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Caneca de Letras

Caneca de Letras

22
Fev17

Medo...

Filipe Vaz Correia

 

Esse medo que tinha de te perder;

Chegou...

Essa ausência a temer,

Ficou...

O receio a crescer,

Recordou...

Aquele pesadelo que sem saber,

Me levou,

Até à minha feliz infância...

 

Como me libertar desta dor;

Que ilude a minha expressão...

Asfixiado por tamanho temor,

Que regressa ao meu coração...

Recordando o horror,

Naquele serão...

Que não cala o amor,

Calada imaginação...

 

Sobra este medo;

As sombras desse dia...

Sobra o segredo;

Por entre a solidão que arrepia...

A intensa tristeza,

Que habita em mim...

 

Porque ainda te vejo;

Presa naquele olhar,

Que tanto me queria falar...

 E que tanto,

Eu queria abraçar!

 

 

01
Fev17

Aborto...

Filipe Vaz Correia

 

Tive o teu destino, em meu poder;

Decidi nada fazer,

Acabei por te perder,

Dei esse dinheiro, para te esquecer...

 

Fui eu que paguei;

Essa morte, a tua vida,

E achei que apaguei,

Sem apagar, tamanha ferida...

 

Era jovem, inconsciente;

Com a consciência de um cobarde,

E agora, bem presente,

Esta terrível verdade...

 

Tive medo, sem saber;

Ou talvez sabendo temer,

Que o destino não me iria perdoar,

Essa tristeza a recordar...

 

Penso sempre, neste vazio;

Que me persegue constantemente,

Esta dor, esse desafio,

De te saber ausente...

 

Como poderias ter sido;

A tua cara, minha expressão,

O orgulho hoje perdido,

Que invade o meu coração...

 

Se eu pudesse voltar atrás;

E apagar este arrependimento,

Preferia eu morrer,

Do que meu filho,

Não te ter!

 

 

 

26
Jan17

Mãe...

Filipe Vaz Correia

 

Poesia na ponta de uma pena;

Onde recordo esses sonhos,

Soltando-se em mais uma cena,

Guardada na minha memória...

 

Uma vida de sorrisos e alegria;

Recordações repletas de amor,

Dessas noites e desses dias,

Em que choro sem pudor...

 

Queira o divino e a sorte;

Que jamais tal tristeza sinta,

Que nunca mais presencie a morte,

Nem que a vida me minta...

 

Não podia permitir;

Que tal perda fosse verdade,

Mas o que poderia eu sentir,

A não ser tamanha saudade...

 

Ó triste partida;

Ó fim maldito,

Que puseste um ponto à vida,

Àquele amor infinito...

 

Ainda hoje, te vejo;

Ó minha Mãe, querida,

Ainda hoje, te beijo,

Nesse sonho, ferida...

 

Até sempre, com amor;

Mãe, com carinho,

Ninguém calará esta dor,

Do teu filho, Pipinho!

 

 

29
Nov16

Sinto a tua falta...

Filipe Vaz Correia

 

Mãe, que saudade;

De te ver, tocar, ouvir,

Desse sentimento cobarde,

De não te deixar partir...

 

Queria que o mundo me ouvisse;

Naquele grito que quero gritar,

E que nunca me fugisse,

Esse teu abraçar...

 

Aquele beijo ao adormecer;

Aquele aconchego ao chegar,

Aquele sorriso ao amanhecer,

Aquele Amor a falar...

 

Aquelas palavras que me acalentavam;

Aquele olhar de ternura,

Aqueles sonhos que sonhavam,

Sem medo ou amargura...

 

Perdi-te num instante;

Nesse segundo sempre eterno,

Nessa mágoa nunca distante,

Nesse dia, esse inferno...

 

Nunca me abandona o pensamento;

A tua morte, a tua vida,

A dor ou o sofrimento,

Dessa tua partida...

 

Chega então um sorriso;

Um eterno contentamento,

De ter contigo vivido,

Mesmo que por um breve momento...

 

Um momento para sempre nosso!

10
Nov16

Para onde foste, meu filho?

Filipe Vaz Correia

 

Apagaram a luz do meu quarto;

Sinto o ruído da solidão,

Perdido nesse som abstrato,

Que invadiu o meu coração...

 

Apagaram a luz da minha casa;

Deixei de ter com quem falar,

Quebraram-me assim a asa,

E já não consigo voar...

 

Apagaram a luz da minha rua;

Deixaram-me sem o meu viver,

Estou de alma completamente nua,

Restando-me apenas morrer...

 

Apagaram a luz da minha terra;

Não te posso mais tocar,

E assim a vida encerra,

Para mim a palavra amar...

 

Apagaram a luz do meu mundo;

Apagaram-me da vida,

Levaram o meu amor profundo,

Deixaram-me a dor sentida...

 

E assim se apagaram todas as luzes;

Porque eras tu, a minha história,

A borracha levou me o filho,

E a dor a memória.

 

 

 

 

 

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