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Caneca de Letras

Caneca de Letras

04
Jul20

O Amor...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

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O amor, esse pedaço de tudo que se transforma em respiração, em toque e sobressalto, em olhar perdido que se entrelaça no silêncio, em partilha intensa desmedidamente entregue.

O amor, palavra sacra e vã, tantas vezes atirada para o ar nesse querer que se torna mundano, nesse vazio impreciso tornado verdade, no entanto, no seu sacro esvoaçar se eterniza, em escassos momentos, raros amantes, por entre vidas...

Vidas distantes, tornadas uma só nessa entrelaçada explicação da alma, do terno e sensível coração.

O amor de Shakespeare, de todos os Shakespearianos, se esconde desencontrado nas estradas poeirentas e mundanas do destino, é escrevinhado a pena, desenhando letras que num ápice se fundem, num precioso e raro instante.

Nesse amor, o sacro, raro, floresce a inexplicável vontade de amar, esse entrelaçar de dedos que fortalece, esse quebrar de barreiras que solidifica, esse saber maior que nos une.

Amor, tamanho amor que bate e pulsa, que grita e se torna em melodia, que fundido num abraço nos torna um só.

Desse amor, o das imortais Odes, poucos serão os comuns mortais a o experimentar, salpicando as suas vidas nessa busca vã do nada que sobra.

Para as imortais almas que sobrevivem ao desgaste do tempo, que insistem nessa busca entre vidas, procurando incessantemente aquele eterno momento, onde pela primeira vez o sol insistiu em quebrar a barreira dos céus...

Para esses, os raros de Shakespeare, o tempo não passa, o toque não se perde, o cheiro não desaparece, o abraço é igual ao da tamanha descoberta.

Para esses, tudo é singelamente belo, nesse infinito olhar que tudo sabe, soletra, soletrando poeticamente a incerta certeza de um desmedido amor.

E viagem após viagem, no preciso sorriso desse desencontrado encontro, se repetirá, todas as vezes, a primeira.

A infindável primeira vez, naquele entrelaçado olhar que nos uniu...

Num inexplicável unir de almas.

 

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

25
Jun20

Uma Estrada Chamada De Destino...

Filipe Vaz Correia

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A melodia invade, os acordes ecoam, as palavras se cruzam, tanto e tamanho o confuso encruzilhar de querer que acaba por desvanecer...

Nos acordes de uma poesia, tristonha e desconexa, se encontram os enigmas sombrios de pequenas questões, desenhos uniformes carregados de estupidez.

No olhar perdido daqueles que se tornam parte de mim, vejo reflectido esse absurdo narrativo do que parece inverosímil...

As arestas por limar dos que se atrevem a viver.

Por entre as melodias, os arrebatados passos, os entrelaçados gestos de hesitação...

Buscarei sempre essa verdade que se tornará indispensável.

De mãos dadas, sem medos, viverei novamente os arrepios, calafrios, interrogações constantes somadas às incongruências do tempo.

Pode ser mais fácil gritar...

Mas o grito será sempre parte desse libertador acto de resistência.

E a pueril parte de mim se envergonha, se intimida, se perde nas entrelinhas de um traço que parece definitivo.

Contínuo a viver...

Vida após vida.

Um abraço

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

19
Jun20

Ziguezagueante...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

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De cada vez que olho para aquela criança perdida, com medo, seus medos, sinto que numa aguarela sentida se pincela a contradição Humana, esses receios que nos moldam, se agigantam e nos fazem caminhar por estradas diferentes.

Nesse rumo ziguezagueante, se somam as cicatrizes armazenadas na alma, aquelas secretas lágrimas que sobram, marcam, ficam...

Em silêncio, silenciosamente sussurradas nas noites frias em que a luz apagada anunciava monstros e urros, trevas e pânico.

O abrigo maior, esse abraço quieto e acolhedor, chegava, nem sempre antes do estremecer da alma, no entanto, retemperador e pacificador dessa inquietação maior.

