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Caneca de Letras

Caneca de Letras

30
Dez18

Menino...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Suspenso no ar;

Numa redoma de encantar,

Vai caminhando o menino,

Buscando esse destino,

Que desmesuradamente perdeu,

Quando a ternura desvaneceu,

E lhe sobrou a tristeza,

Pedaço de dor sem beleza,

Que é solitária e ardente,

Sufocando loucamente,

Como se um dia,

Se pudesse tornar poesia...

 

E perdido o menino se encontrou;

Por entre a mágoa que chegou,

Sorrindo disfarçado,

Num desabafo entrelaçado,

Olhando para trás no tempo,

Procurando aquele momento,

Que para sempre ficou marcado,

Como o dia amargurado...

 

De tua partida.

 

 

 

 

 

 

04
Dez18

O Futebol De Regresso Ao Reino Do Leão...

Filipe Vaz Correia

 

Que grande jogo do "meu" Sporting, em Vila do Conde.

Esperava esta partida para poder ter uma ideia mais realista, deste Sporting à Keiser...

E de verdade me espantou, me surpreendeu pela qualidade, pelo ideal por trás de cada jogada, pela esperança de um "Futebol Total".

Keiser parece ter dado um sentido ao jogo da equipa, ter encontrado um rumo para retirar o melhor de cada um.

Peseiro esteve sempre errado e Keiser está a demonstrar, Frederico Varandas esteve certo em despedir o primeiro, caso o bom trabalho do segundo continue.

Há muito que não via o Sporting jogar tão bem, talvez desde o primeiro ano de Jorge Jesus, se não me engano, mas mesmo ai não se encontrava esta acutilância, este projecto de "tiki-taka" que começa a entusiasmar.

Frederico Varandas correu riscos nesta aposta mas poderá a partir dela, começar a escrever as páginas do seu mandato.

O seu, a seu dono.

E se aqui o critiquei, aqui o rectificarei...

Boa decisão, senhor Presidente.

Vamos esperar para concretizar o entusiasmo "Sportinguista" mas está difícil controlar tamanha esperança...

Tamanha crença.

Viva o Sporting

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

30
Nov18

Carinho Meu...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Dou-te a mão;

Uma vez mais,

E uma vez mais,

Parece pouco tempo...

 

Num intervalo estrelar;

Inebriada vontade,

Amarrado olhar,

Carregada saudade...

 

Dou-te a mão;

Sem hesitar,

E volto a me perder,

Em ti...

 

Pois é amor;

O que sinto;

Intenso ardor,

Faminto...

 

É nesse mundo paralelo;

Que se esconde tamanha beleza,

Nesse quadro tão belo,

Que se entrelaça a certeza...

 

Dou-te a mão;

E a alma,

O secreto coração,

Que sendo meu...

 

Só a ti pertence.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

05
Jan18

Um Singelo Gesto De Nobreza!

Filipe Vaz Correia

 

A mesquinhez humana sempre me atormentou, me deixou desconfortável...

Gente capaz de passar por cima de qualquer tipo de valores para se dar bem na vida, capazes de buscar na miséria alheia, um propósito para se sentirem melhor, com esse vazio instalado, que por vezes parece ser a única coisa que lhes sobra.

Gente assim passa pela vida em movimento, de um lado para o outro, provavelmente dando-se bem com esta forma de estar.

Não sou assim...

Não consigo gostar de gente assim.

Estava eu nos meus pensamentos, pensando sobre um ou outro caso que fui sabendo, deste exemplar de canalhice, quando uma noticia me chamou a atenção...

Uma imagem, um destemperado raio de esperança, no meio de alguns obscuros calhordas...

No México, um jovem toureiro, de seu nome Francisco Martinez, de 21 anos, ficou inconsciente depois da investida de um Touro, ficando inanimado na arena à mercê do animal.

O seu irmão Felipe, que assistia à lide de Francisco, num gesto heróico e irreflectido, saltou para a arena, protegendo o corpo de seu irmão com o seu, deitado sobre ele, servindo-lhe de escudo.

Depois de tudo isto, Felipe ficou com um dedo da mão partido e umas costelas magoadas, enquanto Francisco recuperado e com apenas alguns traumatismos, conseguiu terminar a corrida.

