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Caneca de Letras

Caneca de Letras

27
Out18

Moderados?

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Não tenho com quem falar;

Nesta constante gritaria,

Nesse estranho esvoaçar,

De um extremo para o outro...

 

Gritos e mais gritos;

Olhares aflitos,

Sinónimos malditos,

Neste mundo em que habito...

 

Braços no ar;

Ódio a vociferar,

Ameaças a chegar,

Sem parar...

 

E o moderado;

Do outro lado da estrada,

Mudo...

 

Ensurdecido;

Esmagado por entre a multidão,

Caminhando para o abismo,

Desesperada escuridão...

 

Gritos e mais gritos;

De um lado e do outro,

Num constante absurdo,

De um mundo em desconstrução...

 

Já não grito;

Já não sonho,

Já não fujo...

 

Só observo desencantado.

 

 

25
Out18

Extraterrestres... A Intolerante Salvação?

Filipe Vaz Correia

 

A intolerância...

Sempre ela.

Sempre a mesma arma com que se ameaça o outro, esse mesmo outro que num local diferente, entre outras pessoas, numa alternativa cultura, poderá se transformar no algoz da mesma forma de estupidez.

Mas o que fazer se a História se repete e as almas nada aprendem em relação a isso.

O preconceito usado pelos supremacistas Brancos nos Estados Unidos, é o mesmo princípio utilizado por Malema na África do Sul, só que ao contrário...

A versão repete-se, o ideal é o mesmo, apenas a cor muda, a supremacia da cor se transmuta.

Ser católico em Karachi deve ser mais ou menos a mesma coisa do que ser Muçulmano em Myanmar...

Mas nada se aprende.

Nada consegue mudar parte desta essência que parece perseguir o Ser Humano.

Esquerda ou Direita, Comunista ou Fascista, Preto ou Branco, Homem ou Mulher, Gordo ou Magro, Hetero, Homo, Pan-Sexual ou sei lá mais o quê...

Os rótulos são tantos que já nem consigo descrever, não consigo enumerar todos os preconceitos emergentes, os sempre presentes ou mesmo aqueles que estando ausentes ameaçam regressar.

Talvez no dia em que se descubra vida para além do planeta terra, todos os Seres Humanos se possam unir, em paz, sem divisões...

Unidos num preconceito maior.

Aqueles Extraterrestres...

Pode ser.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

15
Dez17

Uma Mensagem From Alabama...

Filipe Vaz Correia

 

O resultado das eleições Americanas, para o Senado, no Alabama, trouxe consigo uma mensagem de mudança, uma surpresa inimaginável tendo em conta a história política, recente, daquele Estado.

O candidato Republicano foi derrotado nas urnas, o que já não acontecia desde 1992, passando este Estado ultra-conservador para o lado Democrata...

Esta mensagem de repúdio da política de Donald Trump, mais até, do que do Partido Republicano que sempre se mostrou renitente em apoiar Roy Moore, candidato acusado de assédio sexual a menores, vem dar um novo impulso a uma mudança que já se perspectiva em futuras eleições.

As eleições de 2018 podem confirmar esta reviravolta na política Americana, deixando definitivamente confirmado, o largo espectro de rejeição a Donald Trump.

Trump tenta a todo o custo criar manobras de distracção, como a mudança da Embaixada dos Estados Unidos de Telavive para Jerusalém, com o intuito de desviar o foco dos vários escândalos e falhanços que marcam o seu mandato.

Num tempo onde parece que o Partido Democrata está órfão de uma liderança, capaz de empreender o momento e capitalizar o desastre político e diplomático, denominado Trump, estas eleições trazem assim uma lufada de ar fresco, àqueles que acreditam num novo projecto político.

Assim fica a mensagem vinda do Alabama...

No More Trump!

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

27
Nov17

Ministro Cabrita, Be Quiet!

Filipe Vaz Correia

 

Parece que Instituições Internacionais avaliaram Portugal como o 3º País mais seguro do mundo...

Desconhecia este honroso pódio, esta constatação de uma realidade tão nossa, tão feliz, tão importante.

