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Caneca de Letras

Caneca de Letras

23
Jun19

Monólogo Poético

Filipe Vaz Correia

 

Não tenho nada a perdoar;

Nada para escrever,

Tudo para recordar,

E nada para esquecer...

 

Não tenho nada para silenciar;

Nada para reescrever,

Nada tenho para apagar,

Ou para me arrepender...

 

Nada quero soletrar;

Ou nos versos me perder,

Nunca mais te encontrar,

Nunca mais sofrer...

 

Nada poderá sobreviver;

Por entre a doce maresia,

Esse mar a revolver,

A ingénua poesia...

 

E sem mais nada para acrescentar;

Deixemos voar a melodia desse rufar do tambor,

A bela história terminar,

Extinguindo, silenciosamente, o prometido amor.

 

 

 

 

 

 

22
Jun19

O Meu Piano

Filipe Vaz Correia

 

O som do piano vai continuando a percorrer os corredores da casa, como se ainda nele tocassem, como se ainda a luz invadisse aquelas paredes, como se ainda aqueles cortinados fossem descerrados, como se ainda vida por ali existisse.

Nada mais do que o silêncio sobrevive ao tempo, àquele tempo que decorreu entre os radiosos anos que se extinguiram.

O som do piano, agora corcomido e velho, parece ganhar a batalha da eternidade, da solitária eternidade por entre aquelas bafientas paredes, onde só o pó parece reinar.

Nem mãe nem pai, muito menos avós ou amigos, filhos ou netos, jantares ou almoços, risos ou lágrimas...

Escuridão, arrebatadora escuridão, que se impõe esvoaçando entre o relógio de pé, parado nas horas, no tempo, sem asa ou momento, altivamente acompanhado pelos frescos no tecto, meio pálidos escondendo as vivas cores que outrora marcavam cada recanto daquele lugar.

Vidas e sonhos ali perdidos, desencontrados, naqueles cantos agora tristonhos, pouco risonhos, meio medonhos, como se aquele quadro não tivesse ali espaço, desabitado regaço de um destino.

Portas trancadas, janelas cerradas, palavras fechadas a todo o custo, encerradas a sete chaves nesse secreto lugar da memória...

Tudo ali tem história, secretamente entrelaçada em outra vida, talvez perdida, numa espécie de despedida eterna, sem fim.

O som do piano vai continuando a ecoar...

Ecoando como se nada mais tivesse importância, como se ainda os bailes ali tivessem lugar, como se ainda eu ali permanecesse.

O barulho das máquinas a chegar, o ruído da manhã a ecoar, as vozes de homens acelerando o epílogo de tantas noites e dias, pequenas melodias que prometiam não findar.

O piano calou-se...

As máquinas começaram a trabalhar e a cada instante insistentemente a derrubar cada parede de minha casa...

Naqueles escombros, por entre aqueles retratos se desvanece a minha empoeirada alma.

Já não toca o piano...

O meu piano deixou de tocar.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

21
Jun19

Palavras Ao Vento

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Palavras ao vento, num singelo momento, entrelaçando num instante esse perder constante que se assemelha na verdade com essa saudade, esquecida querença esvaída esperança, somando estranhezas, por entre as confundidas certezas, de mansinho soletradas, explicando as emoções sussurradas de uma vida. Palavras ao vento marcando um tempo, secreto segredo, disfarçando o medo que reluz no horizonte para lá de um monte, onde se esconde o sonho, outrora risonho e que agora... Agora permanece irrequietamente provocador, sem macula, sem dor, insistindo através do olhar nesse sentido amar descrito nos livros. Palavras ao vento, misto de arrependimento, sincera vontade de um tristonho sentimento, por entre perdido sentir, ameaçando fugir nesse breve abraçar que nos esmaga. Palavras ao vento, sempre elas, contando sem receio cada partícula segredada de um imenso querer. Como te quero? Quanto te quero?

Palavras ao vento celebrando este amor.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

21
Jun19

Maternidades Em Part-Time...

Filipe Vaz Correia

 

Parece que irão fechar de forma rotativa, repito rotativa, as Maternidades da Grande Lisboa durante o Verão.

Onde é que está o problema?

Claro que muitos aproveitam para atacar esta medida, sem atentar à boa prática orçamental da mesma.

Em primeiro lugar a maior parte das pessoas não vai para a maternidade no verão, altura de imenso calor, sendo a  praia um lugar mais aprazível.

Em segundo lugar é absolutamente normal que o Governo aproveite este tempo de férias para organizar os custos do Estado, assim como, fazem a maior parte das famílias.

Por exemplo, em minha casa desactivo a Sport Tv, aproveitando o fim do campeonato nacional, poupando dois meses de mensalidade.

Existem jogos durante este tempo?

Sim...

Mas pouco interessantes e em pequena quantidade.

Direi até mais...

Mas quem é que resolve fazer filhos em Outubro, Novembro ou Dezembro, meses agitados profissionalmente, com fecho de contas, vendas de Natal e agitação turística.

