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Caneca de Letras

30.05.22

 

Adormeci sonhando que outrora voltaria a ser agora, que margens dos rios se fundiam no mar e que na volta de um dia a noite se despiria sem pudor...

Sem pudor de se desnudar e entrelaçar num beijo repleto de ondas e borbulhas, refrescantes cheiros de maresia e algas, de uma amálgama sem passado, inebriante esperança de sentir.

Por entre o sonho, pude sentir cada toque e arrepio, cada pedaço de desvario que se entrelaçou no cenário, mistura de tesão e amor, quase, tentador de um derradeiro aceno.

Quero-te e odeio-te...

Desejo e repulsa, tudo na mesma frase, na mesma alma, na mesma cama.

Fará sentido que uma despedida possa ser quadro e tela, cavalo e cela, lábios e boca?

Quem, em tanto e pouco, sente esse sabor louco de uma noite de prazer?

Adeus...

Na despedida definitiva sobra cada peça de um puzzle, cada satisfação insatisfeita de uma aguarela inacabada, caminhando solitária, por entre, soluços de desapego, numa travagem sem freio que ameaçará regressar enquanto existir memória.

Desperto lentamente...

Nada sobra, nada resta, nada do que se prometeu ficou, perdidamente se esfumando num ténue sorriso do que sabemos não nos pertencerá outra vez.

Até sempre...

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

27.05.22

 

 

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Sangue do meu sangue...

Nada mais irónico e trágico para o caso das duas irmãs Paquistanesas, Arooj e Aneesa, que se viram assassinadas às mãos da sua própria família, neste caso irmãos e primos.

As duas jovens, residentes em Espanha, terão sido atraídas ao Paquistão com a encenação de que a sua Mãe estaria a morrer, falsidade esta que fez parte de um plano para levar a cabo este crime de "honra".

O crime que as levou a este triste fim foi simplesmente o facto de as duas quererem o divórcio dos seus maridos, casamentos arranjados contra a sua vontade.

Este desfecho traz à liça esta espécie de horror que se pratica em alguns países do mundo, Índia e Paquistão são apenas alguns exemplos, e que nos recorda de como estamos muito longe de um mundo coadunante com os direitos humanos e a liberdade de escolha.

Basta percorrer esta história para se arrepiar a alma de todos aqueles que defendem o direito à individualidade e ao livre arbítrio de todos, homens ou mulheres.

Nestes casos, assim como no caso dos dois jovens mortos no Irão por serem homossexuais foram as suas famílias os seus algozes, os seus carrascos, os seus executores...

Um pormenor que se torna um pormaior e que faz pensar que o sangue por vezes é menos relevante do que as normas retrógradas, bárbaras e selvagens de algumas sociedades.

Que nos sirva de lição...

Mas infelizmente acredito que não.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

26.05.22

 

 

 

 


Esta terça-feira ocorreu mais um atentado numa escola Americana, neste caso no Texas, levando a vida de mais de 20 pessoas, entre elas 19 crianças com idades entre os 9 e 10 anos.

Um horror sem fim...

O assassino tinha 18 anos e executou sem piedade este massacre.

A pergunta que a todos deve ser posta é:

Até quando?

Cerca de 50 Senadores Republicanos travam as alterações à lei das armas nos Estados Unidos, políticos amarrados a lobbys e interesses que transcendem a vontade do povo Americano.

Este tipo de gente que compõe o Partido Republicano da actualidade é um pequeno retrato da mediocridade em que se transformou o Partido de Colin Powell, George Bush ou Ronald Reagan...

São os mesmos que apoiaram indefectivelmente até ao fim Donald Trump e os seus correligionários, na sua maioria negacionistas, homofóbicos, racistas e misóginos.

Seria interessante ver os Senadores Republicanos terem em relação a este assunto o mesmo vigor que dedicam a censurar livros que falam na temática Gay, a combaterem a política de género ou a tentarem policiar os milhões de úteros de mulheres Americanas.

É este tipo de mundo que se instalou numa certa América, presa a dogmas, avessa à transformação, amarrada a preconceitos e a um tempo de Far-West.

Quanta mais carnificina será necessária para que se altere esta lei?

Quantas mais crianças terão de morrer para algo mudar?

Deixo a arrepiante opinião de Steve Kerr, antigo jogador dos Chicago Bulls e actual treinador dos Golden State Warriors.

