas Americanas que serviam de obstáculo no norte da Síria a uma invasão Turca, não passa de mais um erro primário do actual Presidente Americano.

Do ponto de vista estratégico, político e de reputação.

Do ponto de vista estratégico porque esta atitude enfraquece a posição daqueles que disputaram terreno ao antigo proclamado Estado Islâmico.

Do ponto de vista político, porque deixa a nu uma fragilidade posicional da política Americana, enquanto, pilar militar no quadro geo-político Mundial.

Do ponto de vista reputacional, pois jamais os aliados Americanos, com esta administração, voltarão a confiar nas palavras ou nas garantias destes que os abandonam, assim que deixaram de servir os “supostos” interesses dos Estados Unidos.

Uma vergonha...

Deve ser o que sentirá a cúpula militar Americana, aqueles que sendo Republicanos ou Democratas, sempre consideraram que uma medida como esta enfraqueceria o xadrez e a estabilidade naquela região.

Donald Trump, num momento em que se sentirá cercado, devido a todo o escândalo envolvendo as pressões ao Presidente Ucraniano, comete mais um erro de avaliação, mais uma tremenda trapalhada na política externa Norte Americana.

Erdogan, o Presidente Turco, aproveitou esta retirada para dar luz verde a uma ofensiva militar, no Norte da Síria, com o intuito de limpar um terreno controlado pelo exército Curdo, históricos rivais da Turquia.

E Trump...

Donald Trump continuará amarrado ao Twitter, vociferando ideias vazias, palavras avulsas, pensamentos erráticos, enquanto, o mundo assistirá incrédulo aos desmandos desse “ignorante” que mais parece um elefante numa loja de porcelanas.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

09
Out19

O Apelo Do Professor Cavaco!

Filipe Vaz Correia

 

O Prof. Cavaco Silva reapareceu para apelar a um novo tempo no PSD.

Que saudades!

Cavaco, conhecido por nos seus tempos de liderança ser capaz de “unir” dissidentes, tolerar críticos...

Peço desculpa, mas por vezes é difícil manter a ironia.

Cavaco Silva regressou assim, neste dia, à esfera da politiquice politiqueira, afinal onde parece gostar de estar, longe vão os tempos em que fazia questão de se mostrar distante desse papel, no entanto, o estado actual do PSD, segundo o senhor Prof., motiva este seu apelo.

Cavaco constrói uma narrativa, carregada de vingança, na tentativa de virar o PSD para um reencontro com o “Passismo”, esses tempos da Troika que pelos vistos trazem saudades ao anterior Presidente da República.

Cavaco vai mais longe, apela até a Maria Luís Albuquerque, essa figura tão consensual na sociedade Portuguesa, para ilustrar essa forma de união que considera essencial.

Rui Rio vê assim um “Senador” do partido pedir a sua cabeça e ditar um caminho que se aponta, para Rio, muito complicado.

Cavaco junta-se a nomes como Miguel Morgado, Luís Montenegro, Carlos Carreiras, Miguel Relvas...

Repito, Miguel Relvas!

Tão bem acompanhado por estes nomes se encontra o Professor e certamente por mais alguns que por uma questão de decoro me escusarei de referir.

Como cora aquele jovem, por acaso eu próprio, que tinha em Cavaco uma referência, no auge da adolescência, no pico da juventude.

Que tristeza!

E assim de apelo em apelo, lá vão saído da toca os ultra-liberais, estilo Tea Party, que por um momento invadiram o Partido Social Democrata.

Alguém poderá explicar ao Senhor Professor que parte do eleitorado que hoje não vota PSD, como reformados, funcionários públicos ou pequenos empresários, principalmente da restauração, se afastaram do partido muito antes da chegada de Rui Rio e do seu errático mandato.

Foi no seu tempo, como Presidente da República, Prof. Cavaco e daqueles que agora insiste em apoiar.

Enfim...

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

08
Out19

E O Chega... Chegou!

Filipe Vaz Correia

 

E o Chega...

Chegou!

André Ventura e o seu partido conseguiram, nas eleições legislativas deste domingo, eleger um deputado à Assembleia da República.

Muitos estão estupefactos, até indignados, com esta ascensão da Extrema-Direita em Portugal, no entanto, não deveremos esquecer que no parlamento Português, há muito, que estão representados partidos da Extrema-Esquerda que entre outros valores, defendem regimes ditatoriais como a Coreia do Norte ou a Venezuela.

É bom manter sempre a coerência como ponto de partida para avaliações políticas.

Infelizmente, um partido como o Chega encontrou na sociedade Portuguesa eco para as suas “odiosas” reivindicações, para o constante destilar de ódio com que olha para o País e a sua construção, sendo os portadores de princípios quase “hitlerianos” como base para o populista discurso com que nos brindam.

André Ventura, o líder destes herdeiros do PNR, conseguiu passar a sua mensagem para um nicho da população que serviu para o eleger, capaz de alimentar os ódios encapotados, por entre, frases sussurradas em surdina ou medos crescentes em algumas partes do nosso País.

O Chega representa, representará, uma ideia política perigosa, não podemos recear as palavras, uma busca pela segregação e divisão de uma sociedade Global, Multicultural e aberta ao mundo.

Este perigoso caminho, na minha opinião, segue uma tendência já observada em vários pontos do globo, Trump, Marine Le Pen, Orban ou Farage...

Um caminho que se alimenta do descontentamento das gentes, muitos deles que nada têm a ver com as elites mas sim com o proletariado, o dito povo, abandonado e cerceado por essa avassaladora Globalização e Modernização que mudou a face das civilizações.

