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Caneca de Letras

Caneca de Letras

11
Out19

Uma Aventura Num Centro De Saúde...

Filipe Vaz Correia

 

Estive durante o dia no centro de Saúde da Alameda...

Que inferno!

Deixo aqui uma palavra de simpatia para com as administrativas que me receberam, assim como, a médica que me atendeu.

Desloquei-me até a este local para tratar do atestado médico da minha Mulher, jamais imaginando o “horror” que por ali se encontra, para aqueles que necessitam imperiosamente destes serviços.

O tempo de espera é indescritível, juro que sai dali, nas cinco horas de espera, sem compreender o método de escolha de senhas, esse critério que faz com que se percorra mais de 50 números de uma letra, enquanto, outra letra permaneça praticamente sem se mexer.

Enfim...

O espaço reduzido, a tosse, as vozes desagradadas, velhos sentados queixando-se de dores, estrangeiros buscando respostas em inglês sem que os funcionários consigam sequer entender uma questão, cheiros e odores que se cruzam, uma falta intensa de desodorizante, impregnando aquele lugar de um ambiente bafiento, quente e doentio.

Palavras para quê?

A impotência do cidadão diante da burocracia que serve de entrave a cada vontade, os desmandos do Estado na vida de cada um de nós, sendo que para as Finanças nada seja necessário apresentar, tudo é encontrado, sem excepção, sem demoras.

Sinceramente fiquei estarrecido com esta experiência, com este “terror”...

Uma aventura num Centro de Saúde.

Já vos disse que sou hipocondríaco?

Imaginem como saí dali....

Por entre, tossidelas, cuspidelas, espirros e afins.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

07
Out19

Eleições Legislativas: Uma “Salganhada” Eleitoral?

Filipe Vaz Correia

 

Noite eleitoral carregada de surpresas, talvez não, num misto de derrotas vitoriosas e vitorias amargas.

O PS vence as eleições, ao contrário de há quatro anos, sem maioria absoluta, num cenário “pantanoso” mas que irá colocar à prova os dotes de negociante de António Costa.

O PS submerso nessa arrogância típica dos Socialistas, Mário Centeno foi a face dessa característica na campanha eleitoral, vê assim, com estes resultados, uma resposta dos Portugueses a tamanha altivez argumentativa.

O outro lado da “Geringonça” não vence mas também (não) perde, ou seja, o PCP perde expressão parlamentar, aliado à derrota autárquica, denotando um desgaste acentuado na sua base eleitoral, irá temer a reedição dessa “Geringonça”, sabendo também que a negação desse caminho poderá lhe custar um preço na História.

O Bloco que praticamente mantém o mesmo resultado que anteriormente havia tido, certamente, se vê desiludido tendo em conta as expectativas criadas por todas as sondagens ou essa boa imprensa que tanto”acarinha” os Bloquistas, deixando um enigma na líder Catarina Martins...

Assegurar a renovação da solução Governativa ou pelo contrário evitar a sua reedição?

O Bloco tudo fez para garantir que o PS não conseguiria a maioria absoluta, tentando assim aumentar o seu círculo de influência, porém, convém observar cada passo Bloquista, cada escolha de um partido com dores de crescimento.

E o PAN?

Um caso de ponderação...

O grande vencedor da noite.

Voltando à direita...

O PSD perdeu as eleições, não com o estrondo anunciado mas com uma contestação evidente dessa sua penitência amargurada após os anos da Tróika.

Rio parecia ter vencido esta eleição tal o excitamento com que apareceu diante dos jornalistas, certamente, influenciado pelas sondagens “predadoras” que há muito o tentavam devorar.

O PSD teve um resultado negativo mas muito superior àquele que muitos antecipavam...

Dará este resultado para evitar uma luta interna fratricida?

Duvido...

O CDS?

Bem, o CDS é a expressão maior de uma hecatombe, sendo o maior derrotado da noite, encurralado entre o surgimento de novas forças eleitorais à direita, Iniciativa Liberal ou o Chega, e as incongruentes posições da sua líder e frágil estrutura.

Cristas abandonou, num gesto com imensa dignidade, contrastando com a maioria do seu populista percurso político.