Assistam pois mais do que qualquer palavra aqui escrita este testemunho expressa bem fundo o que na realidade todos deveriamos defender.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

25.05.22

 

 

 

Sem ti;

faltam-me dedos na mão;

unhas e pele,

falta-me sangue nas veias,

pestanas e sobrancelhas...

 

Falta-me uma perna e um braço;

e um pequeno pedaço do nariz

mas não vejam esta imagem como um embaraço

ou um desenho traçado a giz...

Faltam-me por vezes as palavras;

palavras carregadas de intenções,

expressões preparadas,

para desarmar as minhas maldições.

Falta-me força de vontade;

e asas para voar,

sob as penas da saudade,

do que outrora se atreveu a passar...

 

Falta-me tanto e tão pouco;

nesta aventura desventurada,

meio trajecto louco,

inventado numa berma de estrada...

 

E assim vou caminhando;

solitariamente despedaçado

em busca de te encontrar

meu outro lado imaginado.

 

E se a lua tem duas faces;

e o sol duas moradas,

então continuarei a buscar,

em cada amanhecer,

a cada anoitecer,

um rastilho de ti.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

24.05.22


Tenho medo de voar, do rosmaninho e da salsa, dos coentros e dos espargos, da generalidade dos receios.

Tenho vontades e saudades, contradições de sobra, demasia repleta de preto, orvalho que antecipa trovoada.

Tenho soletradas canções em noites de luar, perpetuando a musicalidade escondida em teus abraços.

Prosas e poesias de encantar, nesses beijos em forma de toque, em cada partícula de teu sabor perdido em mim, perdido no meu.

Quero, quero muito, nesse querer que se entrelaça na tua pele, nesse adeus que insistimos em manter...

Volta o tic tac do relógio, o desespero plasmado em teu rosto, ou será no meu?, as voltas empedernidas do quotidiano.

Soletro cada parte de ti na memória, esperando que se guarde a nossa história num bonito livro de cabeceira.

E se um dia sonhares, tentando recordar o que fomos, que pinceles numa tela em branco o pulsar do nosso amor...

Ou o cantar de um trovador.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

23.05.22

 

 

Um dia li um poema que falava sobre esse sentir que se transforma, nesse desistir do amor que se torna presença...

Fitei o poema com a crença de que jamais o reescreveria, nesse pulsar de medo que açambarca a alma, nessa tristeza que se instala.

Amar é o enorme enigma da vivência humana, esse pulsar que se traduz numa imensidão de querença e ao mesmo tempo uma derradeira entrega do que mais valioso temos.

Por entre linhas e desventuras, há muito que me perdi por entre tamanhos amores alheios, lágrimas e sorrisos distantes que contavam o turbilhão de outras vidas marcadas por falésias e desfiladeiros, por abraços primeiros e beijos derradeiros...

Nunca temi e sempre temi, nunca corri e tantas vezes fugi, nunca...

E tantas vezes.

Nas máscaras guardadas no sentir vou acumulando as feridas de um olhar que se perdeu, aquela confiança que desvaneceu com o entardecer desse querer...

Traições e arrependimentos, pequenas gotas de tristeza que brotaram dos olhos em momentos asfixiantes perante a indiferença, quase, insuportável.

Na mochila que carrego nesta caminhada guardo cada sinal esquecido, cada palavra, cada parte de um nós inexistente, recordações do que um dia foi uma história de amor.

Escrever é isso, libertar a cada segundo a chama intensa de um desejo maior de contar, gritar, vociferar...

Jamais se refaz a alma de tamanho golpe, mas terá de se tentar reerguer, levantar a cada queda como se o recomeço fosse renascimento, como se renascer não trouxesse consigo mágoas e memórias.

Velhas imagens, novas convicções num instante que se repete sem parar...

Por entre vidas, em novas planícies se reencontrarão velhas histórias, velhos personagens, com novos aprendizados, renovados rumos.

Amar vale sempre a pena mesmo que do outro lado a alma seja pequena.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

24.03.22

 

 

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António Costa oficializou o seu Governo, libertando os nomes que constituirão o próximo Governo de Portugal.

Infelizmente assistimos a uma oportunidade perdida em dois vectores, na quantidade e na qualidade...

