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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Tu E Eu

Filipe Vaz Correia, 06.06.20

 

 

 

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Tenho as mãos ardentes de um sentir

pedaços de um intenso hesitar

sonhos que insistem em fugir

e vozes que persisto em calar...

 

Viajo de olhar fixo lá fora

busco cada parte desse infinito querer

medos e memórias de outrora 

que outrora ansiava viver...

 

Já me perdi em teu cheiro

vezes sem conta

entrelaçado e derradeiro 

vezes sem conta

e de todas essas vezes

como da primeira vez...

 

Sei que o tempo passa

esmaga e avança

mas se o pudesse parar

por um segundo

discreto e profundo

seria em teus braços que me quereria encontrar...

 

Eu nos teus braços,

Tu nos meus abraços

e Nós entrelaçados...

 

Num amor que sobrevive pela eternidade.

 

 

 

Quo Vadis, Economia Portuguesa?

Filipe Vaz Correia, 03.06.20

 

 

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No sub-solo do Covid-19 se esconde um terramoto anunciado, uma espécie de devastação encoberta por medidas de teletrabalho e Lay-Off.

A Economia, sempre ela, acabará por surgir como tema central, lá mais para a frente, quando os sinais da Pandemia estiverem definitivamente controlados e observarmos o País com metade das empresas, micro e médias, que existiam antes deste tempo confinamento.

Restaurantes, Hotéis, empresas de retalho ou outro tipo de negócios estão a ser postos à prova numa dura competição que arrastará para a pobreza milhares de famílias.

Este plano da U.E., que se prepara para injectar Biliões de Euros na Economia Europeia, se este plano for aprovado pelo Parlamento Europeu, poderá ser a única esperança para evitar uma tragédia de proporções Bíblicas.

Por isso urge ter a noção da responsabilidade e do rigor que será necessário, não só na distribuição destes recursos, mas também na explicação do plano que o Governo irá desenhar para poder ajudar a reconstruir a nossa Economia.

O esforço que está a ser pedido a empresários e trabalhadores não irá terminar com o suposto regresso à normalidade, pois é de antemão sabido que as pessoas, logo o consumo interno, não irá responder, como antigamente acontecia aos estímulos consumistas que serviam de base, ano após ano, ao aumento do PIB nacional...

Mesmo no campo das exportações, onde entrava o sector do Turismo, deveremos demorar pelo menos um a dois anos a recuperar as taxas anteriores ao Covid.

Neste caso específico, o Turismo, talvez agora todos possam compreender a importância deste sector numa Economia com pouca produção Nacional e que assentou a sua transformação Económica, desde os anos 90, no sector dos serviços, abandonando sectores tradicionais e que agora poderiam ser de importância capital.

Não sei se será através da contratação de um Gestor fora do Governo, medida um pouco estranha, porém tudo estará dependente dos resultados das medidas e dos parâmetros Económicos que destas decisões derivem.

De uma coisa estou convicto, viveremos tempos de desafio e neles estará presente o perigo inerente à demagógica vontade de alguns...

Se falharmos no plano de recuperação para o País, se não lhe conferirmos seriedade e rigor, estaremos sempre mais perto do populismo inerente ao desespero das pessoas.

O bem estar e progresso dos cidadãos, enquanto sociedade,  é o que confere valor ao ideal Democrático, sendo que esse caminho só poderá ser realizado com crescimento Económico e perspectivas de futuro.

Por estas razões, importa olhar para este tempo compreendendo o anseio das pessoas, buscando sempre a credibilização das nossas Instituições.

Só assim poderemos pensar o País com optimismo.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Uma Carta Numa Caneca... Para Ti, Minha Mãe!

Filipe Vaz Correia, 02.06.20

 

 

 

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"Nenhuma outra imagem nos poderia representar tão bem"

 

Minha querida Mãe, mais um dia 2 de Junho longe de ti, não tão perto, nesta década que se completa onde a tua partida vai sussurrando essas saudades que se eternizam.

Palavras soltas que nos ligam, num amor sempre presente, nunca menor, intensamente marcado em nosso olhar.

Incondicional, incondicionalmente marcado nesse cordão umbilical nunca cortado, no toque das mãos, no colo presente, na voz que acalmava a minha desmedida rebeldia.

Nesse conforto aconchegante me senti em casa, nos teus braços, no regaço cantado por ti em meus imberbes dias, em todos os momentos, tão nossos...

As saudades que me invadem, todos os dias, não diminuem essa falta que sempre saltará de mim, em cada partilhar de recordação de minha alma.

Farias 85 anos...

Como estou mais velho querida Mãe, sendo que ao espelho, nesse espelho da memória, ainda se encontra o teu menino, esse que vias independentemente da idade.

Essa sensação de musicalidade na expressão, sempre buscando um caminho que me permitisse o sorriso, mesmo que nele contido pouco siso, mesmo que o mundo voasse em sentido contrário.

Foste tu que me ensinaste a amar, a sentir sem receio cada parte intensa de mim mesmo, sabendo que nesse pequeno eterno instante se poderia extinguir a imortalidade.

Um dia chegou...

A tua partida chegou e o céu se cobriu de cinzento, o mar revolto se acalmou, a brisa deu lugar a esse nada que se instalou.

Meu amor...

Parabéns.

Olharei para os teus retratos espalhados em minha casa e neles buscarei, como faço sempre, esse sorriso que tantas vezes me resgatou de tristezas, de contraditórias inquietações, desse caminhar da vida carregada de ilusões.

Obrigado por tudo...

Amor de minha vida.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

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