Portugal tem de facto uma posição feliz e ímpar num panorama mundial cada vez mais inseguro, menos tranquilo, no entanto, apenas tomei conhecimento desta classificação, através das palavras do Senhor Ministro Augusto Cabrita, num encontro em Beja, sobre o Contrato Local de Segurança...

O Ministro tem todo o direito de estar feliz com esta posição Lusitana, sentir certamente um contentamento rejubilante, porém ao ouvi-lo debitar estas palavras que agora ganham eco na comunicação social, senti uma imensa vontade de lhe gritar:

Esteja Calado!

A nossa segurança interna, não me parece advir de uma imensa capacidade para prevenir atentados, para controlar terroristas, mas antes de uma conjugação resultante da nossa dimensão geográfica e escassa importância no xadrez politico mundial.

Por estas razões parece-me pouco indicado esta espécie de bazofia política, meio bacoca e não aconselhável...

Pois se na verdade, como diz o Senhor Ministro, esta avaliação será importante para cativar empresários e turistas, não será despiciente dizer que poderá também atrair indesejáveis olhares.

Se depois de um Verão prolongado, onde todos assistimos à incapacidade de Governo e estruturas de segurança na luta contra os fogos e às suas consequentes tragédias, é no mínimo contra producente, imaginar que a nossa segurança Interna estará ao nível do lugar que agora nos atribuem.

Por isso aqui deixo o meu conselho ao Senhor Cabrita:

Por favor, Be Quiet.

 

 

Filipe Vaz Correia 

08
Jun17

Intolerantes!

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Mas para onde caminha o mundo;

Qual o destino a percorrer,

No meio de um ódio profundo,

Que não pára de crescer...

 

Vocifera o Sunita;

Odiando Infiéis,

Detestando o Xiita,

Ou invertendo-se os papéis...

 

Erguem-se muros asfixiantes;

Aparecem os terroristas dilacerantes,

Morrem inocentes às mãos desses ignorantes,

Perde-se a esperança, já distante...

 

E venham então os Muçulmanos;

Odiando um Cristão,

Ou um Cristão detestando,

Esses hereges Irmãos...

 

O que importa recordar;

Ou se preferirem rezar,

É que vale a pena acreditar,

Que um dia iremos acordar,

E talvez os intolerantes,

Possam ter aprendido a tolerar...

 

A tolerar,
As nossas diferenças!

 

 

31
Jan17

As Crianças de Mossul!

Filipe Vaz Correia

 

Em Mossul, no Iraque, estão neste momento 350 mil crianças encurraladas, numa cidade cercada, à mercê do Daesh ou de artilharia pesada da coligação nesta batalha sem honra que já dizimou Milhões de pessoas.

O mundo está de facto perdido...

Ao ouvir esta notícia, admito que tive de a rever para acreditar e não pude deixar de me questionar se algum dia, aprenderemos algo com os ensinamentos da história.

O que poderá ser mais importante, do que, este facto?

O que poderá valer mais a pena, do que, estas 350 mil crianças...

350 mil!

Mais ou menos a população de um país como a Islândia.

O que mais me aterroriza, é que no quadro político, populista, do mundo de hoje, parece que existem valores superiores a um drama como aquele que se vive em Mossul...

Muros e expulsões, raças ou religiões, ocupam hoje as prioridades desconexas deste novo tempo, transformando-se aos olhos de muitos, como as razões para as clivagens existentes nas mais variadas sociedades ocidentais.

No entanto, não consigo parar de pensar naqueles meninos e meninas aprisionados em Mossul:

Fechem os olhos e imaginem um prédio escuro, sem eletricidade, numa noite fria numa ponta do Iraque...

Imaginem os olhos temerosos de cada um daqueles meninos, enquanto as bombas caem, enquanto as carrinhas do Daesh varrem a cidade e estas crianças escondidas, perdidas, tentam respirar...

Tentam sobreviver.

Não existe política sem esperança, sem humanismo, sem futuro e que futuro estaremos a construir deixando estas pequenas pessoas de amanhã, abandonadas e entregues ao nada...