Os novos partidos que chegam à Assembleia da República, Chega, Iniciativa Liberal, Livre, trazem novas ideias ou falta delas, novos pontos de discussão, novas pontes ou batalhas...

Veremos quantos destes partidos permanecerão ao fim de uma legislatura.

Duas notas de pesar:

A morte política do sempre rebelde Santana Lopes e a despedida da queridíssima Heloísa Apolónia, colocada num distrito de impossível eleição pela estrutura Comunista numa purga carinhosa e sem direito a teatralismos.

Num tempo de discussões ecológicas o PCP assassina a líder histórica dos Verdes, o que não deixa de carregar de ironia o destino da Extrema-Esquerda Comunista, neste tempo de clima e Gretas. 

Vem aí mais uma legislatura...

Com Geringonça?

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

15
Ago19

A Greve Ou O Reality Show Do “Professor” Pardal?

Filipe Vaz Correia

 

Se existir greve...

Aparece o Pardal!

Se não existe greve...

Aparece o Pardal!

Se não se cumpre os requisitos mínimos...

Aparece o Pardal!

Se existe uma câmara de televisão...

Aparece o Pardal!

Valha-nos Deus que o raio do Pardal está em todo lado, cansativamente em todo lado, como forma extenuante de levar ao desespero todos aqueles que não querem a “apardalada” agitação.

O senhor fala, exaspera, pragueja e atemoriza, vocifera ou acusa, numa promessa carregada de contradições.

O Governo e a Antram tentam desmontar as gritarias, as mesmas reivindicações que desnudam a razão, esses gritos surdos que se escondem, por entre, ruas e avenidas.

Detesto greves, esta não foge à regra...

Mas se tiver que lidar com ela, a greve, então que seja um “pombo” o interlocutor, um “canário” ou uma “avestruz”, no entanto, todos menos o Pardal.

Pois o que importa é o céu estrelado, as vozes hesitantes, os piquetes de greve intimidando quem se presta a trabalhar.

Tudo valeu a pena, naquele instante, naquela televisão, onde nada mais importava do que um Pardal à solta.

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

27
Jul19

Um Inflamável "Kit" Socialista!

Filipe Vaz Correia

 

Parece que a Protecção Civil andou a distribuir Kits de Incêndio às populações...

Um Kit com golas de poliéster.

Uma substância altamente inflamável e que ao invés de proteger, irá pôr em maior risco aqueles que usarem o dito Kit.

Ora bem, logo se levantaram alguns para criticar o Governo e o respectivo Ministro Cabrita.

Que injustiça!

Então é o Ministro Cabrita que confeccionou as ditas golas ou as andou a distribuir?

O senhor Ministro, muito provavelmente, sujeito a um stress indescritível nesta altura do ano, está assim envolvido numa polémica sem qualquer tipo de razoabilidade, enfrentando as críticas de quem nada percebe sobre o tema.

O Governo, que se aproxima de uma maioria absoluta, combate estas injustiças com a nobreza que se lhe reconhece, assacando culpas a outros, sejam Presidentes de Câmara ou empresas privadas, jornalistas ou afins...

E muito bem!

Era o que faltava se estas pessoas que nos representam, com tamanho sacrifício e incompetência, perdão competência, tivessem que assumir culpas ou responsabilidades.

Mais...

Sabemos lá se estas golas não terão sido fabricadas na China?

Se sim...

Já só faltava quererem criar uma polémica internacional.

Enfim...

Tenham pudor e respeito pelo Governo e pelo doto Ministro Cabrita, fazendo, se faz favor, silêncio sempre que estes fizerem asneira, por maior que seja, por mais imbecil que pareça.

Irresponsabilidades é que não!

Parafraseando o Excelentíssimo senhor Cabrita.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

23
Jul19

Centeno E O FMI: Ir Para Fora Cá Dentro?

Filipe Vaz Correia

 

O FMI quer levar Mário Centeno...

E ninguém para levar o Bruno Fernandes?

Atenção que eu gosto desmedidamente do Capitão Leonino.

Voltemos a Centeno...

O FMI parece ser o destino do "nosso" Mário, o Ministro das Finanças que tem feito brilharetes por essa Europa fora, cumprindo metas e deficits como há muito não se via.

