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Caneca de Letras

Caneca de Letras

23
Mai19

No Caneca Com... Malik!

Filipe Vaz Correia

 

 

 

De amor nua

 

De amor nua
bailando na brisa
que teima em passar,
é filha da rua
maior poetisa
que sabe ensinar;

 

Cabelos ao vento
acorda dorida
de tanto dançar,
é o desalento
da alma sentida
que a faz soluçar;

 

Um raio de luz
calor do universo
para a consolar,
vida de cruz
caminho incerto
para onde rumar?

 

Malik

 

 

 

 

 

 

 

 

 

22
Mai19

Não Se Esqueçam Da Paciência Do Chinês

Filipe Vaz Correia

 

Esta batalha comercial entre os Estados Unidos e a China conheceu mais um capítulo, envolvendo a Huawei e a Google, em mais um episódio na escalada de sanções que acrescentam incerteza no quotidiano empresarial Mundial.

Todos parecem seguros em afirmar que a economia Chinesa se irá ressentir destas medidas, no entanto, tenho as mais sinceras dúvidas sobre essa incerta certeza.

É certo que no curto prazo, apontando a esta medida concreta que envolve a Huawei, este constrangimento poderá atingir o centro da indústria tecnológica Chinesa, porém acredito que a resposta será, a seu tempo, surpreendente.

A cultura Chinesa, Milenar, habituou-se a ultrapassar vários desafios, tempos Imperiais ou Revoluções sanguinárias, adaptando-se ao longo dos séculos a novos cenários ou contratempos.

Acredito que este será mais um...

Desenvolver com sucesso um sistema que possa rivalizar com o Android, será talvez o maior desafio dos tempos modernos, no campo económico ou industrial que a Sociedade Chinesa enfrentará, no entanto, servirá também para cerrar fileiras no campo sentimental, carregado de um orgulho Nacionalista que certamente diminuirá em muito a influência de várias marcas Americanas naquele território.

Uma batalha que arrastará a Europa e os seus mercados para tempos nublosos, obrigando a posicionamentos cautelosos e ponderados.

Na minha opinião é cedo para decretar vencedores ou cantar vitória como parecem fazer alguns analistas bacocos, deixando-se inebriar pelos tweets pejados de fanfarronice do sempre enérgico Donald Trump.

Importa recordar aquela expressão...

"Paciência de Chinês!"

O tempo e a História se encarregarão de nos recordar o desfecho de tão arriscada batalha.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

21
Mai19

Europeias: O Início Do Fim?

Filipe Vaz Correia

 

Os dias por esta Europa avistam-se cinzentos, por entre radicalismos e extremismos, cada vez mais anunciados nestas eleições no Velho Continente.

Há muito que a Europa e por consequência a União Europeia perdeu o rumo que prometia ser risonho aquando da sua fundação, perdidos por entre descontentamentos e dificuldades, manifestações e populismos.

Os Euro Cépticos ganham força e expressão nas sondagens que se afiguram como um retrato dos votos da população Europeia, desde a França até Itália, de Budapeste a Viena, de Espanha até Praga...

Tantos caminhos e lugares, todos eles submersos numa insatisfação guardada entre os efeitos de uma austeridade bacoca e o afastamento daqueles que sendo eleitos cada vez mais estão distantes daqueles que os elegeram.

Há décadas atrás, aquando da queda do Muro de Berlim, começava uma Era diferente nesta Irmandade das Nações Europeias e o projecto até então construído, via aparecer as primeiras brechas nesse destino sonhado.

A inclusão dos Países do bloco do Leste, atrasados em todos os sentidos em relação àqueles que já faziam parte da antiga CEE, vieram com a sua integração, mal preparada, acrescentar dificuldades que se tornaram gritantes forjas de sentimentos Nacionalistas, assim como, de uma crescente ideia de desagregação Europeia.

Por dentro, lentamente, aqueles Euro Cépticos eleitos foram criando uma retórica populista capaz de enfraquecer o espírito Europeu, coadjuvados por políticas de Austeridade que puniram as populações, incapazes de compreender as rupturas nesse futuro prometido.

O Tratado de Lisboa, como não recordar o trabalho do sempre nefasto José Sócrates, acabou por pressionar e acrescentar tensão ao já de si problema Europeu.

O Brexit foi apenas uma consequência desse labirinto de insatisfação.

