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Caneca de Letras

Caneca de Letras

23
Mai20

Quem Se importa?

Filipe Vaz Correia

 

 

 

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Aos teus olhos somente fragilidade;

aos olhos de outros fortaleza,

aos meus olhos reciprocidade,

aos olhos de outrem aspereza.

 

Nesta batalha de tantas vidas;

se escondem amargas melodias,

marcas e feridas,

disfarçadas à luz do dia.

 

Mas no toque de uma mão;

baixinho continua o rádio a tocar,

vai soletrando a canção,

essa desesperada esperança de amar.

 

E mesmo que tudo corra mal;

no entrelaçado caminho,

no teu respirar, olhar, cheiro,

busco a certeza de não estar sozinho...

 

Mesmo que por vezes, efectivamente, possa estar.

 

 

16
Mai20

Primeira Vez

Filipe Vaz Correia

 

 

 

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Guardo em mim a primeira vez que te vi

essa primeira vez tão inteira

inteiramente primeira

na primeira lua cheia

tão primeiramente cimeira.

 

Guardo em mim os sorrisos,

as gargalhadas e as palavras

nesse caminhar que se tornou vida

abraços, beijos e feridas

que se perderam no horizonte.

 

Sei que um dia ao anoitecer

cairá o pano do destino

sobre nossas almas

num intervalo de tempo

que marcará o nosso reencontro.

 

E voltaremos a ter

essa primeira vez inteira

inteiramente primeira

desmedidamente secreta.

 

 

 

05
Mai20

Destino...

Filipe Vaz Correia

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Quero lá saber

se por entre saber,

sabedoria bacoca

de mente oca,

se reescreve a história

a destemperada memória,

redesenhando algures

um pedaço de mim.

 

Porque não retenho promessas

palavras vãs ou remessas,

no meio dos dislates de alguém

escrevinhados que ficam aquém,

do que outrora foi prometido

romanceado, pedido.

 

Porque mil anos que viva

mil noites se passem,

guardarei para mim

cada estrela perdida,

cada esvoaçar sentido

sem receio de voar.

 

Pois esse voar

é o mais perfeito pincelar,

nessa tela desnuda

e muda...

 

Vagamente decifrada

por Destino.

 

 

 

02
Mai20

Carta “Perdida” Nas Ondas De Uma Vida...

Filipe Vaz Correia

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Antigamente...

Palavra crua, dura e sentida, meio perdida, inebriada, que reflecte o sentir pulsante do que ficou por viver ou sendo vivido se perdeu, esboroou, na penumbra do passar dos dias.

Não posso voltar atrás, não o posso fazer, nem reescrever cada pedaço de beijo entrelaçado, cada abraço embaraçado, cada olhar calado incapaz de soletrar esse amor esmagado por tanto, por tão pouco, por gigantes passos de outros...

Mesmo assim, escrevo silenciosamente as linhas mal escritas de um texto desgarrado, desgarradamente gritando à poesia a solidão de um destino desejado, emocionado, envergonhado, nebulosamente guardado nas melodias da velha canção.

Amar-te, sem reticências, foi mais do que um conto a meio da noite, um poema à beira-mar, uma bebedeira que surgiu na esquina de um sonho...

Amar-te é a palavra maior de um redesenhado desenho, um pincelar singelo, por entre, a solidão dessa imensa pintura no meio da multidão.

Tantas pessoas, tantos passos, tamanhas as palavras libertas no querer, nesse querer que se cala, esconde...

Mas sei que num recôndito lugar, distante, no horizonte de tantas vidas, ele sobreviverá, existirá sempre, longe de todos, perto de nós, mesmo que esse nós seja longínquamente difícil de decifrar.

Um dia...

Voltaremos a ser nós.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

30
Abr20

Uma História De Amor

Filipe Vaz Correia

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Não tenho asas; 

para voar até ti,

Não tenho forças,

para resgatar a essência deste amor...

 

Essa tamanha vontade

para encurtar distâncias,

Para unir segredos

e enfrentar medos,

Desvendar caminhos

ou redesenhar destinos,

Enfrentando ondas e marés,

Pequenos pedaços de fé...

 

O que tenho e de sobra;

é o pulsar deste coração,

Que sorri ao ver-te,

Que se inebria ao ler-te,

Que se perde, por entre, as linhas de tua alma...