Num olhar da janela da imberbe experiência, a correria que parecia calmaria, o serpentear de palavras e ideias confusas, complexas que amarravam a respiração, num entediante jogo de semáforos, onde se descrevia o correcto e o incorrecto.

Aprendizagens...

De cada vez que olho para aquela criança perdida, à espera do tempo, recordo o aprender constante, o moldar presente, num percorrer sem parar de uma construção imperiosa da personalidade.

Esconder medos, afastar fantasmas, tomar as rédeas de tanto sem que o tempo permitisse os tropeços num puzzle cristalino e irrequieto.

Será sempre assim?

Julgo que sim...

O medo de perder, desse perder que chega, daqueles que nos pertencem, dos que ainda não chegaram, dos que partindo se desapegaram de nós.

A criança perdida com medo de crescer, dessa pressa descrita num texto de um estimado amigo...

Olho para trás, em busca dessa criança, desse olhar pueril que outrora ambicionava querer, desejando não temer o que temendo, se guardava nas entranhas da esperança.

Olho tantas vezes para trás...

Os dias percorrem o seu destino, o nosso, nesse passo atrevido e vazio, nesse vazio a passo buscando o atrevimento solto de um tempo por resgatar.

São as palavras, nesse enredado pedaço de tela, que se atrevem a descodificar com tempero o piscar de olho, o suspiro profundo, o sorriso matreiro ou a despedida hesitante...

São elas, as palavras, que se atrevem a traduzir o que esconde o olhar, esse guardião da alma, esse bater literal do coração, esse regente secreto da memória.

De cada vez que olho para essa criança perdida, sinto as saudades de tudo, de tanto, daquilo que sonhei sonhar, das conversas e risadas pelas madrugadas, do nexo e reflexo por mais complexo que possa parecer.

Um dia...

Nas entrelinhas da memória, num encontro desconexo, talvez volte a encontrar essa criança, numa outra vida, pedaço solto de todos os pedaços de lembrança, num outro ambicionado destino.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

17
Jun20

Vai Voando...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

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Poema, poesia

contraditória superação

na inglória vontade 

deste entrelaçado coração

que sobe e desce

corre e sussurra

tropeça e cresce

sem saber

que atrás se esconde

outra vez

o mesmo abismo.

 

Um, dois, três

escrevinha o poeta

de pena ao vento

despejando a secreta

forma de tormento

que esmaga e penetra

o tortuoso sofrimento.

 

vai voando

por entre a imaginação

a doce melodia

buscando a entoação

no piano, velharia 

encostado ao canto da janela.

 

vai voando

sem parar

vai sonhando

a cantar

vai voando

mais perto do sol

dos Deuses

do nada que se transforma na imensidão de tudo.

 

vai voando

pequeno poeta

sem medo de voar

pois a queda será certa

tão certa como derradeiro esvoaçar.

 

vai voando.

 

 

 

 

16
Jun20

Fará Sentido Sentir?

Filipe Vaz Correia




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Nas entrelinhas das estrelas

voam soltas

pequenas partes da memória

vagabundeando sem cerca

aperto ou ferida

os laços de uma história

soterrada na vontade

de cada um...


na desapegada saudade

sobrevivem recordações

de tempos idos

palavras desaparecidas

amores perdidos

almas esquecidas...


e voltando atrás

escreveria novamente a mesma carta

partindo rumo ao destino

sabendo que ao chegar

vazio estaria o lugar

do prometido mar que jamais chegou...


mas o que fazer

se o coração não aprende

a soletrar cada letra dessa sorte

desespero ou morte

no ferido desapego

da infinita liberdade

de amar.


27
Mai20

O Livre Pensamento Ou A Querença De Saber?

Filipe Vaz Correia

 

 

 

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Nada para mim tem tanto valor quanto a lealdade, esse sentir em desuso mas que nesta alma minha ganha cada vez mais força.

Foi assim que me construí, enquanto pessoa, nessa caminhada que se tornou vida.

Estou mais velho, cada vez mais velho, sendo que a idade no BI ainda me confere o estatuto de um velho jovem, ou seja, aquele que estando nos quarentas da vida ainda não tem direito a reclamar o epíteto de velho.