O que nos espera nestas eleições Europeias é um maior número de representantes Cépticos em relação à construção Europeia, caminhando no sentido da sua implosão.

Este desabafo Canequiano reflecte o receio dos que acreditando num futuro de uma Europa Unida, se apercebem da cada vez menor capacidade deste projecto encontrar um porto seguro.

E podem acreditar que ninguém sairá bem deste ruir do projecto Europeu.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

20
Mai19

Todas As Mágoas Do Mundo

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Todos os gritos transformados num só;

Todas as vozes caladas,

Todos os sonhos reduzidos a pó,

Poeira desdenhada...

 

Todas as lágrimas desaparecidas;

Todos os olhares disfarçados,

Disfarçando as velhas feridas,

Em lugares desencontrados...

 

Todas as partes de mim;

Numa entrelaçada estrada,

Desapegadamente em busca de um fim,

Um fim cheio de nada...

 

Mas nesse horizonte ao luar;

Perdidamente entre poetas,

Vinícius, Cazuza, Pessoa ou Gilmar,

Se prende a mim, desperta,

Essa busca sem findar,

Da alma incerta...

 

E sem tradução;

Singelamente desacertado,

Se entrega o coração,

A esse destino acelerado,

Que ainda me consome.

 

 

 

 

 

19
Mai19

Adeus Guerra dos Tronos

Filipe Vaz Correia

 

Chegámos ao último episódio de Game Of Thrones...

Uma espécie de tristeza e ansiedade, num fim que se aguarda sem receio.

Durante esta oitava temporada vários foram os momentos onde me surpreendi e desiludi mas sempre com a perfeita certeza de estarmos  perante o que jamais foi realizado.

O que Game Of Thrones nos deu enquanto série, foi na verdade a sensação de experienciar coisas nunca antes experimentadas, imaginar cenas, palavras, particularidades muito para além do que já havia sido feito.

Pegar neste genial livro de George R.R. Martin não deve ter sido fácil e principalmente seguir em frente quando a rede da genialidade do autor não mais existia, deixando aos dois autores da série a responsabilidade de manterem a tamanha qualidade da mesma.

Assim será fácil para muitos dizerem que teria sido melhor desta forma ou de outra, certamente escolhendo um caminho diverso a ser trilhado, no entanto, mesmo diante aqueles momentos que desejava terem sido melhores, só uma palavra em minha mente sobrevivia...

Brilhante.

Como escrevo antes de ver o último episódio, numa sincera despedida, aproveito para gritar aos ventos do norte e do sul, para cá e para lá das muralhas, neste e noutros domínios, com a determinação de um Dragão....

Adeus Game Of Thrones e muito obrigado a todos.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

18
Mai19

Juras de Amor

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Na silenciosa penumbra de um sonho;

Voam palavras incendiadas,

Retratos enfadonhos,

De memórias pinceladas,

Por entre pedaços medonhos,

Dessa pueril imaginação...

 

Nas entrelinhas da querença;

Ficam livremente libertas,

As amarras desertas,

Da terna esperança...

 

Nas mágoas disfarçadas;

Eternamente recordadas,

Viverão esquecidas,

As minhas feridas,

Que não posso doar...

 

Pois cravadas na alma se encontram;

Cravadas como espinhos,

Pequenos caminhos,

Da solitária lágrima...

 

Essa que procuras como redenção;

De tudo o que guarda o coração,

Como prova de recordação,

Do que já não habita em ti...

 

Na silenciosa penumbra de um sonho;

Se findam promessas e desejos,

Palavras prometidas e juras de amor...

 

Na silenciosa penumbra de um sonho;

Ficarão guardadas as mais belas partes de mim.

 

 

 

 

 

 

17
Mai19

Estão Todos Contra o Comendador Berardo?

Filipe Vaz Correia

 

Também é má vontade...

Então agora querem retirar as condecorações ao "queridissimo" Joe?

Então o senhor Comendador deixará de ser chamado Comendador?

Meus amigos tudo tem limite...

Que o "nosso" estimado Joe Berardo, esse "filantropo", possa ter cometido um ou outro erro poderá até corresponder à realidade, que esses erros possam ter feito desaparecer umas centenas de milhões de Euros em seu proveito, poderemos concordar, no entanto, amesquinhar uma pessoa idosa tentando lhe sonegar um título tão precioso, já me soa a tremenda injustiça.

