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Caneca de Letras

Caneca de Letras

24
Mai19

Camões e Chico: Uma Infindável Dança Poética...

Filipe Vaz Correia

 

Chico Buarque da Holanda venceu o Prémio Camões 2019...

Ao receber esta notícia senti aquela sensação de pertença que só os grandes génios conseguem transmitir.

Não poderia estar mais distante de Chico Buarque ideologicamente, no sentido político da coisa, pensando diferente, sentindo diferente, posicionando-me quase sempre nas antípodas do seu pensamento político.

No entanto, a arte tem destas coisas, a mistura da beleza e pureza de um artista é fazer encurtar etapas, amarrar proximidades, entrelaçar sentimentos de forma discreta mas intensa, certa mas carregada de uma incerteza que nos faz suster a respiração.

Chico Buarque era ouvido em minha casa, nesse local conservador mas sempre aberto à genialidade de todos, com precisão, com insistência, com um intemporal gosto que até hoje me persegue.

Nesse berço, que era o meu, Chico foi Rei, acompanhado por Vinicius, Drummond de Andrade, Caetano, Bethânia, Elis Regina, entre outros que nos chegavam do outro lado do Atlântico, brindando através da língua Portuguesa  a esse esplendor maior de escrevinhar.

Parabéns Chico Buarque...

Parabéns Poeta.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

12
Jan19

Beijo Na Alma...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Uma partilha de dor;

Dolorido tormento,

Num momento, um ardor,

Noutro sofrimento,

Caminhando sem pudor,

Despudoradamente ao vento...

 

Por entre a ventosa timidez;

Que insiste em chegar,

Com tamanha desfaçatez,

Se amarra ao olhar,

E de quando em vez,

Se atreve a magoar,

Esse vazio sem tamanho...

 

Porque é vazio;

O que esburacado permanece,

O que do outro lado de um rio,

Levemente se entristece...

 

Porque é vazio;

O que sem sentido,

Fere,

O que proibido,

Mata,

O que desmedido,

Transborda...

 

Seja loucura ou ternura;

Sede ou amargura,

Desejo ou aventura,

Fel ou candura...

 

E da salgada maresia;

Vai fugindo a mais doce lágrima,

Como letra em poesia,

Como beijo na alma.

 

 

 

 

25
Set18

Linhas, Traços, Desenhos E Rabiscos...

Filipe Vaz Correia

 

Escrever uma carta nem sempre é fácil, ficando pelas entrelinhas, tantas vezes, letras perdidas, palavras meio feridas e moribundas ideias que permanecerão soltas por entre o papel.

A cada linha se encontram virgulas e "entretantos", desconexas vontades...

Em cada parágrafo uma mudança de linha que nem sempre representa uma mudança de texto, de sentir, de querença.

Por entre a tinta que acarinha cada palavra se entrelaçam gritos e silêncios, memórias e saudades, jamais desnudadas por completo.

A complexidade de escrever uma carta, quando ela se pinta da mesma cor da alma ou segreda o que habita no coração, será esse desvendar do Ser, esse despir da tímida alma.

Num abraço em forma de desenho ou num carregado adeus desenhadamente derradeiro, se perde a temporalidade que se transformará nessa intemporal inevitabilidade...

Da intemporalidade do que escrito está.

É assim mais difícil, por vezes, escrever do que gritar...

Falar com esse espelho de nós mesmos que se reflecte a cada instante quando revês o que se foi libertando de ti, ganhando forma, cor, intensidade.

E como por vezes é belo?

Outras dolorosamente belo?

Outras ainda...

Apenas vazio.

E assim neste desabafo em forma de carta se revê a tímida desesperança, carregada da imensa esperança que se prende a quem escreve...

Numa carta repleta de linhas, traços, desenhos e rabiscos, salpicados com uma pitada de poesia.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

17
Set18

Voando Pelas Estrelas!

Filipe Vaz Correia

 

Olho para as estrelas...

Só.

Com o cair da noite, vislumbro em cada uma delas pequenos momentos tão meus, alguns que esforçadamente gostaria de esquecer mas que se avivam, assim como, aviva a tamanha dor que se prende à memória, desgostosamente reluzente em cada pedaço de luz que nessa noite me preenche.

Mas também sorrisos, momentos imprecisos, melodias desafiantes, beijos asfixiantes, abraços inebriantes, querer...

Esse querer que apenas naquele momento, nesse pedaço de tempo em que suspenso parece estar o mundo, soletra devagarinho um silêncio profundo transformado em ruído...

Silencioso ruído dos nossos corações.

Como parece simples escrever, deixar o coração soletrar estas palavras...

Este conjunto de frases que insistem em soltar-se e nelas esvoaçar a imensa vontade de dizer que te amo.

