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Caneca de Letras

Caneca de Letras

16
Abr21

Diz-me Se Sabes Voar...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

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Diz-me o que vês, sem medo de sentir, sem receio de querer, sem nada a temer, como se nada importasse ou nenhum vislumbre de temor ganhasse cor, por entre, o céu azul despido que se impõe no horizonte.

Diz-me...

Palavras que ganham força na expressão ensaiada, sem barreiras, artimanhas, arte e manhas, contradição constante que se aprisiona no fundo do sentir inquieto, desse inquietante sentir que amolga e esventra, grita e ensurdece, se perde e se esquece.

Nas entrelinhas, entre copos, vão ganhando vida as pinceladas de cada passo, pegadas, marcadas na caminhada, por essa entrelaçada estrada sem sentido...

Tamanhos sentidos num vai e vem que confunde mas amarra, descobre e aperta, seduz e apega.

Beijos em nuvens, sorrisos em ondas, vagas de abraços no meio de sonhos, peças perdidas que se atrevem a contar pequenas partes não vividas, pedaços de mim que não esqueci, não sabendo que já vivera.

Sabes lá...

Na expressão maior de um conto, vão escorrendo pelo rosto lágrimas que não sabia me pertencerem, mágoas despidas que não sabia feridas, amarguras de inéditas aventuras que julgava pertencerem a outro olhar, num outro lugar, sem medo de amar, sem receio de voltar, de voltar a mergulhar nesse mar...

Que afinal também me pertence.

Ruas e ruelas, estranhas vielas, doces encontros com sabor a canela que marcam eternamente a solitária pena que vos escreve.

Diz-me só mais uma vez, onde se perdeu cada vírgula desta história que regressa a mim, em mim, de ti.

Diz-me se será amor esta espécie de odor que me invade em cada sonho, a cada  desgosto medonho que sorri do outro lado do querer.

Tantas coisas para dizer, por dizer, que querendo dizer permanecerão nessas entrelinhas que se tornaram sua casa...

Pedaço de asa onde, por vezes, se atreve a voar.

Diz-me então se sabes voar, pequeno, retrato de outrora.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

14
Abr21

Sem Olhar Para Trás

Filipe Vaz Correia

 

 

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"olhares.com"

 

 

Não escolhi ruas;

apenas por elas ando,

como um fantasma desencantado,

perseguido por pesadelos,

outrora fios e novelos...

 

Perseguido,

pelas gentes que partiram,

pelos que ficando se silenciaram,

por tantos momentos que desapareceram nas asas do vento.

 

Suspiro intensamente;

levemente de uma vez,

sustendo a querença que grita ao virar da esquina,

nesses escritos marcados nos murais dos prédios,

desassombrada expressão,

de desmedido tédio.

 

E assim procuro neste lento divagar;

vozes e rostos,

marcadamente meus,

ilusórios desgostos,

cravados em cada adeus,

que me acompanha.

 

Caminho por entre ruas,

sem nunca olhar para trás.

 

 

 

 

 

 

01
Abr21

Imaginava... Imaginar!

Filipe Vaz Correia

 

 

 

As luzes do palco ligadas...

A sala cheia, repleta de gente, olhares, sussurros quase murros desnudando a solitária alma de um artista.

E o sorriso, o meu, como escudo da terna e frágil criança, que se esconde temendo a tamanha voracidade, desse desconhecido desconhecer.

As luzes ligadas, a sala repleta de pessoas e eu...

Caminhando de um lado para o outro desse palco, contando os momentos, cada momento, em que o sofredor sentimento pudesse se libertar, numa mistura de batimentos que aceleram o coração.

Cada passo, entrelaçado, vai fazendo disparar o raciocínio, que sendo meu se agiganta, ultrapassa o sonho e se imortaliza num gigantesco abraço com a recordação...

Mesmo se perdendo, desvanecendo, desaparecendo, sem retorno.

Já não existem "papões" escondidos debaixo da cama, nem buracos negros no tecto, apenas desencantamento no olhar, num desencantar que melodiosamente permanece, se entranha, se amarra.

As luzes do palco...

Apagaram as luzes do palco...

Sobrando o silêncio, o vazio, aquele abraçar que só a imaginação te pode dar.

Ninguém como companhia, e o sorriso de partida, como capa despida, mostrando no escuro a leve ferida que perdura.

Sem luzes, sem gente, adormece a dormente esperança de um poema declamado, de um beijo salgado, de um futuro já passado, de tudo o que um dia imaginei...

Ou que imaginava, imaginar.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

31
Mar21

Menino...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Suspenso no ar;

Numa redoma de encantar,

Vai caminhando o menino,

Buscando esse destino,

Que desmesuradamente perdeu,

Quando a ternura desvaneceu,

E lhe sobrou a tristeza,

Pedaço de dor sem beleza,

Que é solitária e ardente,

Sufocando loucamente,

Como se um dia,

Se pudesse tornar poesia...

 

E perdido o menino se encontrou;

Por entre a mágoa que chegou,

Sorrindo disfarçado,

Num desabafo entrelaçado,

Olhando para trás no tempo,

Procurando aquele momento,

Que para sempre ficou marcado,

Como o dia amargurado...

 

De tua partida.

 

 

30
Mar21

A Estafadeira Do “Omnipresente” João Ferreira...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

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Meus queridos amigos venho aqui escrever este breve texto para manifestar a minha preocupação com esse centenário Partido que é o PCP.

Ao longo do tempo se foi falando da diminuição dos militantes e votantes Comunistas, coisa que apesar de ser notada me parecia manifestamente exagerada, no entanto, tenho de aqui vir anotar que essa realidade parece cada vez mais correcta.

Pois que outra explicação poderemos nós encontrar para a oficialização de João Ferreira como Candidato à Câmara  Municipal de Lisboa?

Será que é outro João Ferreira?

Ou é o mesmo?

O mesmo que foi candidato a Presidente da República, a Deputado Europeu, à Câmara Municipal de Lisboa, novamente a Deputado Europeu, novamente à Câmara Municipal de Lisboa, etc, etc, etc...

Ufa... que estou estafado!

Atenção que eu aprecio a estabilidade política, futebolística...

Mas talvez fosse preciso ganhar alguma coisinha que isto ir de derrota em derrota, de eleição em eleição, ano após ano, é deveras difícil.

A explicação que me parece mais óbvia é essa falta de militância, a escassez de escolha, a extinção do eleitorado Comunista...

Pois com o ruir da URSS e a chegada da era digital teremos de deixar cair por terra a hipótese de a missiva de Moscovo com o nome do cabeça de Lista do PCP possa se ter extraviado há anos ficando assim emperrado neste tão simpático João Ferreira.

De uma coisa não podem ser acusados...

Do dom da imprevisibilidade.

Boa sorte João Ferreira...

Pois o meu caro deve andar estafadíssimo.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

27
Mar21

Noite Estrelada...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Em alto mar espreitei o céu;

Desesperadamente estrelado,

Num brilho desmedido,

Que acendia em mim,

Um desejo sem fim,

De reencontrar...

 

O que não sei.

 

Nesse misterioso sentir;

Amarrei na alma,

Cada pedaço de estrela envergonhada,

Que brindava a minha curiosidade,

Numa mistura encantada,

De amor e saudade...

 

E em alto mar;

Sonhei...

 

Do alto desse mar;

Chorei...

 

No sobressalto daquele mar;

Acreditei,

Que poderia voar...

 

E voando;

Sobrevooei a tamanha eternidade,

Para te encontrar.

 

 

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