Este exemplo, pejado de beleza, carrega consigo a dimensão Humana, a nobreza inerente ao sentir, à força de um leal sentimento, puro, maior do que os medos e receios.

Depois de ler a reportagem deste caso, no Jornal A Marca, voltei a pensar no contraste entre um gesto de nobreza e um singelo calhorda...

Continuo a ter esperança que a nobreza, possa sempre vencer.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

05
Set17

O Silêncio...

Filipe Vaz Correia

 

O silêncio da noite entra pela janela da sala, baixinho, silenciosamente discreto, parecendo querer sentar-se perto de mim, sem ser notado...

Esse silêncio que acompanha os meus pensamentos, os anseios reflectidos em meus olhos, meio desabafo da alma, diante da agitação plasmada em cada noticia, a cada ameaça que parece irromper por esse mundo fora.

Crise nuclear ou atrevimento da loucura, fogo e chamas ou esgotamento de um País, protestos e greves ou simplesmente a gritaria sindical...

Tantas e tantas vozes, relatos de angústias e horrores, de receios e temores, de intrigas e suspeitas, tantas e tantas inusitadas ameaças, anunciadas.

E o silêncio da noite, esse silencioso desejo que seduz, que convida a alma a serenar...

Cedo a esse desejo e desligo a televisão, deixando a China e Trump do outro lado da tela mágica, deixo os políticos e os debates calados, mudos.

Serenamente, volto a escrever, desabafar num momento meu, apenas meu, ou seja, tentar reencontrar nesse silêncio um pedaço de esperança.

Porque é apenas isso, que a todos nos resta...

A esperança bem escondida, no silêncio de uma noite qualquer.

Pois é essa esperança que nos torna, Humanos.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

09
Jun17

A Estranha Beleza De Amar!

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Estranhas as linhas da tua mão;

Que se cruzam para além do tempo,

Com o bater deste meu coração,

Inebriante sentimento...

 

Estranha vontade de voar;

Por entre a imensidão deste mundo,

Descobrindo sem parar,

Toda a beleza num segundo...

 

Estranha querença imperfeita;

Imperfeição verdadeira,

Uma lágrima desfeita,

Aguardando a inteira,

Esperança de viver...

 

Estranha incerteza;

Na gigantesca certeza,

Do meu amor,

Por ti!

 

 

 

27
Mai17

Luar!

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Não fiques triste;

Só porque a tristeza insiste,

Em te mostrar que existe,

Essa dor que não desiste,

De te magoar...

 

Não penses que eternamente;

Essa desilusão que sentes,

Te irá penosamente,

Aprisionar para sempre,

Só porque esse destino não era eterno...

 

Não deixes que a escuridão;

Reaparecida na imensidão,

Deslumbrante ilusão,

Te roube do coração,

A esperança...

 

E de mansinho, devagar;

Com a noite a entrar,

Talvez possas voltar a acreditar,

Que aquele cintilante luar,

Refletido no teu olhar...

 

É o teu futuro a chegar!

 

 

 

 

 

 

25
Mai17

Vidas Suspensas...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Vidas colhidas;

Dormentes feridas,

Esperanças perdidas,

Vozes doridas,

Mágoas sentidas,

Jamais esquecidas.

 

Instante de horror;

Explosão sem pudor,

Roubando esse amor,

Num gesto de terror,

Maldito usurpador,

De tantas almas inocentes.

 

E em cada lágrima por chorar;

Em cada filho por encontrar,

Fica esse ódio a recordar,

O infame acto que veio roubar,

O direito de sonhar,

Com esse futuro por chegar...

 

Fica então o silêncio;

O intemporal desgosto,

Esse vazio imposto,

Em cada rosto,

Daqueles que estando vivos,

Morreram também.

 

 

 

 

25
Fev17

A Barcaça da Esperança!

Filipe Vaz Correia

 

 

Uma jangada molhada, cheirando o medo que se apoderou de todos nós, daqueles desventurados que impelidos por essa vontade maior, não deixaram de acreditar.

Os olhares baixos, cerrados, apenas ouvindo o bater daquela ondulação, dessas ondas de esperança que amiúde chegam, levando com elas esse futuro que anseio encontrar.