Olho para as estrelas...

Só.

Sorrindo desmedidamente somente porque na minha memória permanece intacto esse cheiro teu, esse sabor teu, esse entrelaçar tão nosso.

E nessa memória...

Tudo será intemporal, meu amor.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

10
Mai18

Tantas Estrelas...

Filipe Vaz Correia

 

Todas as estrelas caídas no chão, transformadas em pedra da calçada, sem brilho, sem luz, sem vida...

Todas as estrelas do céu se desprenderam, perderam as invisíveis asas que as sustentavam ali em cima, no alto dos sonhos, tão perto de Deus.

O vento intensificava a sua vontade, arremessando a saudade de um brilho que se esfumou, extinguiu.

A escuridão abraçava o horizonte, carregando de desesperança o olhar de todos, os que sem pressa, se afundavam no breu...

Num breu desesperante que insistia em arrancar dos silêncios, o injustificado sentido desse destino.

Caminhei por entre esse silêncio, por entre tantas estrelas mortas, mortificadas, esquecidas desse sentido que outrora parecia eterno.

Como não chorar, deixando que dentro de mim se liberte a inesperada razão, para que continue a bater esse coração meu, perdido por entre as estrelas que insisto em descrever...

Por entre o brilho ausente que insisto em referir...

Por entre essa estranha dor que aumenta sem parar, que não pára de aumentar, que desmedidamente me sufoca sem silenciar o grito surdo de tamanho abismo...

Como?

Caminhei sem olhar para trás...

Como se lá atrás, ficasse guardada eternamente a mágoa, a indiferença de erros e contradições, de desejos perdidos, perdidamente apaixonantes.

Nada poderia mudar, nem o brilho das minhas estrelas resgatar...

Nada.

Continuei a caminhar, olhando para o céu, despido de tudo, coberto de nada, dos tamanhos nadas que constroem esta história...

Tantas historias que ficando por escrever, poderiam aqui encaixar.

Talvez um dia o meu céu volte a brilhar, a ter estrelas nele a cintilar, mas até lá...

Vou continuar a sonhar.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

18
Jan18

Um Mundo De Sabores E Palavras...

Filipe Vaz Correia

 

Nada é mais terapêutico do que cozinhar...

Ou melhor, nada é mais terapêutico do que escrever...

Adoro cozinhar, aquele singelo momento em que um conjunto de alimentos, misturados de acordo com a tua imaginação, acabam numa combinação perfeita, imprevisível, deslumbrante.

Umas simples favas transformadas em sabor alentejano, uma bela feijoada despertando o palato para danças imperfeitas, um insignificante hambúrguer, envolvido em mozzarella e tomate, deslizando por entre um piscar de olhos.

Um texto é também isso, um desafiar da folha em branco, a procura por um momento de inspiração, mesclado com a vontade de ousar, opinar, observar despudoradamente, despudoradamente questionando.

Um prato vazio, despido de sabores, é o sinonimo da folha em branco, esse questionar constante, interrogar opinativo da alma.

Adoro cozinhar, adoro escrever...

Mas o que verdadeiramente me dá um gosto imenso, é sentir no olhar daqueles que provam um singelo prato, ou lêem um tímido texto, o significado de tais iguarias, ou de tão hesitantes palavras.

E por entre um cozinhado ou uma sopa de letras, apresentada nesta Caneca de emoções, me realizo, realizando os simples anseios, de mim mesmo.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

01
Nov17

Caneca de Letras: Um Ano Depois!

Filipe Vaz Correia

 

Um ano depois...

Precisamente há um ano, comecei esta aventura a que chamei de Caneca de Letras, um pedaço de mim em forma de blog, mistura de opiniões e desabafos, de contos e poemas, de lágrimas e alma.

Um ano de linhas e palavras, post diários, quase sem falhas, sem obrigação apenas dedicação, vontade intrínseca ou compulsiva de escrever e partilhar.

Escrever é uma parte significativa de mim, uma espécie de lado lunar da alma, de bater descompassado do pensamento.

Comecei a medo, sem saber como fazer ou o que escrever...

Em primeiro lugar, quero agradecer a toda a equipa do Sapo, pelo carinho e atenção que sempre deles senti, pelos destaques, pela experiência única de me sentir apreciado, acarinhado.

Ao longo deste ano, muitas foram as pessoas que marcaram este espaço, muitas aquelas que não conhecendo as senti como minhas...

O primeiro favorito, Does a Name Matter, os primeiros comentários da minha querida Roxie, do meu querido Anjinho ou do sempre presente Anónimo em Lisboa. 

