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Caneca de Letras

22.12.21

 

 


Ontem foi um um dia triste, a minha Mãe morreu nesse dia há 11 anos...

Nunca mais fui o mesmo, nunca mais senti o mesmo.

Todos os medos que me perseguiam nesse medo de a perder cá permanecem só que transformados em solidão, por mais acompanhado que me encontre, por maior que seja o amor que me amarre.

As saudades que subsistem por aqui continuam, mais amenas mas insistentemente acesas, mais disfarçadas mas em ferida...

Nessa ferida que não sara, nessas lágrimas que não secam, nesse amor infinito.

Assim deixo aqui um poema que escrevi há tempos, num celebrar desse amor, desse colo teu que sempre foi minha casa, nesse regaço que sempre me pertenceu como amparo.

 

 

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Nunca fui tão feliz, como no colo de minha mãe;

O seu cheiro, o seu perfume,

O timbre da sua voz, enfim...

 

O calor do seu amor.

 

A mão que me embalava no berço;

O olhar que seguia os meus passos,

O desejo que acarinhava o meu destino,

O meu bem querer...

 

Ai as saudades que não findam;

Os tesouros que se escondem na terra,

Os sons que se calaram,

Ó Mãe!

 

Mãe;

Palavra tão bela que me ensinaste,

Que aprendi a rimar com amar,

Que aprendi a ter como minha...

 

Minha Mãe!

 

 

 

 

16.11.21

 

 

 

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Não nasceste do meu ventre;

mas da minha alma

não te esperei nove meses

mas uma vida inteira

não te reconheci ao nascer

mas na esperança desse encontro

não soube do teu sofrimento

até te encontrar...

 

Não descobri essa palavra;

até te conhecer

não senti a amargura

até ter medo de te perder

não entendi a ternura

até perceber

a desentendida procura

de te ter...

 

E assim;

encontrada com os meus desencontros

com os recantos de mim mesma

descubro em cada sorriso teu

parte desse destino

só nosso.

 

 

12.11.21

 

 

 

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Sempre que via um comboio a partir;

imaginava esse mundo

descobrindo sem fugir

esse longínquo e profundo

desejo de sentir

o meu ausente destino...

 

Sempre que abriam os portões;

daquele campo maldito

imaginava os corações

daqueles interditos

olhares que me fugiam

dos que um dia imensamente amei...

 

Sempre que chegava o amanhecer;

desconfiado caminhava

querendo adormecer

na esperança que em mim habitava

de que poderia ser diferente...

 

Ia seguindo amordaçado;

amordaçando a alma já cansada

presa num corpo desanimado

àqueles pijamas riscados...

 

Assim, em cada partida;

a cada fuga perdida

em cada dia, ferida

ia se aproximando a minha vez...

 

E aí descobri que me haviam roubado tudo;

até a esventrada esperança

mas que apenas eu

era o dono da minha alma!

 

 

 

 

 

 

 

 

10.11.21

 

 

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Em cada casa devastada;

uma alma abandonada,

por cada bomba ali caída

uma esperança que foi traída,

em cada ruína ilustrada

uma lágrima derramada,

por cada rosto sofredor

uma recordação de tanta dor,

em cada pedaço desta história

choram-se balas na memória,

por cada filho desaparecido

um país quase perdido,

em cada pedra dessa estrada

uma mágoa bem trancada,

e por cada palavra esquecida

sobra essa tamanha ferida...

 

De seu nome,

Aleppo.

 

 

 

 

21.10.21

 

 

 

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25 anos!

Assim de forma crua se desnuda essa verdade que esmaga e corrói, acelera o tempo e compassa a saudade.

Faz hoje 25 anos que morreu uma das pessoas que mais amei em minha vida, um amigo de mão cheia, alguém que marcaria em dez anos cada pedaço de minha alma.

O Luís era corajoso e desbravado, o mais corajoso de todos nós...