Ao desesperante medo de morrer.

Quero acreditar que será possível ter esperança e que como nos filmes, existirá sempre um final feliz, no entanto, olhando para o ecrã da minha televisão, começa a ser difícil...

Mas continuo a acreditar.

Que Deus vos proteja, Meninos de Mossul.

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

24
Jan17

Quo Vadis, Europa?

Filipe Vaz Correia

 

O mundo parece avançar a um ritmo vertiginoso para um abismo, inebriado por uma vozeria trauliteira, que a todo o custo, urge evitar.

A eleição de Donald Trump, as eleições Francesas que estou convicto se travarão entre Le Pen e Fillon, a posição Russa nas manobras que envolvem hoje em dia o panorama estratégico no Médio Oriente e claro está o império Chinês, cada vez mais preparado para impôr a sua vontade, caso a isso, seja obrigado...

E a Europa...

Quo vadis, Europa?

Como poderá responder um aglomerado de países, União Europeia, que caminha sem liderança, sem rumo há mais de década e meia?

O projecto Europeu não foi colocado em causa pelo Brexit, confirme-se ou não, foi precisamente a falta de rumo desse projecto que potencializou a vitória desse movimento.

Assim como nos Estados Unidos, a revolta de muitos cidadãos está a minar o processo democrático, fragilizado pelo abrandar de muitas economias e com isso o degradar da vida desses mesmos cidadãos.

Se por algum motivo a Europa não conseguir responder a estes inquietantes sinais e deixar degradar cada vez mais, a relação dos seus cidadãos com as instituições que os representam , então Donald Trump terá razão e o fim deste projecto Europeu será inevitável.

Marine Le Pen, Farage, Victor Orban e outros populistas que começam a crescer de maneira avassaladora, não o fazem indicando as soluções para os problemas que tanto afectam as respectivas populações, mas sim indicando os males que afectam realmente essas sociedades democráticas envolvidas em escândalos sem fim, desacreditadas entre os seus pares.

Por isso insta repensar este modelo, estas prioridades que sendo lógicas para o Status Quo de Bruxelas, são incompreensíveis para as respectivas populações e que fazem aumentar o descontentamento em pessoas que votarão no desespero ao invés do mesmo encurralado sistema.

Os conservadores cristãos terão neste processo um papel fundamental, na minha opinião, pois em parte, partirá desse espectro político a solução que possa fazer frente à demagogia populista que hoje crassa em grande medida pelas mais variadas democracias.

A Direita Cristã ou Conservadora tem de revitalizar os seus princípios fundadores, recuperando a ligação com as pessoas e demonstrando uma genuína preocupação em construir as pontes necessária entre aqueles que se consideram excluídos e as novas gerações sedentas por uma incontornável globalização. 

Isso só poderá ser alcançado com a melhoria da vida das pessoas, com o sentimento de bem-estar fundamental para que os avanços não esmaguem a esperança e os desejos inerentes à condição humana.

Assim espero que a Europa possa mudar o seu rumo e ver neste extremar de posições que nos chega do outro lado do Atlântico, uma oportunidade para ser ela a liderar os acontecimentos e não os acontecimentos a ditarem o seu destino.

Isso será determinante para o caminho Europeu, consciente das diferenças nacionais que sempre existirão, mas inclusivo, global, integrante, com valores Humanistas que certamente nos guiarão ao encontro de um futuro onde a Europa possa resgatar a importância que sempre teve.

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

29
Dez16

O Mundo...

Filipe Vaz Correia

 

Sustenho a minha respiração;

Suporto o mundo calado,

E observo...

 

Sustenho, uma vez mais, a respiração...

 

Uma vela acesa, iluminando;

Por entre os meus passos numa sala vazia,

Aguardando numa noite fria,

Que seja dia...

 

Uma lágrima que me escapa;

Com a tristeza que carrego sobre os ombros,

Entre um medo que afasta,

Os estreitos caminhos desse futuro,

E um passado que me arrasta,

Por entre o sonho e a ilusão...

 

Abro os olhos e vejo-te;

E tudo volta a valer a pena...

 

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