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Caneca de Letras

Caneca de Letras

12
Ago19

Tenho Medo Do Escuro...

Filipe Vaz Correia

 

Tenho medo do escuro, dessa escuridão que se intromete pelos sonhos e nos cerca, nos aprisiona, asfixiante, desmedidamente extasiante.

Não saberia desenhar, por traços ou rabiscos, as estranhas interrogações que permanecem escondidas na brisa da manhã, de cada manhã, nesse despertar que se repete, longe de ti.

Mas o que importa o sentir, se nesse despedir, desnudar ou despir, do tamanho destino, se empurram os dias, se entrelaçam as noites e continuam por conhecer os recantos da alma...

Dessa alma, que meio inebriada, se antecipa ao amanhecer, partindo incógnita, discreta, envergonhada.

Sem viver?

Sem ousar esse reencontrado encontro, para sempre perdido, por entre a desilusão maior de um arrependimento?

Tenho medo do escuro, meio sussurro, vento que chega e ousa partir, assobiando ao longe as amarguras presas a gente distante, em recantos perdidos deste mundo.

Esses gritos que voam pelos oceanos, resgatados pelo vento que cobre as terras da minha aldeia, da minha terra, dos meus destinos...

Esse vento que chega à noitinha, pela calada, sem se fazer notar, invadindo de ansiedade a minha triste saudade, esse desnorte que se confunde com o desesperante bater do olhar, o desprendido olhar que se encerra nesse mundo interior desprotegido.

Tenho medo do escuro e desse amanhecer que não chega...

Tenho medo do escuro.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

11
Ago19

Desconcertante Sentir...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Vida sem sentido ou sentindo essa vida;

Meio flor, metade dor,

Ardente ferida,

De um ferido amor,

Misturada amargura,

De olhos cerrados,

Pedaço de aventura,

Guardada no passado,

Segredando ao ouvido,

As palavras escondidas,

Esse caminho, outrora, vivido,

Por entre memórias perdidas,

Esforçadamente esquecido,

Ardentemente esquecidas.

 

E soletrando cada parte desse ardor;

Que arde intensamente,

Ficará no poema esse eterno clamor,

Que me amarra desmedidamente,

Descodificando este amor,

Que segreda eternamente...

 

As estranhas linhas desta poesia.

 

 

 

 

10
Ago19

O Bater De Asa

Filipe Vaz Correia

 

Bater as asas...

Frase tão forte e definitiva, tão triste e afirmativa, tão libertadora e saudosista.

Nunca um momento terá a tamanha importância desse bater de asa que se tornará marcante, definitivamente marcante.

Nenhuma poesia ou prosa conseguirá pincelar, com precisão, cada curvilínea parte dessa tela, cada esboço entrelaçado desse instante, cada tremer existente nesse presente segundo.

Quando se bate a asa e se levanta voo, sobra a sensação de perda, desse deixar para trás, sem abandonar, desde partir deixando sempre um pouco de nós.

Mas esse mundo novo que nos espera, essa sensação do que por descobrir está, alimenta a imaginação, a independência que estando por construir seduz, nesse sonho que só a nós pertencerá.

Bater as asas e voar...

Como um pequeno pássaro arriscando saltar do ninho, sem olhar para trás, sem olhar para aquele local onde moram as certezas, as seguranças, enfim, esse passado presente que aconchega.

É nesse bater de asas que se constrói o futuro, esse horizonte carregado de desconhecidos momentos, duros e leves, preenchido de lágrimas e sorrisos, de amores e desamores, talvez dor e ardor.

Nesse futuro pincelado pela nossa mão, sem bússola ou co-piloto, morarão os capítulos dessa história por chegar e que chegando nos levarão ao infinito momento onde nos recordaremos do preciso instante em que, pela primeira vez, batemos as asas.

E aí...

Serão as saudades do ninho que irão valorizar cada bater dessas asas, das nossas asas, rumo ao infinito destino.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

09
Ago19

O Desenho De Tantas Vidas...

Filipe Vaz Correia

 

Não sei explicar, não consigo gritar, não se entrelaça esse expressar que poderia desenhar cada palavra deste texto.

Música ao fundo, silenciosamente tocando, olhos cerrados, meio perdidos em mim, por entre, aquela voz interior que soletra desapegadamente o sentir maior, tão maior como a imensidão da esperança, aquela inocente esperança, outrora inexpugnável, agora despida de crença, amarrada a feridas, sabedorias doridas, de estranhas caídas ilusões.