António Costa vai acumulando os elogios ao seu "Ronaldo" num gesto agregador que contribui para o "suposto" curriculum do seu Governo.

Já aqui admiti que Mário Centeno me surpreendeu, pois jamais esperei que aquele senhor "apatetado", que confundia números na campanha eleitoral se transformasse no homem forte de uma Geringonça, capaz de açaimar PCP e BE.

Enfim...

Este Centeno é uma caixinha de surpresas.

Agora, depois do Eurogrupo, está numa shortlist para liderar o FMI, o mesmo FMI de que tantas vezes, tantas vezes com razão, disse mal.

Ao ouvir e ler a opinião de vários comentadores políticos, não posso deixar de me preocupar...

Pois se já desconfio desta Geringonça, como fica espelhado na miséria de trabalho no SNS, como encarar o futuro sem o travão Centeno aos desmandos Socialistas, aos ímpetos de extrema esquerda que se escondem nesta coligação encarnado e rosa.

Ao ouvir nomes como Elisa Ferreira para substituir Centeno, admito que estremeceu aquela parte de mim que ainda se recorda do papel da dita Senhora no Governo despesista, perdão Guterrista, que nos guiou em finais do Séc.XX.

Arrepiante...

Elisa Ferreira?

Também ouvi Vieira da Silva...

A sério?

Até Mourinho Félix...

O nome que mais me agradou, em primeiro lugar por ser primo do José Mourinho, algo que pelo menos deixa um laivo de esperança, depois pelos 4 anos de trabalho, como braço direito do actual Ministro das Finanças.

De qualquer das maneiras não estou satisfeito com esta possibilidade, pois já conformado com a vitória Socialista, temo que tenhamos que viver com um Costa em roda livre, acompanhado do "bolchevique" Pedro Nuno Santos e sem ninguém que possa, por um momento, refrear os ímpetos gastadores dos Jovens e Velhos "Turcos".

Centeno pode não ser o melhor do mundo, mas sem ele...

Temo um regresso das festas Socialistas.

Ou seja, acabaríamos por voltar a ter Centeno, como Chefe do FMI.

Olha...

Afinal o Centeno é capaz de ir para fora, ficando cá dentro.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

12
Jul19

Não São Só As Maternidades A Encerrar No Verão... Também As Praias

Filipe Vaz Correia

 

Parece que querem fechar as praias da Costa da Caparica durante o mês de Agosto...

Serão apenas uns dias, mas mesmo assim alguns se insurgem contra a medida, não pelo valor da mesma mas sim pelo timming escolhido para o efeito.

Isto também é embirrar!

Uma praia aqui ou outra ali, sempre se conseguirá um espacinho para banhos, por entre máquinas e tractores entulhando areia pelos areais da Costa.

As pessoas tem de ser compreensivas, até mais simpáticas com as decisões Camarárias ou do Governo pois convém entender que estes apenas tiveram uns meros 8 meses para tratar do assunto.

Isto é mais ou menos como se proibisse a apanha de sardinha em Junho, mês das festas populares...

Comia-se o carapau ou o belo jaquinzinho, sempre regado com o belo azeite Lusitano.

Tenham calma e esperem com paciência, seria pior se encerrassem as praias não só em Agosto, mas também em Julho.

É melhor não dar ideias...

Viva o verão e a (in)competência de quem nos governa.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

26
Jun19

Não Aceitamos Lições Sobre Corrupção!

Filipe Vaz Correia

 

O Conselho da Europa acusou o Estado Português de ser um dos mais coniventes com a corrupção, não tendo cumprido 73% das medidas recomendas.

Ora isto é uma vergonhosa perseguição.

Parece que estamos a descrever um Estado corrupto, repleto de casos de corrupção.

Será que escrevem esse relatório somente porque pende sobre um anterior Primeiro-Ministro acusações gravíssimas de corrupção e branqueamento de capitais ou um Banqueiro, o mais proeminente do País, estar a braços com um alegado escândalo de corrupção, tendo levado à falência um dos maiores bancos do sistema...

