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Caneca de Letras

Caneca de Letras

12
Dez17

Já Foste Feliz?

Filipe Vaz Correia

 

Tantas vezes me questiono...

Onde será que fui feliz?

Verdadeiramente feliz...

Sentimento esse que mistura mistério, com a interrogação constante ou a busca insana pelo desejo impossível.

Tantas palavras, segredos presos à alma, momentos e instantes que se somam, sem que o tempo pare, sem que nos seja permitido voltar atrás, e novamente pintar esse quadro que eternamente fará parte de nós...

Será o nosso infinito destino.

Essa palavra, felicidade, que estranhamente rima com saudade, lugar imenso mas distante, onde ao longe, num mirifico horizonte, o tempo se encarrega de embelezar a memória.

Por vezes fica um bater mais acelerado do coração, um respirar mais ofegante por entre uma errante lágrima, por outras vezes, apenas um solitário reencontro com a perdida alma que nos completa.

É tão difícil explicar à infeliz felicidade, felicidade presente, o quão feliz estou neste instante...

Ou o quão triste estarei, por o tempo insistir em não parar...

Não ter parado.

Por vezes seria imensamente belo, parar por segundos o presente, degustando cada cor, cada cheiro, cada pedaço de nós, misturado com o contentamento maior que nos sufoca...

Seria tão bom, pedir ao futuro que aguardasse por um momento, para regressando ao passado, beijar alguém ausente nesta viagem finita.

Tantas coisas boas...

A mão segura de minha Mãe, o seu cheiro, o seu ternurento olhar...

A voz austera mas aconchegante de meu Pai, perdendo-se por entre as infindáveis histórias, que ainda hoje me moldam.

As saudades que eu tenho dos natais, em casa de meus Pais.

A praia de Odeceixe, onde passei maravilhosas férias de verão, onde me apaixonei e sorri, chorei e fugi..

Odeceixe.

Tantas e tantas vezes, tantas e tantas pessoas, tantos e tantos momentos, entrelaçados com essa palavra dificil de decifrar...

Felicidade.

Uma música a tocar, o abraço de um amigo, o beijo da pessoa amada, o olhar escondido e reflectido no espelho, só teu...

Somente teu.

Tantas e tantas vezes pensei ser feliz...

Tantas e tantas vezes me esforço por recordar que fui feliz, nestes pedaços de história, que fazem parte de mim.

Tantas e tantas vezes fui feliz...

Mas sempre passou.

Viva o futuro...

 

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

19
Out17

Um Interior de Interrogações...

Filipe Vaz Correia

 

São dias de rescaldo, estes que agora passam sobre esta imensa tragédia, que se abateu sobre todo o povo Português, por entre as cinzas de tantos e tantos mortos que tombaram nestes incêndios de 2017, sobrando a certeza e a convicção, de estarmos perante um tempo de responsabilidades mas também de futuro.

E é esse futuro que urge ponderar, aproveitando o embalo das palavras de Emmanuel Macron e do Comissário Pierre Moscovici, utilizando essa flexibilidade prometida, numa tentativa de reconstrução, de uma parte deste nosso País, que infelizmente, desapareceu.

Não deveremos apenas ponderar o reordenamento do território, a reflorestação destas terras um dia verdes, pois não me parece menos importante, debater a desertificação de uma parte deste País, abandonado à sua sorte, isolado...

Não será possível criar um plano que possa ser seguro, que possa revigorar todo um terreno, agora devastado, sem gentes, sem o vigor de um futuro, de crianças, de vidas.

O Governo, a Sociedade Civil, todos teremos de ponderar sobre esta questão, que considero uma das mais importantes, e que poderá ser a chave para um novo despertar, de um interior esquecido...

Como fazer regressar as gentes, ao interior deste nosso País?

Esta resposta, passará sempre pelas condições de vida que os jovens sintam poder alcançar, por uma certa esperança de oportunidade, que deixou de existir...

A não ser que se viva, numa grande metrópole.

Só assim, criando razões para existir futuro, voltaremos a ter gente, onde há muito, apenas existe um nada.