Mas neste tempo de grande revolta, onde se procuram culpados para as agruras do País, não se olha a meios e injustiças, como fica bem patente neste caso.

Daqui a pouco, os credores irão querer ficar com os quadros do tão simpático Comendador...

Que injustiça.

Esta Sexta-feira saberemos o desfecho deste caso das condecorações, pois o "dinheirinho" será bem mais difícil de resgatar.

Tenha calma caro Comendador, olhe que ainda existem celas disponíveis no Estabelecimento Prisional de Évora...

Essa bela terra Alentejana.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

15
Mai19

Sporting: Um Ano Depois...

Filipe Vaz Correia

 

Faz hoje um ano que um bando de energúmenos invadiu a Academia de Alcochete, perpetrando um dos actos mais vergonhosos da História do futebol mundial.

O Sporting, sequestrado por um Presidente louco, apoiado durante anos pelas massas sedentas de vitórias, vivia por essa altura o expoente máximo de um tempo sem lei...

Dias cinzentos que ameaçavam a rica História Leonina, longe de podermos imaginar os contornos violentos e obscuros que ganhariam vida nesse malfadado dia 15 de Maio de 2018.

Muitos anunciaram um tempo de deserto para o "meu" querido Sporting, um período nublado para a alma verde e branca que acalenta cada um de nós, adeptos Sportinguistas.

Um ano depois estamos vivos, bem vivos...

A equipa de futebol venceu a Taça da Liga, pode vencer a Taça de Portugal, lutando neste campeonato da vergonha por uma digna classificação.

Títulos Europeus resgatados pela equipa de Hóquei em Patins e Futsal, uma vitalidade há muito perdida e que parece voltar a surgir no horizonte Leonino.

Nunca fui um apoiante do actual Presidente, continuo duvidando das suas escolhas e trilhos mas faço gosto em reconhecer a diferença...

Frederico Varandas poderá ser mais ou menos competente, veremos quando for altura de ser avaliado, no entanto, é educado, institucionalmente irrepreensível, sabe respeitar a História do nosso Clube, com todos os predicados que a mesma incluí.

Por tudo isto, congratulo-me por este dia, pelo ressurgir de um certo orgulho e de uma forma de estar, buscando recuperar a formação ou sarando feridas abertas de forma populista e irresponsável pelo boçal que o antecedeu.

Assim, recordemos este dia como forma de nunca mais repetirmos tamanho erro...

O erro de uma escolha violenta e extremista.

Viva o Sporting

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

14
Mai19

Soletrados Anseios

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Às vezes por entre o breu da noite;

Reservo parte de mim,

Buscando os sonhos adiados,

Os anseios perdidos de outrora...

 

Aqueles momentos nunca encontrados;

Os desenhos rabiscados,

As palavras ensaiadas,

Versos inacabados...

 

Às vezes por entre o breu da noite;

Se apodera de mim,

Esse medo sem fim,

De ter passado por aqui,

Sem ter ousado voar...

 

E nos silêncios de tamanhos desencantamentos;

Me amarro aos sorrisos,

Pedaços de sentimento,

Um dia vividos,

Nesta parte de destino,

Só meu...

 

Às vezes por entre o breu da noite;

Atrevo-me a voar,

Como se o céu,

Não tivesse fim.

 

 

12
Mai19

Ruidosos Silêncios...

Filipe Vaz Correia

 

Este silêncio que me consome, consumindo sem calar, desde a mais profunda inquietação arrepiada, numa encruzilhada de sentimentos despidos de cor, como se a espera constante de um reencontrado reencontro fosse maior do que esse degelo anunciado, desesperadamente gelado.

Contradições inquietas, palavras incertas, vozes e querenças diluídas no tempo, por um momento sedento de solidão.

Nada fica, se eterniza para além do testemunho cinzento daqueles pedaços de vento que esvoaçam por entre as almas mortais de todos nós.

Quantos dias e noites se perderam por entre lágrimas e sorrisos, risos de pouco siso, adivinhando os sombrios tempos que certamente chegarão.

Videntes descrentes, soltas imprecisões, cartas interpretadas de tristezas magoadas, dores cantadas e jamais navegadas, escondidas e guardadas nos doces recantos da alma.

Este silêncio...

Tantos silêncios, aguardando o tempo em que nada mais subsista do que o ruidoso som desse vazio.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

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