O tempo passou e a família do Caneca de Letras foi crescendo, foram chegando novas pessoas, refrescantes opiniões, repetidas visitas:

O Último Fecha a Porta, Robinson Kanes, Ventania, A Desconhecida, Mami, Cheia, Beia Folques, A Rapariga Do Autocarro, Sérgio Ambrósio, David Marinho, MJ, Andreia, Terminatora, A Lady, Travellight World, Pedro Rodrigues, Malik e tantos outros.

Um ano de encontros e reencontros, de gentes e gestos, de memórias e desejos.

Sempre guardei para mim o que me ditava a alma, envergonhada maneira de me expressar...

Ao expor a minha escrita nesta Caneca, acabei por desnudar essa vergonha que asfixiava a minha inquieta vontade de dar asas à imaginação.

Um ano...

Um ano de amizade, velhos reencontros, histórias perdidas, pedaços de vidas que já me havia esquecido.

Um agradecimento especial  a um dos meus mais fiéis leitores:

O meu Tio Jaime.

Por fim, mas certamente a parte mais importante, agradecer a infinita paciência da minha querida mulher, que vezes sem conta, ouve atentamente poesias ou prosas, antes de as publicar...

Repetidamente, vezes sem conta.

Obrigado a todos e que venha mais um ano desta Caneca, impregnada de sonhos e Letras.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

07
Out17

Memórias...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Um olhar prisioneiro;

De um desgosto pistoleiro,

Divida por inteiro,

De um destino traiçoeiro,

Roubando sem receio,

O sonho derradeiro...

 

Uma despedida apressada;

Palavras desesperadas,

De amor carregadas,

Tristezas bem guardadas,

Na alma magoada,

Calada...

 

Silenciosa vontade;

Desgraçada verdade,

Maldita saudade,

Que regressa sem idade,

Ao momento, eternidade,

Em que te perdi...

 

E nesse olhar;

Volto a guardar,

As memórias a recordar,

Desse teu eterno amar,

Em mim...

 

E por ti;

Fica em cada lágrima minha,

Uma devoção imensa,

Um segredado desabafo,

Deste meu coração,

Para sempre teu.

 

 

 

 

 

 

07
Out17

O Lado Poético Da Minha Alma...

Filipe Vaz Correia

 

O lado poético da minha alma ou a inenarrável vontade de poetizar, as imensas coisas que vejo...

As coisas que imensamente sinto.

Adoro escrever, é algo que faço de forma compulsiva, que está inerente a mim mesmo, no entanto, nada me faz mais feliz do que desabafar em verso, aproveitando o tempo para me perder por entre rimas, indecifráveis interrogações que ganham vida no papel, no computador, na infinita memória.

A poesia, esse gosto herdado de minha Mãe, também ela uma escrevinhadora compulsiva, que insistentemente desabafava no papel, alegrias e tristezas, memórias e esquecimentos, desgostos e amargas contradições de uma vida...

A sua vida.

Sempre de maneira poética, rima após rima, verso atrás de verso, como se tudo ficasse mais belo em cada poesia, por força da expressão harmoniosamente poética, deste mistério que é a vida.

Por vezes sinto, de olhos bem fechados, que as palavras se formam descontraidamente, num gigantesco mundo, ruidoso momento libertário, conjugando ideias, buscando trilhos para as imagens que se querem abraçar, numa construção de emoções, de medos e anseios, reflexos ou desejos, explanados disfarçadamente...

Delicadamente.

Para mim, um poema é essencialmente a entrega absoluta da alma, da nossa ou daqueles que através da nossa imaginação, parecemos saber descodificar...

Em cada poesia, através de cada uma, parece num instante que a tristeza pode ser bela, a dor adormecida, a mágoa entrelaçada, e a magia...

A magia de unir todas as pontas de uma canção, numa folha de papel, em quadra, em verso, em descompassados instantes de um coração.

Viva a poesia.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

17
Dez16

Segredo...

Filipe Vaz Correia

 

Tenho um segredo;

Algo guardado na minha alma,

Uma estrela com medo,

Com receio de brilhar...

 

Tenho um segredo;

Escondido dentro de mim,

Nunca antes revelado,

Nunca antes adivinhado...

 

Segredo este que tenho;

Que faz parte do meu ser,

Fugindo ao meu destino,

Sonhando com o meu querer...

 

Desejo, sentido, distante;

Escondendo o que o meu coração me diz,

Fazendo de mim emigrante,

Numa terra que nunca quis...

 

Renego-te, ó segredo;

Deixa-me ser livre e sonhar,

Pois com o teu peso nos meus ombros,

Não consigo mais caminhar...

 

E então segredo meu;

Quem sabe um dia me libertes,

Ou talvez se eu te libertar,

Me deixes um dia voar!

 

 

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