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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Queria...

 

 

 

Queria muito;

Poder voar,

Fugir com tamanhas asas,

E com elas sobrevoar,

Por entre os céus,

Num eterno vislumbrar,

De um sonho...

 

Queria tanto;

Amarrar a alma,

Ao silencioso momento,

Intenso querer,

Irrompendo o vento,

Por um imenso sentir,

Num ardente prolongamento,

Sem fim...

 

Queria sem parar,

Poder dizer-te baixinho...

 

Meu amor.

 

 

Corro...

 

 

 

Corro pela rua;

Só...

 

Somente comigo,

Com os pensamentos absorvidos,

Descontroladamente livres,

Desse passado...

 

Corro como se a estrada não tivesse fim;

Como se por um instante parasse de chover,

Como se um pedaço de mim,

Tivesse acabado de morrer...

 

Corro como se me tivessem arrancado parte da alma;

Buscando encontrar o tamanho vazio,

Que sobrou...

 

Corro sem parar;

Sem parar de correr,

Com receio de encontrar,

O que se perdeu...

 

Corro;

Sem olhar para trás...

 

 

 

 

Linhas Imperfeitas...

 

 

 

Pedi sem dizer;

Que o tempo regressasse,

Para secretamente escrever,

Rescrevendo mudasse,

Esse destino...

 

Mas o tempo não mudou;

O céu continuou,

O cinzento ali ficou,

Doendo matou...

 

Sangrado intensamente;

Se foi esvaindo a alma,

Que discretamente,

Partiu...

 

E talvez noutro mundo;

Noutra vida por chegar,

Se abrace o que ficou,

Escondido nesse luar.

 

 

Gotas De Chuva!

 

 

 

Um dia carregado de chuva;

Molhando vigorosamente o chão,

As pedras cravadas na terra,

Inundando de emoção,

A esperança desbragada,

Desbragadamente repleta de desilusão...

 

Um dia carregado de nuvens;

Nuvens cobertas de tristeza,

Tristemente soltando,

As infindáveis incertezas,

Do incerto destino...

 

E nessa busca vagarosa;

Tão vagarosamente dolorida,

Se misturam as gotas de chuva,

Com as lágrimas do meu rosto...

 

Inundando a expressão;

Que se esconde,

Neste meu triste coração.

 

 

Erasmus...

 

A imensa distância de um País distante, redundância, da ausente presença de gente, ou melhor, rodeado por tanta gente que desconheço, que me desconhece e assim me faz sentir reconfortado...

Estranhamente reconfortante.

Nesta longínqua terra que jamais imaginei, encontro pedaços de céu, cristalinamente iluminados, onde se perde no horizonte a imaginação, polvilhada e intensa parte dessa infância, tão minha.

Deixei para trás as amarras que me prendiam, amarras descontroladas, abissais contradições cravadas em cada pedra...

Em cada rua, em cada esquina, a cada instante.

Não faz sol por aqui, não se desperta a manhã...

Só noite, sem luz, nem brilho, nem nada.

Só esse silêncio acompanhado da doce escuridão, seja dia ou não, seja alegria ou dor, descoberta ou despedida, valendo a pena ou em vão.

Seja o que for...

Esta ausência, desapegada forma de dizer adeus, permite o reencontro com o bater desse pensamento, que permite renovar, recriar, reescrever o que errado está no guião.

Permite esquecer o que se perdeu nas entrelinhas de uma história.

É essa a beleza da alma humana...

Essa esperança que não morre, mesmo que perdida por entre os fantasmas carregados de intensidade, de tempos enfim esquecidos mas que insistem em regressar, em se fazer presentes na ansiosa forma de viver.

Nos retratos que guardo, nessas imagens daqueles que amo, refugia-se a saudade que por vezes se intensifica, as lágrimas que escapam sem calar, as recordações...

As recordações, um dia, marcantes.

Nesta terra distante, rodeado de gente desconhecida, volto a ser feliz...