Fiz-me entender?

No meio deste looping de costumes e ideias, lá me fui adaptando, amarrado a ferramentas que recebi no berço e a outras que me foram dadas por estimados amigos...

E de tropeço em tropeço lá me fui adaptando, aprendendo, decorando.

Tantas são as vezes que me apetece dizer, no meu tempo, e tantas são as vezes que silencio essa vontade, em nome de um querer maior, esse entrelaçado tempo que não pára de caminhar.

Se fosse, hoje, o mesmo que fui há trinta anos se calhar votaria num qualquer Ventura que me aparecesse à frente, aplaudindo uma qualquer ideologia que gritasse aos ventos a revolta e a gaiola ideológica onde fui forjado.

Felizmente não sou essa pessoa...

Cresci.

Estarei a explicar-me bem?

Aprendi através de pessoas, de escritos ou vozes, que importa a latitude de mundo, a querença desbaratada do outro, mesmo que esse outro seja o mais diferente lado de uma moeda que nos arrepia.

Esse contraponto, desde que civilizado, não deve ser considerado algo de somenos, antes pelo contrário, deve ser visto como um pormaior no debate de ideias.

Não era assim que eu via o mundo, trancado nas entrelinhas ideológicas do meu casulo...

Mudei?

Mudei.

Mantendo muito do que bebi no berço, os traços do desenho original, atrevi-me a deixar entrar luz sobre a pintura, a arejar a mente e a decifrar, por mim mesmo, as cores e significados dessa aguarela que o destino me entregava.

Somente isso.

Em todos os aspectos, em todos eles, olho hoje para o mundo tentando observar nas suas cores a compreensão de tamanhas escolhas, sabendo de onde parti, por onde desejo ir mas buscando sempre um significado para tão precioso destino.

Com lealdade mas sem medo de questionar.

Grato a todos os que contribuíram para esta caminhada, minha, que percorro com este infindável desejo de saber...

Não será este o desígnio de todos nós?

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

05
Mai20

Destino...

Filipe Vaz Correia

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Quero lá saber

se por entre saber,

sabedoria bacoca

de mente oca,

se reescreve a história

a destemperada memória,

redesenhando algures

um pedaço de mim.

 

Porque não retenho promessas

palavras vãs ou remessas,

no meio dos dislates de alguém

escrevinhados que ficam aquém,

do que outrora foi prometido

romanceado, pedido.

 

Porque mil anos que viva

mil noites se passem,

guardarei para mim

cada estrela perdida,

cada esvoaçar sentido

sem receio de voar.

 

Pois esse voar

é o mais perfeito pincelar,

nessa tela desnuda

e muda...

 

Vagamente decifrada

por Destino.

 

 

 

29
Abr20

Como Tenho Saudades De Um Abraço...

Filipe Vaz Correia

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Estou cansado desta quarentena...

Não estaremos todos nós?

Ontem voltei à rua, como faço sempre, para a minha caminhada, passeio higiénico dizem os entendidos, e fiquei estupefacto com o movimento que encontrei em plena Avenida da República.

Nesta viagem quotidiana que serve de escape mental para a minha alma, redesenhei o movimentar das gentes, o que tinham sido os últimos tempos e o que encontrei diante de mim...

Um sentimento de libertação parece estar a invadir as pessoas, por entre, os decretos de "milagre" e os desejos de soltura.

Isto é capaz de dar asneira.

Durante a noite, no jornal da TVI 24, um conjunto de empresários se dispôs a dar o seu ponto de vista sobre esse futuro que chega, que se vislumbra...

Restauração, motoristas, cabeleireiros...

Que tristes tempos estes.

Patrícia Piloto, dona dos Cabeleireiros Lúcia Piloto, alertava para as regras de segurança que iria impor, e bem, num misto de segurança e filme de ficção científica...

Os profissionais do seu salão estarão de máscara, viseira, luvas e desinfectante, tudo por cliente, numa segurança máxima de fazer inveja a qualquer prisão.

E deve ser assim?

