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Caneca de Letras

Caneca de Letras

11
Set19

Carta Para Ti... Meu Amor!

Filipe Vaz Correia

 

Ao longe, ao ouvido de uma estrela, sussurrei o teu nome, baixinho, devagarinho, num entrelaçar de emoções, emocionada esperança que invade a minha querença...

Escasseiam as letras, mesmo numa Caneca repleta delas, para descrever como pulsa o meu coração, nesse bater sem razão, aquele sentir que não se explica, sente-se, caminhando sem medo de voar.

Tantas vezes disse que te amava, te amo, nessa misturada forma de expressar cada momento que juntos construímos, que de mãos dadas insistimos em percorrer.

Não seria a mesma pessoa se não te tivesse conhecido, nem sei se teria sobrevivido à dura pena que um dia me amarrou na velha sala da minha antiga casa...

Nessa dura despedida, enquanto caia rumo ao infinito e tenebroso vazio, senti a tua voz, a tua mão, a tua presença a amparar a queda, a segurar essa parte de mim, despedaçadamente estilhaçada.

Sempre tu...

Por entre o olhar, o teu, esse que me aponta o porto seguro, soube, sempre soube, que encontraria o destinado amor, esse amar eterno que se confunde com destino, que se transforma em felicidade.

Não sei se poderia saber, se te conseguirei descrever o que no bater da alma, no pulsar deste meu coração, se desencontra em cada lágrima tua, se descompassa em cada pedaço de tristeza que sinto em ti...

Porque és o meu mundo, tão intenso e profundo que num breve segundo se mistura na alma desarmada, na brisa desbravada, em busca de te dizer o que significas para mim.

Amo-te...

E de mãos dadas, bem velhinhos, por entre a despedida de um tempo longínquo sobrará a certa, certeza, de que valeu a pena.

Disto tenho a certeza:

Bem velhinhos...

Meu amor!

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

09
Set19

Para Sempre Amor!

Filipe Vaz Correia

 

Não tenho medo de nada;

De nada tenho medo,

E de tudo...

 

De tudo tenho receio;

Sempre que te vejo a dormir,

Que te pressinto a sorrir,

Ou ao longe te vislumbro...

 

A chegar.

 

Tenho medo de te perder;

De o vento te levar,

Tenho medo de te ver sofrer,

De algo te arrancar...

 

Não tenho medo de nada;

De nada tenho medo...

 

Desde que estejas a meu lado;

De mãos dadas,

Nessa eternidade que construímos dia a dia...

 

Para sempre...

 

Para sempre amor!

 

 

12
Ago19

A Despida Tela De Um Desmedido Vazio...

Filipe Vaz Correia

 

Dentro de mim habita o vazio;

Essa mistura de seca e rio,

Numa espécie de calafrio,

Que se vai instalando, pela calada...

 

Dentro de mim se perderam emoções;

Pequenos pedaços de razões,

Razões, outrora, pujantes,

Partes de desnudadas sensações,

Desse nada que ficou...

 

Dentro de mim corre o tempo;

Acelerado sofrimento,

Num grotesco sentimento,

Pincelado na tela intemporal de um desconhecido destino...

 

Dentro de mim...

 

Dentro de mim;

 Habita a enlaçada memória;

De uma inacabada história,

Transformada numa infinita tela de recordações...

 

Numa infinita caminhada de apaixonantes hesitações.

 

 

 

 

29
Jul19

Dicionário Do Amor

Filipe Vaz Correia

 

Amor...

Essa palavra, conjunto de letras inusitado, que parece simplista e desenhada, por vezes dormente ou silenciada, muitas vezes inquietantemente solitária num canto do quadro, num pequeno espaço da folha.

Tanta tinta escrita em seu motivo, gravada em lágrimas ou gargalhadas, em afagos ou desabafos, em sorrisos ou tristonhos retratos imprecisos.

Amor...

Esse sentir que por vezes magoa, destoa, amarra e abraça, outras vezes apenas se apresenta com aquela inevitabilidade própria dos momentos únicos que se impõem ao tempo, pelo tempo, através do tempo.

Como se pode explicar o tamanho sentimento que representa a pequena palavra?

Como soletrar para o papel cada espaço desta palavra, cada sentir de cada uma das letras que a compõem?

Questões soltas, tão desmedidamente soltas como amarradas à confusa tradução deste estranho sentir.

Respirar...

Respirar bem fundo, como se esse fundo não tivesse fim, como se o beijo, esse beijo, não se extinguisse no tocar dos lábios, no entrelaçar da saliva, no bater do coração.

Cada pedaço de amor, desse amor encadernado na imaginação dos poetas, escondido na virgindade das donzelas, no ardor corajoso dos valentes cavaleiros...

Cada pedaço desse amor arde infinitamente, soluça atrevidamente, sonha intemporalmente, como se jamais chegasse esse futuro que ameaça o imediatismo dos amantes, o querer romântico da prosa, o inquietante impulso da alma.