Assim, este discurso divisionista, segregador, tacanho e populista, acaba por responder à singela ignorância daqueles que temendo, escolhem o autoritarismo como plano de fuga às agruras da vida.

Importa não optarmos pelo caminho mais fácil, aqueles que se opõem a estes ideais, mas sim tentar entender as causas que levaram a esta eleição de André Ventura e tentar desmascarar o discurso que o suporta.

Extrema-Direita, Extrema-Esquerda ou quaisquer outro tipo de extremismos, deverão causar o mesmo tipo de indignação, a mesma forma de repulsa, o mesmo tipo de condenação.

De uma coisa não nos deveremos esquecer...

A principal causa para o fortalecimento de um partido como o Chega é o enfraquecimento dos partidos da Direita tradicional, o que deverá aconselhar a uma maior contenção ao contentamento, daqueles “esquerdistas” que comemoraram um dos piores resultados do PPD/PSD e do CDS.

Porque em cenários destes, o que menos se espera tem lugar...

E o Chega, chegou!

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

04
Out19

Freitas Do Amaral: A Morte De Um Democrata Cristão!

Filipe Vaz Correia

 

Morreu Diogo Freitas do Amaral...

Um dos pais da democracia Portuguesa.

Freitas do Amaral entra na minha vida, através das palavras de meu Pai, desse reconhecimento pelo seu importante papel no afastamento do poder comunista que ensombrava o País no pós-revolução.

Freitas, Mário Soares e Sá Carneiro, cada um à sua maneira, desempenharam um papel significativo nesse travar das intenções do PCP e de Álvaro Cunhal na "soviétização" do nosso Portugal.

Não tenho memória desse período, no entanto, tenho inúmeras memórias sobre esse período, contadas, expressadas, por entre, conversas e opiniões.

A primeira memória, minha, absolutamente minha, foi na campanha eleitoral de 1986, Soares VS Freitas, onde este vosso amigo, claro está, defendia afincadamente o candidato Freitas do Amaral.

Foi a primeira vez que tive a noção do que era expressar essa querença política, do que era uma batalha eleitoral, num País fracturado, dividido entre direita e esquerda.

Tinha 9 anos e vivi com intensidade todos os momentos desse tempo, nesses dias onde tanto se disputava, onde muito se acreditava.

Freitas perdeu...

Mas não perdeu o direito de expressar a sua opinião, esse acérrimo desejo de trilhar o rumo que ditavam as suas convicções.

Freitas nunca mentiu, sempre afirmou o seu posicionamento como homem de centro, de ideologia Democrata-Cristã, apoiado na posição social da Igreja, sem receio de caminhar solitariamente em defesa dos seus ideais.

Fundador do CDS, foi muitas vezes acusado de ter abandonando o partido, sendo por demais evidente que terá sido muito mais o partido a mudar a sua identidade, do que o seu fundador, a trair os seus princípios.

Em 2005, Freitas do Amaral aceita fazer parte do Governo de José Sócrates, num gesto que lhe custaria, em definitivo, todo e qualquer afecto que ainda lhe pudesse reservar o centro-direita Português, deixando estupefactos alguns dos que se recordavam do seu papel nesse lado do panorama político.

Admito, sem hipocrisia, que fiz parte daqueles que não compreenderam ou aceitaram este gesto, que se indignaram com esta viragem à esquerda de um dos símbolos históricos da "nossa" Direita.

Neste dia em que parte, presto a minha homenagem a um homem culto e politicamente corajoso, sendo que o seu legado ficará para sempre impresso nas entrelinhas da História Portuguesa.

Solitariamente marcado, Freitas do Amaral foi um homem, verdadeiramente, leal às suas convicções.

O que para os padrões políticos da actualidade, já é uma absoluta raridade.

Por fim, as palavras de Antonio Lobo Xavier num jantar do CDS:

" A nossa história não se reescreve."

"Sem ele, porventura não estaríamos aqui."

 

 

 

Filipe Vaz Correia

  

13
Set19

Os Debates Já Começaram?

Filipe Vaz Correia

 

Tenho andado distraído, em relação aos debates eleitorais, não por falta de vontade mas sim por uma sonolência irritante que se acomete da minha pessoa, sempre que insisto em ver estas pelejas políticas.

Debates serenos e mornos, enfadonhos e tristonhos, carregados de uma lentidão argumentativa nessa ausência total de argumentos.

Os sorrisos disfarçados, os programas mal elaborados, a noção de um resultado pré-determinado, neste autêntico passeio de António Costa...

Motivos para adormecer, sem voz ou determinação, entrelaçados por desvios ideológicos que confundem a mente das gentes, rasurando, vezes sem conta, a noção de Esquerda e Direita.

Encontramos Costa e o seu PS como garante das contas públicas, preocupados com o “diabo” que afinal acreditam poder chegar, enquanto encontramos o PSD e o CDS a prometer distribuir dinheiro entre impostos e incentivos, num grito desesperado por amarrar, amealhar, votos num quarto escuro.

Ligo, novamente, a televisão e ali se encontram:

Os candidatos, o moderador e a promessa de um debate...

Começa o dito e ansiado debate, a suposta troca de ideias, eu terei dito ideias?e logo se vai desvanecendo o interesse, se dilui a vontade de querer compreender o que têm a dizer.

Rio e Costa vão se encontrar, dentro de dias, para um decisivo debate...

Decisivo para Rui Rio, ou seja, para compreendermos por quanto perderá, se por uma gigantesca diferença ou apenas pela margem suficiente para atenuar a humilhação.

Triste tempo este...

Para quem como eu, que sendo de direita, se vê despojado de alternativas ideologicamente representativas deste campo político.

Vou dormir...

Se por acaso algum debate for digno desse nome, por favor, avisem.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

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