.

 

 Filipe Vaz Correia

 

 

21
Set17

E Agora Espanha?

Filipe Vaz Correia

 

Volto a escrever sobre Barcelona, consoante a minha estupefacção pelo caminho extremado, por onde resolveram seguir as duas partes desta discórdia...

A Catalunha de orgulho ferido, grita aos quatro ventos, a determinação em resgatar a dignidade amordaçada pelos invasores de Madrid, recuperando a figura do Generalissimo Franco como justificativa para a repressão imposta pela Guardia Civil.

Nas Calles da Catalunha nota-se a revolta, o destemido momento em que as pessoas quiseram sair à rua, para se juntarem àqueles que no seu entendimento defendiam o Ser Catalão e é aqui que poderá se confrontar, o passado e o futuro de Espanha.

Rajoy como ainda ontem escrevi, não entendeu o favor que fazia aos Independentistas Catalães, ao endurecer as medidas repressoras para com aqueles que organizavam este referendo, permitindo uma percepção de injustiça, que une...

Que contribui para a narrativa separatista.

Este caminho apocalíptico, de confronto despudorado, poderá traçar um desmembramento Espanhol, frágil em certos domínios, silenciado mas não adormecido e que reflectido nesta revolta Catalã, poderá despertar como um furacão impossível de travar.

O que esperar do País Basco perante uma Independência catalã?

Como controlar as reivindicações de outras regiões?

O futuro de Espanha joga-se neste referendo, nesta disputa entre o centralismo democrático e a vontade orgulhosa de um povo...

A Catalunha é uma das regiões mais ricas de Espanha e isso não pode ser dissociado da questão Independentista, no entanto, o esventrar dessa unidade, do Ser Espanhol, terá repercussões inimagináveis na arquitectura da Nação Castelhana.

Assim, sobrevoando toda a inquietude que por estes dias toma lugar pelas Calles da Catalunha, não será demais dizer...

Que o futuro de Espanha, será também, o resultado deste referendo.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

03
Set17

Sotaques...

Filipe Vaz Correia

 

É impressionante como certas coisas mexem com o nosso imaginário, com as nossas memórias, as mais felizes, as mais escondidas dentro de nós.

Como já aqui escrevi passei férias em Monte Gordo, local aonde volto ano após ano, há décadas, onde me sinto feliz repetindo os mesmos sitios, jantando nos mesmos restaurantes, reencontrado caras familiares...

Os mesmos toldos de praia, as mesmas vozes, os mesmos rituais.

No meio de tamanhas recordações, resgato sempre ali em terras Algarvias, uma parte do meu Alentejo, deste Alentejano, desta criança que um dia fui, sendo eternamente o mesmo...

A praia de Monte Gordo, nesta altura do ano, é invadida por famílias Alentejanas, gente boa como tantas vezes ouvi à mesa de jantar, meus Pais e Tios afirmarem, gente nossa como em tantas e tantas ocasiões, senti na vida.

É ali nesta mistura de raízes, que este Alfacinha se mistura com a alma Alentejana que sempre em mim morou, parecendo por momentos, regressar aos tempos onde corria no Monte de meus Avós, de capote e botas alentejanas, por entre o sonho de uma bela popia caiada...

Nem posso falar de popias caiadas, sem que uma lágrima me invada, nessa saudade, intrinsecamente pessoal.

Num dos meus regressos a Lisboa, há anos atrás, num café na Mimosa, encontrei abandonadas, numa prateleira empoeirada as minha popias caiadas, tradicionais, feitas em Panoias, comprei todas, amarrando-as a essas imagens que infelizmente já não existem.

No entanto, voltando a Monte Gordo e à sua deslumbrante praia, reencontro sempre naqueles toldos, por entre aqueles rostos, aquele sotaque que também é meu...

Também me pertence!

E num instante, num segundo intemporal, ano após ano, recupero o meu sotaque Alentejano, serrado, orgulhosamente assente nos antepassados que fazem de mim aquilo que sou...

