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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Poesia Enclausurada

Filipe Vaz Correia, 23.03.20

 

Poesia, poesia;

Que serves de resistência,

De alucinada maresia,

Enlouquecida paciência...

 

Umas vezes ponto e vírgula;

Outras vezes interrogação,

Estridentes gritos de Calígula,

Por entre vagas de alucinação...

 

E viajando sem demora;

Por esta amargurada quarentena,

 Ansiando a dita hora,

Dessa soltura serena...

 

E do outro lado da janela;

O vazio...

 

Do outro lado da rua,

Um intenso nada...

 

Esse imenso calafrio,

Que tarda em passar...

 

Volta velha esperança;

Vai resgatando a humanidade,

Vai buscando a desaparecida querença,

Vai despertando a eterna saudade...

 

Poesia...

Poesia...

 

Não abandones o pedaço de nós,

Que insiste em suportar,

Os tamanhos medos,

Escondidos em cada sorriso,

Disfarçando o receio,

Da finitude humana.