Amor!

Exclamação que nos define, indefinidamente nos completa, sem receio de gritar o que parece somente uma palavra, um pedaço desconexo de uma frase.

O Amor...

Ou simplesmente aquilo que mais importa.

Somente o que mais importará.

Que o tem nem sempre o reconhece e quem o perdeu...

Disfarçadamente sabe que dificilmente o voltará a sentir.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

25
Jul19

O Tempo Onde Era Criança!

Filipe Vaz Correia

 

Como posso dizer?

Escrevinhar sem soluçar, ou mesmo que soluçando, olhando de frente para o futuro sem me recordar daquela criança que brincava em seu quarto, esperançosamente esperando por esse amanhã.

Todos já fomos essa criança...

Não fomos?

Aquele mundo de exclamações e interrogações, de medos e certezas, de anseios e desejos.

Tanto tempo passou...

Tão pouco tempo decorreu.

A noção de tempo é um dos mistérios da existência Humana, desse decorrer de segundos e instantes que chegando se perdem, abraçando se extinguem, amarrando nos libertam.

Tanta gente que se perdeu pelo caminho, olhares que se apagaram, vidas que abandonaram o palco e vivem agora aprisionadas na minha memória.

Tenho tanto carinho por aquela criança, pelos seus sonhos cumpridos ou por cumprir, pela sua vontade de querer, simplesmente, existir.

Tenho saudades...

Saudades que vivem em mim, sem fim, por fim.

Em cada momento, por entre, caminhos e destinos, busco sempre, quase sempre, aquele sentir puro que habitava naqueles largos caracóis, naquelas expressões sorridentes, naquele tempo que parecia não passar.

Infelizmente passou...

Felizmente passou.

Tantas contradições, próprias de interrogações que chegam e que se entrelaçam com a vida de adulto.

Escrevendo este texto liberto um pouco desse tempo perdido nos escritos antigos, nas memórias presentes, recordando nesta Caneca um pouco mais de mim...

Um pouco mais dos meus.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

17
Jul19

Diz-me Se Sabes Voar...

Filipe Vaz Correia

 

Diz-me o que vês, sem medo de sentir, sem receio de querer, sem nada a temer, como se nada importasse ou nenhum vislumbre de temor ganhasse cor, por entre, o céu azul despido que se impõe no horizonte.

Diz-me...

Palavras que ganham força na expressão ensaiada, sem barreiras, artimanhas, arte e manhas, contradição constante que se aprisiona no fundo do sentir inquieto, desse inquietante sentir que amolga e esventra, grita e ensurdece, se perde e se esquece.

Nas entrelinhas, entre copos, vão ganhando vida as pinceladas de cada passo, pegadas, marcadas na caminhada, por essa entrelaçada estrada sem sentido...

Tamanhos sentidos num vai e vem que confunde mas amarra, descobre e aperta, seduz e apega.

Beijos em nuvens, sorrisos em ondas, vagas de abraços no meio de sonhos, peças perdidas que se atrevem a contar pequenas partes não vividas, pedaços de mim que não esqueci, não sabendo que já vivera.

Sabes lá...

Na expressão maior de um conto, vão escorrendo pelo rosto lágrimas que não sabia me pertencerem, mágoas despidas que não sabia feridas, amarguras de inéditas aventuras que julgava pertencerem a outro olhar, num outro lugar, sem medo de amar, sem receio de voltar, de voltar a mergulhar nesse mar...

Que afinal também me pertence.

Ruas e ruelas, estranhas vielas, doces encontros com sabor a canela que marcam eternamente a solitária pena que vos escreve.

Diz-me só mais uma vez, onde se perdeu cada vírgula desta história que regressa a mim, em mim, de ti.

Diz-me se será amor esta espécie de odor que me invade em cada sonho, a cada  desgosto medonho que sorri do outro lado do querer.

Tantas coisas para dizer, por dizer, que querendo dizer permanecerão nessas entrelinhas que se tornaram sua casa...

Pedaço de asa onde, por vezes, se atreve a voar.

Diz-me então se sabes voar, pequeno, retrato de outrora.

 

 

Filipe Vaz Correia

16
Jul19

Poema Do Desapego Ou O Desapego De Um Poema

Filipe Vaz Correia

 

Cada vírgula ou história;

Cravada no semblante,

Escondida na memória,

Torpor cavalgante,

Se eterniza nesse temor,

Que invade discretamente,

Esse esmagador fervor,

Que amarra imensamente,

Mas na curva de um destino,

Que se confunde à distância,

Esse querer ou desatino,

Ansiada ânsia,

E regressando sem partir,

Por entre frases elaboradas,

Vai chorando nesse ferir,

Nessas feridas bem salgadas.

