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Caneca de Letras

Caneca de Letras

18
Jan18

Um Mundo De Sabores E Palavras...

Filipe Vaz Correia

 

Nada é mais terapêutico do que cozinhar...

Ou melhor, nada é mais terapêutico do que escrever...

Adoro cozinhar, aquele singelo momento em que um conjunto de alimentos, misturados de acordo com a tua imaginação, acabam numa combinação perfeita, imprevisível, deslumbrante.

Umas simples favas transformadas em sabor alentejano, uma bela feijoada despertando o palato para danças imperfeitas, um insignificante hambúrguer, envolvido em mozzarella e tomate, deslizando por entre um piscar de olhos.

Um texto é também isso, um desafiar da folha em branco, a procura por um momento de inspiração, mesclado com a vontade de ousar, opinar, observar despudoradamente, despudoradamente questionando.

Um prato vazio, despido de sabores, é o sinonimo da folha em branco, esse questionar constante, interrogar opinativo da alma.

Adoro cozinhar, adoro escrever...

Mas o que verdadeiramente me dá um gosto imenso, é sentir no olhar daqueles que provam um singelo prato, ou lêem um tímido texto, o significado de tais iguarias, ou de tão hesitantes palavras.

E por entre um cozinhado ou uma sopa de letras, apresentada nesta Caneca de emoções, me realizo, realizando os simples anseios, de mim mesmo.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

01
Nov17

Caneca de Letras: Um Ano Depois!

Filipe Vaz Correia

 

Um ano depois...

Precisamente há um ano, comecei esta aventura a que chamei de Caneca de Letras, um pedaço de mim em forma de blog, mistura de opiniões e desabafos, de contos e poemas, de lágrimas e alma.

Um ano de linhas e palavras, post diários, quase sem falhas, sem obrigação apenas dedicação, vontade intrínseca ou compulsiva de escrever e partilhar.

Escrever é uma parte significativa de mim, uma espécie de lado lunar da alma, de bater descompassado do pensamento.

Comecei a medo, sem saber como fazer ou o que escrever...

Em primeiro lugar, quero agradecer a toda a equipa do Sapo, pelo carinho e atenção que sempre deles senti, pelos destaques, pela experiência única de me sentir apreciado, acarinhado.

Ao longo deste ano, muitas foram as pessoas que marcaram este espaço, muitas aquelas que não conhecendo as senti como minhas...

O primeiro favorito, Does a Name Matter, os primeiros comentários da minha querida Roxie, do meu querido Anjinho ou do sempre presente Anónimo em Lisboa. 

O tempo passou e a família do Caneca de Letras foi crescendo, foram chegando novas pessoas, refrescantes opiniões, repetidas visitas:

O Último Fecha a Porta, Robinson Kanes, Ventania, A Desconhecida, Mami, Cheia, Beia Folques, A Rapariga Do Autocarro, Sérgio Ambrósio, David Marinho, MJ, Andreia, Terminatora, A Lady, Travellight World, Pedro Rodrigues, Malik e tantos outros.

Um ano de encontros e reencontros, de gentes e gestos, de memórias e desejos.

Sempre guardei para mim o que me ditava a alma, envergonhada maneira de me expressar...

Ao expor a minha escrita nesta Caneca, acabei por desnudar essa vergonha que asfixiava a minha inquieta vontade de dar asas à imaginação.

Um ano...

Um ano de amizade, velhos reencontros, histórias perdidas, pedaços de vidas que já me havia esquecido.

Um agradecimento especial  a um dos meus mais fiéis leitores:

O meu Tio Jaime.

Por fim, mas certamente a parte mais importante, agradecer a infinita paciência da minha querida mulher, que vezes sem conta, ouve atentamente poesias ou prosas, antes de as publicar...

Repetidamente, vezes sem conta.

Obrigado a todos e que venha mais um ano desta Caneca, impregnada de sonhos e Letras.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

07
Out17

Memórias...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Um olhar prisioneiro;

De um desgosto pistoleiro,

Divida por inteiro,

De um destino traiçoeiro,

Roubando sem receio,

O sonho derradeiro...

 

Uma despedida apressada;

Palavras desesperadas,

De amor carregadas,

Tristezas bem guardadas,

Na alma magoada,

Calada...

 

Silenciosa vontade;

Desgraçada verdade,

Maldita saudade,

Que regressa sem idade,

Ao momento, eternidade,

Em que te perdi...

 

E nesse olhar;

Volto a guardar,

As memórias a recordar,

Desse teu eterno amar,

Em mim...

 

E por ti;

Fica em cada lágrima minha,

Uma devoção imensa,

Um segredado desabafo,

Deste meu coração,

Para sempre teu.

 

 

 

 

 

 

07
Out17

O Lado Poético Da Minha Alma...

Filipe Vaz Correia

 

O lado poético da minha alma ou a inenarrável vontade de poetizar, as imensas coisas que vejo...

As coisas que imensamente sinto.

Adoro escrever, é algo que faço de forma compulsiva, que está inerente a mim mesmo, no entanto, nada me faz mais feliz do que desabafar em verso, aproveitando o tempo para me perder por entre rimas, indecifráveis interrogações que ganham vida no papel, no computador, na infinita memória.

A poesia, esse gosto herdado de minha Mãe, também ela uma escrevinhadora compulsiva, que insistentemente desabafava no papel, alegrias e tristezas, memórias e esquecimentos, desgostos e amargas contradições de uma vida...

A sua vida.

Sempre de maneira poética, rima após rima, verso atrás de verso, como se tudo ficasse mais belo em cada poesia, por força da expressão harmoniosamente poética, deste mistério que é a vida.

Por vezes sinto, de olhos bem fechados, que as palavras se formam descontraidamente, num gigantesco mundo, ruidoso momento libertário, conjugando ideias, buscando trilhos para as imagens que se querem abraçar, numa construção de emoções, de medos e anseios, reflexos ou desejos, explanados disfarçadamente...

Delicadamente.

Para mim, um poema é essencialmente a entrega absoluta da alma, da nossa ou daqueles que através da nossa imaginação, parecemos saber descodificar...

Em cada poesia, através de cada uma, parece num instante que a tristeza pode ser bela, a dor adormecida, a mágoa entrelaçada, e a magia...

A magia de unir todas as pontas de uma canção, numa folha de papel, em quadra, em verso, em descompassados instantes de um coração.

Viva a poesia.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

17
Dez16

Segredo...

Filipe Vaz Correia

 

Tenho um segredo;

Algo guardado na minha alma,

Uma estrela com medo,

Com receio de brilhar...

 

Tenho um segredo;

Escondido dentro de mim,

Nunca antes revelado,

Nunca antes adivinhado...

 

Segredo este que tenho;

Que faz parte do meu ser,

Fugindo ao meu destino,

Sonhando com o meu querer...

 

Desejo, sentido, distante;

Escondendo o que o meu coração me diz,

Fazendo de mim emigrante,

Numa terra que nunca quis...

 

Renego-te, ó segredo;

Deixa-me ser livre e sonhar,

Pois com o teu peso nos meus ombros,

Não consigo mais caminhar...

 

E então segredo meu;

Quem sabe um dia me libertes,

Ou talvez se eu te libertar,

Me deixes um dia voar!

 

 

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