Ou até por outros Banqueiros que tiveram o mesmo comportamento, acompanhados de geniais gestores, o magnífico Bava ou o conceituado Granadeiro, que contribuíram para a destruição de uma das maiores empresas nacionais, a PT.

Até um Procurador da Républica já foi condenado.

E nas autarquias?

Bem nesse caso, terei de escrever de forma genérica, tendo em conta que neste momento quase que poderíamos realizar um encontro nacional Autárquico, numa sala de tribunal, tantos que são os autarcas acusados ou detidos por corrupção.

E no futebol?

Na administração pública?

Nas operações furacão e afins?

Até sucateiros...

Até no lixo e sucata se corrompe, por meros robalos, certamente suculentos e saborosos.

Sinceramente este Conselho Europeu deve desconhecer a realidade intransigente do Estado Português em relação a actos corruptos, sendo esta a base de tão inusitado relatório.

Certamente, por ignorância, desconhecem a história da supervisão ou regulação Portuguesa, esse Histórico que tem por referência esse baluarte de rigor e sapiência...

Senhores, nós tivemos como Presidente do Banco de Portugal o Prof. DR. Vítor Constâncio e só por esse motivo não aceitamos lições de anti-corrupção de ninguém.

Espero que se penitenciem por incompreensível injustiça.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

25
Jun19

O Mundo De Centeno!

Filipe Vaz Correia

 

Mário Centeno esteve no Jornal das 8 da TVI, numa entrevista comandada por Pedro Pinto e Miguel Sousa Tavares.

Nunca votei no PS, não o pretendo fazer, mas feito o ponto de ordem a este texto, compete a este "Canequiano" expressar a minha estranha empatia com este Ministro das Finanças.

Mário Centeno deu esta entrevista no dia em que se soube que se verificou, no primeiro trimestre, um excedente de 0,4% na execução Orçamental para 2019, algo absolutamente inédito desde que existe Democracia.

Este caminho trilhado, essencialmente por Centeno, revela não só rigor da parte do Ministro das Finanças como também um rumo delineado, uma ideia para o caminho Orçamental Português.

Este facto, aliado ao percurso já percorrido, dá uma credibilidade Internacional, até internamente, que se afigura como preciosa.

Nunca confiei em Governos Socialistas, como a História acaba por confirmar, carregados de despesismos e contradições, culminando frequentemente em crises económicas gravíssimas.

Centeno vem contrariar essa História, esse pedaço de desconfiança habitual num trajecto Socialista entrelaçado com populismos e gastos desnecessários.

Sendo um Conservador, sempre no lado Direito do espectro político, sempre tive referências importantes como Ministros das Finanças, neste período Democrático, como Miguel Cadilhe, Aníbal Cavaco Silva ou Manuela Ferreira Leite, em contraponto com os Governos Socialistas que arrepiavam caminho, abriam os cofres e anunciavam o Oásis fiscal, esse lado cor de rosa sempre com vista a eleições.

Este mundo de Centeno é tudo menos isso...

É aliás o seu contrário, uma visão que se mistura com o inultrapassável rigor, na certeza absoluta de contas certas, amarrando essa querença inexcedível de confiança.

Como contrariar esta visão, se ela se confirma a cada trimestre, se impõe em cada resultado?

De todo este caminho, chamem-lhe cativações ou rigor, apenas na Saúde posso encontrar um ponto onde absolutamente divirjo, numa oposição inegociável, onde não se admite desculpas.

As contas públicas tem de encontrar espaço para um SNS de excelência, cortando em outros lugares, sejam eles quais forem...

Para o nível de impostos que os Portugueses pagam, não se pode compactuar com uma Saúde sofrível, abaixo do que se espera.

Aqui reside a minha divergência maior com Mário Centeno e a sua execução Orçamental.

De resto, não vejo nada que impeça o elogio ou até a sua presença num Governo Conservador de Direita.

Antes pelo contrário, era facto que até se saudaria.

Assim neste mundo de Centeno, este louco mundo que coloca um Ministro das Finanças Socialista como baluarte do rigor, me encontro a seu lado, numa estranha empatia que não posso deixar de aqui registar.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

21
Jun19

Maternidades Em Part-Time...

Filipe Vaz Correia

 

Parece que irão fechar de forma rotativa, repito rotativa, as Maternidades da Grande Lisboa durante o Verão.