Deve.

Mas não pude deixar de constatar a tristeza, entre esse manancial de regras e parafernália necessária para uma senhora ir pintar o cabelo ou um senhor ir cortar o cabelo...

Onde se esconderam os Humanos?

No seu medo, no nosso modo de sobrevivência, que nos assegura a forma de respirar, de manter a cabeça à tona de água, buscando a solução para manter os seus negócios e ao mesmo tempo garantir a chancela "livres de Covid" aos seus clientes.

Mas perdemos um pouco de nós?

Perdemos...

Indesmentívelmente este futuro pelo qual lutamos será desprovido de toque e sentir, mais vazio e oco do que aquele a que estávamos habituados.

No restaurante ou no cabeleireiro, sentiremos todos um pedaço daquilo que sentiu o ET quando a casa dos seus anfitriões foi invadida pelos astronautas da Cia ou Nasa...

Máscaras, fatos, luvas e mais acessórios necessários.

Triste...

Mas vital.

Quem se imagina neste quadro de ficção?

Quem será capaz de viver o momento sem verter uma lágrima em nome da nossa antiga realidade?

Como tenho saudades de um abraço...

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

23
Abr20

Palavras Desconexas Por Entre Prosa E Poesia, Sem Nexo Ou Sentido, Na Busca De Um Pedaço De Vento.

Filipe Vaz Correia

 

Tanto amor, desamor, tantas viagens, caladas, tantas vontades silenciosas, por entre ruídos, tamanhas provações, em sonhos humedecidos, sorrisos entravados, com medo de voar, pedaços de sentir, escondidos em burkas, palavras mansas, perdão soltas, estúpidas celebrações, de coisas que não fazem sentido, estranhos contextos, desconexos textos, sapos e letras, palavras e tretas, cansado que estou...

Nada me faz querer, perdido se encontra, a razão de amar, soletrada descontracção, mergulho no mar, na cama da perdição, entrelaçado olhar, observando na escuridão, o braseiro aceso, tão quente de paixão, vai e volta, vai e volta, vai e volta...

Os cheiros que sobram ao longe, tão longe que parece perto, tão míope o olhar, queira DEUS, num adeus pedido, programado e fodido, choram as lágrimas no horizonte, escalopes de bisonte, ao longe...

Um dia...

Um dia volta a esperança, esse desejo que balança, desejo de ser Pai, de ser Mãe, de ser teu e meu ao mesmo tempo, de ser gigante e pequeno, ao sereno, de ser desmedido e comprido, tão vesgo e ferido que possa passar desapercebido, como a folha que cai de uma árvore nos primeiros pingos do outono.

Um dia serei Neptuno e Sereia, serei mão cheia de nada, diamantes e rubis, serei o respirar e vislumbre de querença, serei o bater desse coração que ama sem parar...

Em cada instante, por cada asfixiante segundo que se perde por entre a eternidade de nossas vidas.

Será demais dizer?

Amo-te!

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

11
Abr20

O "Deus" Do Tempo

Filipe Vaz Correia

 

Passou tanto tempo;

Depressa,

Tão pouco tempo,

Com tanta pressa,

Tantos e tantos dias,

Num instante,

Como se nada fosse importante,

Tudo fosse relativo,

E esta vida, minha,

Nada significasse.

 

Tantas certezas;

Que agora não importam,

Tantos pensamentos,

Que desvaneceram,

Tantas caras e rostos,

Que desapareceram,

Assim...

 

Num ápice.

 

Já não tenho Pai nem Mãe,

Perdi Amor e Amigos,

Família e abraços,

Perdidos em antigos regaços,

Pincelados no esquecimento.

 

O que sobra?

 

O que sobra de mim?

Dos meus sonhos,

Das minhas desassombradas vontades,

Agora submersas nesta demência que me persegue...

 

Sobrou ar e pó;

Sorrisos e lágrimas,

Um estranho nó,

Que acentua a solidão.

 

Passou tanto tempo;

Tão pouco tempo,

E em cada momento,

Me esqueci de sorrir.

 

 

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