O palco montado, as luzes presentes, o brilho tornado verdade, numa misturada saudade que não quero perder...

Estranha saudade esta que parece resgatar a palavra, cada palavra, cada dor ardente, amor que se sente, ardor que desmente a tamanha crueldade.

Já me perdi no meio das vírgulas e pontos que se intrometem por este texto, me desencontrei com os prometidos encontros que ficaram nesse passado, esquecido, desmentido, cravado naquele horizonte que já não vislumbro.

Abro os olhos...

Finjo não perceber que a tinta da pena se extinguiu, que se perdeu o rosto e o tempo, transformado em desgosto e tormento, tempero preciso para tão impreciso caminho, árduo caminho de um desatinado destino.

Em cada linha, por cada destemperada linha de um secreto texto, se completa o desenho de tantas vidas.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

08
Ago19

No Circo Leonino: Reinam Os "Palhaços"!

Filipe Vaz Correia

 

Matheus Pereira foi, uma vez mais, emprestado pelo Sporting Clube de Portugal, desta vez para o WBA do Championship Inglês.

Alguns “idiotas” usarão este argumento para carimbar o talentoso extremo Leonino, justificando esta atitude da Direcção Sportinguista...

Recordemos, somente, para onde foi Rúben Neves quando saiu do FC Porto.

Como expressou um queridíssimo amigo, de quem tenho saudades, exilado noutro continente:

Isto é uma palhaçada!

Continuamos a explicar que não sabemos lidar com jogadores carregados de talento que são apelidados pela estrutura de personalidades difíceis, com defeitos inenarráveis.

Se até Nani saiu pela porta pequena, caluniado pelo Status Quo existente em Alvalade e propagado pelos “papagaios” de plantão...

Se até ele criava mau ambiente, segundo fizeram circular, o que não irão vociferar sobre um menino da formação, de tenra idade.

Estou desiludido, cansado deste destino carregado de incompetências ou incongruências, sendo esta a sina, de uma rima, numa triste poesia Leonina.

Aconteceu com Mama Baldé, com Demiral, com Chico Geraldes, com Domingos Duarte e acontecerá com Miguel Luís, Daniel Bragança, Luís Maximiniano e Thierry Correia...

Irá acontecer.

Pior do que isto é este protocolo com o Manchester City, 

Vender Félix Correia ao City, por 3 Milhões de Euros, é um acto "criminoso", numa terrível amputação de qualidade, dando ainda sinal aos meninos que estão em Alcochete que será sempre melhor buscar, em tenra idade, outros caminhos para lá das paredes de Alcochete...

Foi esta a escolha de Félix, já tinha sido a escolha de Tiago Djaló e provavelmente outros os seguirão.

Esta tristeza que me persegue pode ser entendida, pelos tais “idiotas” de plantão, como um crime lesa Clube, numa estratégia de condicionar aqueles que raciocinando discordam do rumo.

No passado recente expressei, desde a primeira hora, o desespero pelo trilho populista que havia chegado ao Sporting e não calarei, este mesmo desespero, perante os Yuppies incompetentes que agora "lideram" os destinos do Leão.

Porque amar é isso mesmo...

Amarrar sempre que cair, abraçar sempre que for preciso e gritar, sem parar, sempre que se aproxima o abismo, por distracção, dolo ou ignorância.

Este último requisito está plasmado neste novo "reinado" no Planeta Sporting...

No Reino circense, onde os Leões foram substituídos por "palhaços".

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

07
Ago19

América: As Duas Caras De Uma Nação!

Filipe Vaz Correia

 

Mais um massacre nos Estados Unidos, ou melhor, mais dois...

Parece que se repete esta tragédia, este entrelaçado terror que não cala, esta tortura que esventra a Sociedade Americana, num inexplicável caminho que se amarra aos tempos de um “belo” Western.

Adoro os Estados Unidos, foi aliás uma das viagens que mais gostei de fazer, sendo que a América que visitei, sei bem, está distante desta que aparece nos telejornais.

Estive entre Boston e Nova Iorque, há duas décadas atrás, numa viagem que me encantou e seduziu, apaixonou e arrebatou, sem hesitações.

A  cultura universitária e cultural que se respira na “velha” Boston, a costa Atlântica entre Cape Cod, Newport e Hamptons, num deslumbrante caminho até a Big Apple...