Quem?

Por todas estas razões parece-me que existe falta de compreensão com esta medida, numa rotatividade que se aprecia e saúda.

Não existem muitos Obstetras ou Enfermeiros no SNS, dificultando a gestão hospitalar para atender tantos utentes e mesmo assim as pessoas da região de Lisboa parecem insistir em procriar...

Mas não lhes bastava o Outono, o Inverno ou a Primavera, ainda querem ter filhos no Verão.

Tenham vergonha e vão para a praia, sem gritos ou reclamações que o nosso País, não é o Pingo Doce em dia de promoções.

Tenham bebés mas com respeito ao calendário adequado para o efeito.

Combinado?

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

20
Jun19

Só, Li, Dó

Filipe Vaz Correia

 

Só,li, dó;

Letra musical,

Pedaços de nó,

Nessa arte especial...

 

Numa letra da canção;

Outrora virgem iludida,

Soletrando só, li, dó,

Solidão desferida...

 

E cantando a plena voz;

Esquecendo a tamanha dor,

Reescrevendo essa pena atroz,

Que vai ardendo sem pudor...

 

E repetindo o refrão;

Escrito pelo poeta,

Vai soltando o coração,

A vontade já deserta...

 

Deserta e afinada;

Uma e outra vez,

A cantiga apaixonada,

De um singelo amor cortez.

 

 

 

 

 

 

19
Jun19

Glória Vanderbilt: Um Século De Glamour...

Filipe Vaz Correia

 

Glória Vanderbilt...

Tantas palavras para escrever, sinónimos por encontrar, numa história que daria um livro, uma teia que teceria um romance, um apelido que moldaria um País.

Os Vanderbilt serão o mais aproximado do que se poderia chamar de Realeza Americana, esse complexo Americano, transposto para a realidade nessa boçalidade visível em cada instante Trump, esse pedaço de ignorância grotesca espelhado na Casa Branca.

Desapareceu tranquilamente a herdeira desse nome carregado de glamour, e como nos tempos que correm ganha substância cada pormenor de elegância, uma "personagem" delicada, no entanto, afirmativa, numa mistura de forma artística e inovadora, de classe e revolucionária.

Anderson Cooper disse:

" A minha Mãe viveu sempre nos holofotes da opinião pública."

Como não poderia deixar de ser, pois desde a sua tenra idade, marcou o momento mediático Americano, por entre julgamentos populares, escândalos fashion, sempre pautados pela arrogante subtileza de um legado...

O legado Vanderbilt.

E assim, num singelo pormenor da história, desaparece alguém superiormente maior, mesmo que num tempo, onde não existe tempo para compreender o alcance de tamanha figura.

Até sempre, "Cisne" de Nova Iorque.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

19
Jun19

Obrigado Miguel Duarte!

Filipe Vaz Correia

 

Meu caro Miguel, não sei nem me interessa averiguar os pormenores da questão, até porque em certos casos os pormenores são tão menores que não poderão ser comparados com os pormaiores essenciais.

Ouvindo e lendo toda a história que te pertence, sobra-me um pouco de vergonha, envolve-me esse conforto cobarde que nunca me permitiu arregaçar as mangas e contribuir, gigantescamente, como fizeste.

"Quando vejo uma pessoa a morrer afogada, não lhe pergunto se tem passaporte. Tiro-a da água."

Miguel Duarte

Parece que após ajudares a salvar milhares de vidas no Mediterrâneo, o Estado Italiano, comandado por Salvini, apressa-se a te processar, ameaçando com uma pena que pode ir até aos 20 anos de prisão.

Nada que possa espantar, vindo de quem vem...

Mas o que não pode tardar é a resposta desta Nação que sendo tua, é maior do que as suas fronteiras físicas e muito maior do que essa Alma transposta em livros, histórias, romanceadamente única.

Os teus actos nos enobrecem, orgulham, emocionam, o que em momento algum pode ser confundido com qualquer acto menos correcto ou condenável.

Ao tomar conhecimento deste caminho por ti traçado, senti-me impelido a escrever, a gritar, a contribuir desta pequena forma, neste insignificante blog...

Obrigado Caro Miguel Duarte, pois com o teu exemplo, se renova a esperança num futuro melhor.

Obrigado.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

18
Jun19

Radicais, Absolutamente, Livres!

Filipe Vaz Correia

 

Existem momentos ou situações que não conseguem ser descritos na sua plenitude, muito menos pormenorizados, pelo significado que têm, pela beleza que assumem...

É assim na amizade, nesse amor fraterno chamado amizade.

O texto de Jaime Nogueira Pinto em homenagem a Rúben de Carvalho é apenas um pequeno pedaço desse momento, de uma bela amizade forjada na diferença, nessa gigantesca diferença capaz de encurtar divergências, de ligar pólos opostos.

Um Comunista e um Nacionalista, tão diferentes como inteligentes, tão afastados como coerentes.