Neste meu lado Alentejano recupero o rosto de minha Mãe, os desejos de meus Avós e de tantos mais, que no meu sobrenome sobrevivem.

Sinto-me Alentejano novamente, sem nunca ter deixado de o sentir, de o recordar, mas verdadeiramente, ali recupero uma parte de mim, que certamente sorri...

Através de uma felicidade inesquecível, de uma época, infância, que felizmente vivi.

Foi minha! 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

11
Jan17

Barack Obama: Um Homem e o Seu Legado...

Filipe Vaz Correia

 

Com todo o gosto assisti ao discurso desta noite de Barack Obama...

O discurso de despedida.

Obama deixou naquele palco, em Chicago, um discurso para a História, resgatando o passado, este presente e os receios de um futuro que importa vigiar.

Ao fazer esta viagem Barack Obama sinaliza para todos, o caminho percorrido e o que importa preservar.

Admiro Obama, a sua eloquência, a maneira como não tem medo de chorar, de sorrir, de chegar às pessoas e falar aos seus corações, sempre tentando criar a motivação necessária para mudar constantemente este nosso mundo.

As diferenças nos EUA entre 2008 e os dias de hoje são flagrantes, num legado carregado de conquistas principalmente na frente interna, que ou muito me engano, deixará saudades...

Obama recebeu um país com uma taxa de desemprego na ordem dos 9%, deixa hoje uma taxa de 4.7%, recebeu ainda uma indústria automóvel arrastada por uma recessão sem precedentes, que conseguiu revitalizar, encontrou Wall Street afundada numa crise histórica e devolve-a oito anos depois com o índice Dow Jones perto dos 20 000 Pontos, numa recuperação absolutamente extraordinária, ou seja quase 2 vezes e meio o valor inicial...

Resgatou e suportou parte da banca Americana que se aproximava de um abismo, evitando o seu fracasso nesta economia mundial, ao mesmo tempo que criava esse tão discutido Obamacare, permitindo hoje em dia o acesso de Milhões de pessoas a cuidados de saúde, pessoas essas que anteriormente estariam abandonadas à sua sorte nessa indústria desregulada que se tornaram, os seguros de saúde.

Obama abriu horizontes e marcou também no mundo a sua posição, na histórica aproximação a Cuba, quebrando barreiras que perduravam no tempo e criando assim, novas páginas, novos cenários, infinitas possibilidades.

O acordo de Paris, é outro trunfo de Obama, pois envolve os EUA e o mundo nesse combate dramático contra as Alterações Climáticas.

A Captura de Bin Laden fica também presa ao legado deste Presidente Americano, pelo simbolismo e pela carga emocional que representava...

Na minha opinião, o grande pecado que perdurará para a eternidade destes dois mandatos de Barack Obama, é sem dúvida o Médio Oriente e a sua falta de visão para interpretar a Primavera Árabe e os perigos que dela adviriam...

Obama demorou imenso tempo a perceber, que a estas revoluções se seguiria o caos, a anarquia, a violência, o terror, o vazio, enfim a destruição da maioria desses países, como por exemplo:

A Síria e a Líbia.

O seu apoio a este levantamento popular, deixou-o sem margem para intervir numa solução mais abrangente para aquela região...

Esse é para mim o grande erro de Barack Obama, em todo o seu percurso como Presidente.

Neste discurso, Obama deixa avisos a todos os cidadãos Americanos, incentivando-os a caminharem pelos seus próprios pés, a pensarem pelas suas cabeças, a defenderem não o legado da sua administração, mas o legado dos fundadores desse nobre País, que são os Estados Unidos da América:

A liberdade de pensamento, a tolerância, a diversidade de pessoas, de credos, de raças, de cultura.

Esse legado para Obama é mais importante do que qualquer outra coisa e foi isso mesmo que ele deixou bem claro para os Homens de amanhã, neste discurso de despedida...

Não desistam...

Não deixem de lutar, pois vocês são a mudança deste País!

Yes, we can!

 

Obrigado Barack Obama.

 

Filipe Vaz Correia  

 

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