Ao meu lado uma jovem mulher, com um lenço à volta da cintura, onde adormece aquele menino, seguro, nos braços de sua mãe...

A noite se apodera do nosso destino, os sons que se calaram no meio de tantas bocas, ali fechadas, cumprindo as ordens, daqueles rudes mercenários, que nos guiam perante a incógnita escondida, desta lotaria a que chamamos de vida.

O barulho do motor é o único ruído permitido, naquela imensidão ruidosa, compassadamente reunida por entre o silêncio de tantos medos, que insistem em ficar...

Deixei tanto para trás...

Tanta miséria, tamanha fome, desespero e lágrimas mas também o amor por minha mãe, banhada na intranquila saudade, que já sentia antes mesmo de eu partir, a voz emocionada do irmão que ensinei a caminhar, os amigos que escolheram a certeza de ficar, no mesmo lugar, na mesma violenta obrigação de ceder à vontade, de algo melhor.

- Calados! Ouvia se a voz daquele homem com os olhos encovados e o rosto marcado pelas cicatrizes, de uma vida de contrabando...

Luzes apareciam ao longe, distantes e ao mesmo tempo, cada vez mais perto, mais presentes, no desespero que se instalava...

Por incrível que pareça, só ali no meio daquele mar, pela primeira vez se apoderou de mim, este pensamento de que era possível algo correr mal...

Algo impedir o mirífico momento em que pisasse terra firme, neste sonho por cumprir, chamado:

Europa!

Um tiro e depois outro...

Um grito e depois muitos outros...

Um terramoto naquela noite sombria, que irrompia sem cantar as doces fábulas da minha eterna esperança.

Abanava a barcaça...

Abanavam a barcaça, qual casca de noz engolida por aquelas ondas que aparentavam ser maiores do que o céu estrelado que por cima de nós, silencioso, observava.

Pés pisavam o meu rosto, sensação de um desgosto que ainda não chegara, mãos que insistiam em me prender os movimentos, sacudindo essa mistura de sentimentos, gritando em mim, vozes sem fim, nesse salto que nunca quis dar...

E no meio desse salto, amarrado àquela barcaça de esperança, entre vozes e mar, cai naquela água gelada, naquele negrume refletindo a noite, na calmaria que outrora ali estivera.

Vozes cada vez mais silenciosas, ruídos cada vez menores, engolidos na imensidão daquele mar.

Misturava me com aquela água, que me envolvia, circundava, seduzindo-me numa espécie de abraço que me esmagava o coração, acelerado, desnorteado, desiludido...

Adormeci, deixei-me levar, desaparecendo nas profundezas solitárias, gélidas e salgadas, deixando enfim, que o destino tomasse conta deste seu filho...

Até que uma mão me agarrou, resgatou, nessa distância que parecia minha, só minha...

Ao respirar novamente, o mundo chegou até mim, acordou-me, despertou novamente os meus sentidos, a minha eterna gratidão.

Mas ao olhar em meu redor, apercebi-me, que no meio de tantos gritos, de tantas vozes, de tantos olhares, de tantas vidas, de tamanha esperança...

Apenas eu, sobrevivi!

E agora, aquela barcaça de esperança, era apenas eu...

O legado de tantas almas, com os sonhos perdidos nesse mar.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

31
Jan17

Esperança...

Filipe Vaz Correia

 

Senhora Dona Esperança;

Já não a vejo faz tempo,

Desde que era criança,

E não entendia o sofrimento...

 

Esperança vã do meu coração;

Curiosa e sem maldade,

Que um dia virou ilusão,

De uma enorme saudade...

 

Esperança maldita, infeliz;

Que busco sem te encontrar,

Num caminho que sempre quis,

Sem saber como caminhar...

 

Esperança, guardada em meus olhos;

Esses que me fazem chorar,

Por tudo o que à volta vejo,

E sofro sem falar...

 

Esperança escondida, emboscada;

Cercada por tantas mentiras,

Que não consegues ser achada,

No meio de tantas feridas...

 

Esperança, não te quero perder;

Quero agarrar-te com a minha alma,

Prender-te sem sofrer,

E amar-te eternamente...

 

E se um dia te encontrar;

Esperança que me fazes sonhar,

Juro nunca deixar,

De te sorrir, ao acordar...

 

 

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