Nessa genialidade livre, nessa radicalidade fraterna, se manifesta a capacidade de dois homens discutirem sem populismos bacocos, sem hipocrisias menores, sem as amarras tão habituais na política de corrimão.

E é assim que se dá o exemplo, que se honra a grandeza maior da nossa História, do legado dos que souberam construir o que somos, o que nos moldou como Nação.

Estaria sempre ao lado de Jaime Nogueira Pinto, por princípio, convicção ou valores, no entanto, isso jamais me impediria de admirar, respeitar o passado e a memória de alguém como o radical, absolutamente, livre que era Rúben de Carvalho.

E isso, nos tempos actuais, já é uma valiosíssima lição a recordar.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

18
Jun19

João Félix: A Loucura De Simeone!

Filipe Vaz Correia

 

Segundo avança a imprensa espanhola, João Félix estará a um passo de assinar pela equipa de Diego Simeone, por 120 Milhões de Euros.

Parece inacreditável mas cada vez mais se afigura como verdade.

Não tenho receios nem subterfúgios em relação a este assunto, João Félix é um projecto de grande jogador, um jovem talento do futebol Europeu.

Mas como não tenho por hábito ser hipócrita e gosto de assumir o que penso, aqui deixo a minha singela opinião, a todos os adeptos deste planeta futebol...

O Atlético de Madrid está a um passo de cometer um erro histórico.

Um erro histórico!

Num tempo onde Éden Hazard custou ao Real Madrid perto desse valor, assim como se fala de Griezzman no Barcelona pela mesma ordem de valor, para não falar da transferência de Ronaldo para a Juventus, colocar João Félix neste patamar de grandeza será cerceador de um futuro que poderá ou não ser auspicioso.

Félix tem muita qualidade, qualidade essa para ser um dos melhores na sua posição, mas em momento algum, na minha opinião, estará no patamar de grandeza destes que referi anteriormente.

Ainda por cima João Félix, ao contrário do que os jornaleiros afirmavam, não será transferido para Man. United ou City, Barcelona ou Real Madrid, clubes do sistema, protegidos pelo Status Quo dos campeonatos que disputam, ou seja, realidade a que está acostumado neste "pequeno" Portugal, o que acrescentará dificuldade a essa realidade, cobrança, que virá a encontrar.

Veremos durante a época de que lado estará a razão, esse pequeno pormenor de a bola entrar ou não na baliza adversária, construindo momentos e instantes definidores de futuro...

Desse futuro que conta.

De uma coisa tenho a certeza para o Benfica e para Jorge Mendes este não é um erro histórico, mas sim um momento histórico.

Historicamente memorável.

Já para o Atlético?

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

17
Jun19

Recomeçar: O Deslumbrante Mundo De Tim Bernardes...

Filipe Vaz Correia

 

Tim Bernardes...

Este nome que me chegou do outro lado do Atlântico, num dia como outro qualquer, numa explosão de sentimentos e melodias, nesse Recomeçar imenso que se amarrou a minha alma, desmedidamente constante.

Já aqui escrevi sobre ele, sobre a forma como a sua escrita transposta em música se entrelaça com o âmago desse intenso sentir provocador, desconstruindo o formigueiro extasiante que se instala, que nos assalta num singelo segundo, eterno pequeno segundo.

Tudo é imenso, imensamente curto, intervalado com a imensidão longínqua desse espaço estelar que ecoa a cada pedaço de letra, cada verso, cada rima, cada sentido pormenor.

Por estes dias assistindo a uma sua entrevista me deparei com as palavras de Caetano Veloso...

" Uma maravilha de afinação, controle da dinâmica, refinamento, execução instrumental e liberdade na elegância do uso do palco e da luz - além das composições personalissimas de caminhos fascinantemente desviantes... Tive a certeza de que a música Brasileira é forte para sempre. Quem vê um show de Tim Bernardes não pode nem acompanhar o movimento mental de quem diz que nossa canção hoje não tem valor. "

Caetano expressou através das suas palavras o espantoso talento deste jovem músico, num gesto de grandeza e sapiência de um mestre, sabendo valorizar o que de melhor fazem aqueles que continuarão o seu legado.

Tim emocionado contou que havia sido Salvador Sobral a apresentar o seu álbum "Recomeçar" para Caetano Veloso, numa irónica encruzilhada do destino, nesse abraçar dos dois lados do Atlântico.

Caetano precisou de vir a Portugal para conhecer o trabalho absolutamente deslumbrante deste seu conterrâneo.

Da minha parte apenas referir o quanto admiro este álbum, o artista e a melodiosa poesia saltitando por entre os acordes da sua viola ou das teclas do seu piano.

Desnudado de folclore, de tamancos ou subterfúgios, assim é Tim Bernardes, despido em palco de distracções, apenas a sua voz e o imenso talento que lhe pertencem.

Como é bom conhecer e apreciar a genialidade dos melhores...

Um impressionante privilégio.

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

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