Ali no meio de cheiros e luz, de gente e fumo, cresce e respira a multicularidade, o constante rebuliço de mentalidades que se cruzam e acrescentam, àquele lugar, a magia que jamais imaginei.

Neste dia onde se vê e sente a brutalidade de mais massacres, fica claro que esta América caminha em dois carris diferentes, com mentalidades diferentes, com valores diferentes.

Se dependesse desta América que me apaixonou, há muito que a lei das armas havia sido alterada, provavelmente extinta, em contraposição com este lado, Texano, onde ainda se acredita na força do tiro, na determinação bélica do tempo dos cowboys.

Donald Trump já veio defender a punição daqueles que cometeram tamanho horror, mas sem a força ou a credibilidade que não lhe foi conferida pelo teleponto, onde moravam ou pareciam morar as descrentes palavras.

O discurso de Ódio, bem denunciado por Obama e tantas vezes feito por Trump, não pode ser o responsável por esta ou outras barbáries desta dimensão mas verdadeiramente contribui para a banalização de vários sentimentos pequenos, tacanhos e discriminatórios que se encontram em momentos como este.

Eu adoro os Estados Unidos, continuo a gostar, mas sei bem que a América que visitei e me entrelaçou, está nas antípodas desta que aparece na capa dos jornais.

Duas caras, por entre, o Sonho e o Pesadelo Americano.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

06
Ago19

E Que Tal, Uma Greve Às Greves?

Filipe Vaz Correia

 

Está na ordem do dia esta discussão em torno da Greve dos motoristas de matérias perigosas e as suas reivindicações.

Ameaças de paralisação do País e das suas estruturas produtivas, fazem parte do rol com que somos brindados pelo advogado do sindicato, o Dr. Pardal.

Há dias, ouvi o Ministro da Economia, Siza Vieira, expressar a sua vontade de mexer na lei da Greve, tentando ajustar essa lei aos tempos actuais, dando a certa medida de defesa ao Estado para lidar com chantagens e medidas desproporcionadas que acontecem em muitos casos.

Logo um coro de criticas se levantou, da esquerda até a alguns sectores do centro direita, numa expressão pequena do bem comum.

Aqui, nesta Caneca, já expressei que sou contra a existência de Greves, sou por principio contra, sem desmerecer a opinião de muitos amigos “Canequianos” que me demonstraram, através das suas opiniões, o mérito de um pensamento contrário, para defesa daqueles que necessitam de reivindicar os seus direitos.

Respeito esse ponto de vista mas continuo sem ver, nessa forma de manifestação, a bondade que muitos amigos relatam.

Antes pelo contrário, vejo nas Greves de transportes uma forma de chantagear o Governo, através do desespero daqueles que necessitam desses mesmos transportes para se movimentar, para ganhar os seus salários.

Greves pontuais em hora de ponta, naqueles horários que sabem criar mais mossa na vida do cidadão comum...

Médicos e Enfermeiros usando a vida de cidadãos como moeda de troca para regalias, certamente merecidas, ou mesmo Professores guardiões dessas mentes do futuro e que as usam como escudo para se fazerem ouvir.

Dir-me-ão que é a única forma de fazerem ouvir as suas vozes...

Então não gritem, escrevam.

Nos dias de folga encham o País de alto a baixo, telefonem para as televisões, boicotem congressos partidários, paralisem a Assembleia da República, isso se calhar não é necessário pois os Deputados são especialistas nesse requisito, façam o que quiserem...

No fim de semana, nos dias de folga, nos dias de férias mas não usurpem o dia a dia do cidadão comum, nem adensem as “nossas” quotidianas preocupações.

Assim, sou favorável a que se altere a lei da Greve, não a exterminando do mapa, como aconselharia a minha opinião, mais radical neste tema, mas para um novo reestruturamento dessa balança que impossibilite chantagens ou arruaças, exageros ou cartelizações, demagogias ou as sempre “normais” pontes.

Por tudo isto...

Façam Greve às Greves!

O País agradece.

 

 

Filipe Vaz correia

 

 

 

05
Ago19

A Maior Vergonha De Um Leão!

Filipe Vaz Correia

 

Esta foi uma das maiores vergonhas, enquanto Sportinguista, da minha vida.

Poderia perder tempo a disfarçar a angústia que me invade, buscando o politicamente correcto que nos dias que correm são o mais indicado.

Não o quero fazer!

O jogo do Algarve...

Perdão, estou sem palavras...

Este jogo é a demonstração da falência do sistema, desse pensamento bacoco que guia os "iluminados" que nos lideram.