Na quantidade, António Costa anunciou um Governo enxuto, algo que não cumpriu, ou seja, 17 Ministros e 38 Secretários de Estado é um número enxuto em contas à António Guterres ou Teixeira dos Santos e na qualidade teremos de expressar a desilusão imensa que caracteriza as escolhas de Costa.

Manter a inexistente Ministra da Cultura, a sucessão no Ministério da Educação, o número inenarrável de militantes Socialistas, assim como, a saída de Pedro Siza Vieira deixam a nú a falta de qualidade nesta nova plataforma política.

Esperava-se mais de Costa e do seu projecto político para o País, no entanto, nada é mais preocupante do que a pasta das Finanças...

Fernando Medina.

Fui crítico, por desconhecimento, de Mário Centeno, assim como de João Leão, dois nomes que acabaram por realizar um excelente trabalho, mais o primeiro do que o segundo, sendo que o seu perfil técnico poderá justificar a sua imunização à habitual politiquice Socialista.

Medina nada tem de técnico e acima de tudo traz consigo aquela "aldrabice" política que anuncia o desastre.

Enfim...

Este Governo tem tudo para se tornar uma oportunidade política, sendo a maior esperança que este meu prognóstico seja completamente falhado e que Costa possa ser um visionário para lá do seu tempo.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

22.02.22



 

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O PCP veio esta sexta-feira emitir uma opinião sobre o conflito na Ucrânia.

O Partido mostra a sua solidariedade para com as populações Russófonas de Donbass e alerta para o perigo de confrontação perpetrado pela Nato e os EUA contra Moscovo.

Observando atentamente este comunicado Comunista poderemos retirar dele que o PCP não percebeu mesmo o tempo onde se encontra, nem o significado dos seus contínuos fracassos eleitorais, de Autárquicas a Europeias, passando pelas Legislativas ou Presidenciais.

Um partido retrógrado, amarrado a tempos de Guerra Fria, julgando uma fidelidade canina a um ideal e um império que não existe.

Putin está mais perto hoje do Nacionalismo de Extrema-Direita do que dos preceitos de Karl Marx...

Mas vivendo a fantasia dos amanhãs que cantam, talvez seja tempo de se perceber que se calhar não vai mesmo haver ninguém para os acordar.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

15.02.22



Tenho faltado a este espaço de escrita, a este pedaço de desabafo que tantas vezes me pareceu um pequeno recanto de mim, mundo meu.

Falta de tempo e de imaginação, tamanha vontade de silenciar o que guardo nas entrelinhas do ser, dessa querença minha calada, sofrença tão imprecisa.

Quero poetizar como aqueles que aprendi a ler, escrevinhar e voar como Cazuza no Arpoador, soletrar como Vinicius em Copacabana, como Pessoa no Martinho...

Encontrar desencontradamente cada parte de uma pequena lembrança, reencontrar o menino que fui para lhe afagar o rosto e expressar essa pressa em amar aqueles que um dia partiram, partirão, cada intensa recordação.

Esse querer que se estende no olhar, que se entrelaça na dimensão maior do desconhecido, desconhecimento maior das palavras.

Tenho medos e vontades, expectativas e realidades, todas elas na mesma e inquebrantável curiosidade dos amanhãs que se apressam a correr...

Dias que passam, noites que se libertam com o caminhar do tempo nesse acelerado passo de dança.

Venham então as palavras, as lágrimas e os sorrisos, sinais de pouco siso numa certeza constante:

Só os tolos permanecem sãos.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

25.01.22


Faltam poucos dias para as eleições e algumas sondagens dão o Chega como terceira força política...

Sinceramente fico abesbilico!

Mas enfim...

Quanto a mim, sem ter nenhum líder que me complete, tendo a votar no meu partido de sempre, o PSD.

Porém necessito de uma garantia:

Nenhuma coligação poderá ser feita com o Drº Venturete e a sua coelha Acácia...

Animais por animais prefiro os do PAN.

Até amanhã...


"Não posso deixar de notar que depois de escrever este post, assisti no jornal da noite da CNN a declarações de Manuela Ferreira Leite sobre a relação entre PSD e Chega que me deixam inquieto.

Irei repensar nestes dias o meu voto tentando perceber se terei de deixar cair o meu lado mais Estatista ou Comservador e olhar para a IL como o mal menor nestas eleições."

 

Filipe Vaz Correia

 

 

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