Volto a sorrir.

Escrevo mais uma linha, mais um desapegado pedaço de momentos, ainda não vividos, mas livres...

Com a imensa liberdade, própria, de um desabrido destino numa terra de ninguém.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Quero Correr...

 

 

 

Quero correr;

Mundo a fora,

Desaparecer,

Sem demora,

Me esconder,

Nesta hora,

Esquecer,

E ir embora...

 

Quero correr;

Dar a volta ao mundo,

Deixar de chorar,

Nem que seja por um segundo,

Parar de recordar,

Esse ardor profundo,

Da tua ausência...

 

Quero correr;

Sem parar,

Sem parar de correr...

 

Quero correr o mundo inteiro;

E por um instante sentir,

Que irei viver,

Eternamente...

 

Eternamente;

Novamente.

 

 

 

 

 

 

 

Tela...

 

 

 

Um traço pequeno;

Muito pequeno...

 

Um desenho improvisado;

Numa tela despida,

Um nada inacabado,

Esboço de ferida,

Num abraço apertado,

Memória revivida...

 

Já não estão presos os gemidos;

Os sonhos que foram aprisionados,

Gritos sofridos,

De outroras revisitados,

Vezes sem conta...

 

Tremem as mãos;

A caneta,

A alma,

A desajeitada forma de escrever...

 

Treme a triste alma;

E o seu medo maior;

Treme a triste alma,

Por entre o destino desassombrado...

 

E recomeça a viagem;

Num outro caminho,

Numa outra pintura,

Numa outra tela em branco.

 

 

 

 

 

 

Adormecendo...

 

 

 

Tenho cicatrizes no rosto;

Marcas na alma,

Raízes de desgosto,

Desgostosamente em mim...

 

No meu olhar;

Repleto de memórias,

Escondem-se ao luar,

Pedaços de histórias,

Guardadas em mim...

 

Trago palavras segredadas,

Somente na escuridão,

Frases trancadas,

Nessa solidão,

Que me pertence...

 

  Vou adormecer devagarinho;

Silenciosamente repousando,

Deixando de mansinho,

Este passado se descaracterizando,

Na imensidão dos céus...

 

Vou adormecer devagarinho;

Devagarinho...

 

Para não mais acordar.

 

 

 

 

 

 

 

O Vento E O Silêncio...

 

 

 

Ao longe o vento...

Sempre o vento.

 

Tão perto o silêncio;

Sempre o silêncio.

 

Sentado ao piano;

Tentando resgatar a melodia,

Outrora perdida,

Buscando essa harmonia,

Que se escapou pelas asas do tempo...

 

Ao longe o vento;

Tão perto o silêncio...

 

Sentado numa sala vazia;

Quase despida,

Repleta de paredes frias,

Na alma ferida,

Despedaçada...

 

Só eu e aquele singelo piano;

Empoeirado pedaço vida,

De uma vida que existiu,

Mas se calou...

 

Ao longe o vento;

Tão perto o silêncio...

 

Sempre o silêncio;

Entrelaçando esse vento,

Que insiste em chegar,

Irromper as barreiras empoeiradas,

As trancas exacerbadas,

Que me rodeiam...

 

Ao longe o vento;

Tão perto o silêncio...

 

Nessa dança constante;

Que me persegue,

Segredando hesitante,

A eterna vontade,

De te amar...

 

 

 

 

Infinito Amor...

 

 

 

Dói;

A alma minha,

Que sendo tua,

Se silencia,

Que te pertencendo,

Se magoa,

Que te amando;

Se entristece...

 

Dói;

Sem explicação;

A amargurada desventura,

Destino deste coração,

Perdido nessa aventura,

Sem fim...

 

Dói;

Sem doer,

Porque amar-te,

É viver,

Querer-te,

Esse prazer,

Infinito...

 

E sem contradição;

Entre a dor,

E o tamanho amor,

Mora este destino,

Só meu.