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Caneca de Letras

Caneca de Letras

O Sentido Da Vida...

Filipe Vaz Correia, 30.12.18

 

Por vezes parece fácil viver, esquecendo todo o medo que sobrevoa a vida Humana, desde que nascemos, desde que começamos, levemente, a morrer.

Esse fim, marcado, submerso nessa correria do quotidiano que nos impele a adormecer essa desdita imperiosa.

Por vezes é despertada em nós, essa noção de fim, através de uma despedida, sempre que alguém parte, sempre que algo se parte dentro da nossa alma.

Por vezes num pesadelo ao adormecer, um arrepio ao acordar ou singelamente amarrado ao horizonte, numa memória perdida de algo que não conseguimos explicar...

Mas como explicar o que não tem explicação?

No meio de tamanhas reflexões, inquietações Humanas, sobram os dias e anos, os passageiros momentos que nos permitem suspirar, respirar, enquanto o corpo envelhece e a alma se engrandece, bebendo um pedaço dessa sabedoria que a Natureza nos oferece.

Por vezes parecemos imortais, pensamos nessa imortalidade que a juventude nos convence, mas por fim...

Seremos, somente,  uma ténue recordação do que um dia fomos, para permitir que novos sonhos de imortalidade se deparem com o eterno "sentido da vida".

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Menino...

Filipe Vaz Correia, 30.12.18

 

 

 

Suspenso no ar;

Numa redoma de encantar,

Vai caminhando o menino,

Buscando esse destino,

Que desmesuradamente perdeu,

Quando a ternura desvaneceu,

E lhe sobrou a tristeza,

Pedaço de dor sem beleza,

Que é solitária e ardente,

Sufocando loucamente,

Como se um dia,

Se pudesse tornar poesia...

 

E perdido o menino se encontrou;

Por entre a mágoa que chegou,

Sorrindo disfarçado,

Num desabafo entrelaçado,

Olhando para trás no tempo,

Procurando aquele momento,

Que para sempre ficou marcado,

Como o dia amargurado...

 

De tua partida.