 

Escrevinhando desordenado;

Gritando os silêncios,

Caminhando desencontrados,

Por esse encontro em suspenso...

 

Suspenso num desesperante assomo de liberdade.

 

 

09
Jul19

Nem Sempre

Filipe Vaz Correia

 

Nem sempre consigo encontrar as palavras, aquelas palavras que chegam desnudando, por vezes, destemperando a realidade, tantas vezes somente desencontradas do querer.

Nem sempre...

Nem sempre consigo transpor para palavras essa emoção transbordante, esse transbordar emocionante, esse querer dizer o que realmente significa.

Tantas vírgulas e abreviações, pontos e interrogações, tinta e mais tinta, num rio de letras tão certas e distantes, longínquas e próximas.

Nesse entrelaçar de destinos, curtos e longos caminhos, se aquece a alma, mesmo que despida de sentido.

Nem sempre a conversa flui, a poesia se entrega, o sentido, aquele pedaço que se faz sentir...

E o nexo vira certeza, o desconexo melodiosa canção de Caetano.

Nem sempre...

Quantas vezes vos entrelaçou esse nem sempre?

Esse nem sempre capaz de se tornar presente, outras vezes insistente, tantas e tantas vezes, simplesmente, ausente...

Nem sempre consigo expressar o que grita a dolorida esperança, essa dor que alcança, sem medo de voar.

Mas o que interessa a esperança se nem sempre balança a doce contradição?

Nem sempre...

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

25
Jun19

E Se?

Filipe Vaz Correia

 

E se?

Há dias vendo o filme Cartas para Julieta, esta pergunta surgiu em minha mente, acompanhando a interrogação desenvolvida naquela história.

E se?

Voltei atrás no tempo, nesse misto de questionamento que faz revolver os sentimentos.

Nessa questão, sem resposta, voa a alma, perdida por entre as asas da imaginação, num destino que se cumpre dia a dia, sem retorno.

Quantos de nós não pararam por um instante, num determinado momento, singelo encruzilhar de uma vida...

E se questionaram:

E se?

Esta deve ser a questão, que sendo impossível de ser respondida, mais vezes assola a mente humana.

Quantas vezes, lá atrás, se escondem arrependimentos, se entrelaçam saudades, se amarram vontades silenciosas.

Mas tudo caminha, evoluí, continua...

Nada espera ou permanece nesse carrossel de dias e noites que acabam por deixar para trás memórias e ligações.

Gente que fica, gente que chega, abraços e afagos que vão perecendo pelo tortuoso caminho.

Nesse constante rebuliço do tempo, vai sobrando ao coração a vontade de se interrogar, enquanto esse mesmo tempo vai encurtando o horizonte, num sedutor passadiço de tamanhos destinos.

E se?

Sei lá!

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

22
Jun19

O Meu Piano

Filipe Vaz Correia

 

O som do piano vai continuando a percorrer os corredores da casa, como se ainda nele tocassem, como se ainda a luz invadisse aquelas paredes, como se ainda aqueles cortinados fossem descerrados, como se ainda vida por ali existisse.

Nada mais do que o silêncio sobrevive ao tempo, àquele tempo que decorreu entre os radiosos anos que se extinguiram.

O som do piano, agora corcomido e velho, parece ganhar a batalha da eternidade, da solitária eternidade por entre aquelas bafientas paredes, onde só o pó parece reinar.

Nem mãe nem pai, muito menos avós ou amigos, filhos ou netos, jantares ou almoços, risos ou lágrimas...

Escuridão, arrebatadora escuridão, que se impõe esvoaçando entre o relógio de pé, parado nas horas, no tempo, sem asa ou momento, altivamente acompanhado pelos frescos no tecto, meio pálidos escondendo as vivas cores que outrora marcavam cada recanto daquele lugar.

Vidas e sonhos ali perdidos, desencontrados, naqueles cantos agora tristonhos, pouco risonhos, meio medonhos, como se aquele quadro não tivesse ali espaço, desabitado regaço de um destino.

Portas trancadas, janelas cerradas, palavras fechadas a todo o custo, encerradas a sete chaves nesse secreto lugar da memória...

Tudo ali tem história, secretamente entrelaçada em outra vida, talvez perdida, numa espécie de despedida eterna, sem fim.

O som do piano vai continuando a ecoar...

Ecoando como se nada mais tivesse importância, como se ainda os bailes ali tivessem lugar, como se ainda eu ali permanecesse.

O barulho das máquinas a chegar, o ruído da manhã a ecoar, as vozes de homens acelerando o epílogo de tantas noites e dias, pequenas melodias que prometiam não findar.

O piano calou-se...

As máquinas começaram a trabalhar e a cada instante insistentemente a derrubar cada parede de minha casa...

Naqueles escombros, por entre aqueles retratos se desvanece a minha empoeirada alma.

Já não toca o piano...

O meu piano deixou de tocar.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

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