Este Sporting está mal delineado, mal liderado, mal desenhado, assente em frases ocas, de mentores vazios que excitam alguns, amarrados aos sonhos que não chegam.

Bruno de Carvalho nunca seria a solução, aliás estive na sua oposição desde a primeira hora, no entanto, este Presidente, este caminho, não corresponde à solução para tamanha agrura.

Rafael Camacho ou Valentin Rosier?

Doumbia?

Eduardo?

Neto????

Repito...

Neto?

Estamos entregues a especialistas do Football Manager ou a um antigo adjunto de Jorge Jesus, acreditando num mundo mirífico que, infelizmente, não chegará.

Vietto, contratado por 15 Milhões de Euros, pelo menos foi esta a avaliação, nem sequer chegou a entrar no jogo, talvez devido às suas miseráveis exibições, o que não pode ser estranho sendo o Argentino avançado centro, passando a pré-época a jogar a extremo esquerdo.

Keiser manteve-se imperturbável, contrastando com a cara de Thierry Correia ou Luís Maximiniano, mas nada disso importará, tendo em conta, a qualidade do treinador.

Uma questão:

Será o jogador, Restaurador Olex, Doumbia melhor do que Daniel Bragança?

Claro que sim...

Bragança foi formado em Alcochete.

Estou triste!

Nesta tristeza Leonina que permite o desabafo, neste entrelaçar amargurado que me permite gritar o que dita a  alma...

Um novo dia, um novo rumo, uma nova direcção.

Com estas Varandas e os seus apaniguados não construiremos o futuro que tanto almejamos.

Isso é certo para mim.

Ver Vieira na flash interview a declarar o Sporting Clube de Portugal candidato ao título, enquanto, Frederico Varandas, ali esteve, a falar de uma putativa agressão a um director do Sporting, encerra muito do que nos corrói.

Que tristeza!

 

Filipe Vaz Correia

 

 

04
Ago19

Sporting Vs Benfica: O Início De Tudo!

Filipe Vaz Correia

 

É dia de Sporting vs Benfica...

A Supertaça Cândido Oliveira.

A bola vai começar a rolar e iniciar a época 2019/2020, num reavivar de emoções, recomeçando a esperança de ganhar, a querença maior que habita nos adeptos, essa esperança para uns em verde, para outros em azul e outros de encarnado.

Lágrimas serão soltas, sorrisos de nervoso ou contentamento, palavrões e sonhos entrelaçados num querer maior que se impõe à razão, racionalidade que se ausenta por 90 minutos, nesse mar imenso de amor irracional.

Sou leão, Sportinguista, desde que me recordo, ou melhor, desde que desconhecia conhecer esse sentir que se supera, essa crença tornada fé, essa perdição tornada amor.

No Algarve, por um instante, voltarei a ser aquele menino que sonhava saltar de alegria, aquela criança que desejava não adormecer para sonhando acordado festejar cada golo na imaginação, passeando pela alma verde e branca de um contentamento inolvidável.

A bola irá saltar pelas 20h45...

E todos cerrarão os dentes, darão as mãos, sonharão com esse Olimpo de esperança que não escolhe idade, sexo, política ou religião, pois este amor ultrapassa todas as barreiras, todos os obstáculos, todas as contradições.

De olhar penetrante, voz embargada, alma concentrada, ali estarei, estaremos, todos unidos de verde e branco colado à pele, sendo mesmo a pele, num desejo que não se contém...

Um Amor Leonino.

Viva o Sporting.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

03
Ago19

A Esperança Na Ponta De Um Poema!

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Nem sempre o sol desperta, nem sempre o dia se enraivece, nem sempre a luz reaparece, por entre a dor deserta, nessa busca inquieta pelo que dita a desesperante alma.

Por vezes grita baixinho essa contradição insanável, por vezes chora de mansinho por entre o coração inconsolável, por vezes num pranto, outras vezes num silêncio e tantas, tantas vezes, por entre a espuma de um sonho.

Sempre que recomeça o dia, sempre que se desperta a alma, procuro no olhar, vagabundo, de quem comigo se cruza, aquele brilho, intenso brilho, que há muito me escapou.

E talvez um dia, numa ousada poesia, num desgarrado poema, se quebre o dilema, desse misterioso viver.

Por entre solitárias letras, entrelaçadas palavras ou simplesmente nesse infinito silêncio, porém, sempre tão infinito como a esperança.

A desesperançada esperança!

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

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