Não pelo singelo murro numa briga ou pela força que o poderia caracterizar, nesse aspecto tanto o Nuno Pereira Campos ou eu éramos mais adequados para a função mas pelo que a vida nos obrigou a ver, nesse significado de  coragem através de uma realidade que aquele menino de 16 anos teve de confrontar.

Guardo a primeira conversa que tivemos sobre esse maldito cancro que te perseguia...

Guardo o teu olhar, o meu tremor, o nosso abraço, esse pequeno instante que se tornou eterno.

Guardo a minha espera à porta do Curry Cabral para ganhar coragem para entrar naquele famigerado quarto onde lutavas tão bravamente...

E era eu que precisava de coragem?

Guardo cada silêncio que nos chegava, era o nosso mundo, cada vez que após uma sessão de quimioterapia te punhas a caminho, na tua BWS, para vir almoçar comigo ao Dom Pasolini em Picoas.

"Meu querido amigo!"

Guardo o olhar de minha Mãe no dia em que partiste, assim como as lágrimas de meu Pai.

Guardo a última vez que estivemos juntos...

Sendo que imaginar a tua morte seria para mim impossível, no intimo sabia aquilo que lutava para desvalorizar, acreditando que a maldita doença jamais te iria vencer.

Sempre a teu lado nesse campo de batalha acreditando que a nossa esperança seria a única verdade possível.

Perdemos.

Tenho saudades tuas, mesmo 25 anos depois, tenho saudades do tempo em que era possível pegar no telefone e ligar, ouvir a tua voz e desabafar, acreditar e sonhar num futuro carregado de ilusão.

Meu querido Luís Miguel sou hoje um homem com mais dúvidas do que certezas, com mais receios do que bravuras, com mais saudades e poemas, porém nesse viajar que se tornou esta vida, este continuar de dias e noites, tenho como certo que o nosso encontro, naquela sala de aula, pequenos e traquinas, se tornou num dos mais importantes momentos de minha vida.

Sem ti não tinha feito nenhum sentido.

Até um dia, numa outra vida, daqui a muitos anos...

Com amizade; do sempre teu,

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

23.09.21

 

 

 

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Nos retratos de um tempo;

vivem tantos que desconhecemos

que conhecendo guardavam segredos

novelas e enredos

que se perpetuam.

 

Nos retratos ao vento;

esvoaçando na correria

se soletram estrelas e firmamentos

de angustias e alegrias.

 

Olhos tristes e solarengos;

como tardes de verão

fantasmas e desamores

amarrados à velha canção.

 

E em todos os retratos;

se repetem as histórias

letras soltas na eternidade

de tamanhas memórias.

 

Retratos e mais retratos;

folhas de papel

segredando em lágrimas de tinta

o verdadeiro significado da palavra...

 

Saudade.

 

 

 

 

 

 

16.09.21

 

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O meu Sporting regressou aos jogos da Liga dos Campeões, num jogo absolutamente terrífico com o Ajax...

Perdemos, em Alvalade, com o Ajax por 1-5.

Uma vergonha imensa que se traduz nas entrelinhas de uma história que todos deveríamos  preservar...

Esta equipa, sem Coates e Pote, é composta por gente sem experiência em competições europeias, muito menos na Liga dos Campeões, sujeita a um momento que deveria ser doseado em pedaços de crescimento.

Este Ajax, alguns destes jogadores, esteve há um par de anos nas meias finais da Liga dos Campeões...

Dá para perceber a diferença?

Este Ajax não muda o projecto independentemente de um ano menos conseguido, nem tem na sua estrutura Boçais eleitos em anos atípicos do ponto de vista eleitoral.

Dá para perceber a diferença?

Esta derrota doeu a qualquer Sportinguista, doeu-me, estiralhou a parte Sportinguista de minha alma...

O que devemos aprender com esta derrota  é a caminhada inerente a tamanha tristeza, esse crescimento que fará parte da nossa história, do nosso projecto, sem pôr em causa a estrutura e aqueles que diariamente lutam por ela.