Onde é que está o problema?

Claro que muitos aproveitam para atacar esta medida, sem atentar à boa prática orçamental da mesma.

Em primeiro lugar a maior parte das pessoas não vai para a maternidade no verão, altura de imenso calor, sendo a  praia um lugar mais aprazível.

Em segundo lugar é absolutamente normal que o Governo aproveite este tempo de férias para organizar os custos do Estado, assim como, fazem a maior parte das famílias.

Por exemplo, em minha casa desactivo a Sport Tv, aproveitando o fim do campeonato nacional, poupando dois meses de mensalidade.

Existem jogos durante este tempo?

Sim...

Mas pouco interessantes e em pequena quantidade.

Direi até mais...

Mas quem é que resolve fazer filhos em Outubro, Novembro ou Dezembro, meses agitados profissionalmente, com fecho de contas, vendas de Natal e agitação turística.

Quem?

Por todas estas razões parece-me que existe falta de compreensão com esta medida, numa rotatividade que se aprecia e saúda.

Não existem muitos Obstetras ou Enfermeiros no SNS, dificultando a gestão hospitalar para atender tantos utentes e mesmo assim as pessoas da região de Lisboa parecem insistir em procriar...

Mas não lhes bastava o Outono, o Inverno ou a Primavera, ainda querem ter filhos no Verão.

Tenham vergonha e vão para a praia, sem gritos ou reclamações que o nosso País, não é o Pingo Doce em dia de promoções.

Tenham bebés mas com respeito ao calendário adequado para o efeito.

Combinado?

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

11
Jun19

Brasil: Nem Política, Nem Justiça!

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Por cá andamos entretidos com a chegada de Jorge Jesus a terras Brasileiras, no entanto, por lá novidades preocupantes ganham força e tornam-se conhecidas do grande público.

Por estes dias foram reveladas mensagens trocadas entre o Procurador e o Juiz encarregues da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol e Sérgio Moro, actual Ministro da Justiça.

Sinceramente não é algo que me surpreenda, pois como já aqui várias vezes escrevi, tenho absoluta aversão a Juízes providenciais ou a Justiceiros populares.

Sei bem que num tempo de grande revolta e desencanto em vários pontos deste nosso globo, as sociedades e os seus cidadãos tendem em buscar na individualidade "divina", vulgo Homem Providencial, a resposta para combater as injustiças sentidas pelo "Povo".

Normalmente dá errado.

Não tenho dúvidas, convicção sustentada pelas peças jornalísticas saídas do processo, que Lula da Silva é culpado de corrupção, que a política Brasileira está apodrecida e envolvida em casos escandalosos, condenáveis não só criminalmente, como moralmente.

No entanto, a base de uma justiça saudável e confiável é a Imparcialidade do seu julgamento, o assegurar que todos, sem excepção, poderão contar com um tratamento irrepreensível da parte do julgador...

Aqui reside o problema da questão, Sérgio Moro já tinha dado indícios da sua extrema parcialidade neste caso da Lava Jato, já tinha dado sinais da sua pretensão política, aceitando entrar para o jogo político tendo sido ele parte efectiva nesse mesmo jogo que levou à eleição de Bolsonaro.

As mensagens reveladas por estes dias, expressam não só uma relação perigosa entre Juiz e Procurador, como também demonstram uma participação quase tutorial da parte do Juiz em relação ao Procurador, o que desvirtua completamente a noção isenta de Justiça.

Mais uma vez, nada que me surpreenda, apenas me indigne, pois estas pessoas nesse arrombo justicialista não se apercebem que mais do que deter um político corrupto, elas acabam por desvalorizar a sentença que o condena.

Aos olhos de quem vê este triste espectáculo, apenas a preocupante sensação de que ninguém está bem neste retrato...

Nem os corruptos que corroem as instituições políticas, nem aqueles que os deveriam julgar imparcialmente, acabando por ser cúmplices na construção de uma profunda desconfiança no sistema judicial.

E quando nem o poder político, nem o poder judicial dão respostas dignas aos anseios de uma sociedade, abrem alas para o Caos...

E do Caos nasce sempre o conflito.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

 

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