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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Nos Teus Braços, Meus Abraços...

Filipe Vaz Correia, 21.05.20

 

 

 

Canal do YouTube: So Art Deco

 

Sinto o vazio desesperante, uma mistura fina e crocante no olhar, um sabor agridoce na boca, uma esperança trémula no banco de um jardim.

Nos teus braços, meus abraços, escreveu Tim Bernardes em Só Nós Dois, numa entrelaçada desesperança que se amarra ao mar, que se perde por entre nuvens, alcança a aurora que tarda em chegar.

Sonhar...

Há quanto tempo não sonho?

Há quanto tempo não me recordo desses sonhos que almejo sonhar, que devo sonhar, que pareço ter me esquecido de sonhar?

Mas não será assim cada pegada de passo que marca a vida, esse pedaço de nós que sobressai ao longe mas que insiste em se manter timidamente silenciado...

Na vitrola o som de uma música, uma desnudada música que descreve o impensável, a inimaginável busca por mim mesmo, pelas entrelinhas de uma história desalinhada, tecida em recortes de tristeza, em telas de alegria, rompantes de alucinação em contraditória explicação.

A voz repetida, nos versos soltos, as lágrimas envergonhadas, risos perdidos, memórias tão minhas...

Não sei soletrar, não reencontro nesse lugar os momentos meus, nossos, que escaparam sobrando à alma a certeza desse amor, desamor, que se conta ao vento com o receio desse soltar.

Olho para trás, nesse tempo que não regressa, para a frente, nesse futuro que não chega, neste presente ausente, prometidamente ansioso, sabendo que voltará a ser real, o que realmente importa.

Nos teus braços, meus abraços...

O que verdadeiramente importa.

 

 

Filipe Vaz Correia