O Sporting está no bom caminho, como nunca esteve, e não será derrota alguma na Liga dos Campeões, eliminação alguma da Champions League, ou outro qualquer desaire que irá pôr em causa todo um extraordinário feito por esta equipe técnica e sua direcção.

Viva o Sporting

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

10.09.21

 

 

 

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Sinceramente já não sei para onde caminhará este Brasil, perdido no meio de uma "liderança" corrupta, criminosa e genocida.

Ciente dos seus crimes e sentindo que o futuro lhe reservará, assim como aos seus filhos, um lugar na prisão de Bangú 8, Jair Bolsonaro começa a dar nota de estar a perder o rumo...

Parece ceder a uma espécie de fuga para a frente, tentando desesperadamente que aqueles que ainda o acompanham se disponham a um género de "solução final".

Nas manifestações marcadas para 7 de Setembro, em Brasília e São Paulo, apareceram muito menos pessoas do que aquelas que haviam sido anunciadas por Bolsonaro, 115 mil pessoas, números muito abaixo dos 2 Milhões de pessoas que se tinha de expectativa...

No entanto, apareceram as suficientes para poder lançar o Pais numa pequena loucura sem quartel, porém o comportamento do Exército e da PM, mostrando neutralidade e respeito pela Constituição deve agregar esperança à Nação Brasileira, ao mesmo tempo que deve  preocupar os Bolsonaristas que contavam com o envolvimento destas forças para o seu golpe de estado.

Quanto mais oiço os ataques de Bolsonaro no dia 7, à Justiça e ao Supremo Tribunal Federal, aos opositores e ao departamento Eleitoral mais me convenço do seu desequilíbrio emocional, a falta de capacidade intelectual para discernir os tiros no pé que vai escolhendo dar.

O caminho parece sem retorno, sem volta a dar, ou seja,  a linha da democracia foi ultrapassada pelas palavras que Bolsonaro usou nas manifestações, inclusive ameaçando de morte o Presidente  do Supremo Tribunal Federal...

Sobra um País e um Povo como arma de resposta, a esmagadora maioria do Povo Brasileiro que terá de gritar bem alto o seu repúdio diante deste ogre populista.

Dia 12 de Setembro será o dia em que o Fora Bolsonaro sairá à rua.

Não existe tempo a perder...

Esse grito de revolta é agora.

#Fora Bolsonaro

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

09.09.21

 

 

 

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Corro e corro sem parar;

como se o fôlego não tivesse fim

e continuo a caminhar

a caminhar em busca de mim.

 

Corro como se estivesse numa maratona;

numa estrada infinita

por entre miragens e delírios

rosas e lírios.

 

Corro sem esperança;

há muito perdida nos versos de Caetano ou Cazuza,

ao mesmo tempo que o meu coração balança

balançando por entre os versos de uma abstracta poesia.

 

Corro...

sem fim à vista.

 

 

08.09.21

 

 

 

503B1AB4-8E91-421C-B985-4E47335C4859.jpegTenho nódoas na alma;

caminhando sobre brasas

buscando nas entrelinhas desse teu cheiro

a razão para tamanho encantamento.

 

O adeus;

traduzida despedida de Zeus

plasmada nas escrituras dos fariseus

nas partituras de Deus

repetidos pecados meus...

 

E insisto em viajar mundo a fora;

por entre, o céu estrelado e aventureiro

amarrando os desmedidos sorrisos de agora

a esse futuro derradeiro.

 

Vamos partir;

todos iremos partir

então que seja a sorrir

ousando sentir

as memórias e agruras desse passado.

 

Deixo cair a pena;

estendo a mão àqueles que ficticiamente se abeiram de mim

enquanto sossego o desespero saltitante

e levemente me transformo em mar e terra,

em vento e céu...

 

Em tudo e nada.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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