 

Um dia;

numa outra história,

num outro reescrito guião,

voltaremos a amar cada singela letra perdida,

nessa estrada desencontrada,

nesse querer em ferida,

imenso amor liberto em nós,

Por nós...

 

Pois vale a pena recordar,

mesmo o que se temeu viver,

sempre que no olhar,

sobreviva intensamente,

o que jamais poderá ser contado.

 

 

14
Abr20

Avé Maria

Filipe Vaz Correia

 

Amarga amargura que te moldas em mágoas,

palavras separadas em tempos de tristeza,

sábias e cicatrizadas feridas que não calam,

marcam compassadamente os mortos,

os rostos apagados, esquecidos, remarcados,

por entre lágrimas secas de outrora,

no alto mar tempestuoso de uma vida,

tantas vidas redesenhadas.

 

No meio da dor,

essa espécie de orfandade de sentimentos,

sobrevive a angustiada expressão incógnita,

esse ardor desesperado numa mistura,

mescla ardente do vazio que sobra,

transborda em prantos,

por todos os recantos da Humanidade.

 

Já não sei escrever, expressar por palavras a confusa obliquidade,

esse adeus profundo a uma realidade,

que desvaneceu.

 

Oiço ao longe o ressoar daquela voz,

solitariamente só na Catedral Duomo,

na Praça de São Pedro,

nas ruas deste mundo despido,

desnudado, ferido.

 

Avé Maria...

 

Avé Maria...

 

 

 

 

11
Abr20

O "Deus" Do Tempo

Filipe Vaz Correia

 

Passou tanto tempo;

Depressa,

Tão pouco tempo,

Com tanta pressa,

Tantos e tantos dias,

Num instante,

Como se nada fosse importante,

Tudo fosse relativo,

E esta vida, minha,

Nada significasse.

 

Tantas certezas;

Que agora não importam,

Tantos pensamentos,

Que desvaneceram,

Tantas caras e rostos,

Que desapareceram,

Assim...

 

Num ápice.

 

Já não tenho Pai nem Mãe,

Perdi Amor e Amigos,

Família e abraços,

Perdidos em antigos regaços,

Pincelados no esquecimento.

 

O que sobra?

 

O que sobra de mim?

Dos meus sonhos,

Das minhas desassombradas vontades,

Agora submersas nesta demência que me persegue...

 

Sobrou ar e pó;

Sorrisos e lágrimas,

Um estranho nó,

Que acentua a solidão.

 

Passou tanto tempo;

Tão pouco tempo,

E em cada momento,

Me esqueci de sorrir.

 

 

08
Abr20

Morte “Morrida”

Filipe Vaz Correia

 

Ousam voar das entranhas da indecisão;

Mortos e mortos para a ribalta dos jornais,

Vociferando a impotência,

Nossa, enquanto, animais...

 

Somos pó e vento;

Pedaços de nada em forma de gente,

Num sopro o tormento,

Num instante que se sente...

 

Caminhamos parados,

Trancados em casa,

Perplexos, embasbacados,

Como um pássaro sem asa...

 

Volta, volta vida;

Do lugar para onde partiste,

Sara, sara ferida,

Cala a dor que ainda subsiste...

 

E do fim de tamanho terror;

Que consigamos alguma coisa aprender,

Que este medo não fique torpor,

E a morte não seja somente morrer.

 

 

 

 

 

03
Abr20

Oxalá...

Filipe Vaz Correia

 

Olho pela janela;

E vislumbro os silêncios,

De uma Lisboa despida;

Timidamente escondida,

Receando a coroa;

Que se torna ferida,

Esventrando a alma,

Da esquecida essência Humana...

 

Somos todos sem abrigo;

Neste tempo de pandemia,

Palavras soltas ao vento,

Por entre ondas e maresia...

 

Nada parece fazer sentido;

Tudo parece encoberto,

Nesse futuro entorpecido,

Presente deserto...

 

E por entre a esperança;

Essa que ainda subsiste,

Gritam os sonhos cancelados,

De sonhadores passados...

 

Talvez um dia;

Certamente um dia,

Voltaremos a soletrar,

Cada parte do destino,

Sem medo de sentir,

O "normal" querer de todos nós...

 

Oxalá.

 

 

 

 

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